The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
29 Pensei Que As Visitas Tinham Acabado...
Notas iniciais
Não foi nem a intenção, mas ficou.
Bom, espero que aproveitem.
Sobre os agradecimentos dessa semana (e seus comentários) eles vão para:
-Mila Galanthus, ela disse que a deixei curiosa (valeu a pena o esforço no cap então);
-Milena Corrêa, disse que não entendeu por que a Annie e a Teresa riram do Gray (bom, nem ele) e eu não vou contar, mas concordo que eles sofrem nessa história;
-Gih Castro, pessoa com medo do que pode acontecer com nossos heróis (e apostando que o Gray vai cuidar de tudo), ela também deu um palpite sobre a deusa que vai fazer uma visita e... vamos ver se ela acertou (no final eu digo se sim).
=X=
Informação para quem acompanha "The Olimpians - The Other Side Of Time" estou avisando que vou deleta-la por hora.
Assim não fico preocupada com ela parada e me concentro mais nessa fic.
Quando ela terminar eu posto a outra do início e tenho tempo de reformular algumas coisas no enredo.
No mais estou sem imaginação para comentar aqui como normalmente faço.
Gray
Dezesseis horas, quinze minutos e cinquenta e sete segundos.
Respirei fundo e fui até Lizandra.
Querendo ou não agora eu tinha que acordar as duas.
Então achei melhor começar pela Liz, por que se eu começasse com a Lilli haviam duas opções: brigariamos ou nos beijariamos.
No momento eu não poderia me dar ao luxo nem da primeira, que dirá da segunda e essa certeza era extremamente irritante.
Segurei o ombro de Lizandra e a sacudi de leve.
–Lizi. Vamos garota. Eu não tenho comida, mas você precisa levantar.
Ouvi ela resmungar algo ininteligível e depois bocejar irritada.
–Acho bom não ter perdido nossa comida.
Me afastei num susto.
Liz acordou muito mais rápido do que eu teria previsto.
Aquilo não era normal.
–V... você tá legal? -Certo, eu estava morrendo de medo dela.
Ela sentou e massageou a nuca.
–Sim. Por que não estaria?
–Eu te acordei.
–Sim. Mas eu dormi bem, o que é estranho já que falei com o Kaíros. Então?
Engoli em seco.
–Temos que sair daqui agora, ou os monstros vão aparecer.
–Como sabe disso?
–Teresa.
Lizandra não questionou, apenas levantou e pegou sua mochila e a da Lilli.
Depois ela me encarou e fez uma careta.
–Vamos lá príncipe encantado, dê um beijo na sua princesa.
Que maravilha, ela acordou a todo o vapor.
O pior é que isso me afetou.
–Se fosse só isso que eu quisesse fazer tava de bom tamanho.
Quando me dei conta do que falei encarei Liz que tinha a cara entre a dúvida e o divertimento.
–Bom saber, se isso for verdade eu juro que compro os pre...
–Já entendi! -Gritei antes que ela terminasse aquela maldita frase.
Eu e minha boca grande perto da Lizandra, mas que merda.
–Tudo bem. Mas já sabe.
Rosnei na direção dela, que apenas riu e apontou para Lilli ainda dormindo.
Respirei fundo e segurei o ombro dela, sacudindo de leve como com Liz.
–Hey. Acorda bela adormecida.
Lilli se mexeu desconfortável e depois abriu os olhos assustada.
–Onde... eu não estava... espera, quem me chamou de bela adormecida? Eu vou bater no infeliz.
Então Lizandra gargalhou e respondeu:
–O Gray, quem mais? Vocês são o único casal aqui se estranhando.
Eu achei que Lilliel fosse gritar algo, mas quando a encarei ela parecia esperar o mesmo e isso foi meio estranho.
Então respirei fundo e olhei Liz.
–Apenas carregue a mochila da Lilli, eu vou ajudar ela a andar com essa perna.
Liz deu um suspiro de decepção como se esperasse mais de nós dois e depois se endireitou pronta para uma guerra ou algo que fosse muito parecido na minha opinião, mas é difícil ter certeza com ela.
Lilliel olhava para a perna da calça em dúvida e eu sabia o por que.
–Mas como foi que alguém costurou um zíper desse tamanho na minha calça enquanto eu dormia?
Liz riu e me amaldiçoei silenciosamente.
–Deve ser coisa do Gray, ele é bom em costurar roupas rasgadas tanto quando é bom em costurar os pedaços que possam ser decepados por espadas.
Lilli me olhou em dúvida e depois de arrumar a pequena bolsa mágica que Quirón nos deu nos ombros me estendeu a mão.
Puxei-a para cima e ela tentou apoiar o a perna no chão para uma passada.
Grande erro. Nós dois quase fomos ao chão.
–Calma ai garota. Os pontos vão arrebentar se ficar forçando essa perna.
–Mas que merda. Agora preciso de apoio para andar. Realmente era o que faltava.
–Veja o lado bom, agora vocês tem uma desculpa para se agarrarem a qualquer instante. -A frase de Liz quebrou toda a nossa linha de raciocínio não constrangedora e nos jogou no caminho oposto.
Ela notou nós dois encarando ela e depois de um risinho muito sinistro deu de ombros.
–Não falei nenhuma mentira até onde eu sei e ambos me deram muitos motivos, então fim de discussão.
Eu queria retrucar, mas não podia.
Sabia que antes dela dormir eu tinha forçado uma conversa nada fácil e quando ela acordou falei o que não devia.
Além disso só os deuses sabem o que ela fala com a Lilli pelas minhas costas e esse é outro ponto que me impede de retrucar o que Liz falou.
–Vamos seus molengas. Mexam essas pernas.
Suspirei.
Ao meu lado Lilliel grunhiu algo ininteligível.
Encarei ela em dúvida.
–Vamos?
–Sim. Ou aquela ali nos mata.
Apenas dei uma risada baixa.
Passei o braço ao redor da cintura de Lilli que fez o mesmo, até por que ela não poderia passar o braço pelo meu ombro.
Claro, no momento em que o corpo dela grudou no meu minha mente tentou lembrar de cada detalhe de cada aula que tive com Clarisse sobre formas de tortura.
Fiz questão de listar os perigos envolvidos ali.
Lilliel, Lizandra, a mãe da Lilli, minha tia, o pai da Lilli, a família dela era outro ponto forte e isso não era nem o começo da lista.
Encarei Liz que deu uma risada ainda mais cínica como se lendo meus pensamentos e dizendo “Se ferrou”.
O pior que ela estava certa.
Por que ocupar minha mente com os perigos que cercavam Lilliel ou mesmo as aulas perigosas de Clarisse não melhoravam o fato que meu corpo estava esquentando da mesma forma que ouvi Annabeth dizer que viu o corpo do meu pai esquentar perto de Teresa.
Pensar nisso piorou a forma como me sentia.
==========X==========
Nós estavamos andando a mais de três horas e meia.
Com a perna de Lilliel naquele estado estavamos levando mais tempo que o normal para percorrer uma distancia que normalmente daria menos de três horas.
Na verdade eu estava literalmente carregado Lilli nos meus ombros a essa altura, por que ela mal conseguia andar com a perna boa depois daquela pequena distancia e a perna ruim mal podia tocar o chão sem causar um grito de dor mal contido que me afligia a alma de tanta raiva.
Em um ponto Teresa tinha razão.
Eu poderia ter ajudado, mesmo morrendo no processo a evitar a situação atual dela.
A única coisa que me incomodava é que de alguma forma eu sabia que não fazer nada naquela hora era o certo.
Assim como algo me dizia que eu saberia a única hora em que poderia usar meus poderes sem me matar.
Era algo que não sabia explicar, mas de alguma forma eu sabia disso.
Algo que não me ajudava muito também.
–Gray... espera... -Lilliel arfou visivelmente perturbada com a dor.
Parei na mesma hora e virei para Lizandra.
–Liz, tempo. -Liz parou e ficou olhando ao redor a procura de perigos, enquanto eu me inclinava na direção de Lilli. -Certo, respira. Eu acho que tenho alguma coisa para dor e talvez um pouco de néctar.
Peguei na mochila um saco de remédios humanos, duas cartelas, uma de dipirona e outra de anti-inflamatórios.
Na verdade eu queria ter antibióticos, mas na falta era isso mesmo e de certa forma era o meu melhor, ainda que eu soubesse que nem o néctar estivesse melhorando a situação.
–Vai, engole isso e um pouco do néctar. Até que eu ache uma boa solução é o que posso te dar. -Menti tentando parecer confiante.
–Não acho que seja o melhor que pode me dar... por que não olha nos meus olhos... estou aqui...
Engoli em seco.
Certo, isso era mau.
Lilliel estava delirando devido a febre e falando coisas que apesar da falta de nexo estavam mexendo comigo.
Respirei fundo.
–Eu sei, agora apenas tome o remédio e fique calma. -Na verdade a última parte era mais um pedido pessoal.
Olhei de soslaio para Liz que apesar de séria e preocupada com a nossa segurança ao me ver deu seu melhor sorriso cínico como se dizendo “Eu falei e repito, precisam trepar sim”.
Pensar nisso me fez querer morrer ou matar a Liz, qualquer um dos dois era uma péssima ideia, mas mesmo assim eu não poderia nem mesmo manda-la para o meio do inferno.
Afinal eu sabia melhor que ninguém até que ponto a provocação de Liz era uma brincadeira e a partir de que ponto era verdade.
Respirei fundo novamente e fiz Lilliel ficar de pé.
Eu poderia simplesmente carrega-la nos braços ou joga-la sobre meus ombros, mas na minha única menção a fazer isso ela arrumou forças sei lá de onde e quase me matou.
Segurei firme a cintura de Lilli contra meu corpo para ela não cair e me preparei para voltarmos a caminhada.
Isso até um aroma estranho preencher minha mente e meus pulmões.
Eram flores, grama recém cortada e molhada, terra revirada, a sensação de uma brisa fria com limão.
Levei uns dez segundos para notar que o cheiro vinha de Lilliel e isso tornou tudo mais estranho.
Desde o acampamento ou durante a missão eu não senti nenhum perfume vindo dela, se muito o cheiro de sabonete ou o cheiro que sempre emanava dos filhos de Thanatos e seu chalé no acampamento. Terra revirada e uma brisa fria.
Olhei para Lizi tentando achar alguma resposta enquanto o perfume ficava mais impregnado no meu nariz e na minha mente.
Porém tudo que ela fez foi dar de ombros como se nem ligasse ou não estivesse afim de falar.
Isso me fez pensar em Perséfone e no fato que por meio ano no minimo ela é uma deusa do submundo.
Aquela ideia não me animou nada mais do que as outras que tive antes.
Então resolvi fzer como Liz e ignorar aquilo.
Voltamos a andar por pouco mais de dez minutos até que um ônibus de viagem se aproximar e parar ao nosso lado.
Quando a porta abriu eu estava esperando que um time inteiro de monstros descesse com bastões e frigideiras prontos para nos transformar em panqueca e depois fritar ao gosto deles.
Felizmente tudo que vi foi a cara de preocupação do motorista humano.
–Tudo bem crianças?
Respirei fundo.
Naquela situação a pergunta me soou como uma piada.
–Na verdade não. -Para minha surpresa Lizandra tomou a frente da conversa. -Minha prima machucou a perna durante nossa trilha e me irmão está tentando fazer as vezes de muleta, embora eu possa jurar que não está dando certo também. -Minha amiga deu um sorriso tímido do tipo “Sou frágil e indefesa, por favor me proteja”.
Na verdade ela fez isso tão bem que eu tive dificuldades em acreditar.
Afinal ela só consegue fazer isso de forma convincente como agora em casos de vida ou morte.
–Bem... eu, sabe... as passagens... é meio que... -O motorista começou a gaguejar loucamente tentando em vão resistir a qualquer que fosse o truque de Liz.
–Eu não vejo problema algum em leva-los de graça. Acho que contanto que desçam antes da rodoviária tudo bem. -Gritou um passageiro na primeira fileira de bancos.
–Sim, podemos leva-los até St.George sem problemas. -Gritou outro passageiro na segunda fileira de bancos.
Lizandra então sorriu de uma forma encabulada que eu sabia que não era real.
–Não precisa de tudo isso, podemos pagar pelas passagens.
Dessa vez foi uma mulher na primeira fila de bancos que falou:
–Deixe disso e fique com o dinheiro para o caso de precisar para a perna da sua amiga.
Quando a ideia do que Liz estava fazendo me apareceu não pude acreditar no que ou como ela havia conseguido aquilo.
Se fosse Halley, Piper ou mesmo Drew eu levaria de boa, mas Lizandra?
Aquilo já estava saindo do controle.
Mesmo assim não pude discutir com ela, por que a carona apareceu em ótima hora.
Então não poderia reclamar e Lilliel estava tão mal aquela altura que já era um milagre estar consciente, então não tinha muita força sobrando para reclamar.
Sentamos nos bancos ao fundo e ficamos em silêncio.
Liz estava em estado de alerta total pronta para matar o primeiro infeliz fazer um movimento suspeito.
Já eu tentava fazer tudo o que podia para melhorar o estado físico de Lilliel, sem muito sucesso.
Não demorou dez minutos Lilli dormia profundamente pela dor, cansaço, a caminhada e tudo que aconteceu desde Kampe.
Eu e Liz também estavamos cansados, mas acho que ainda não tanto quanto ela.
Queria saber o que dizer ou fazer agora naquele momento, mas tudo na minha cabeça parecia tão importante que era difícil achar por onde começar.
–Durma um pouco Gray, eu vou ficar de olho em tudo e te chamo qualquer coisa.
Por um segundo eu pensei em discutir aquilo, mas me pareceu melhor dormir pela hora de viagem seguinte.
–Valeu.
Olhei para Lilliel dormindo ao meu lado e mandei tudo pro meio do inferno.
O pai dela uma hora vai querer me matar mesmo assim como ela então resolvi fazer o que me pareceu certo na hora.
Me arrumei no banco e coloquei o corpo de Lilli contra o meu de forma protetora, ou possessiva como me sentia.
Ainda pude ver Liz rolar os olhos de forma irritada como se repetisse mentalmente “E ainda fica bravo quando digo para transarem” ou coisa do tipo.
Ignorei aquilo e respirei fundo.
Mais uma vez meus pulmões estavam sendo invadidos pelo estranho perfume que vinha de Lilli e em algum momento eu dormi profundamente.
O bastante para receber visitas.
Dessa vez a visita foi realmente inesperada.
Eu estava em um lugar familiar demais para ignorar o fato.
Ao meu redor haviam cinco garotas de idades variadas entre os treze e os dezoito anos, todas de boinas, calças camufladas pretas, blusas militares pratas, aljavas nas costas com seus arcos e coturnos muito bem presos e alinhados.
O comodo era um amplo quarto com paredes prata e colunas gregas na mesma cor, ao fundo havia uma grande lareira aonde o fogo crepitava forte. Na frente da lareira duas poltronas foram postas uma de frente para a outra e uma mulher jovem de uns vinte e um anos longos cabelos vermelhos e olhos reluzentes como estrelas me encarava sem expressão.
Engoli em seco sabendo que todas as caçadoras ali presentes sabiam que eu estava ali e foram convidadas.
Eu me lembrava claramente todas ali presentes, todas estavam na outra reunião.
Eliene era uma garota nova e esquentada que facilmente puxava briga com as filhas de Afrodite. Ela tinha longos cabelos negros e a pele branca cheia de sardas vermelhas. Pouco mais de um metro e trinta. Olhos igualmente negros.
Felícia também era esquentada como a amiga, mas era uma das mais fiéis a Ártemis, além de ser a mais madura das duas. A ruiva tinha a mesma idade física de Thalia, olhos castanhos, pele bronzeada e cerca de um metro e sessenta.
Melindra era a mais curiosa na minha opinião. Eu não sabia muito dela, apenas que parecia ser uma das mais velhas e que saiba era a melhor amiga de Zöe tendo vivido alguns séculos na companhia da antiga tenente. Sua pele morena tinha a companhia de um estranho tom de loiro reluzente nos ondulados cabelos longos com cachos nas pontas. Os olhos mudavam de cor a cada minuto. Que eu sabia ela era a mais alta e a mais velha de todas em todos os termos. Um metro e oitenta e cinco, dezoito anos e uns cinco séculos de Caçada.
Helen minha irmã também era uma das mais antigas ainda viva e a única que sorria na minha direção sem parecer que queria me matar. Admito que o senso de humor dela é perigoso. Dezesseis anos, um metro e sessenta e cinco, olhos verdes, cabelos castanhos e a pele fortemente bronzeada.
Por fim Thalia, a atual tenente da Caçada que, pelo que sei, logo deve pedir afastamento de tudo. Isso se as fofocas do acampamento estiverem certas.
Engoli em seco e fui na direção das poltronas aonde minha tia me esperava.
Encarei seu semblante firme e um calafrio percorreu minha espinha, ela poderia me matar. Principalmente por que ela raramente usa sua forma adulta na frente das caçadoras.
Sentei e esperei ser fulminado ali.
Ártemis mudou o peso do corpo um nada na poltrona e me encarou dando um sorriso minimo.
–Então você se apaixonou pela filha da Erza? Como dizer isso sem ser ofensiva? -Ela me encarou e deu um sorriso digno da Liz tirando sarro da minha cara. -Por acaso você e seu pai são masoquistas?
Todas na sala começaram a rir e eu senti meu rosto esquentar de vergonha.
Eu sabia que meu pai agia como um idiota para a Teresa e que eu agiria igual se Lilliel quisesse.
As caçadoras se aproximaram e eu senti que aquele sonho seria longo demais, pior que as visões de Kaíros até então.
–Eu não sei de nada... -Sussurrei.
–Qual é maninho, vai desmentir o que já sabemos? Tá escrito na sua cara “Morro pela Lilliel”em letras garrafais e neon. -Como falei, Helen tem senso de humor perigoso para os outros.
–Afinal quantas vezes o único homem que pode ter contato conosco se mete em problemas amorosos? -Felícia parecia não saber muito sobre o que falar, mas não queria perder a piada.
–Desde que ele não aja como um idiota nós vamos ficar felizes, afinal em principio você é o único homem em quem nós temos fé. -Eliene foi mais dura como sempre.
–Pensar que nosso “sobrinho” está namorando com minha prima em... que grau de parentesco podemos ter? Deixe pra lá. Mas Kaíros deve gostar de você, afinal ele te deixou ver o passado delas e mostrar aquilo da Lilli é algo para se pensar. — Melindra falou aquilo com tanta calma e eu fiquei em choque o bastante para ela terminar de falar.
–Como é?! -Gritei levantando.
–Não falei antes pois não era necessário, mas Melindra é neta de Kaíros. Uma das parentes mais diretas dele viva atualmente e entrou na caçada para esperar seu tempo já que aparentemente ela não precisa ser parte dos planos de Kaíros.
–Ora Gray, pense bem, seria estranho se nenhum de nós podendo ver o futuro não soubesse que seu tempo estava errado. Eu só tive a sorte de encontrar lady Ártemis e ela me aceitar até meu tempo chegar, nem todos tem essa sorte e a minha roda de destino uma hora vai voltar a girar como se deve. -Melindra falava como se realmente conhecesse o futuro.
Na verdade eu jurava que ela sabia, por que eu falei com Kaíros.
Por que eu passei os últimos dias vendo Liz e Lilli fazer coisas do tipo, então mesmo que minhas companheiras de viagem ainda não estivessem certas ao ponto de soarem como Melindra isso me foi familiar demais.
–Você fugiu para achar o seu tempo? É uma forma de dizer que a pessoa que você vai amar ainda não tinha nascido na sua época ou que ela ainda não está pronta para você? -As palavras saíram automaticamente sem eu notar.
Todas me encaravam e olhavam para Melindra em dúvida.
Mas ela apenas suspirou.
–Bom, nenhum dois dois está errado na atual conjectura. Quando eu nasci ele não existia e não posso dizer que os últimos anos foram melhores. Aquele garoto ainda está um tanto perdido para que eu faça algo a respeito e ele não ficaria comigo agora. -Ela parecia um pouco distante e séria, algo que estranhamente a tornou mais bonita.
Tirando Thalia e Ártemis, todas olhavam para ela sem reação.
Mas tudo que Melindra fez foi dar uma risada.
–Não comecem com essas caras. Quando necessário eu sei ser paciente, assim como Kaíros, assim como posso ser volúvel como Lizandra e Lilliel. Eu não preciso ter presa nesse sentido, no momento assim como ele não ficaria comigo não ficaria com ninguém. -Dessa vez ela deu um olhar foi triste que me fez sentir culpa.
–Verdade, mas acho que isso não precisa ser tratado agora. -Ártemis disse como se não fosse nada demais. -Quanto ao seu assunto Gray, isso é digno de nota.
–Nota e livro. -Thalia disse com um meio sorriso similar a algumas expressões de Lizandra.
–Você sabe que Liz é sua parente certo? -Minha língua foi mais rápida novamente.
Thalia manteve o meio sorriso.
–Claro, não sou tão burra quanto você. Além disso tenho lá minhas fontes no Olimpo.
–Resumindo, você fofoca com a Teresa e a Annabeth com frequência acima da média. O que significa que deve saber de tudo, até os detalhes sórdidos da cama do meu pai e do Percy que as duas falam.
Sério, me senti estranhamente feliz ao dizer aquilo.
Primeiro que Thalia tinha uma cara de “Seu maldito infeliz, por que me lembrou” e segundo que minha tia riu daquilo como nunca pensei que a veria rir junto com Melindra.
Quando as duas pararam Melindra resolveu me avisar:
–Sórdidos não é nem a metade. Teresa pegou o hábito de se gabar dos dotes sexuais do seu pai nas conversas com as deusas, afinal ela está sempre conversando com Afrodite e Perséfone, as vezes Hera, sempre na companhia de Annabeth. Digamos que as coisas frequentemente fogem para a questão maridões e amantes, dai é um pulo para virar perversão mesmo.
Ártemis deu um suspiro.
–É impossível se manter na sala com elas dando tantos detalhes sobre tudo aquilo. Teresa falou uma vez que Apolo não usava cueca e eu sei que é verdade, por que o conselho em peso uma vez espionou os dois. Dai Afrodite disse que Ares usava box e que era muito...
–Sexy. -Thalia estava roxa.
–Então Perséfone disse que não ligava muito se Hades usava cueca ou não, desde que ele... -Ártemis parecia a beira de um ataque.
Todas estavam mudas, menos Melindra que ria ao dizer:
–Ela disse que contanto que ele continuasse bom de cama poderia andar nú pelo Olimpo que não ligaria. Depois as outras duas começaram a falar de onde já tinham... enfim, a lista foi grande.
–Grande o quanto?
Melindra riu mais, então Ártemis começou:
–Teresa disse: biblioteca particular da Atena, meu escritório e o dele, minha biblioteca e a dele, cozinha dos dois palácios, sala dos dois palácios, sala de jantar dos dois palácios, escritório dele no grande palácio Olimpiano, praias diversas, hotéis diversos, montanhas diversas e por ai foi. Mas ela falou o nome de cada praia e cada montanha, só as praias foram mais de cem. A lista de Afrodite tinha até tanques que guerra em meio a batalhas da segunda guerra e motocicletas de viagem. Já Perséfone tinha até túmulos.
Engoli em seco.
–Deve ter... acho que foi difícil.
–Foi. -Todas responderam, menos Melindra que deu outra resposta:
–Nada. Isso até dá ideias para quando eu sair.
Todos nós olhamos para a cara dela.
Mas ela apenas rolou os olhos.
–Que foi, querem que eu minta? Pelo menos não estou dando uma de santa. Nem estou fingindo que não vou sair em alguns anos ou que posso resolver me casar a qualquer hora. E você rapaz, se eu bem conheço os relacionamentos da Linhagem, e eu conheço, assim que se resolver com a Lilliel todo e qualquer momento sozinho com ela em qualquer lugar vai parecer perfeito para vocês transarem.
Engoli em seco.
Por alguma razão aquilo não fazia sentido, mas eu sabia que ela estava certa.
–Afinal sobre o que é essa visita? -Falei já tentando mudar o foco da conversa.
–De um modo geral sobre o que estamos falando já, você e a Lilliel. Ou se preferir o fato que ainda não deve usar os seus presentes. Que ainda vai ter que quebrar algumas regras pessoais para se entender com ela. -Ártemis respirou fundo. -Além disso precisava ver como você estava, foi um pedido da sua mãe e das suas irmãs.
Meu corpo relaxou um pouco.
–Por isso pediu acesso de todas ao mundo dos sonhos?
–Também. Leon sabe que você é meu sobrinho preferido e andou fazendo dúzias de oferendas para saber se Liz está bem.
Bufei irritado.
–Por que não perguntou a Hermes?
–Por que você acha? -Ártemis.
–Não quer que Drew note o que ele sente. Eu sei. -Grunhi.
Respirei fundo e pensei no que de útil havia naquela conversa.
Consegui pensar em coisas não muito boas, mas razoáveis.
Minha tia tinha senso de humor, foi a primeira.
A segunda era que Melindra era parente de Kaíros e conhecia o futuro.
Depois Thalia realmente saíria da Caçada em breve.
Melindra estava na Caçada esperando seu amado virar homem ou resolver os problemas dele.
Minha madrasta e as outras deusas falam muita perversão.
Ainda não deveria usar meus presentes no nosso próximo problema.
Quando me acertasse com a Lillli as coisas ficariam bem diferentes.
Que...
Foi quando um dos fatos pulou novamente a minha mente com clareza.
Melindra conhecia o futuro!
Aquele encontro era um aviso dela e Kaíros, não de Ártemis.
–Demorou a notar. -Minha tia parecia tensa agora.
Minha respiração ficou tensa.
–Por que não posso usar meus presentes da próxima vez? Agora Lilliel quase morreu!
Melindra deu de ombros.
–Use-os então. Mas não reclame se morrer ou se por conta disso não puder salvar as duas depois.
–Depois? Vai ter mais?
–Com Kaíros sempre tem. Não que seja culpa dele, mas ele precisava defender o lugar que mora. -Ela parecia cansada.
–Mas daí o que vai acontecer?
–Liz precisa aprender algo ainda. Minha esperança é que Kaíros esteja certo e ela consiga isso sem morrer, mas ela vai precisar do colar. -Melindra ficou tensa.
–Você não gosta dos colares, por que?
–São uma medida extrema para quando os membros da Linhagem ainda não foram treinados e tiveram seus poderes selados. Liz nunca soube ou teve treinamento para usa-los, Lilli teve eles selados pela família nos últimos anos. -Melindra parecia não gostar do assunto
–Eles não sabiam que algo como o que aconteceu viria. É difícil prever um idiota que vai roubar algo como o que ele pegou e colocar em um lugar como aquele. -Ártemis pareceu ficar ainda mais tensa que Melindra.
As outras mal respiravam agora.
–Que lugar seria esse?
–Vamos, pense bem, aonde na cidade para onde vão é possível que Kaíros esteja? Um lugar que ele controle tudo o que acontece bem sobre o mausoléu de Urano com pessoas servindo para sua proteção sem nem mesmo notar. -Melindra não me olhava mais, encarava Ártemis ao falar.
–Lótus. -Minha voz saiu em um sussurro.
–Sim. -Dessa vez Melindra ficou de costas para todos menos Ártemis. -Uma terra árida aonde o poder de Gaia é menor, banhado pelo sangue de Urano que criou servos diferentes dos monstros normais e que se tornou o lar do vácuo tempo.
Então as imagens de monstros diferentes e pó prata me voltaram a mente.
–Os monstros de Denver... não queriam nos matar. Quer dizer, queriam, mas também... eles são guardas para protegerem Urano e Kaíros daqueles que podem acessar o mausoléu. -Consegui dizer.
Ártemis respirou fundo e me encarou.
–Não posso negar que seja verdade, muitos já tentaram dentro da própria linhagem destruir Urano e Melindra uma vez foi um desses.
A Caçadora segurou nas costas do estofamento da poltrona de Ártemis com força, mas não falou nada, nem um único suspiro.
Minha tia resolveu continuar.
–Melindra é talvez a pessoa mais poderosa que já nasceu de Kaíros, o bastante para aos quatorze anos saber viajar no tempo tão bem quanto o avô e saber que sua vida no tempo em que nasceu não seria real. Que tudo que estava destinada a viver e ser feliz de verdade estava muito longe, quase mil anos. -Um riso histérico escapou no mesmo momento que o corpo de Melindra tremeu, mas Ártemis continuou. -Ela ficou com raiva de Kaíros e foi para o lugar do mausoléu. Usando seus poderes ela atravessou o oceano, destruiu os guardas e alcançou a sala de Urano.
Todos ficamos em silêncio e eu me e perguntei se era para que Melindra falasse algo, o pior é que eu estava certo.
Quando ela falou sua voz parecia a de Liz cantando no dia em que fui reconhecido, cheia de dor e sofrimento.
–Kaíros lutou comigo e me derrotou mais de dez vezes em um mês. Quando eu não desisti ele me propôs um desafio: se eu lutasse por dois anos com ele, como ou sem sucesso em vence-lo ganharia uma chance de alcançar o meu tempo. -Melindra se virou um nada e pude ver seus olhos me fitando com lágrimas. -Eu aceitei. Fiquei dois anos lutando com ele e nunca ganhei um único golpe.
Melindra ficou em silêncio novamente.
Ártemis suspirou novamente cansada.
–Depois de dois anos Melindra voltou para a Europa e aguardou o chamado de Kaíros para sua chance. Ele conversou comigo e com Zöe sobre a neta, foi uma longa e complicada conversa mas por fim concordamos em aceitar Melindra na caçada. Zöe foi na frente e conversou com Mel por mais de dois dias, por fim eu fui até elas e conversei com as duas. Acertamos tudo e o resto pode imaginar.
Eu pensei se poderia realmente imaginar, mas não pareceu que fosse assim.
Melindra se virou parecendo ter voltado ao seu estado normal, mas ainda mais cansada que eu poderia supor e isso a fazia parecer mais velha.
–Eu era a melhor amiga de Zöe ou era o contrário, nunca soube dizer. Mas os meus termos de permanência na Caçada não permitem contato com outros semi-deuses normalmente e por isso eu passo muito tempo em missões solo de reconhecimento. Um exemplo disso foi que não pude participar da guerra contra Cronos e nem salvar Zöe sabendo que ela morreria. De muitas formas eu sou a pessoa que menos pode ajudar alguém mesmo sabendo o que vai acontecer. -Melindra não me olhava, mas pelo menos eu podia ver seu rosto, apesar de isso não melhorar nada a situação como um todo. -Então eu já dei meu aviso e fiz minhas piadas para tentar aliviar o clima, mas não acho que isso ajudou.
O final veio com um meio sorriso que eu virá no rosto de Lizandra muitas vezes ao falar ou fazer coisas que não lhe agradavam de verdade.
–Eu entendi. -Consegui dizer em meio ao frio na espinha que sentia.
Thalia riu daquelas palavras e me perguntei mentalmente o por que daquilo.
O problema é que ela notou isso.
–Antes de partir garoto, um último conselho: acorde logo se não quiser brigar com Lilliel novamente.
Eu pensei em perguntar o que aquilo queria dizer, mas todas deram um sorriso maroto na minha direção ao mesmo tempo e o sonho se dissolveu.
Continua...
Notas finais
Só avisando que o Gray tem mais um cap pela frente ainda e nem de longe a situação dele vai ficar melhor.
Bom, no mais é isso sim.
Então...
COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!
COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!
COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!
COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!
COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!
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