The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
48 Bom, As Vezes, Deuses São, De Longe, Sua Melhor Opção. Por que Eu É Que Não Sou.
Notas iniciais
Lilliel
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Sabe aquele momento que você pode dizer que deu um tapa na cara de alguém sem nem mesmo chegar perto dela?
Pois é.
Eu fiz isso com muita gente contando a missão.
Em partes sem querer, por que não sabiamos que Drew tinha organizado uma missão de espionagem para humilhar Lizandra e com isso todo o acampamento assistiu a nossa conversa.
Incluindo as partes idiotas aonde falamos sobre Las Vegas, aonde Carlo e Liz provocaram eu e Gray, ou tudo mais que foi falado.
Cada detalhe até mesmo de nosso parentesco com Kaíros e Urano, consequentemente com Cronos e os gigantes ou mesmo Gaia.
Mas no final aquilo foi um festival de besteiras.
Clarisse se recuperou rápido, assim como Lana e Leon que se juntaram a nós fazendo comentários idiotas.
Demorou um pouco mas Halley e Reynald se juntaram também e todos juntos pareciamos contar uma história absurda de fantasia com muitas besteiras em comentários, mas como nossas vidas normais já eram fantasia demais não ligavamos.
Falamos tanta besteira que depois ficamos sabendo que no resto do acampamento os mais velhos tentavam com as poucas mãos disponíveis tapar os ouvidos dos mais novos.
Quando terminamos enfim de contar aquela loucura eu nem ligava mais para nada, só sabia que alguém iria pirar ali.
E eu estava mais que certa.
–Parente de Cronos? Você e Lizandra eram espiãs dele na guerra! -O grito histérico e acusador de Drew foi como uma faca no meu machucado do rosto.
Como ela tem uma voz insuportável.
–Lamento te desapontar Drew querida, mas elas nem sabiam quem eram naquela época.
Para nossa surpresa a voz vinda de trás dos campistas era realmente de abalar corações e a dona também.
A poucos metros andando na nossa direção a mulher alta, longos e ondulados cabelos castanho claro, olhos de um azul brilhante como os de Lizandra, que rapidamente oscilaram para vermelho e depois verde. A pele branca, mas tão perfeitamente compativel com a imagem era fascinante. Era impossível ver Afrodite e não reparar em cada detalhe da sua beleza. Os lábios, o contorno dos olhos e tudo mais, principalmente por que nós eramos muito mais próximas dela do que a maioria dos seus filhos.
–Vejo que minhas sobrinhas estão bem acabadas, mas apesar do que meu pai ou meu irmão possam ter feito, solicitado ou falado eles gostam mesmo de vocês. Sabiam?
Eu e Liz rimos.
–Nunca diga que o velho Uranos gosta de alguém, ou ele vai ficar dois séculos sem falar novamente... -Liz conseguiu falar enfim.
–Eu sei. Ele é um pai velho e babão muito amoroso, mesmo que negue isso. -Nesse ponto Afrodite já estava quase ao nosso lado. -Mas falando do meu irmão, ele deu uma missão muito divertida para as duas nos próximos dias e eu tenho que agradecer a ele por isso. Sabe, eu venho tentando resolver essa questão dos primos desde que ela surgiu e nunca dá certo. Isso está me matando já.
–Se você morresse eu poderia considerar a gravidade. -Brinquei e ela riu.
–Amor é minha especialidade, se ele fica complicado eu pioro. -Ela disse em um meio sorriso.
–Mais do que já é? -Halley parecia chateada e nem ligou para o olhar de pânico de todos. Então seus olhos pareceram soltar faíscas em um tom perigosamente castanho avermelhado. -Dá próxima que tentar se meter na minha vida amorosa eu juro que arrumo um jeito de me vingar pela eternidade.
Afrodite contra todas as chances sorriu.
–Eu juro que não pretendo e nem mesmo posso mais me meter na sua vida amorosa. Já passaram essa função a outro deus, por assim dizer. A sua e a do Reynald.
Os dois amigos se olharam preocupados.
–Como assim outro deus? Vai dizer que meu pai resolveu se meter na minha vida? -Reynald parecia preocupado.
–Não. Apenas tem um deus de olho nas suas vidas amorosas e no caso dele eu me retiro quando isso acontece. É mais seguro não discutir com Kaíros nesses casos. -Afrodite parecia desanimada ao ser tirada daquela jogada.
–Você diz isso por que não precisou ouvir ele falar da sua vida amorosa com a Lilliel depois do sermão de Thanatos. Pensei que ambos iriam me matar. -Gray retrucou contrariado e suando frio.
–Eu sabia! -Gritei. -Sabia que tinha falado com meu pai em Vegas. Eu senti o cheiro de morte.
–Você, eu, sua mãe, seus primos e todos os nossos parentes que usam os poderes do tempo. -Lizandra retrucou.
Aquilo me irritou.
Fui até ela e agarrei seu colarinho com força.
–Definitivamente eu vou te ferrar. Você tem até os primos aparecerem para resolver seu assunto ou eu resolvo ele.
Liz me olhava assustada e Afrodite ria, assim como Gray.
–Deuses, eu adoro você sabiam? -Afrodite disse ainda rindo.
–Sim eles sabem. -Uma voz feminina e familiar surgiu nos pés da escada saindo das sombras lentamente. -Mas não acha que deveriamos tentar evitar esse contato ainda que eles não sejam vistos pelas regras. -Então Perséfone estava na nossa frente com um lindo vestido amarelo e os longos cabelos negros soltos. -Embora eu admita que é muito bom ver nossos descendentes tão animados.
Afrodite fez uma careta leve, o que foi engraçado.
–Mas será que nem você me apoia quando digo que passou da hora de levarmos a "Linhagem" para morar no Olimpo?
–Na verdade eu concordo, mas isso é assunto deles com Kaíros e não nosso. Por hora os deuses precisam ficar longe mais um pouco e você sabe disso. -Perséfone parecia repetir aquilo para ela mesma, mais do que para a tia. -Logo a reunião de família vai acontecer e todos vamos comparecer lá. Ou esqueceu como Zeus e Hades pareciam a beira de um infarto pedindo que Hera e Teresa cuidassem dessas duas princesas? -Ela deu um sorriso como quem tinha assistido a uma comédia na hora.
–Ou Ártemis pedindo permissão para cuidar do garoto? Não tem como esquecer isso ou os últimos pedidos de casamento de Kaíros. -Afrodite sorriu maliciosamente. -Eu juro que vou fazer da vida dela um inferno quando meu irmão terminar a primeira parte dos preparativos...
A maioria dos campistas pareceu curiosa com a parte do pedido de casamento, menos eu e Lizandra que riamos daquela situação. Já Gray estava estático.
–Isso não tem muita graça sabiam? -Ouvi ele resmungar e então as duas deusas começaram a rir.
Clarisse e Lana trocaram um olhar de duvida e depois encararam eu e Lizandra.
–Afinal o que foi “o pedido de casamento da última vez”? -Lana.
–Por que essas duas ficaram tão histéricas com esse pedido do Kaíros?
Respirei fundo e soltei naturalmente:
–O pedido de casamento de Kaíros para Ártemis. Segundo ele, já foram mais de três mil recusas por parte dela.
–Três mil recusas as quais ela queria ter aceitado a metade, segundo Hera. -Lizandra ria daquilo sem a menor vergonha e isso me fazia muito bem.
Afrodite respirou fundo e sorriu.
–Eu vou voltar para o Olimpo, queria apenas aproveitar que as duas estavam aqui para deixar claro aos dois que a partir de agora eles se entendam com Kaíros e não comigo. -Ela apontou para Halley e Reynald que pareciam em pânico ao pensar de cair nas mãos do meu ancestral. -Além de ver pessoalmente a melhora nas minhas queridas princesas. Kaíros tem um bom gosto incrível para ter descendentes e eu nem sempre acerto.
Ri daquela última frase.
–Veja bem, graças a você temos a Liz. Então gente como a Drew é a sobra das qualidades. -Afrodite nada disse, mas não desmentiu.
–Bom, eu também me vou. Só queria saber se estava tudo certo, afinal eu tenho minha parte de culpa nessa confusão. -Ela me encarou um tanto pensativa. -Deuses, nem depois de todas essas gerações eu me livro dessa impressão que estou de frente com uma prova de traição.
Afrodite riu.
–Veja o lado positivo. Deitar com os netos do seu marido por eles serem parecidos demais causaria mais estragos normalmente do que no seu caso.
–Não muda o fato que isso e ela são minha culpa em parte. -Perséfone apontou na minha direção.
–Sua e de todos os deuses querida. -Afrodite disse desaparecendo.
Perséfone parecia querer gritar, mas suspirou.
–Ela é insuportável as vezes.
Para em seguida sumir nas sombras.
Eu e Liz ficamos ali paradas rindo enquanto Gray me encarava de seu canto atencioso, o resto do acampamento parecia morto, mas Leon do lado do meu namorado encarava nossa discussão.
Assim que recuperamos o folego minha prima lembrou de algo importante:
–A chegada os primos é um prazo pequeno. Aumente em uma semana pelo menos. -Liz tentava negociar.
–Você teve sete anos. Dois dias serão mais que perfeitos. -Respondi
–Você e Gray tiveram dez dias.
–Nos nos conhecemos a dez dias. Se vira que eu não vou mudar minha ideia, além disso achou que iriamos te dar quanto tempo? Nossa ideia original era um dia, o que significa que ainda saiu no lucro.
Lizandra ainda pareceu ficar pronta para uma luta, mas desistiu.
–Posso ir para o quarto dormir? -Liz resmungou.
–A vontade, vou fazer o mesmo. -Suspirei cansada.
–Posso imaginar. -Ela respondeu maliciosa.
Dessa vez Gray riu.
–Vamos garotas, parem com isso. Eu também quero dormir. -Ele me abraçou e Liz fez uma careta.
–Sem perversões que eu vou estar no quarto.
–Tudo bem, qualquer coisa a gente te despeja na sala. -Gray falou ao passarmos pela porta.
–Despejar na sala o cac... -O resto da frase ficou na pancada que a porta deu contra o batente.
Claro que eu sei o que Liz falou assim como Gray.
Voltamos para o quarto de desmaiamos de cansaço nas nossas camas.
Acordamos apenas no fim da tarde depois de perder quase o dia inteiro.
Lizandra se amaldiçoou e disse que em dois dias seria namorada de Leon.
Bom, eu estou torcendo por ela.
Assim como Gray, Clarisse, Lana, Reynald, Halley, os Stoll, Kaíros e o Sr. D., isso só para começar...
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Continua...
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