The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time

32 Nunca Diga Que Um Pressentimento de Meio-Sangue Está Errado


Notas iniciais
Vamos começar com os agradecimentos: - Milena Corrêa, pareceu que dei a entender que nossos heróis vão morrer, só não entendi por que... o que acham que foi? Mas, não. Eles não tem descanso, pelo menos não tão cedo. - Vingador Das Sombras, leitor fantasma comentando, que fofo. Aliás ele ama o senso de humor da Liz e suas piadas de duplo (ou múltiplos) sentidos, se bem que eu também. - Gih Castro, bom, eu as vezes sou bem lerda e a Lilli é uma personagem bem próxima da minha pessoa (ela e a Liz, o Gray tem um pouco, mas é diferente),então as vezes ela é bem lerdinha. Pessoa, só pra avisar todos, eu tenho uma manobra digna de "Operação Valquiria" para o nosso casal ai, então não se anime com nenhuma boa noticia antes que eu avise. E pessoal, EU NÃO VOU MATAR ELES, no máximo torturar mais um pouco. - Mila Galanthus, foi a única pessoa que disse que tem pena do que faço com nossos heróis, por isso foi a única que eu falei que também tenho pena deles pelo que os faço passar. ALIÁS, agradecimentos especiais ao Vingador Das Sombras que recomendou a fic. Uma recomendação que me deixou muito feliz, não só por existir mas pelo que foi falado. Então muito obrigada pela recomendação, espero que a fic continue te deixando curioso, embora deva admitir que certas qualidades que você me deu como autora me deixaram envergonhada (por que eu não planejo todos os detalhes, faço o esboço do inicio meio e fim, depois literalmente me viro nos 30).O mais engraçado é que é assim que fica bom de verdade. Vou falar mais no final, agora aproveitem.

16 de Dezembro

Lizandra

Assim que eu abri meus olhos me arrependi mortalmente.

Não havia de fato algo errado no nosso quarto e até onde meus

ouvidos captavam o lado de fora do prédio estava igualmente calmo como os corredores.

Nenhuma sensação de monstros se esgueirando pelos cantos em busca da nossa carne.

Só que isso não era exatamente relaxante.

De alguma forma eu sabia que as coisas dariam totalmente erradas a partir de agora.

Isso tinha muitas bases.

A primeira era a falta do fusca da Lilli.

O segundo a perna da Lilli.

Depois tinha o fato que Kaíros me deixou bem claro que eu teria problemas em manter a minha promessa de ficar viva.

Tinha Gray que estava mortalmente estranho sempre que eu pensava em perguntar sobre o tempo que eu dormi depois do encontro com Kampe ou sobre seus sonhos.

Depois nem mesmo minhas piadas verdadeiras sobre o meu casal de primos ajudava mais, por que a situação entre eles estava ainda mais séria.

Fato.

Notar que devido a meus parentescos divinos eu devo ser parente de Gray em algum grau é no minimo irônico.

Além disso tinha minha noite que apesar de sem visitas ou os frequentes sonhos de semi-deuses aos quais eu ainda não fui amaldiçoada em larga escala para ter de forma clara e amedrontadora.

Tudo o que eu vi em meus sonhos que ainda não aconteceu foram mandíbulas de lobo ou algo bizarro igual. O que poderia ser um urso ou um tipo de leão da montanha.

Nada demais na nossa missão até aquele momento.

Levantei da cama ainda cansada.

Não eram sete horas da manhã ainda.

Mesmo apenas com sonhos que representavam apenas os meus últimos dias aquilo tinha acabado comigo.

Gray dormia como uma pedra e imagino o que ele passou nos últimos dias para esse sono todo.

Já Lilliel estava largada na cama e eu juro que por um instante pensei que se meu irmãozinho estivesse acordado ele estaria com problemas respiratórios no minimo.

Fui até o meio do corredor da cama de ambos e os sacudi pelos ombros.

Gray grunhiu e murmurou algo ininteligível o qual não fiz questão de entender.

Já Lilli mexeu a perna soltou um canido de dor extremamente claro, fazendo nosso companheiro de viagem pular da cama instantaneamente.

–O que...? -Gray sacudiu a cabeça tentando clarear qualquer ideia que fosse ainda pairando em sua mente sonambula. -Caramba. Qual é a de vocês duas? Uma me sacode e a outra grita. Isso pode fazer uma cara pirar.

Dessa vez foi Lilliel que deu uma gargalhada e deu uma resposta que eu não esperava ouvir:

–Acho que sem o susto eu te faço pirar mais e sem esforço.

Olhei para Lilli enquanto Gray suspirava.

Ela estava vermelha e se eu estivesse certa a julgar pela cara de Gray era febre.

Ele pegou sua mochila e sentou na cama ao lado de Lilliel a fazendo ficar quieta.

–Para uma enferma você delira com uma clareza assustadora.

Não houve resposta.

Ela mal perecia estar consciente, então não saberia se era vergonha ou o juízo dela voltando tão cedo assim.

Já Gray não pensou duas vezes.

Arrancou o curativo e começou a tratar.

Felizmente a infecção não havia voltado tanto quanto no dia anterior, mas ele ainda precisou mexer dentro da ferida e fazer pequenos cortes para tirar o pequeno acumulo de pus que começava a se formar.

Com os grunhidos de Lilli eu tinha certeza que acordada ela estava.

Boa parte do lençol estava enrolado em suas mãos, suas costas arqueavam para frente e para trás ou viravam de um lado para o outro, mas ela conseguiu deixar a perna fixa em um único ponto.

Levou uns quinze minutos, mas Gray deixou a perna da Lilliel pronta para outro dia.

A ferida ainda estava lá e o resultado do néctar não foi melhor do que no dia anterior, mas pelo menos estava limpo e os pontos estavam no lugar, assim como as ataduras.

–Por hora isso vai ter que servir. -Gray suspirou.

–Espero... que você... saiba o que... faz na... minha perna. -Lilliel conseguiu rosnar ainda com dor.

–Eu também, por que o néctar não tem efeito e só me resta improvisar. Agora tome isso e se acalme. -Gray entregou alguns remédios mortais para a dor com um sorriso de quem diz “Eu ainda avisei que era má ideia, mas já que não me ouviu aguenta”.

Acho que Lilli também percebeu aquele olhar presunçoso, por que a cara dela foi de dar medo.

Mas no final ela pegou os remédios e tomou tudo sem reclamar.

Demoramos cerca de meia hora para arrumar tudo e sair do hotel, dessa vez Lilliel mesmo passou o cartão.

Eu não fiz nenhuma piada.

Não vi necessidade de começar aquilo logo de cara depois da frase da Lilli, até por que a resposta de Gray foi o que eu esperaria.

Chegamos em uma parada de caminhões e pegamos o velho mapa de Gray para ver nosso possível nova parada.

Depois de algum tempo localizei uma cidade na linha para Las Vegas.

Era o que você pode chamar de primeira parada.

Mas Littlefield, Arizona, seria o bastante para confirmarmos nossa situação.

Seriam quarenta minutos carona e se desse tudo certo eu conseguiria a traseira de um caminhão sem precisarmos nos esconder.

E por fim eu estava com sorte, além da ajuda parental da benção de Afrodite, e consegui uma carona melhor do que a encomenda.

Eles estavam transportando feno para algum tipo de fazenda em Vegas, eu nem sabia que tinha essas coisas por lá, mas vá lá.

Conseguimos uma acomodação segura, um pouco mais limpa que o normal e sem gente suspeita junto.

Entre Gray deixar a perna da Lilliel pronta e sairmos foi cerca de uma hora, então já estavamos saindo de St. George, Utah.

A viagem em si foi mais tranquila do que seria esperado.

Em meia hora chegamos a Littlefield e desembarcamos, afinal nossos colgas tinham que pegar mais carga na cidade e aquilo levaria horas que sabiamos não poder perder tão cedo novamente.

Passamos em um mercadinho e pegamos mais comida, além de água.

Depois em uma farmácia aonde Gray comprou tudo que não requeria uma receita médica, mas ele queria mesmo eram os antibióticos.

Tive a impressão que ele queria que eu roubasse, mas meu irmãozinho sabe de algo que poucos acreditam vindo de uma filha de Hermes: eu ODEIO roubar.

Faço isso tão poucas vezes que quando acontece vira noticia do mês no acampamento, mais do que as travessuras de Connor e Travis eram.

No final não conseguimos outra carona e precisamos seguir a pé.

Então o meu pressentimento inicial de que as coisas poderiam dar muito errado depois de sonhar com todos os desastres da nossa missão a noite inteira voltou com força redobrada quando decidimos que iriamos até Mesquite andando.

Estava na cara que as coisas terminariam muito mal.

==========X==========

As coisas não estavam boas.

Claro nós ainda não haviamos cruzado com nenhum monstro, o que já era um milagre, mas nem por isso eu poderia comemorar.

Normalmente depois de duas horas e meia de caminhada já estariamos a uma hora de Mesquite, mas com a perna da Lilliel naquela situação não haviamos andado nem metade do caminho no mesmo período de tempo.

Certo.

Concordo que parte da culpa foi minha por não querer esperar por uma carona.

Então eu não tinha como ficar brava com Lilli dando seu melhor naquela caminhada com aquela perna ou muito menos fazer piadas com ela e Gray, esse já fazendo o impossível para ignorar o que estava sentindo tão perto da minha prima.

Então eu realmente estava em uma posição desfavorável.

Não poderia nem provocar os dois no momento.

Continuamos a caminhar por mais uma hora, o que nos garantiu metade do caminho e fez com que Lilliel não pudesse negar que precisava descansar de uma vez por todas.

O lugar que achamos a beira da estrada era ligeiramente peculiar.

Lembrava muito uma velha construção que ou desmoronou ou foi abandonada e deixada para se desfazer sozinha com a ação do vento e da chuva.

Era possível ver pedaços de concreto com hastes de ferro dos alicerces jogados ou enterrados em determinados pontos do terreno em meio ao mato as vezes mais alto e as vezes mais baixo.

Havia também restos de vidro em alguns pontos, mas esses pareciam ser mais de garrafas velhas que de janelas ou espelhos. Tudo isso sem falar dos restos de canos e cerâmica que apareciam ocasionalmente.

Pensamos em considerar um lugar mais afastado, mas mudamos de ideia ao pedir que Lilliel desse outro passo. Ela quase levou um tombo tão feio que até eu me senti a beira de um ataque de pânico.

E nem seria tão ruim.

Não precisariamos propriamente ir até lá, mas o sol era tão forte que eu e Gray arrastamos Lilli até a pequena parte coberta aonde um antigo resto de teto de madeira ameaçava cair, porém era nossa melhor instalação e a parede de concreto caída no chão estava fresca se comparado até mesmo a areia do deserto na qual poderiamos ter sentado a beira da estrada..

Ficamos ali comendo e conversando um pouco.

Lilli ainda estava um pouco febril, mas segundo ela a perna não pinicava ou estava incomodando como antes quando ficou infeccionada, porém ela também disse que a dor latejante era tão incomoda que em condições normais simplesmente se jogaria no chão e choraria gritando de dor.

Isso por que ela ocultou a parte do quão inútil se sente sem poder andar normalmente.

Já Gray apenas disse para ela relaxar que ele cuidaria para que sua perna aguentasse para receber tratamento apropriado sem sofrer mais danos.

Admito que quis fazer um comentário irônico, mas não tive nem tempo de abrir minha boca.

No mesmo instante meus instintos entraram em alerta.

Acho que Lilliel e Gray captaram aquilo tão bem que ele sacou o arco e duas aljavas na mesma hora que ela sacou a foice.

Olhamos ao redor em busca de algo que indicasse o que estava acontecendo e para nossa sorte tão pequena confirmamos que nada estava dando certo daquele ponto em diante mesmo.

Um grupo nada amistoso de lobos gigantes e outros normais se aproximavam lentamente, mas só quando estavam muito perto notei que os lobos normais deveriam ser filhotes. Mesmo assim todos tinham os pelos banhados em lama, areia e sangue.

No meio deles eu pude claramente distinguir uma figura sinistra.

Um homem alto de aparência física ágil e musculosa, de pele fina e pálida esticada sobre os ossos. Em sua cabeça os cabelos cor de fuligem se perdiam na imagem da coroa feita de ossos dos dedos.

A imagem feroz do rosto se tornava ainda mais intensa na companhia dos olhos vermelhos e os dentes pontiagudos. Seu corpo alto estava mal vestido com roupas de peles esfarrapadas de animais variados não tratadas que deveriam e certamente emitiam um cheiro nada agradável.

–Liácon... -Sussurrei vendo sua alcateia cada vez mais próxima.

–Não ligo quem seja, apenas saiam de perto do alcance da foice se uma luta começar. -Ouvi Lilliel dizer em tom de ordem as minhas costas.

–Ficou doida! -Dessa vez foi Gray gritando. -Ficar aqui sem poder se mover será seu fim.

Um riso irônico vindo dela me fez querer virar, mas continuei olhado para a frente.

–Bom eu pretendo tentar algo com a foice e não pretendo machucar nenhum de vocês, mas eu não sei controlar esse poder, então...

Um rosnado irritado tipico de gente apaixonada escapou de Gray.

–Que seja.

Ouvi um conjunto de passos e logo ele estava ao meu lado dando apoio a Lilliel.

–Mas o que...?

–Bom, a estrutura está instável, então eu não posso ficar lá embaixo. Ficarei nessa zona aberta para pelo menos tentar não ser pega de surpresa. -Lilliel disse sentando sobre uma pedra com a foice ainda em mãos.

–Eu vou acertar todos que puder. Felizmente eu sempre tenho flechas de prata celestial comigo, mas já que é para me afastar vou cuidar disso longe das duas e... -Gray me encarou preocupado, depois colocou a mão em um dos bolsos da calça e tirou um colar de pedras como o que tinha dado para Lilli. -Coloque-o apenas se achar que não vai dar conta. -E jogou o colar na minha direção.

Automaticamente eu peguei e engoli em seco antes de colocar aquilo no bolso da minha calça.

–Entendi.

No minuto que demorou para Liácon e seus lobos ficarem pegirosamente perto nos terminamos de nos preparar.

Lilli mexeu em suas mochilas e pego algumas adagas além de outras facas estranhas com correntes nos cabos.

Gray pegou a espada de tinha por precaução e a manopla esquerda que usava como defesa com a espada.

Já eu peguei meu kit padrão com o protetor para a boca, a velha bandana da Clarisse, minhas manoplas e minha espada.

Assim que o primeiro lobo despontou do grupo na nossa direção eu e Gray nos afastamos no mais rápido possível e Lilliel o acertou com a foice, o que fez o animal se desintegrar instantaneamente.

Aquilo foi muito mais rápido do que das outras vezes, como se dessa vez Lilli tivesse uma vaga ideia de como fazer aquilo.

No meio do grupo Liácon uivou.

–A menina sentada é filha da morte. Peguem-na de surpresa ou ela vai mata-los com um toque.

Como?

Um toque e Lilli mata eles?

Olhei para sua expressão irritada e achei melhor ignorar aquilo.

Não era como se eu fosse o cúmulo da normalidade mesmo.

A maior parte dos lobos, que eram os menores se direcionou para Lilliel e a outra com os maiores seguiu na direção de Gray.

Olhei para meu rival.

Liácon.

Ele me encarava com um olhar totalmente ansioso e deliciado como se nada além de me matar pudesse lhe dar mais prazer do que agora.

Olhei para minha espada bastarda de puro bronze celestial.

Aquilo não mataria Liácon nunca.

Mesmo que eu tivesse a sorte de começar a soltar raios novamente isso também não garantiria uma vitória.

Eu tinha menos chances de sobrevivência ali do que meu amigos.

Menos que qualquer mortal na atual situação.

Eu era uma descendente de Zeus lutando contra Liácon sem uma arma apropriada.

O que eu precisava para conseguirmos seguir sem problemas era segurar aquele lobo carniceiro nojento até que os outros lobos da alcateia estivessem mortos para que uma das flechas de Gray ou a foice de Lilli desse cabo do infeliz.

Minha sorte foi tanta que quando Liácon desferiu seu primeiro golpe ele atingiu a parte plana da espada e eu fui lançada mais de dez metros na direção da estrada.

Quando me levantei estava realmente brava.

Só minha mãe e Clarisse me jogavam daquela forma sem piedade ou pensar duas vezes, mas vindo de alguém que me odeia isso parece muito errado.

Além disso querer matar era minha única arma naquele momento.

Isso por que de canto de olho eu pude ver Lilliel usar seus poderes de uma forma diferente do normal, quase como se criado um campo de mortes ao seu redor usando todas as facas e adagas presas pelas correntes seguras em suas mãos como ramificações de sí mesma.

Já Gray se movia com uma agilidade atípica dos filhos de Apolo.

Ele girava, chutava, cortava, socava, atirava flechas, distribuía rasteiras, joelhadas e cotoveladas. Aquilo me fez perguntar por que ele não tinha feridas de mordidas, mas lembrei na mesma hora que aquele maldito para compensar toda a falta de força física servia de cobaia para o chalé de Hefésto usando suas placas de bronze sob ou entre roupas.

Quando dava certo o maldito pedia as peças em prata ou bronze celestial.

Mas mesmo assim os dois estavam sendo atacados por mais lobos do que seria possível eu segurar Liácon por tempo o suficiente.

Ou seja, eu era a fudida aqui.

Merda.

Aquilo me deu tanta raiva que minha visão ficou rubra.

Dessa vez eu iria matar um e aquele lobo sarnento estava no topo da lista.

A raiva foi tanto que minha mente ficou calma.

Minha presa era Liácon e então apenas ele parecia tingido de vermelho na milha visão, o resto do mundo era branco.

Liácon avançou na minha direção e eu na sua.

Quando seu punho estava a um passo de me acertar pulei na sua direção em um giro e cortei do seu punho ao seu ombro.

Aquilo não o mataria ou machucaria de verdade, mas talvez assustasse um pouco.

Me virei em sua direção ainda de costas para onde eu estava e rezei para que pudesse usar aquilo novamente.

De algum jeito eu precisava de mais um pouco de tempo.

Não esperei e soquei suas costas com força desejando parecer um bom para-raios para Zeus, de alguma forma acho que fui atendida.

O forte cheiro de ozônio ao meu redor quando consegui ver Liácon caído a mais de dez metros de onde eu estava pareceram muito bons para uma pessoa sem sorte, isso até ele levantar com mais raiva ainda do que eu fiz.

Realmente não foi inteligente provocar um cara que eu não posso matar.

–Criança do traidor, descendente dos deuses e irmã de Luke Castellan, acha mesmo que poderá me matar assim?! -Seu grito de fúria era tão similar a um uivo que foi difícil notar que não era um. -Eu sou imortal! Mesmo quando me matam eu volto mais forte e mais cheio se sede de sangue!

–Deveria tomar vinho ou Diet Coke, é muito melhor. -Sim, eu disse algo idiota assim sem pensar duas vezes.

Bom, claro que aquilo o deixou bravo e o fez mudar de tática.

Ao invés de tentar me morder ou acertar as garras ele me deu uma cabeçada tão forte que me fez voar na direção do velho prédio e bati a cabeça com força em uma tora de madeira maciça que me deixou zonza por uns dez segundo.

Nem minha invocação da Benção de Ares me impediu de cuspir sangue pela força do impacto.

Minha fúria concentrada não estava surtindo efeito.

O pouco uso do poder de Zeus me tirou metade das forças.

De canto de olho eu podia ver que Gray e Lilli não estavam melhores que antes, os lobos apareciam um atrás do outro para suprir o irmão morto.

Senti meu bolso pesar.

O colar que coloquei ali agora ressoava no fundo da minha mente as palavras de Kaíros sobre a nossa sobrevivência da próxima vez depender das minhas escolhas e principalmente da minha vontade de viver.

Eu quero viver.

Eu quero que eles vivam.

Isso me fez pegar o colar mesmo sabendo que pagaria um preço e coloquei-o no pescoço.

No mesmo instante me senti diferente.

Era parecido com o que aconteceu no estacionamento, só que muito mais forte e intenso ao ponto de me fazer lembrar das poucas vezes que Teresa e Annabeth me treinaram nos últimos anos.

Eu podia sentir o poder puro e simples correr pelas minhas veias com tanta força que me deixava quase insana.

Desejei ter uma espada longa como as katanas que minha mãe colecionava e movi minha bastarda na direção de Liácon que a mais de um metro de meio recuou assustado.

Reparei imediatamente na lamina em minha mão.Uma longa katana de um metro e setenta.

Aquilo era muito para que eu pensasse. Apenas amaldiçoei minha mente.

Seria difícil manejar aquilo, além de ser uma arma previsível.

Uma falcon sim seria imprevisível.

Mas eu teria que me virar.

Então comecei a correr na direção de Liácon.

Já perto dele meus instintos de batalha reagiram e meu braço girou sobre minha cabeça na mesma hora que algo cortou o rei lobo.

Pelo canto do olho registrei a imagem da espada falcão peregrina em minha mão.

Eu não entendia como minha arma estava mudando ou quando eu a estava trocando.

Quando Liácon avançou na minha direção eu coloquei a espada de forma defensiva na minha frente desejando ter um escudo para parar aquele golpe e minha espada se converteu em um escudo de prata reluzente.

A força que fez Liácon recuar foi tão intensa que ele voou tranquilamente vinte metros.

Encarei o escudo em minhas mãos entre a felicidade e a dúvida e desejei muito ter uma lança nas mãos, automaticamente o escudo tomou a forma de uma tripartida de dois metros.

Calafrios percorriam a minha coluna.

Eu estava entre o exstasse da satisfação e o exstasse do pânico.

Mas eu ainda podia pensar.

E quando Liácon levantou novamente me encarando com uma fúria que acho que nenhum semi-deus teve o desprazer de presenciar eu me preparei para o terminar com ele.

Meus pés começaram uma corrida sem limites na contra direção dele e eu desejei ter uma arma perfeita para mata-lo.

Feita de prata. Que não pudesse me ferir mesmo se estivesse rente ao meu corpo.

Uma lamina que pudesse me proteger e fosse firme no golpe por mais força eu usasse.

Então tudo sumiu da minha mente.

Somente o ponto vermelho que era Liácon continuava a existir e eu me lancei contra ele.

Eu corri com toda a minha força e vontade, enquanto em um recanto remoto minha mente registrava que eu estava fazendo buracos na terra a cada passo.

Não sabia que arma eu tinha em mãos agora, apenas posicione a mesma as minhas costas e com um impulso de pura força girei como um peão na direção do lobo fedorento.

O impacto foi tão forte que fui lançada metros do ponto de choque e colidi contra pedras e restos da construção ao nosso redor.

Minha trajetória de pancadas com o terreno só terminou quando uma dor lancinante atingiu minha perna.

Eu sabia que algo estava errado por que a dor das demais pancadas não foi nada comparada aquele momento.

Mesmo sem ver eu sabia que o osso estava quebrado em uma fratura que nem de perto me deu a sorte de ser como a da Lilli.

Sim, eu poderia ter tido a perna quase decepada por uma lamina de metal que mesmo sem ver eu sabia que seria sorte.

Mas eu não poderia me dar ao luxo de ficar esperando meus amigos aparecerem para me ajudar.

Usei as forças que não tinha e dei um jeito de olhar ao meu redor focando nos detalhes importante.

Primeiro, não havia mais lobos ao alcance dos meus olhos e nem Liácon.

Esperava que fosse por que matamos todos.

Segundo, minha perna estava realmente doendo de forma medonha, mas não mais medonha que o estado real dela.

Além de visivelmente deslocada eu tinha seis barras de ferro de fundação da construção fincadas do meu joelho para baixo.

Duas delas no meu pé. Outras duas na minha panturrilha. Mais uma entre meu tendão de aquiles e meu osso. E por fim, mas não menos importante uma delas deve ter rasgado a pele o osso tão rápido e com tanta força que nem fratura exposta tinha causado, mas era fácil ver que naquele ponto o osso fora atravessado.

Estendi minha mão na direção daquilo e me dei conta que havia diversos cortes por todo o meu braço, olhei o outro e estava igual.

Minhas mãos também sangravam então eu não sabia o estado do meu rosto, mas todo o meu corpo tinha cortes, mesmo que para a minha sorte nenhum parecesse ser profundo.

–Liz!!! -O grito de Gray me chamou a realidade eu procurei por ele.

Encontrei-o a poucos metros ajudando Lilliel, que apesar de cansada estava sem nenhum arranhão assim como meu irmão.

Aquilo era bom.

Eles haviam passado por essa sem se machucarem.

Um alivio imediato me atingiu e me senti melhor do que deveria.

Eu queria falar algo, mas não tinha forças nem para acenar para eles.

Assim que os dois chegaram ao meu lado pude ver o rosto de ambos se retorcer em uma careta quando olharam minha perna, eu apenas dei de ombros e isso pareceu deixar Gray ainda mais frustrado.

Mesmo assim ele apenas fez força para ficar em silêncio e começou a tirar seus materiais de socorro da mochila.

Primeiro ele cuidou do leve, ou seja, todos os arranhões que eu tinha nos braços, tórax e costas. Pelo que pudemos ver tirado as barras de berro mais nada atingiu minhas pernas.

Assim que terminou, o que levou dez minutos ele começou a encarar minha perna.

Gray parecia perdido, então apenas fui direta quanto ao que realmente precisava ser feito.

–Apenas corte isso de uma vez.

Tanto Gray como Lilliel me encararam em dúvida sobre aquilo e eu sabia que seria difícil.

–Quando você diz cortar parece fácil, mas eu estou pensando em como separar as partes das barras e tirar sua perna dai sem maiores danos. -Ele voltou a analisar a estrutura das barras com Lilli .

Pisquei duas vezes.

Aquilo era uma falha na comunicação.

–Não foi isso que eu quis dizer Gray.

Os dois voltaram a me encarar.

–Como assim? -Lilliel parecia em dúvida.

–Quis dizer para cortar logo a minha perna. Tá na cara que não tem como concertar isso.

Os dois me olhavam incrédulos como se eu estivesse louca.

Algo me dizia que eles não iriam aceitar o que eu tinha falado assim tão fácil ou mesmo iriam aceitar.



Continua...

Notas finais
Eu disse que iria falar mais aqui, mas não tenho nada da fic para comentar que não vá interferir mais no que já está escrito, então apenas não me matem. Aliás, nada haver com a história, mas ouçam as musicas da Demi Lovato, em especial as seguintes: - Mistake - Give Your Heart a Break - Skyscraper - This Is Me - Heart Attack - In Real Life eu ainda estou ouvindo, mas a lista tende a aumentar. Ela tem uma voz muito boa, com ou sem efeitos sonoros acompanhando, e as músicas tem uma certa maturidade nas letras (o que pode realmente surpreender dependendo do que você normalmente tem em mente nesses casos). Era isso. No mais:COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!COMENTEM!!!