The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
49 Sabia? Quando o Rouxinol Canta, Milagres Podem Acontecer
Notas iniciais
Lizandra
Cara, eu estava realmente ferrada.
Se os nossos calculos estivessem certos eu tinha três dias.
Para ser mais exata hoje, amanhã e depois para me declarar a Leon.
Só não consigo pensar em nada que me ajude com isso.
Enfim, a minha pouca paz aquela tarde se deu por que Lilliel e Gray ainda estavam muito cansados.
Embora nesse momento eu não me arrisque a perguntar se é da missão ou das duas horas que fiquei fora com o quarto só para eles.
De qualquer forma eu não diria que as poucas horas de hoje e as horas corridas que teriamos com a chegada de Lear e Ashlley pudessem me ajudar, ainda que as de hoje ainda possam contar como uma chance melhor.
Gray suspirou cansado me tirando de meus pensamentos e encarei minha perna novamente enfaixada.
–Bom, os cuidados que precisamos até que dê as doze horas já foram feitos. Se querem saber não esta tão ruim assim. -Ele tentou parecer legal com aquele sorriso de lado travesso.
O pior é que ele não só fica parecendo legal como mais bonito, o que sempre termina com um suspirinho da Lilli.
Rosnei daquilo.
Gray e Lilliel me encararam irônicos.
–Que foi? -Encarei os dois.
–Nada. Só estava pensando por que não posso suspirar pelo meu namorado se você faz o mesmo a cada movimento do Leon e nem namorados são ainda.
Aquilo não foi um tapa na cara, foi uma surra mesmo.
–Certo. Façam de conta que eu não falei nem fiz nada.
Os dois riram.
–Tudo bem maninha, mas admita ao menos um pouco uma coisa. -Gray fez um suspense besta de cinco segundos. -Saber que o plano da Drew deu mais do que errado é incrível, não é?
–Melhor que isso só a cara dela ao ouvir que é sua parente.
Bufei contrariada.
Claro que foi hilário ouvir Clarisse narrar a descoberta que o plano da minha... tia?!
É acho que seria algo assim.
O fato é que saber que ela se deu mau foi legal, mas eu não estava lá muito animada com a perspectiva de ter Drew como minha parente e muito menos com o jantar a poucos minutos.
As noticias da missão e do parentesco meu e de Lilli já estavam por todo o acampamento.
Isso sem falar nas Caçadoras trancadas no chalé de Ártemis o dia todo esperando sei lá o que por ordem da deusa.
A ideia de ter as Caçadoras ali era tão animadora que a maior parte dos campistas já ficava de mau-humor só de imaginar.
Eu e Gray eramos um dos poucos que não tinha problemas com isso.
Os outros... era melhor nem comentar com eles.
As Caçadoras adoravam Reynald, conversavam animadas com Halley e Clarisse, treinavam com Galatea e Ricardo, respeitavam Percy, não invocavam com Chris e isso resumia que o grupo de “colegas” daquelas garotas eram pessoas muito fora de série.
Chris, Percy e Rigardo eram tão fiéis a suas namoradas quanto eu sei que Gray sera com Lilliel ou Leon comigo, isso se conseguir me declarar para ele, que elas chegavam a chama-los de irmãos.
Entre Reynald e Halley não se pode falar nada, afinal Hall pode ser mais perigosa no meio das caçadoras com todas as roupas do que ele se todo mundo estiver sem roupas.
E sim, isso já aconteceu uma vez.
Longa história.
Mas, nesse dia todo o acampamento entendeu que Rey não tem nenhum pingo de atração por mulheres ao ponto que Ártemis apenas suspirou e acordou todo mundo sem tentar matar ninguém.
Claro que todo mundo ficou com medo dela mesmo assim.
O som da concha do jantar soou pelo acampamento e nós três descemos para a varanda aonde encontramos Percy e Quirón parados nos esperando.
Aquele centauro tinha uma cara com um ar levemente divertido, enquanto Percy sorria abertamente de uma boa piada.
Ver Quirón me fez lembrar de algo que ele falou rapidamente mais cedo comigo sobre precisarmos jantar com os outros, mas que dormiriamos pelo menos mais uma noite na casa grande por precaução dos machucados.
Aquilo no fundo me pareceu uma desculpa, para me dar mais tempo para pensar sobre o Chalé de Hermes, além de evitar mais confusões que o necessário com Gray e Lilliel para sua cabeça.
–E ai garotos? Tudo bem agora? -O sorriso de Percy foi nostálgico.
Era como se estivesse revendo o dia que ele e Annabeth apareceram do nada na porta da minha casa a oito anos e meio.
–Do que jeito que dá estamos “ótimos”. -A resposta cínica de Lilli tinha um leve sorriso torto.
Ela me falou que não queria abusar da sorte com o machucado e quando perguntei por que não parava de agarrar o Gray daquele jeito ela me disse que “Aquilo era prazer e valia a pena algum sacrifício”.
Fora que Gray ainda disse “Claro que sendo gostoso desse jeito só assim para dar certo mesmo”.
Sim, nós encerramos a discussão ali.
–Certo certo. Pergunta idiota a minha. -Ouvi a voz de Percy em meio a uma risada me tirou novamente dos meus devaneios. -Agora se preparem que teremos novidades hoje!
A empolgação de Percy era tanta que me perguntava se ele realmente já tinha passado dos vinte e cinco, mas eu sabia muito bem que aquele era o seu jeito de tentar ajudar os mais novos.
Só que nenhum de nós três estavamos muito dispostos naquele momento.
E isso deixou Percy no vácuo.
–Qual é pessoal, vamos tentar pelo menos dar uns sorrisos alegres. Vocês completaram uma missão difícil como aquela e ainda estão voltando a ficar inteiros.
–Percy, é melhor falar de uma vez. Se irritar as duas eu só posso segurar uma e não vai ser a Liz. -Gray tinha um meio sorriso ao responder.
Percy suspirou vencido.
–Certo. O senhor D. liberou que os três sentem em qualquer mesa que os convide hoje, contanto que queiram aceitar o convite. Mas já vou avisando que logo de cara as mesas de Thanatos, Apolo, Ares e Ártemis ficaram animadas com a ideia. -O sorriso dele era maroto, algo estranho para o monitor chefe de atividades do acampamento.
–Piper e Halley então tinham os sorrisos mais divertidos do pavilhão. -Quirón disse como se a ideia também o divertisse e uma vontade quase infinita de irritar Drew mais um pouco me fazia sorrir.
Descemos os cinco para o pavilhão, assim que chegamos Clarisse e Reynald nos arrastaram para a mesa de Ares, aonde comemos , rimos e brigamos.
Depois foi a vez de Piper e Halley nos levarem para a mesa de Afrodite, mesmo com metade da mesa duros feitos como estatuas alguns outros pareceram mais receptivos e até fizeram umas duas ou três piadas.
Na verdade aquilo durou uns quinze minutos antes de a mesa de Apolo nos puxar.
Então foram as caçadoras de Ártemis que, para o espanto quase geral, que adoraram Gray e Lilliel juntos fazendo até piadas sobre o casamentos dos dois, não que eu tenha realmente entendido.
Continuamos depois por Thanatos, Zeus e por fim paramos em Morpheus, nessa hora eu quis foi morrer de vergonha. Claro que ainda passamos na mesa de Hermes e Hypnos.
Quando o jantar chegou ao fim nós haviamos passado por todas as mesas do pavilhão e tinha comido muito mais do que poderiamos aguentar, isso por que eu e a Lilli comemos muito mais do que pessoas com fome acima da média.
Todos começaram a deixar o pavilhão e seguir para a fogueira, enquanto eu me esgueirava para a direção oposta com minhas muletas.
Eu sabia que poderia ir para a fogueira, provavelmente ninguém iria se atrever a me perturbar direta ou indiretamente, mas precisava ir para a praia.
Aquele sempre foi meu lugar favorito para poder pensar e colocar todo em ordem na minha mente e na minha alma, ou mesmo para simplesmente relaxar um pouco como agora.
Sentei na areia enterrando meus pés ali e encarando as estrelas.
Seria tão bom se chovesse agora e eu pudesse fazer algo idiota para ganhar mais tempo, não fazia a menor ideia de como lidar com Leon. Só que além de ser uma ideia estupida havia outro problema, por que Gray e Lilli não mudariam meu prazo por nada no mundo, até por que saberiam o que eu tinha feito.
Eu precisava colocar aquele medo e aquele sentimento para fora.
Hera tinha razão em muitas coisas que havia me falado no deserto, uma delas era que eu morro de medo que Leon me rejeite, mesmo sabendo que ele me ama.
Eu não sou metida ou prepotente ao ponto de achar que todo o garoto gosta ou olha apaixonado na minha direção, mas eu não sou tão burra e desligada quanto pensam. Mesmo assim não é tão simples como parece acreditar em algo mesmo sabendo que é verdade.
Respirei fundo desejando simplesmente conseguir me expressar e então a musica que ouvi no Lótus aquela tarde conversando com Carlo, a mesma que ele contou sobre a minha família, me veio a mente e fluiu como se mais nada fosse importante.
[http://letras.mus.br/demi-lovato/nightingale/traducao.html]
Então eu estava novamente mergulhada nos meus sentimentos, deixando eles simplesmente saírem e quem sabe me dar uma resposta.
“I cant sleep tonight
Wide awake and so confused
Eveything's in line,
But I am bruised”
Aos poucos nos primeiros versos meus medos escaparam um por um para longe, como se nunca tivessem existido ali.
“I need a voice to echo,
I need a light to take me home
I kinda need a hero,
Is it you?”
Meu medo de terminar como Luke, de Gray não querer mais me apoiar, de Clarisse me odiar, de Leon mesmo me amando me dar o fora, de meu pai decidir que eu sou uma completa decepção, o medo da minha personalidade, dos meus sonhos e até mesmo das coisas que nunca pensei que poderia fazer.
“I never see the forest for the trees,
I could really use your melody
Baby i'm a little blind,
I think it’s time for you to find me”
Quando o refrão começou todos aqueles sentimentos já estavam tão longe ou tão destruídos que meus olhos marejaram, em partes por colocar aquilo para fora e por outro lado por que aquele medo esteve comigo por tanto tempo que o vazio que ele me deixava era algo entre o triste e a satisfação.
“Can you be my nightingale?
Sing to me I know you’re there
You could be my sanity
Bring me peace,
Sing me to sleep
Say you’ll be my nightingale”
Eu estava livre, agora de verdade.
Todo o resto que havia sobrado daquele medo era tão normal que chegava ser engraçado se resumir ao medo do que eu não conhecia, do inesperado.
Agora eu precisava ouvir a voz do Leon e mesmo não sabendo como iria fazer, não precisava mais me preocupar, por que, independente do que me falassem ou da resposta dele, eu nunca mais estaria sozinha.
“Somebody speak to me
Cause im feeling like hell
Need you to answer me,
I’m overwhelmed”
Meu peito se encheu com todos os meus sentimentos por ele e cada nota ressoou na minha alma, chacoalhou meu espirito e fez minha mente, minha consciência e meu corpo tremerem com uma intensidade que nunca pensei que poderia existir.
Quando tive a impressão de ouvir outra pessoa contando comigo cada terminação nervosa do meu corpo se agitou, mas diferente de uma batalha, aquilo era bom e eu sabia que não precisava ficar com medo.
“I need a voice to echo,
I need a light to take me home
I need a star to follow, I dont know
I never see the forest for the trees,
I could really use your melody
Baby i'm a little blind,
I think it’s time for you to find me”
Quando o refrão começou novamente a voz grossa e levemente rouca as minhas costas era tão próxima, tão presente que eu pensei que era um sonho.
Então me virei e Leon estava ali cantando comigo, fazendo o mesmo pedido que a letra trazia, os mesmos desejos e as mesmas promessas.
“Can you be my nightingale?
Sing to me I know you’re there
You could be my sanity
Bring me peace,
Sing me to sleep
Say you’ll be my nightingale”
Aquilo era um sonho.
Um do qual eu não iria ou aceitava acordar e pela expressão nos olhos de Leon, a forma como me olhava enquanto cantava uma música que de alguma forma nos ligava naquele momento, tive a certeza que ele também não deixaria aquele sonho desaparecer.
Eu podia ver isso no fundo dos seus olhos, enquanto ele estava ajoelhado a minha frente.
“I dont know what i’d do without you
Your words are like a whisper, come through
As long as you’re with me here tonight, i'm good
Can you be my nightingale?
Feel so close I know you’re there
Ooooh, nightingale
Sing to me, I know you’re there
Cause baby you’re my sanity
You bring me peace
Sing me to sleep
Say you’ll be my nightingale”
Quando terminamos Leon me olhava com uma intensidade tão grande e ao mesmo tempo tão perturbadora que me deixou surpresa.
Eu podia ver os diferentes sentimentos cruzarem seus olhos de uma forma tão diferente do normal, quando ele se continha para não mostrar seus sentimentos exagerados e não obrigar ninguém a nada.
Seu rosto se contorceu por um instante tentando formar as palavras e o fazendo engolir em seco.
Estavam ali todos os seus desejos e sentimentos. Ansioso. Nervoso. Impaciente. Tenso. Até mesmo possessivo.
Todas as características naturais que ele raramente expressava.
Ele estava tão tenso e me deixando tão nervosa que não conseguia pensar direito, quando eu pensei em falar qualquer besteira apenas para tentar fazer ambos relaxarem Leon fez a única coisa que conseguiu pensar e usou a própria música para se expressar.
–Você pode ser o meu rouxinol? Cante para mim, eu sei que você está ai. Você pode ser minha sanidade, me trazer paz, cantar para eu dormir. Diga que você será meu rouxinol.
Certo, aquilo me deixou tão envergonhada que achei que nunca mais iria parar de sentir meu rosto queimar e não era por que, como poderiam e iriam dizer alguns filhos de Ares, aquilo era brega, mas na verdade era perfeito.
Era tudo que eu poderia ter sonhado e até melhor do que no sonho.
Eu sempre pensei que eu precisaria dizer o que sinto e que ele apenas diria que também gostava de mim. Eu perguntaria se poderiamos ser namorados, ele responderia que sim e seria tudo.
Eu levei mais de dois minutos tentando articular uma resposta, abrindo e fechando a boca, piscando e respirando enquanto meu rosto parecia queimar mais do que antes.
–Sim. Eu vou ser seu rouxinol. -Tudo bem, admito que minha resposta foi um tanto idiota, mas Leon apenas sorriu.
–Então, eu posso ser o seu rouxinol?
Acabei rindo.
–Eu ficaria muito brava se não fosse.
Ele riu daquele jeito que sempre me deixava suspirando pelos cantos do acampamento e eu agi por impulso.
Agarrei a gola da camisa dele e o beijei, o que de certa forma me fez sentir um tanto idiota e por outro me deixou muito, mas muito feliz mesmo.
Quando paramos o beijo Leon ainda sorria e eu acabei sorrindo também, até ele levantar me puxando junto e, então, me beijar. Meus pés não estavam mais tocando o chão, um dos braços dele ficava em torno da minha cintura enquanto meus braços enlaçavam seu pescoço.
Ele não teve muitas dúvidas em forçar sua língua para a minha boca e eu menos ainda em dar passagem, bem como pedir passagem.
A minha única constatação era que de certa forma Leon era estupidamente alto para certas coisas, por que em situações normais a sua boca era pelo menos trinta centímetros mais alta que a minha.
Nesse ponto eu e Lilliel teriamos que nos virar com nossos namorados.
O que me lembro é que em algum momento dessa constatação eu enlacei minhas pernas ao redor da cintura de Leon e consegui deixar minha boca dois centímetros acima da dele, o que foi bem interessante.
Na verdade muito interessante, só que isso não durou tanto quanto comecei a querer.
Isso por que Gray e Lilliel pareceram notar minha falta na fogueira, então saíram me procurar com todo o acampamento nos calcanhares, por isso quando eles resolveram nos interromper eu e Leon demos de cara com uma platéia completa.
–Ora, veja só. No final ela não usou nem metade do tempo que decidimos. -Gray falou alto nos fazendo parar e encarar todos.
Quando vimos aquilo eu mesma fiquei na dúvida do que estava acontecendo.
Clarisse parada ao lado de Gray com seu sorriso irônico e sacana estampado nos lábios, Chris com um sorriso digno dos gêmeos, Lana se divertia frente a cena, Connor e Travis tinham as caras mais confusas entre o ciúme protetor e a graça.
Percy assentia negativamente, enquanto Galatea e Rigardo tinham um sorriso cinico, assim como os chalés de Morpheus, Thanatos, Apolo e Ares.
Isso sem falar de Reynald e Halley que riam como dois demônios, mas eu sabia que eles em breve estariam em uma situação até mais interessante que a minha.
Mais ao fundo eu pude ver Jack, Drew e seus amigos, assim como todos os outros que nunca fizeram questão me tratar bem com as caras mais idiotas do ano, o que me fez sentir triste por não ter uma câmera na mão agora.
Deuses! Até as caçadoras estavam ali em um ponto mais afastado com sorrisos dignos de filhas de Hermes.
Na verdade vendo todos ali, a cara da minha prima e do meu irmão, além da minha própria situação, eu sabia que ainda vinha mais coisa e claro que estava certa.
–Viu, nós dissemos que aqueles dias não ficariam baratos. -O sorriso de Lilliel era quase que muito assustador. -Agora é a minha vez de dizer isso “vocês precisam trepar”, sério.
Certo, ouvir aquilo foi terrível, assim como a cara dos nossos amigos. Claro que a cara dos outros, Percy, Quirón, Drew e seus seguidores foi muito legal.
A parte constrangedora foi o que Leon falou e só eu ouvi.
–Droga! Assim vai ficar difícil ignorar essa ideia. -Quando ele notou que tinha falado alto e não pensado se apressou em me colocar no chão e se aproximar do meu ouvido. -Não me entenda errado. É que estou a tanto tempo só olhado, sonhando e desejando poder te tocar, tantos anos que não é como se isso não estivesse nos meus planos.
Por mais de dois minutos senti meu rosto esquentar tanto de vergonha que realmente fiquei na dúvida se um dia aquilo passaria.
Então aquela vergonha foi repentinamente substituída por um sentimento diferente, um tipo de ideia ou mesmo a certeza que eu também tinha aquilo nos meus planos.
Leon se afastou um pouco e tocou meu rosto que provavelmente estava muito vermelho ainda e sorriu, me fazendo encarar aqueles olhos cheios de sentimento e eu simplesmente falei:
–Eu sei. Eu realmente sei.
Ele não falou nada, apenas pegou minhas muletas, me deu apoio e juntos subimos a colina da praia até onde nossos amigos estavam.
Assim que alcançamos eles todos pareceram animados e Clarisse foi a primeira, tirando todo mundo da sua frente, a nos cumprimentar bagunçando nossos cabelos. Ela também lançou aquele olhar de “vou te matar se fzer algo errado” para Leon e me deu um abraço torto. Meus irmãos que não me odeiam (o que é um total de seis além dos gêmeos e da Lana) assim como o chalé de Morpheus e Ares faziam uma bela festa.
Todos os oito filhos de Apolo além do Gray que conversam comigo, os dois de Démeter, os três de Hefésto, os filhos dos três grandes, os chalés do sub-mundo, as seis flhas de Afrodite (incluindo Piper e Halley), os três filhos de Dionisio (que é na verdade todo o chalé), os cinco filhos de Atena e mais uns quinze campistas dos chalés de deuses menores (de um total de pelo menos cinquenta) apareceram para dar os parabéns por finalmente eu e Leon sairmos do “chove não molha” de mais de cinco anos.
O que me fez entender que realmente nós dois eramos muito óbvios e não a Lilliel que era muito esperta, até por que ela pode ser muito lerda quando o assunto não é do interesse dela.
Na verdade a parte mais estranha foi que até as caçadoras nos deram os parabéns, pelo menos umas cinco eu tenho certeza e acho que são aquelas que sabem realmente como as coisas funcionam para a “Linhagem” ou chamam Gray de sobrinho.
Por fim Quirón fez todo mundo voltar para a fogueira, mas indicou a casa grande como o caminho de nós quatro, então seguimos o caminho oposto na forte fé que nada mais iria acontecer.
Bom, claro que alguma coisa aconteceu.
Pelo menos nada tão grave quanto poderia ser, apenas o tio D. sendo um tio babão como sempre. Eu soube disso no minuto que abri a porta e vi ele sentado de forma relaxada no sofá com aquele sorriso debochado nos lábios, mas logo em seguida mudando para um sorriso um pouco mais amoroso, quase paternal. Mesmo que eu acho que só eu sou capaz de ver isso as vezes.
–Realmente, vocês quatro são a cara das suas mães. -Esse foi o momento em que pensei algo do tipo “por que sempre começa assim”. -Mas de verdade estou feliz por estarem bem agora, principalmente vocês garotas. Não é minha função dizer o que você podem ou não fazer no acampamento e sim do Quirón, então podem se entender com ele. -Depois ele olhou de forma perigosa para o Leon. -Muito embora eu espero que certa pessoa faça as coisas muito bem feitas ou pretendo arrancar uns dedos da mão dele, entendeu Leon.
–Com certeza senhor. -Mas apesar da resposta formal Leon estava sorrindo.
–E bom mesmo, até por que pedir isso no caso da Lilliel era demais da conta já que os dois ai são muito teimosos. -Ele apontou para Lilli e Gray que ficaram vermelhos de vergonha, muito embora eu não entendesse como poderiam ficar com vergonha daquelas palavras.
Depois daquelas palavras o Sr. D. simplesmente sumiu deixando o cheiro de uvas, vinho e festa por todos os cantos da sala.
Dois minutos depois quando finalmente conseguimos nos acalmar Clarisse e Chirs passaram pela porta dizendo que Quirón pediu que “vigiassem” a gente, mas como Silena e Charlie não estavam com eles eu soube na hora que isso era tudo que eles não iriam fazer.
Claro que todos ficamos na sala cada casal em um sofá bem distraído.
Só nos primeiros minutos que fiquei um pouco irritada com Gray e Lilliel que ficavam de um jeito tão insuportável que me fazia ter certeza que se eles tivessem a chance de chegar no quarto primeiro e ter dez minutos sozinhos eu teria que dormir no sofá da sala.
Mas depois me concentrei mais no meu namorado, algo que francamente eu nem cogitava conseguir pensar a pouco mais de dez dias, mas nem como presente de natal, que dirá como fruto da minha própria auto-confiança recém-redescoberta.
Eu posso nunca ter beijado alguém na vida, mas tenho certeza que ninguém beija melhor que Leon, independente de saber que Lilliel vai falar o mesmo do Gray e que penso assim principalmente por ser quem eu sou ou do que meu namorado representa acho que seria impossível não pensar assim desde que eu menos um décimo de como sou continuasse a existir.
Leon me encarou quando se afastou um pouco e passou o polegar delicadamente ao redor do meu olho.
–Sabia que sempre amei a cor deles? -Dei uma risada baixa.
–Na verdade não.
–Passei os últimos dias olhando para o mar, só por que a cor refletida é levemente parecida com a dos seus olhos. -Ele confessou um pouco tímido.
–Só fez isso nos últimos dias?
Ele fez uma careta.
–Não. Passei os dias irritado e mau-humorado com todos por que você não estava aqui ou eu com você.
Aquilo me fez sorrir enquanto meus dedos deslizava pelo cabelo dele.
–Eu sempre amei o seu cabelo quando você deixa ele crescer um pouco.
Ele pareceu ficar com vergonha e desviou o olhar.
–Esqueci de cortar ele durante a missão, pretendia fazer isso amanhã.
–Não precisa, você fica ainda mais bonito com o cabelo assim e mal chegou a ondular. Além disso, é o perfeito oposto do meu cabelo negro como as trevas profundas.
Leon sorriu e segurou uma das mechas prateadas.
–Nem tão negro agora.
Aproximei meu rosto mais do dele.
–As consequências da ajuda de Kaíros ou os resultados disso com minha genética divina não mudam o fato que eu amo tocar no seu cabelo e venho querendo fazer isso muito tempo. -Sussurrei ao pé do seu ouvido.
Ele emitiu um som próximo a um grunhido e encostou a testa na minha.
–Certo, você ganhou. Vou deixa-lo desse tamanho, mas por favor não me provoca desse jeito.
–Não entendi. -Na verdade eu nem fazia ideia do que ele queria dizer.
Leon deu uma risada baixa antes de responder.
–Tudo bem, eu posso estar louco, mas parece que até sua respiração está me deixando com vontade de te agarrar e isso é um tanto constrangedor, para não dizer perigoso.
Meu corpo inteiro tremeu e quando Leon me encarou soube que não foi por medo ou susto, mas sim que o fato de causar nele esse sentimento acabava me fazendo sentir igual ou até mais vontade de que ele me agarrasse como dizia.
Acho que foi por isso que ele me beijou e paramos de falar até a hora que Clarisse disse que Leon tinha que voltar para o chalé dele.
Então meu namorado foi, com a promessa de ser o primeiro campista que eu veria pela manhã.
Não discuti aquela afirmação.
Apenas fui o mais rápido que pude para a minha cama e dormi desejando que a manhã seguinte chegasse mais rápido que o normal.
Continua...
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