The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time

45 As Vezes É Muito Bom Ter Senso de Humor, Principalmente Agora


Notas iniciais
Agradecimentos especiais aos comentários das meninas leitoras: - ***A Granger*** - ***Milena Corrêa*** Infelizmente não estou no melhor momento para aqueles devaneios normais de notas, mas eu ainda nem fui dormir, então, já que são oito da manhã, é fácil imaginar... Mesmo assim peço desculpas pela demora a todos os leitores da fic, incluindo os anônimos que eu queria que comentassem ao menos a cada cinco cap's (se não for pedir muito ainda dá tempo, viu?). É que o cap é meio "tapa buraco", mas é necessário, ou vai virar uma zona explicar como fulano beltrano e ciclano aparem na cena X ou como um ponto se desenvolveu se nada para explicar, por isso algumas coisas podem demorar um pouco. (Aliás chamei de "tapa buraco", mas certos pontos são importantes nele.) Ainda assim sinto muito, então desculpem de verdade a demora. No mais aproveitem o cap.

Lilliel

Em partes, eu e Lizandra dormimos de verdade, mas, também sonhamos demais.

Kaíros passou algum tempo dos nossos sonhos sendo irritante. O que significa que ele passou algumas horas perguntando como Ártemis estava, se parecia cansada, se estava mais bonita do que na hora da reunião (nessa hora quase chamei ele de idiota, mas resolvi ficar quieta).

Depois, só para não fugirmos a regra ele fez questão de ficar falando de nossas vidas amorosas, ou no caso da Lizi da sua futura vida amorosa com Leon. Aliás eu admiro a visão que Kaíros tem sobre vida alheia e privacidade serem ambas nulas.

Sinceramente acho que ele resolveu cobrar adiantado para quando se casar com Ártemis, por que tenho certeza que o Olimpo inteiro vai ficar irritando a vida dos dois por pelo menos uns duzentos anos.

Esse é o meu consolo quanto as provocações dele desde que acordei no meio da noite no acampamento.

Mas, depois disso Kaíros voltou a dizer como era importante fazermos tudo certo ao fazer Reynal e Halley se reencontrarem com Lear e Ashlley, assim como era essencial que Lara estivessem junto com a gente quando eles chegassem. Essa parte foi irritante pela repetição, mas ele pareceu realmente preocupado que dê tudo certo.

Por fim ele tirou umas dúvidas sobre nossos poderes, Liz queria confirmar por que a arma dela mudava de forma, algo que eu desconfiava a razão, mas Kaíros confirmou que era por culpa de Ares e Hefésto.

Pensar que dois deuses inimigos eram a razão daquilo foi mais estranho que saber por que Hades não matou meu ancestral por dormir com sua esposa, esse ou esses, os outros antes, eram netos de Hades. Aparentemente Persefone realmente gosta de Hades e essa é a forma de ela não poder evitar ter filhos com a “Linhagem”.

Aliás, isso soou estranho, admito.

Demoramos um pouco para conseguir acordar e, quando conseguimos, acabamos acordando o Gray também.

Bom, eu concordo que depois de tudo todos nós queriamos desesperadamente descansar, por isso eu e Liz aceitamos quando Gray pediu por mais algumas horas de sono.

No fim, até mesmo Kaíros pareceu ter pena de nós e deixou nossos sonhos vazios, o que foi bom, já que não sonhamos mais nada de estranho.

Ou pelo menos acho que Liz não sonhou, já que eu pelo menos não sonhei.

O lado bom é que eu estava descansada, o ruim é que tudo doía.

Sério, acho que tinha tanta tensão acumulada no meu corpo, sem falar nas pancadas e machucados ou na minha noite com Gray, que quando meu corpo recebeu a informação de que estavamos em segurança (os três juntos) meu cérebro parou de reter tudo aquilo e me jogou nesse poço de dor acumulada.

A leve claridade da luz do sol que atravessava minhas pálpebras fazia meus olhos doerem, minha perna pinicava de forma incomoda e persistente. O meu rosto latejava de uma forma que deveria ser crime alguém sentir uma dor como aquela e minhas costelas pareciam ter passado por uma prensa.

E, só para não deixar de fora, eu estava com muita dor de cabeça, provavelmente uma enxaqueca, e muita fome mesmo.

Resolvi então abrir meus olhos e encarar aquele dia, ou sua primeira parte, ainda que não fosse minha escolha favorita.

Assim que abri meus olhos a luz, mais forte que a leve claridade anterior, fez meus olhos doerem, ardendo e lagrimejando um pouco.

Olhos...

Os dois estavam lagrimejando, mesmo que durante a noite eu jurasse que o do lado machucado estava tampado.

Levei a mão até o lado esquerdo e, mesmo mal tendo tocado devido ao latejar pulsante, notei que o lugar realmente estava sem os curativos.

–Finalmente acordou Bela Adormecida. -Ouvi a voz de Gray ao meu lado levemente provocativa e me virei para encara-lo.

Admito, foi uma bela visão.

Gray estava acabado, ainda que não tanto quanto eu e Liz, e mesmo assim fiquei um bom tempo apenas verificando cada detalhe do meu namorado.

Meu namorado.

Ainda que um pedido oficial não tenha sido feito, pensar assim e saber, mesmo sem palavras, que ele também pensa o mesmo me deixa ainda mais satisfeita como que vejo.

Isso e o fato de que Gray esta apenas com a calça de moletom, sem nenhuma camiseta, o que significa que aquela é a única peça de roupa em seu corpo, o que é bem interessante.

–Espero que lembre que ainda estou no quarto, Lilliel. -A voz de Lizandra, ao que me pareceu, estava um tanto incomodada com o clima do quarto.

–Mas eu não fiz nada. -“Ainda”, acrescentei mentalmente.

–Ainda, você quer dizer. -É, Liz fez questão de tornar meu pensamente algo que outros pudessem ouvir. -Bom, contanto que esperem eu sair do quarto nem ligo para o que vão fazer. Só façam o que é necessário nesse meu braço, na cara da Lilliel e no seu braço Gray.

Acabamos os três rindo e depois suspirado ao lembrarmos os três do mesmo fato. Sem Carlo para fazer seu truquezinho com Liz precisariamos do próprio Leon.

Agora, chamar ele e explicar por que apenas o filho de Morpheu poderia fazer isso sem que Lizandra tente matar um de nós ou ambos são duas coisas muito, mas muito diferentes mesmo.

Quase, ou tão complicado quanto eu e Gray durante a missão.

Ficamos alguns minutos pensando nisso até que a porta do quarto foi aberta e, para nosso alivio ou ironia, Clarisse entrou junto com Leon, o que foi alivio em dobro quando vimos que eles traziam o café da manhã.

–Comida... -A voz chorosa, que quase achei ser minha, era na verdade de Lizandra, para meu alivio.

Só que esse alivio não durou muito, por que eu estomago fez questão de soltar um só muito, muito alto que poderia facilmente ser confundido com o rosnado de um cão infernal gigante. E, mesmo o estomago de Gray também tendo roncado aquilo não tinha comparação com o meu e por isso meu namorado fez questão de rir tanto quanto pode da minha cara.

O que me leva a questionar levemente os quesitos de Afrodite para o amor, se bem que acho que nem é bom pensar no que ela pensar ou imagina.

Pelo menos Gray tem senso de humor, o que é uma boa qualidade, entre outras.

–Não falei que estavamos chegando na hora certa? -Clarisse comentou olhando para a porta quando Chris apareceu na porta com um sorriso meio cínico.

Bom, o irmão da Liz deu uma risada antes de responder:

–Sim, sim, só não sei se isso vai resolver essa questão da fome deles.

Dessa vez Clarisse se resignou a dar um sorriso malicioso sem dono, o que me fez lembrar que, segundo Gray, foi ela que enfiou os preservativos na bolsa da Liz, que por fim entregou a ele.

Ok.

Ela é perigosa.

Em mais de um sentido.

Aliás isso não deveria ser nenhuma surpresa, já que mesmo com a morte de Kira, Lizandra manteve um peculiar senso de humor. O mesmo que demonstrou durante toda a missão sobre meus sentimentos e de Gray, o que me faz ter quase certeza que Clarisse passou os últimos anos treinando minha prima nesse sentido com uma frequência anormal.

Felizmente tinhamos prioridades diferentes de nos preocuparmos com as piadas das duas, e foi o que a dor nos meus dedos me lembrou.

–Gray... -Sim, aquilo soou como um choramingo e, não, essa não era a minha intenção.

–Certo, certo. -Ele olhou para os lados e depois para Leon. -É você mesmo. Vem aqui e tira os anéis dos polegares da Lizi.

Primeiro Leon pareceu surpreso, mas depois deu um sorriso minimo e foi até ela, segurou seus polegares com cuidado, o que me fez questionar o que minha prima estava sentindo. Mas acredito que Liz estava entre a morte e o paraíso em vida com aquilo.

No mesmo momento Gray segurou meus polegares e então ambos retiraram os anéis.

Assim que os anéis saíram algo parecido com as outras vezes que o poder de Kaíros se “manifestou” aconteceu e uma intensa luz dourada apareceu, só que dessa vez eu tive a impressão de ver imagens de engrenagens e ponteiros de relance. Além do fato de que Gray e Leon foram “atingidos” pela mesma luz.

Meu namorado no braço e abdômen, e o da Liz no abdômen.

Então Gray simplesmente falou:

–Coloca os anéis de volta.

Acho que depois de toda a conversa que ele andou tendo com Carlo e Kaíros acabou sabendo exatamente quando deveria para o processo de cura ou retrocesso, seja lá qual dos dois aconteça no nosso caso, sem nenhuma ajuda.

Quando a luz cessou pude notar que o braço de Gray havia melhorado de uma forma incrível. As partes que ainda pareciam queimadas agora estavam com um forte tom de vermelho demonstrando que um pele e músculos novos estavam surgindo. Em outros pontos podia notar uma superfície esbranquiçada e leitosa se esticando, provavelmente a camada de gordura que fica sob a pela. Milagrosamente eu pude ver que também tinha partes de pele nova na parte do pulso.

Com isso eu imagino que talvez não fiquem muitas marcas dessa queimadura tão feia no braço dele.

Meu namorado mexeu no machucado de Liz aplicando os medicamentos necessários e passando as suas pomadas em uma velocidade assombrosa.

Então Gray virou na minha direção, se sentou na minha cama e tocou me rosto com um leve roçar de dedos sob a parte machucada abaixo do olho.

–É, está bem melhor agora. -Comentou enquanto seu dedo deslizava pela minha bochecha até meu queixo. -Mais um pouco e não vai ter quase nada que lembre aquele ferimento original.

A cada palavras que ele falava eu podia sentir a mudança de temperatura de seus dedos, começando a esquentar cada vez mais, enquanto a minha própria pele ficava cada vez mais fria.

Certo, acho que isso pode ficar um pouco complicado.

Aliás, admito, é engraçado pensar que eu e Gray estamos não muito longe de como passamos metade da missão quando tentavamos, em vão, nos afastarmos do que sentiamos. O lado bom com nosso atual entendimento é que isso não gera nenhuma confusão.

A menos nenhuma muito grande.

–Ah, cara. Eu não mereço. -Ouvi Liz quase gritar me fazendo encara-la.

–O que foi dessa vez Liz? -Minha voz havia soado um pouco mais irritada do que deveria.

Já Gray levantou da minha cama e sentou na sua, afastando suas mãos e corpo rapidamente, o que era uma boa ideia.

–Sério que preciso responder isso Lilliel? -E pela cara dela eu sabia que não.

Então primeiro resolvi levantar e comer um pouco, bebi o suco que estava no baú aos pés da cama e comecei a comer o pão recheado antes de responder:

–Tudo bem, eu entendi. Só que, sinceramente, acho que você esta começando a exagerar e fazer mais drama que o necessário.

–Nesse ponto eu concordo. -A resposta, acredite se quiser, veio de Leon. -Só estou querendo dizer que se as coisas estão assim e vão piorar, é só você sair do quarto antes. Eu, Clarisse ou Chris podemos te lavar para a sala, praia ou outro lugar do acampamento que queira ir.

Nós três piscamos e nos entreolhamos ao mesmo tempo, até que eu e Gray resolvemos ficar encarando apenas Lizandra para ver o que ela faria. Como minha prima não é burra nem nada entendeu tudo rápido e bufou irritada.

–Olha, eu espero que isso me dê um bom tempo de paz depois. Sinceramente. -Depois ela pegou suas roupas limpas do lado da cama, as muletas e seguiu para o banheiro do quarto trocar de roupa.

Encarei Gray.

–Como as muletas estão aqui? Não tinhamos perdido elas no vácuo?

–Deve ser coisa do Luti ou dos outros deuses. Em todo o caso eu não me surpreendo depois de saber que Teresa e Hera chamaram ninfas para nos darem banho depois de desmaiamos na sala.

–Como é que é? -Ele só podia estar brincando.

–Sério. Ártemis fez questão de invadir meus sonhos depois que vocês me acordaram por cinco minutos só para dizer isso e rir da minha cara com Melindra e as outras. Não foi divertido.

–Posso imaginar sabe, Kaíros é assim. No final dá até para entender. -Comentei sobre Ártemis ser a paixão “não correspondida” do mau ancestral.

–É, dá mesmo.

Três segundos depois a porta do banheiro abriu e Lizandra saiu de lá com uma calça de moletom, com uma blusa de frio parecida com a que usava no começo da nossa missão, um dos pés da botina no pé bom e o outro muito enfaixado.

–Certo, eu vou dar uma volta. -Disse usando as muletas para ir até a porta do quarto já que colocando os outros para fora aos poucos. -Só que quando eu voltar não quero saber de nada dessa sessão de agarramento que vocês estão fazendo agora.

Liz estava terminando de mandar Chris e Leon para fora enquanto encarava Clarisse de forma insistente que sorria cínica para minha prima seguindo lenta e teatralmente para a porta quando Gray pareceu lembrar de algo.

–Clarisse! -A filha de Ares parada na porta virou e encarou Gray que sorria se divertindo. -Valeu. Realmente, muito obrigada por ser uma grande intrometida sem a menor vergonha na cara para zoar eu, Liz ou qualquer outra pessoa desse acampamento.

Clarisse ficou encarado Gray por cerca de dez segundos antes de perguntar:

–Afinal, do que é que você está falando?

Eu comecei a rir ao lembrar do que ele falava e meu namorado deu seu melhor sorriso cínico antes de responder:

–Seu presente para a Liz.

Em dois segundo Clarisse não só entendeu como deu uma gargalhada antes de apresentar seu melhor sorriso malicioso.

–Bom, não precisa nem agradecer. Só faça algo para que da próxima vez seja a Liz a usar esse presente e com a pessoa certa.

Do lado de fora ouvi a risada de Chris fazer coro com a de Gray ao meu lado enquanto o rosto de Lizandra ficava de um tom purpura intenso e, pelo olhar confuso que vi quando ele se esticou para dentro co quarto, Leon havia entendido nada ali.

Por isso acabei rindo, mesmo com a dor, o que deixou Liz ainda mais brava e colocar Clarisse a força para fora do quarto batendo a porta com uma força desnecessária, o que causou um estrondo ensurdecedor. Mas depois de toda a missão eu e Gray nem ligamos.

Levou mais uns trinta segundo para pararmos de rir quando Gray respirou fundo ainda encarando a porta.

–Nossa, a Liz vai nos matar depois.

Encarei ele sentado na cama um pouco distraído se virando para me encarar e, sério, Liz tem muita razão.

Fiquei encarando ele e observando os detalhes, seus olhos com o novo tom laranja dourado, o cabelo castanho despenteado solto envolvendo o pescoço, a pele bronzeada, o contorno da boca, os braços e abdômen definidos e fortes. Sem falar naquela calça que me tirou a paciência a vários minutos.

Aliás, eu pareço um velho tarado, mas, acho que mereço, ainda que isso esteja fora de controle.

Suspirei da minha inutilidade naquele assunto e levantei da minha cama indo até a do Gray. Envolvi seu pescoço e o beijei, derrubando ambos na cama.

Demorou um pouco para nos afastarmos, principalmente em busca de ar, mas quando fizemos Gray grunhiu agoniado:

–Estou ferrado.

Não era uma pergunta, mas eu respondi mesmo assim:

–Nós dois, mas até que isso é bom.

Ele me olhou desconfiado.

–Por que?

Sorri para ele.

–A camisa é sua? -Segurei o tecido da camisa que eu estava usando e ele concordou. -Certo. Não precisa de resposta.

Comecei a desabotoar a camisa e vi ele engolir sem seco.

É, aquilo seria divertido.

Muito divertido.

Continua...