The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
47 Eu Preciso Manter o Foco Pelo Menos... Calma... Não, Isso... Quer Saber? Dane-se o Mundo. Minha Vida É o Paraíso Agora. Ou Quase Isso...
Notas iniciais
Gray
–
–
Eu sabia que estava perdido quando Liz saiu do quarto.
Soube que iria enlouquecer um segundo após Liz fechar a porta e Lilliel sorrir daquele jeito que só ela consegue me dizendo todos os seus sentimentos, não sabia mais o que era juízo.
Então Lilli colou seu corpo ao meu e nós nos beijamos, nessa hora toda a sanidade que eu poderia ter ainda foi para o Tártaro e que os deuses tenham pena da minha alma por que os ancestrais dela ainda vão me matar se as coisas continuarem assim sempre que tivermos mais de vinte minutos de privacidade.
Agora Lilli estava deitada sobre meu corpo, apoiada em seus braços me olhando como se eu fosse a coisa, humana ou não, mais linda do mundo com um sorriso tão transparente que se tivesse forças sobrando já teria agarrado ela novamente.
Ela riu e deslizei minha mão da sua cintura pelas suas costas e levei até seu rosto aonde tirei algumas mechas do cabelo prateado colocando-as atrás de sua orelha.
–Vamos ter que dar um jeito de controlar isso aqui no acampamento, a não ser que possamos ter chalés como o de Clarisse. -Lilliel disse em um sussurro.
–Foi a primeira vez que isso aconteceu. -Retruquei ciente que ela é quem tinha razão.
–A primeira desde Vegas e isso foi a menos de dois dias, mesmo assim por que não tinha condições físicas dos dois nos mexerem antes.
Um som próximo a um rosnado escapou da minha garganta.
Segurei o rosto de Lilliel entre meus dedos.
Se Quirón entrasse no quarto estariamos ferrados, mas eu queria que o mundo explodisse e tudo sumisse da minha frente, menos ela.
Aquilo estava me matando.
–Pare de me olhar assim. -Lilli ficou envergonhada.
Ri daquela reação.
–Primeiro me seduz, arranca minha roupa e me faz ficar ainda mais fascinado para agora me pedir para não ficar... -Grunhi contrariado com aquilo.
–Ficar?
–Mais apaixonado por você.
Puxei seu corpo pela cintura, ela riu e a beijei.
Agradeci mentalmente também por Lizandra ter uma boa intuição e saído do quarto aquela hora. E a Leon, por ser um filho da mãe de mão cheia capaz de fazer minha irmã obedecer uma ordem como se fosse um pedido.
Lilliel se afastou.
–Coloque suas roupas. -Fiz uma careta e ela riu. -Sério. Liz precisa repousar e se ela quiser dormir vai ficar aqui com a gente, isso sem falar que se Quirón nos pegar vai matar os dois.
Grunhi diante daquela verdade.
–Sério, isso é um saco. Vamos voltar para Vegas no cassino e aproveitar o tempo para ficar o quanto quisermos juntos.
Lilliel levantou da cama vestindo suas roupas, depois olhou no espelho para o curativo do rosto que apesar de melhor ainda estava cicatrizando.
Então ela se virou na minha direção e sentou na cama me encarando.
–Vamos ter tempo para isso, assim que eu resolver alguns detalhes familiares com a Liz no acampamento.
–Que tipo de parentes dessa vez?
–Ashley e Lear. Acho que precisamos fazer eles finalizarem seus assuntos com o acampamento.
Uma ideia um pouco absurda me ocorreu.
–Que tipo de assuntos?
Lilliel riu.
–Do tipo que por hora é melhor não saber, acredite.
Demorei dois segundos para lembrar de algo importante.
–Lear e Ashley... não são seus primos homossexuais?
–Eles mesmos.
Uma ideia muito absurda me cruzou a mente e minha boca agiu mais rápido do que minha mente pode conter.
–Ai meu santo Olimpo. Reynald e Halley estão envolvidos, não é?
Lilliel mordeu o lábio inferior preocupada e aquilo se dividiu entre a vontade de agarrar ela ou ficar preocupado.
–Coloque suas roupas, agora. -Lilli disse ao desviar o olhar.
–Era o que faltava.
Levantei e coloquei minhas roupas, enquanto Lilliel abria a janela do quarto para que o o ambiente ventilasse.
Ela ficou parada na frente da janela encarando o horizonte. Respirei fundo e fui até Lilli abraçando-a por trás, envolvendo seu corpo com meu braço bom com força e o machucado suavemente.
Me aproximei de seu ouvido e sussurrei:
–Espero que isso não aumente nossos problemas no acampamento.
Ela riu.
–Entre na fila depois da Liz e eu.
Beijei seu ouvido com cuidado.
–Posso imaginar que estão preocupadas, mas conheço os problemas amorosos daqueles dois melhor que a Liz.
Lilli suspirou.
–Eu sei, mas meus primos são pessoas que estão procurando por alguém especial e aqueles dois... Eu não sei o que te dizer...
–Só me confirme, foi Kaíros que mostrou?
–Foi.
–Então vamos acreditar no intrometido mais um pouco.
Lilliel riu e virou um pouco a cabeça na minha direção para me beijar.
Nesse momento ouvimos um grito histérico do lado de fora da janela.
–Ai meus deuses! Os Anormais estão se agarrando!
Desviamos o olhar e vimos Lizandra acompanhada de Leon andando na direção da casa grande com o grupo de Drew em seu encalço como abutres.
Nossa.
Agora que penso nisso, Lilli não é a única idiota em questões do coração e eu consegui ser até mais, afinal Drew vive no acampamento que eu também moro. Oliver não.
Respiramos fundo e descemos até a varanda da casa grande.
Lá Drew nos olhava presunçosa de cima abaixo.
–Eu não falei que além de anormal essa bastarda tinha um mau-gosto incrível em ficar com o lixo de outros.
De relance vi Liz ficar furiosa e Lilli arquear uma sobrancelha que depois deu lugar a um sorriso cínico.
–Bom, dizem que lixo dos outros deve ficar com o lixo dos outros e não com biscates sem donos, então Gray fez bem em ficar comigo e não com você.
–Ei! Eu não sou lixo, nem você.
–Quietinho Raio de Sol.
Lizandra começou a rir daquilo e eu esqueci que tinha gente por perto.
Segurei Lilliel pela cintura contra a grade da varanda.
–Não me chame assim Zumbizinho.
Ela colocou uma das mãos por dentro da minha camiseta e arranhou minhas costas me fazendo recuar.
–Não venha me ameaçar Aquecedor Humano.
Avancei até ela e segurei seu rosto fazendo-a me olhar nos olhos.
–Não me provoque Coveira.
Lilliel respirou fundo e se preparou para responder, quando fomos atingidos pelo comentário direto de Lizandra.
–Vocês realmente treparam? Quero dizer, deixei o quarto livre por duas horas e você parecem piores do que antes. Não me digam que foram conversar ao invés de trepar até agora que mato ambos.
Aquilo foi mais forte que nós dois.
Eu e Lilli olhamos para Liz e ela recuou dois passos.
–Sim Lizandra Hanabi, nós trepamos sim se isso te deixa feliz. -Lilli respondeu avançando um pouco.
–Nós conversamos menos do que você possa imaginar e se te deixa curiosa, eu te jogaria para dormir no quintal com prazer se o quarto ficasse livre. -Sim, eu estava bravo.
–Agora se não quer que falemos o que precisa pare de provocar. -Lilli.
Então contra todas as chances Liz riu.
–Vocês não vão falar sobre o meu assunto a não ser que queiram que eu ferre com o assunto dos primos, Lilliel Sumire.
Lilli deu dois passos na direção de Liz que avançou até ambas ficarem cara a cara.
–Não se atreva a ferrar isso, “Zelothya”.
–Não ache que manda na minha vida “Eucaristia”.
Gemi diante da cena e separei as duas.
–Chega! As duas. Liz, não se meta na nossa vida. Acho que a minha relação com a Lilliel é assunto meu e dela, assim como o seu assunto não tem quase nada haver conosco. -Liz grunhiu ciente que dariamos a ela um prazo para resolver as coisas com Leon. -Então nada de interferir na questão dos primos para complicar ainda mais um assunto complicado. Quanto a você, Lilli, dá para não jogar o fogo na gasolina?
Lilliel resmungou algo como “Não fiz nada de errado”.
Respirei fundo e as duas pareceram relaxar.
Desde que Liz recuperou toda a sua personalidade original ela e Lilli ainda são superamigas, mas pelo que parece é suas opiniões se chocarem e saem faíscas.
Então ouvi uma risada histérica e lembrei de Drew assistindo tudo ali.
Merda!
Essa biscate não vai nos deixar em paz.
–Hora vejam só. Bastarda e piranha. Não surpreende que os dois idiotas tenham ficado do lado dela. Deve ter seduzido ambos.
Tá legal.
Aquilo foi a gota d'água.
Já falei como sou ciúmento?
Não iria deixar Drew falar aquilo e sair.
Virei para Lilli:
–Vai me perdoar se ensinar algo a ela?
–O que? -Ela parecia confusa.
–Isso. -No segundo seguinte colei meus lábios nos de Lilliel e a beijei com toda a minha vontade.
Ela levou menos de dois segundos para retribuir na mesma intensidade e quando o fez me puxou fazendo suas costas pararem contra a parede da casa grande.
Senti suas mãos aos pouco puxarem minha camiseta e se estivesse certo as marcas fortes de suas unhas ainda estavam ali, sob o tecido azul escuro.
O difícil foi que ambos exageramos e logo eu estava puxando sua camiseta para cima, até levar um soco de Liz no quadril.
–Ai! Doeu.
–Então parem a perversão. Aguentei a pirraça romântica de vocês dois por uma semana. Cada beijo. Cada briga idiota e cada momento “Eu não amo, mas não posso dizer que nunca amarei”, então se precisam de mais tempo no quarto eu dou outra volta. Deuses! Eu sou descendente de Afrodite! Não vocês!
Então tudo ficou em silêncio, a não ser pelo barulho de lata cheia caindo no chão.
Olhamos para os lados e agora além do grupo de Drew e de Leon havia um grupo com monitores, lideres de chalé e alguns campistas.
–Como assim descendente de Afrodite? -Clarisse tinha uma cara de descrença.
–Você não é minha parente. Não pode ser minha irmã. -Drew parecia em choque.
–Quem disse que gosto de ser sua parente? E quem falou que sou sua irmã? -Lizandra respondeu para Drew quase como se aquilo fosse pior que comparar ela a Luke.
–Era o que faltava. Agora é começar a aparecer os deuses e falar dos nossos parentescos com eles. Dai teremos raios. Trevas. Flores. É capaz de até mesmo alguns deuses esquecidos passarem aqui só para dizerem sua contribuição. -Lilliel gritou furiosa arrumando a camiseta e sentando na cadeira mais próxima.
Então nós três olhamos para a cara uns dos outros e começamos a rir daquela situação idiota em que estavamos.
Eu e Liz seguimos até a mesa ali e sentamos junto de Lilli.
Reparamos em Quirón entre os campistas e pela sua cara ele tinha ouvido muito mais do que imaginavamos.
–Então Quirón, precisamos fazer isso na fogueira ou pode ser aqui mesmo? -Perguntei já meio vencido.
Ele se arrumou na mesa.
–Os lideres de chalé estão aqui, assim como o chalé de Ares, Apolo, Thanatos e parte do de Hermes. Faça como preferir.
Respirei fundo.
–Se quiserem se sentem como der, isso pode demorar um pouco. -Avisei.
Liz e Lilli riram.
–Um pouco? Tem certeza? -Lilliel questionou ironica
–Acho que um pouco seria até nossa primeira noite fora do acampamento, maninho. -Liz completou no mesmo tom.
Olhei para elas em dúvida.
–Então vão contar tudo mesmo? Até de Luti e Urano? Gaia? Oliver? Las Vegas? Carlo?
As duas riram.
–Nem tudo. Afinal o que será da vida de algumas pessoas sem algumas cartas na nossa manga? -Lilliel
–Afinal, nossos primos ainda merecem um pequeno tapa na cara. -Liz.
Suspirei vencido.
–Que seja.
Então ouvi um pigarro de Quirón que olhou de Lilliel para eu em dúvida.
–Apenas respondam: andaram mesmo tendo relações dentro do acampamento?
Por um segundo pensei em desmentir, mas já tinha me ferrado tanto para ficar com medo agora, que não valeria a pena.
–Sim. -Respondi junto de Lilli.
Quirón suspirou.
–Tinha que ser a filha da Erza e o filho a Patricia. Mas com que tipo de gente os deuses se envolvem... não poderiam ser mulheres normais? Tem que ser esses tipos? Agora falta só a Lizandra e o Leon fazerem coisas idiotas como suas mães. Para piorar eu nem posso punir vocês por que os deuses vão me matar e a sua mãe será a pior. -Ele terminou apontando para Lilli.
Ela olhou para ele e riu.
–Professor, falar isso comigo não vai mudar nada. Eu vivi com ela desde que nasci e posso garantir que se ela poderia matar meu pai, com certeza mataria o senhor.
Metade dos presentes pareceram ficar chocados e eu ri.
–Vamos começar meninas? -As duas me encaram.
As duas riram e Liz começou.
–Sou prima da Lilliel de uma forma estranha e podemos dizer que sou parente de quase todos os campistas pelo menos três vezes, menos os filhos do sub-mundo. -Minha irmã salientou a parte de não ter parentesco com o futuro namorado.
–Posso dizer que somos de longe de uma “Linhagem” divina quase tão antiga quanto os deuses. -Lilliel sorria divertida antes de acrescentar: -E a Liz não é parente dos deuses do submundo por que essa é minha função.
Quem ainda tinha ar nos pulmões, alguma expressão no rosto que não descrença ou até mesmo força para ficar de pé sentou no chão na mesma hora.
Continuamos sentados e começamos com o relato da missão que foi ouvido em silêncio do inicio ao fim por quase todos os campistas.
Incluindo as partes que Kaíros mostrou do passado das mães de ambas, mas as duas ocultaram algo e acredito que seja com relação a seus primos.
Então desconsiderei aquilo por hora.
Mas a cara de Drew, essa sim foi impagável.
–
–
Continua...
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