Notas iniciais
Agredecimentos especiais a minhas lindas leitoras que parecem ter gostado muito do cap anterior (todas comentaram no mesmo dia):
-Alexia Oliveira;
-Milena Corrêa;
-Gih Castro.
=X=
Agora é a vez do Gray.
Aliás o Kaíros tem um senso de humor no minimo dúvidoso.
Na verdade eu gosto do senso de humor dele (claro que é por que não é comigo).
Espero que gostem disso tanto quanto eu.
Portanto esperem mais travessuras do Lord do Tempo como nesse cap.
Aproveitem.

13 de Dezembro


Gray


Eu não sou do tipo que respeita ordens, mas normalmente a Lizi tem o dom de me fazer obedecer.


Por que não importa como, sei que se ela me mandar pular em um vulcão farei isso mais por medo que por lealdade. Além disso quando Liz me manda fazer algo maluco isso normalmente salva minha vida.


Mas aquela espera estava me matando.

Não tinha nem dez minutos inteiros que Lizi tinha segurado na mão da Lilli e ficado tão preta quanto a outra. Os terremotos ou seja lá que diabos acontecia ali que tudo tremia não tinham parado. Pelo contrário, estavam mais fortes.


Além disso as duas tremiam uma ao lado da outra e eu nem a menos conseguia reagir novamente. Nem ao menos para sacudir ambas.


Eu iria enlouquecer.

Fui até minha mochila de snowboard e tirei o arco e a besta de dentro junto com o presente do meu pai e tia. Não era nada legal pensar que eu poderia precisar deles agora, mas não haviam muitas opções para ficar pensando.


Ouvi uma respiração funda.

Me virei na direção de Lizandra e Lilliel, as duas começaram a tossir e abriram os olhos enquanto o preto de alguns momentos antes parecia evaporar de seus corpos como fumaça.


-Vocês estão bem? -Apesar de idiota aquela pergunta valia muito mesmo.


As duas continuaram tossindo por uns cinco minutos enquanto os tremores pareciam diminuir consideravelmente.


O que admito foi estranho, mas nem tanto quanto o que realmente me teria dado uma passagem só de ida para o Hades.


Do nada apareceu um homem enorme (quando digo isso imagine aquele jogador de basquete de dois metros e dez fundido com aquele lutador de 120 quilos com músculos visíveis e definidos) que, eu tinha que admitir sendo homem, era realmente bonito.


Ele tinha a pele tão bronzeada que refletia em dourado ou talvez fosse o oposto fazendo o dourado criar aquele tom de pele. Seu cabelo era muito longo e prateado como o da Lilli, mas assim que ele arrumou-o ficou preto como o de Liz.


Seus olhos multicoloridos como os de Lilli mudavam de cor sem parar, mas as vezes de demoravam mais no mesmo tom de azul que fazia os olhos de Liz tão intensos e perigosos.


Ele poderia ser pai de qualquer uma das duas e de nenhuma.

Mesmo assim precisava me preparar para enfrentar ele em último caso, ainda que tivesse certeza que ele me fulminaria só com um pensamento.


Apontei meu arco e preparei minha adaga.

-Quem é você? O que quer aqui?

Ele me olhou divertido e então Lilliel tentou toca-lo, mas o próprio desviou dela.


Me pareceu estranho e quando ele abaixou ao lado dela para falar eu realmente pensei que estava morto de tão forte que foi o impacto da sua voz.


-Não me toque criança. Não depois de ter parado na teia dela e passado tanto tempo vagando, agora você precisa esperar.


Lilliel tossiu com mais força enquanto engasgava um nome.

-Ka... a... aí... í... ro... o... os...

O homem sorriu e levantou vindo na minha direção sem hesitar, mesmo com meu arco ainda apontado para seu peito.


-Abaixe esse brinquedo filho de Apolo ou não vou te ajudar.

-Ajudar com o que?

-Bom, começo em ordem cronológica ou prioridades?

Instintivamente baixei o arco me perguntando se aquele cara era doido, mas devia saber que não era isso.


-Pelo que achar melhor.

Ele sorriu e pude ver de relance as imagens do tempo tremeluzirem ao seu redor, como uma miragem no deserto.


Dei um pulo pra trás.

-Quem é você? O tal senhor do tempo dos sonhos da Lilli ou alguma lembrança do... -Minha voz se perdeu em meio ao panico daquela ideia.


-Não sou Cronos e agradeceria se não mencionar o nome dele. Sobre quem eu sou sua amiga já disse, então sim, sou o deus do tempo dos sonhos dela.


Forcei a mente para juntas as palavras tossidas de Lilliel.

Apesar de tudo se ele não tinha nos matado, algo de bom deveria significar.


-Kaíros?

-Bom. As duas precisaram passar por algo realmente difícil para descobrir esse nome. Eu e meu pai gostamos delas, por isso pretendíamos dar um tempo para que elas descobrissem sozinhas quem somos. Infelizmente, minha mãe não gosta muito de ajudar os inimigos e fez o desfavor de arrastar as duas para uma lembrança tão mortal quanto ela.


-Sua mãe?

-Gaia.

Devo ter feito a cara mais assustada, homicida e descrente do mundo ao mesmo tempo, por que Kaíros riu do que viu e voltou a falar tranquilamente.


-Quando elas puderem vão te dizer tudo, mas por hora basta saber que se possível eu mesmo já teria matado Gaia ou garantido que ela dormiria pelo próximo milhão de éons. Como não é o caso só posso melhorar minhas chances, que com as duas se tornam quase perfeitas.


-O que as duas tem a ver com isso tudo?

-Coisas de família.

A ideia que me passou pela cabeça era tão assustadoramente horrível, além de possível, que afastei-a quase que de imediato. Tudo menos aquilo poderia acontecer.


-De qualquer forma vocês precisam partir daqui agora.

-Por que?

-Estão sendo seguidos por dois tipos de seres. Um deles quer “ajudar” vocês um pouco, para que fiquem vivos. O outro... bom, vocês vão terminar em uma pilha de ossos se eles alcançarem vocês agora.


Engoli em seco ao ouvir aquilo.

-E o que você pode fazer?

-Um conjunto de ajustes... nada legais.

-Quais?

-Adormeço os três, coloco no fusca e os deixo em Saint Louis amanhã, em um lugar seguro. Isso fará com que percam um dia de viagem.


Encarei Kaíros pensando se ele falava sério ou se aquela ideia era realmente algo ruim.


-Em compensação você será o único apto a dirigir e isso só depois de uma hora que eu os deixar lá, por que as duas vão levar até meio dia de amanhã para poder acordar.


Certo, eu devia saber que nada é de graça.

Olhei no relógio. Três e meia da madrugada. No inverno o sol só nasceria depois das seis.


Mas não sabia se aquilo era uma boa ideia. De Evansville até St Louis eram quase três horas. Com isso talvez eu pudesse esperar o sol nascer para contar com mais força do meu pai.


-Essa é uma boa ideia. Se você for lutar sozinho.

Olhei para Kaíros assustado.

-Como você...

-Faça-me um favor, não subestime minha visão sobre as linhas do tempo. Diferente do idiota do meu irmão que gostava de congelar e desacelerar os outros eu costumo reduzi-los ao estágio inicial de átomos ou acompanhar as chances do futuro.


-Certo senhor.

Pela primeira vez em muito tempo eu tive que admitir que um deus era realmente alguém muito perigoso e aquele cara me fazia entender por que não deveria desafiar Lilliel ou desobedecer Lizandra.


-O que vai ser rapaz?

Respirei fundo.

-Aceito.

-Então se vista, vou cuidar do resto. -Ele me encarou durante alguns segundos e depois sorriu. -Aliás, fui com a sua cara, vou te dar um presente pra ajudar você a ajudar elas.


-Não entendi, mas acho que não vai fazer diferença agora.

-Não precisa entender, basta saber que vou te ajudar a manter as duas vivas. Fora isso vou te dar dois conselhos sobre cada uma delas. Liz precisa de paciência e que você faça Leon se declarar pra ela, obvio. Lilli... bom, beije-a de uma vez e não deixe o serviço pela metade em Vegas.


Olhei para a cara dele sem entender nada e um pouco sobre tudo, o que não foi muito legal devo admitir.


Mas a sequência foi pior ainda... Kaíros veio até onde eu estava e me estendeu quatro colares de pedra e dois anéis de prata.


-São a minha ajuda. Acredite, você pode precisar muito deles.

-O que fazem?

-Só saiba que vai salvar as duas. Só entenda, os colares liberam e os anéis suprimem.


Acenei concordando mesmo sem ter entendido, sabia que deuses não falam as coisas que queremos diretamente a tempos e esse não me pareceu diferente.


Mas agora eu pelo menos tinha uma chance de mudar o futuro, ou era o que esperava dentro do que imaginei.


-Agora criança, está pronto?

Olhei ao redor e reparei que tanto eu como Liz e Lilli estavamos com roupas de frio, prontos para uma viagem noturna com muita neve e nossas malas prontas.


-Quando?

-Desculpe, mas meu tempo restante e curto. Então se prepare.

Eu mal tive tempo de pensar.

Tudo tremeu e eu vi cenas do passado girarem na minha mente enquanto o quarto sumia em um borrão negro crescente. Apaguei pensando em como Kaíros era agradável e sua presença perigosa.


==========X==========


14 de Dezembro


Assim que eu tomei consciência de estar acordado meu pescoço doeu.

Tentei me mexer ao máximo, mas não consegui. Por que pra começar eu estava sentado e com certeza usava cinto de segurança do fusca da Lilli.


Quando abri os olhos ai sim tive certeza absoluta que não estava mais em Evansville, muito menos na velha pousada entre o restaurante e o cemitério.


Olhei para o lado e encontrei Lilli dormindo profundamente. Me virei um pouco para ver Lizi, encolhida no banco traseiro dormindo profundamente.


Olhei ao redor do carro e notei que estavamos em um tipo de estacionamento para pernoite ou em um ferro velho que deixava as pessoas dormirem nos carros...


Eu sabia que já estava em St. Louis, mas não fazia a menor ideia de que raios de lugar na cidade tinha parado e isso não é muito divertido.


Ao longe eu já podia ver alguns raios de sol alcançarem o céu como flechas de fogo. Para bem ou para mal, meu pai fazia muito bem seu serviço nesses casos.


Enfiei a mão no bolso do blusão e senti os colares junto dos anéis. Tirei-os do bolso e respirei fundo.


-Kaíros...

A menção daquele nome me fez ter uma pontada na cabeça e flash's do passado que haviam escapado para minha mente quando Kaíros nos deixou aqui voltaram claramente.

O problema é que não eram lembranças aleatórias... eram da vida da... Lilli!


Lilliel sentada na sala ignorando o mundo ao seu redor. Um garoto fazendo uma aposta na entrada do colégio e depois conversando com ela. Lilli tentando ignorar ele e não conseguindo, por que ele era muito gentil com ela.


Agora ela ria do que ele falava com vontade, estava confortável ao lado do rapaz. Ele segura sua mão e a beija, ela retribui o beijo e ainda sorri.


Os dois na casa dele jogando videogame e estudando em uma tarde qualquer. Ele se aproxima dela e a beija de forma diferente, Lilli retribui o beijo com vontade. Os dois estão no quarto sem roupa e ele a toca.


Novamente na escola ele anuncia na frente da sala toda o feito de levar Lilliel para a cama e recebe aplausos além do dinheiro da aposta. Lilli permanece sentada na sua mesa com uma expressão vazia e descrente, enquanto lágrimas escorrem insistentes pelo seu rosto.


Ela levanta da mesa com calma e sem dizer uma palavra recolhe o material do armário no corredor enquanto seus colegas a observam esperando uma reação.

Lilli liga para a casa e diz que está voltando, por que vai mudar de escola.


Em nenhum momento ela fala com ninguém da sala ou demonstra uma reação direta a nenhum deles.


Toda a sala fica sem reação diante disso e alguns parecem sentir culpa.

Ela chega em casa e se tranca no quarto, só então ela começa a chorar, mais alto a cada minuto. Posso ver Thanatos escondido nas sombras do quarto olhando para ela e tremendo de raiva, além da vontade de ir até a filha abraça-la.


Thanatos se materializa diante de uma mulher, a mãe de Lilli, e conta tudo. A mulher começa a chorar e abraça o deus. Após vários minutos ela se afasta dele e liga para alguém, seus próprios pais e pede ajuda.


Dias depois Lilli e a mãe estão na mansão da família. Lilli continua abalada, com olheiras profundas e parece não comer direito a dias. Sua mãe a deixa no quarto de desce para a sala.


Toda a família está reunida, incluindo os primos de Lilliel. Sua mãe conta tudo que aconteceu. Thanatos se materializa e diz que pelo preço certo ele fará o rapaz conhecer o inferno em vida ou quase vida.


Ninguém estranha ele surgindo do nada, pelo contrário, todos parecem conhece-lo e concordam com a ideia dele.


Noto pela primeira vez a sombra quase imperceptível de Kaíros andando pela sala.


Ele está furioso. Não pode interferir, mas não pode deixar tal humilhação atingir aquela família nunca.


Kaíros se revela a todos e Thanatos quase assume sua forma real. O deus do tempo oferece sua ajuda e diz que é uma questão de honra para ele.


A família de Lilli aceita e Thanatos também.

Kaíros dá a Thanatos uma esfera de poder menor que uma pérola. O deus da morte pega com cuidado e se retira, assim como o deus do tempo.


Minha mente finalmente volta ao presente e eu grito em fúria.

Me sinto absorto em ódio. Quero matar o desgraçado que fez aquilo com Lilli, em parte pela crueldade e em parte por ciúme.


Quero puxar Lilli do banco ao meu lado, abraçar-la e acorda-la, beija-la e fazer seu corpo meu até que ela não lembre nem de quem é.


Respiro fundo tentando impedir outro grito de sair, mas é inútil e dessa vez o grito é mais alto. Quando me dou conta já estou chorando sem parar.


Respiro fundo diversas vezes tentando me acalmar.

Tentando fazer meus sentimentos voltarem ao normal.

Quando finalmente consigo olho no relógio: sete horas.

Se minhas contas da hora que Kaíros me ajudou estavam certas eu precisava correr.


Olho para Lilliel dormindo ao meu lado e respiro fundo.

Me inclino na sua direção e encaro se rosto sereno enquanto dormia. Aproximo meu rosto do dela e a beijo.


Eu sabia que ela não acordaria tão cedo e de certo modo naquele momento não poderia encara-la, mas ao menos esse beijo, ao menos isso, eu precisava fazer agora.


Era o minimo, para conseguir me sentir mais próximo dela.

Para ignorar o fato de que alguém já havia recebido quase tudo que podia dela e eu não tinha nada ainda, não tinha nem mesmo arriscado.


Me endireitei no banco do motorista e liguei o carro.

Nesse momento tudo que podia fazer era seguir viagem e me preocupar com o futuro.


==========X==========


Sair do estacionamento não foi um problema realmente grande.

O cara da cancela pediu o recibo, que felizmente estava no retrovisor e liberou a passagem dizendo que já tava pago.


Realmente Kaíros não deixava as coisas pela metade e isso era bom.

O lado não tão legal dele foi nos deixar na entrada da cidade e como era fim de ano tinha muito transito nas ruas com pessoas querendo visitar o Arco de Saint Louis.


Lizandra teria adorado ir lá. Por que ela uma vez visitou o arco com a mãe no dia do seu aniversário e tudo relativo a mãe fazia Liz querer ir atrás.


Então me senti aliviado em ela estar dormindo, mas nem tanto quanto a Lilli.


Ai você vira e diz: “Seu frouxo viado, nem parece filho de Apolo”. E eu iria dar uma porrada na sua cara e dizer: “Com muito orgulho eu respeito SIM as mulheres, como minha mãe me ensinou”.


Mas o fato é que a cidade estava transbordando de casais e grupos de garotos flertando com grupos de garotas e as vezes de outros garotos. Não que fosse novidade, afinal o acampamento também ficava assim nessa época.


O que me fez lembrar que Halley e Reynald tinham saído do acampamento para passear em Manhathan. Halley é filha de Afrodite e é também a única garota lésbica do acampamento (ao menos a única assumida). Além de ser a menina mais gata fisicamente falando e a filha de Afrodite mais simpática (mais até que Piper). Já Reynald é filho de Ares e o único campista gay (ao menos o único assumido), mas chama ele de viado pra ver o que ele faz com você. O último ficou uma semana em coma em um hospital, não na enfermaria.


Pra ter ideia, Clarisse respeita muito a opinião dos dois em qualquer assunto. Até os mais difíceis de fazer ela entender.


Pensar nesses dois demônios por ai caçando paqueras e ficantes me fez ficar enjoado, por que os dois até que são sério (demais até), só que Lilli era a prova que as pessoas nem sempre querem o mesmo que nós.


No caso dela eu agradecia não ter que disputa-la com aquele verme desprezível, por que se ele realmente gostasse dela e estivessem juntos eu seria um intruso.


Mas tanto Halley como Reynald são pessoas simpáticas e agradáveis as quais eu amo como parte da família assim como a Lizandra. Pensar em qualquer um deles passando pelo que vi Lilli passar me deixava bravo e me sentindo um inútil, por que eu não poderia impedi-los de sentir algo por alguém que vá machuca-los mesmo se souber disso.


Lizandra tinha tentado me alertar disso quando eramos mais novos e eu não ouvi.


Suspirei agoniado ao lembrar daquele inverno amaldiçoado enquanto fazia a curva para o acesso a rodovia.


Eu poderia tentar ao máximo, mas agora sem as duas para me irritar ou distrair lembrar de quando cheguei ao acampamento aos meus doze anos parecia impossível.


Continua...



Notas finais
Agora podem comentar também claro.
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LEITORAS FANTASMA TAMBÉM DEVEM COMENTAR!!!
Exagerada eu.