The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time

17 Ficar Seis Horas Sem Companhia Pode Ser Depressivo


Notas iniciais
Então um cap aqui.
Espero que gostem de tudo ou de parte, depende.
Agradecimentos as minhas lindas leitoras:
-Milena Corrêa;
-Alexia Oliveira;
-Gih Castro.

Gray


5 Anos Antes.



Acampamento Meio Sangue.


Inicio do Verão


Eu tinha levado uma semana para chegar, mas finalmente podia ver o vale de Long Island atrás da Colina Meio-Sangue.



O mais incrível foi fazer isso sem a ajuda de guias ou proteção. Por isso eu realmente me achava muito bom em me defender. Certo eu sou presunçoso mesmo, culpa do meu pai então nada demais.



Estava me sentindo O CARA, quando uma menina uns três anos mais velha parou ao meu lado e ela era muito gata. Logos cabelos castanho extremamente claro, olhos profundamente verdes ou castanho claro (isso não tinha ficado claro). Tinha quase um metro e setenta (uns dez centímetros mais alta que eu) com um corpo perfeitamente delineado mesmo escondido sob a calça larga, mas a mostra com a camiseta regata justa.



Fiquei quase babando diante dela, até que vi outra menina subindo a colina com um cão infernal do tamanho de uma van arrastando uma carroça com carne fresca.



A garota era pequena, se muito um metro e quarenta, mas para um monstro de doze anos como eu com um metro e sessenta muitos da mesma idade eram pequenos. Porém a pequena tinha longos cabelos negros lisos até a cintura presos em uma trança frouxa e olhos absurdamente azuis claro, como duas belíssimas pedras de água marinha que as vezes brilhava em um leve tom de cinza prateado.



Naquele momento eu ainda não sabia quem elas eram, mas tanto Halley como Lizandra já haviam me encantado de formas diferentes.



Apesar de não ter o corpo da outra era tão bonita quanto.



A garota pequena foi até alguns metros de nós onde finalmente notei um dragão enorme. Na verdade até hoje me pergunto como não vi Peleu no alto da colina, mas Lizandra correu direção dele e o abraçou carinhosamente sem ser atacada.



Ela ficou cuidando do dragão até Connor e Travis aparecerem dando broncas sobre não cuidar dos afazeres dos outros. Foi quando viram a menina ao meu lado e saíram gritando:



“-Halley voltou! Nossa fonte de informações voltou depois de dois anos, finalmente!”



Demorou uns vinte minutos entre a menina pequena dispensar o cão infernal e resolverem me levar até a sala da casa grande, mas assim que chegamos lá notei que o clima estava pesado.



Um homem de camisa havaiana roxa batia o pé sem parar bebendo diet coke tentando parecer concentrado nas cartas em sua mão enquanto um centauro (isso, tinha um centauro no meio daquela sala) andava de um lado para o outro balançando o rabo e fingindo pensar nas suas cartas.



No sofá da sala vendo tudo como uma estatua um garoto de uns dezesseis anos com cabelos castanhos e olhos de um castanho avermelhado parecia nem respirar. Ele era corpulento e visivelmente forte.



A menina pequena sorriu e foi na direção do homem com a lata de refrigerante nas mãos, enquanto eu e os outros ficamos paralisados. Ela nem ligou e abraçou o homem que olhou surpreso para a pequena sorrindo ao confirmar quem era.



–Bom dia tio D. Como está seu jogo?



–Melhor agora Lizandra, mas o que a traz a casa grande? Normalmente a essa hora você está fazendo o campista responsável por Peleu te deixar cuidar do nosso dragão.



–É que recebemos uma visita hoje tio D, além de um campista novo que acho que o você vai gostar.



O homem se levantou deixando todos com mais medo, o que foi estranho, pois quando vi seu rosto ele parecia um querubim com aquele rosto redondo, olhos purpura e cabelos castanhos.



Fui até ele e estendi minha mão. O homem retribui o gesto um tanto contrariado e me apresentei:



–Gray Anthony Archer. Acho que sou filho de Apolo. Estou a disposição para o que precisar e para tocar violão.



Lizandra deu um tapa na própria cara e o homem a olhou curioso.



–Sabia que tava esquecendo algo. Meu nome é Lizandra, filha de Hermes. Esse é o nosso diretor e tio, Dionísio.



Sorri para os dois.



–Deus dos vinhos e outras bebidas, festas e fartura.


O homem, Dionísio, me olhou curioso e sorriu. Depois deu dois tapinhas na minha cabeça e virou voltando para o lugar em que estava.


–Tinha razão Lizi, gostei dele. Mas não me decepcione Gray Archer, eu não esqueço decepções com simples maldições e sim com loucuras eternas.



Engoli em seco e assenti.



Meu primeiro encontro com o Sr. D foi algo que nunca esqueci, mas normalmente nenhum campista esquece.



O centauro resolveu que deveria falar conosco e deixou o jogo de lado, ele se aproximou de uma cadeira de rodas e se enfiou lá parecendo uma pessoa normal que não podia andar.



Ele disse que seu nome era Quirón e Halley pediu para ele pular o papo furado com ela e que o novato (lê-se: eu) já parecia bem inteirado do assunto. O centauro riu e deu as boas vindas para a garota que logo em seguida se jogou sobre o rapaz ali sentado feliz da vida.



A principio fiquei pensando que eram namorados, mas então Halley chamou Reynald de purpurinado e pensei que ele era filho de Apolo (minha própria mãe uma vez disse que eu parecia o purpurinado do meu pai), mas ai ele a chamou de cachorra em um tom de voz que ouvia o cabeleireiro da minha mãe falar com as clientes.



Foi tudo muito gay de se ver, principalmente por que Halley estava sentada no colo de Reynald. Todos foram sentando sem ligar para aquilo, mas eu ainda tentava entender aquilo.



–Mas voltou por que Halley? Você odeia só pensar em respirar o mesmo ar que Drew. -Reynald parecia preocupado.



–Creio que pelo mesmo motivo que você Rey, Clarisse. Eu devo a ela por ter defendido Silena e a mim quando souberam que minha irmã era a espiã de Cronos, que eu sabia disso e tudo que fiz foi continuar caçando as informações que me pediam sem revelar o espião. Agora preciso ajuda-la.



–Só isso? -O garoto parecia ter lido um segredo na menina.



Ela revirou os olhos e sentou ao lado dele.


–Levei um fora daqueles de uma garota da minha escola no final do ano e ela inda saiu pela escola me chamando de anormal. Como eu já não estava bem cotada por lá pode imaginar o que aconteceu. -Halley parecia chateada.


Cara, eu tava em choque.



Aquela gata de parar Manhathan jogava no meu time? Quero dizer, nada contra, mas cara... ela era tipo uma deusa encarnada, talvez a própria Afrodite.



–Ela podia só ter falado não e fim. Por que será que pra nós dois é tão difícil até levar um fora decente? O último garoto pra quem me declarei tentou me bater. -Reynald suspirou cansado.



Enquanto isso Halley riu e eu montava o diagrama na minha cabeça.



Halley gostava de garotas e Reynald de garotos, além disso eram tipo melhores amigos que não tinham sorte no amor. Eu ainda tava meio perdido, mas tudo bem.



–Fico com pena dele ter tentado bater em um filho de Ares. -Halley brincou.



–E eu com pena da menina que chamou de anormal uma filha de Afrodite. Um mês deformada, aposto.



Diante da frase de Reynald a garota mostrou dois dedos e deixou o amigo chocado com a informação de que na verdade eram dois meses.



–Mas e você, por que voltou ao acampamento? Sei que não curte muito ficar por aqui. -Halley se encostou no amigo.



–Para ajudar minha irmã. Me importo com ela e Chris disse que as coisas vão ficar difíceis, até meu pai apareceu pedindo para que eu fique por aqui agora. -Reynald parecia tenso.



–Entendo, minha mãe também me visitou pedindo para vir pra cá. Foi um susto daqueles. Não que eu entenda por que Afrodite tem tanto interesse assim em uma missão dessas, mas pelo que ela falou o mundo corre risco se essa criança não nascer só que continuo sem entender onde me encaixo nessa.



A discussão de Halley e Reynald continuou por mais de vinte minutos sem que ninguém interrompesse suas trocas de informações e desabafos.



Eu ainda acho que aquilo teria durado o resto do dia se a porta não tivesse aberto daquele jeito. Claro que a garota de uns vinte anos com longos cabelos castanhos e olhos castanhos violentos como uma guerra inteira ajudou na ideia de perigo.



Claro que depois que descobri o que tava acontecendo e como Clarisse era isso pareceu normal, mas não naquela hora.



–QUIRÓN! Juro que se não tirar esses abutres da minha cola mato todos eles e você junto! Eu só não quero passar o dia enfiada na cama sem poder me mover por que todo mundo tá com medo que eu me machuque! QUE MERDA! EU SOU FILHA DE ARES!



Lizandra caiu na risada e abraçou Clarisse que sorriu pra menina mesmo furiosa. Nesse momento me aproximei dela e pude ver como era alta. Pelo menos um metro e setenta e dois, podia ser modelo. Encarei ela curioso e disse sem pensar:



–Então, se você quiser posso te acompanhar. Somos quase da mesma altura, então acho que consigo te ajudar se precisar te apoio. Claro que se isso for um incomodo eu retiro minha proposta, mas...



Clarisse levantou a mão e eu fechei os olhos de medo dela, mas tudo que recebi foi um tapinha leve na cabeça.



–Vamos garoto novo, quero companhia e só com você não me livro do povo, mas com a Liz eu tenho boa companhia e paz para passar a tarde enquanto o Chris tá fora.



–Quem é Chris? -Sim, sempre fui curioso.



–Meu namorado, noivo, futuro marido e pai dos filhos que estou esperando. Aproposito, Clarisse La Rue, filha de Ares, e grávida de um imortal, pelo que me disseram.



Preciso dizer, naquela hora meu cérebro deu pau.



==========X==========



Como eu era novato Clarisse me levou acampamento afora mostrando de tudo que tinha sem muito esforço.



Ainda fomos para a praia aonde ficamos por menos de cinco minutos por que ela começou a falar algo sobre um peixe idiota e uma coruja retardada que deveriam ter arrumado problemas muito antes ou muito depois dela para ajudar em algo.



Foi divertido, principalmente por que quando disse que deveria ser filho de Apolo Clarisse pareceu chocada e disse que nem em sonhos eu parecia o purpurinado do meu possível pai ou os brochas dos meus possíveis irmãos.



Ri daquilo e Lizandra parecia tão descontraída que naqueles momentos nem pude notar o que estava acontecendo com ela.



Como ainda não tinha sido reclamado fui instalado no chalé de Hermes, aonde comecei a notar os olhares de repulsa e ódio. Achei a principio que eram de campistas indefinidos, mas não demorou para essa impressão ir embora.



–Harry, você viu Connor e Travis?



O garoto encarou Liz de cima em baixo e depois desviou a cara com nojo.


Liz coçou a nuca desconfortável e depois chamou outro campista mais velho.

–Lana, pode me ajudar?

A garota piscou duas vezes e depois veio até onde estavamos.

–O que foi Liz? -A garota, Lana parecia preocupada.

–Esse é o Gray, preciso arrumar um lugar pra ele, mas nossos monitores deram no pé. Novamente.


Lana respirou fundo.



–Quando vai aceitar que eles estão te dando o cargo de monitora Lizandra?


Liz fez uma careta.

–Só no dia que não tiver opção.

Lana revirou os olhos como se não adiantasse discutir e ajudou Liz a me instalar no chalé.

Fui colocado em uma cama de armar ao lado do beliche de Lana e Lizandra.

O colchão era velho e um pouco ruim, mas dava pra usar e o cobertor estava limpo e sem insetos, embora rasgado.


Dos males os menores.



Antes do jantar Connor e Travis apareceram me arrastando para o banheiro dizendo que o novato tomava banho no frio. Então banho gelado antes do jantar.



Lembro que no jantar mesmo eu me diverti.



Lana era muito engraçada e compensava os outros filhos de Hermes que ignoravam Lizandra, o que não eram poucos. Só que eu contei eram uns dez.



Connor e Travis continuavam me zoando sem parar, mas eu até que me divertia com aquilo e como nunca tive irmãos mais velhos era legal saber como seria ter.



Quando o jantar terminou e seguimos para a fogueira vi Liz se afastar como se não pudesse ficar junto dos outros.



Segui até a arena da fogueira esperando que Lizandra já estivesse lá, mas não a vi nem mesmo de relance.



Decidi sair de lá e ir atrás dela.



Por instinto fui até a praia aonde ela tinha me parecido distraída e relaxada, felizmente Liz realmente estava lá.



Ela cantava alto uma música que eu não conhecia, mas podia sentir como se fosse algo intimo mesmo em outro idioma. Como se toda a sua dor pudesse sumir se ela cantasse mais um pouco.



Eu fiquei ali até a musica terminar, só olhando e sentindo as palavras, notas e sentimentos fluírem.



Quando me aproximei Lizandra se assustou. -Como me achou?



–Intuição. -Encarei o oceano. -Cante novamente, quero te acompanhar.


–Você sabe japonês?

–Não, mas conheço o bastante de música e dos meus talentos para conseguir.

Ela riu um pouco e começou novamente.

http://www.facebook.com/photo.php?v=296160513844200

Dessa vez mais desesperada e ansiosa, como se ter alguém como eu por perto ajudasse a aliviar sua dor e em poucos segundos minha voz se juntou a sua com os mesmos sentimentos.


Nenhum era realmente meu, mas eu sabia que a música tem o poder se aliviar a dor e transmitir sentimentos. Lizandra me deixou ler seus sentimentos e eu podia expressar eles com a mesma intensidade com aquela música mesmo sem conhecer a letra de verdade.



No meio da música nosso sincronismo era tão perfeito que eu não erraria a letra mesmo se quisesse e o som de nossas vozes era alto demais para parecer normal.



Cada nota era mais alta que a anterior, cada palavra parecia mais um grito de dor e desespero. Como uma oração por misericórdia e um pedido de perdão juntos.



Nem notei em que momento as lágrimas me vieram, mas Lizandra chorava desesperada e sua música se tornava mais triste e dolorosa a cada momento, me atingindo com uma intensidade avassaladora.



Próximo ao final da canção a voz de Lizandra não seguia mais pela música. Era um verdadeiro grito de desespero e dor ecoando pela praia, invadindo minha alma e derrubando minha percepção, avançando pelo mar até se perder no infinito.



O sentimento era tão forte que quando a canção terminou eu estava tonto e sem ar.



Lizandra ofegava entre lágrimas caída de joelhos na água.



Ainda perdido me aproximei dela e acariciei sua cabeça.


–Você vai ficar bem. Eu te ajudo mana.

Eu nunca entendi o que me deu para chamar ela de irmã, mas de uma hora para outra tinha notado que Lizandra era minha irmã.


Não era uma questão de deuses ou mortais, mas ela era minha irmã e nada mais importava naquele ponto.



Liz riu daquela frase e me abraçou chorando como se aceitando que eu era seu irmão mais velho (ou pelo menos gigante).



Uma suave luz dourada brilhou sobre minha cabeça fazendo eu e Liz olharmos assustados.



Ali pairava uma imagem de um Sol com um Arco e Flecha desenhado dentro.


Ficamos encarando aquilo até um som abafado de cascos nos alcançar.

Olhamos e era Quirón, seguido de, tipo, todo o acampamento.

–Ave Gray Anthony Archer! Filho de Apolo. Senhor das Profecías, do Sol, da Música, Patrono das Artes, Mestre do Arco e Flecha.


Ao longe vi Connor e Travis rirem.



Lana revirou os olhos.


Clarisse bufou visivelmente contrariada.

Halley e Reynald um ao lado do outro já rolavam de rir.

Alguns campistas olhavam para nós atônitos e os campistas que me pareceram ser de Apolo estavam com sorrisos divertidos, como se alguém muito interessante estivesse entrando na família.


Aquele foi o meu primeiro dia no acampamento em um verão que na verdade nunca me esqueceria.



Fosse pelo laço que criei com Lizandra.


Pela amizade com Leon.

Ou pelo que Drew me fez.


Continua...


Notas finais
O próximo ainda será de responsabilidade do nosso príncipe Gray.
Só relembrando, esse é o link da música:
http://www.facebook.com/photo.php?v=296160513844200