The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time

46 Por que Sempre Aparece Um Super Idiota Nos Piores e Melhores Momentos?


Notas iniciais
Vamos começar devaneando (adoro essa palavra): - ***Milena Corrêa, bom, eu é que não quero ficar no caminho do Kaíros nessa coisa de cupido, mas, se eu não tomar cuidado, nem isso posso garantir. A Liz ainda vai aprontar muito para ter pena dela assim. - ***A Granger, agora é que nós vamos realmente ter uma ideia do que Kaíros fez com o Leon durante a missão (sim, ele não perdoou e eu também não). A devolução de piadas ainda vai ser lenda para a Liz, mas vai acontecer e sobre a ação, bom, vamos lá e uma coisa de cada vez. =X= Pessoal, sobre o atraso eu peço desculpas, só que terminei o cap agora e, posso garantir, que não foi fácil. O rascunho estava pronto a mais de semana, só que quem disse que rolava de passar a limpo pro PC. Foi dureza. Quando rolava de eu conseguir sintonizar com o que precisava ser feito estava com dor. Mas agora esta ai. O próximo já estava pronto no PC, então não vai atrasar. Até mais e deem uma olhada nas notas finais.

Lizandra

20 de Dezembro

A vida é engraçada.

Já ouvi muitos semideuses comentando que sorte, não é a única coisa que nos falta.

Assim sendo foi uma certa ingenuidade minha acreditar que apenas sair do quarto e me afastar daqueles dois pervertidos seria de grande ajuda.

Bom, claro que eu saí a tempo, mas isso não significa que havia me livrado do que acontecia lá dentro.

Quando fui trocar de roupa no banheiro, notei que de alguma forma o meu olho esquerdo parecia estar ligado ao da Lilli, o que significa que posso eu ver tudo o que ela vê, ou seja, Gray.

Não foi nada divertido.

Mesmo assim não culpo ela, afinal se eu tivesse um namorado lindo e quase sem roupa na minha frente estando no mesmo nível de relacionamento que eles, bom... acho que isso nem precisaria dele estar quase sem roupa.

Só que tenho certeza que Lilliel não notou e nem vai notar nada dessa nossa ligação ocular tão cedo. Novamente não a culpo, afinal além de uma distração igual a Gray estamos não só falando do olho que ela quase perdeu em Vegas como também dessa maldita enxaqueca que eu também estou sentindo desde que acordei e não teve remédio humano ou inumano até agora que fizesse parar.

Acho que a dor de cabeça no momento pode ser minha maior inimiga.

–Tudo bem Liz? -A voz de Chris me tirou da minha “contemplação” sobre minha descoberta mais recente.

Eu estava sentada no sofá da sala da Casa Grande tomando coragem para fazer alguma coisa no tempo que ficaria fora do quarto na companhia da minha pequena escolta, que estavam esperado sentados nos outros sofás.

–Sim, quero dizer, é complicado. -Chris continuou a me olhar esperando que eu desse uma resposta completa e satisfatória, coisa que não faça sozinha nem morta. -Estou com enxaqueca. -Admiti parte da verdade.

–Bom, talvez um pouco de néctar ajude. -Clarisse disse já saindo da sala para a cozinha e voltando nem um minuto depois com um copo pela metade de néctar. -Pode beber.

Eu poderia ter dito a ela que já havia tentado aquilo e que Gray me dera até remédios mortais, sem nenhum sucesso, só que discutir normalmente é perda de tempo. Por isso peguei o copo e virei, bebendo tudo de uma vez. Aliás, desde Vegas notei que a quantidade de néctar que eu e Lilliel consumimos sem efeitos aumentou, pelo menos no hospital antes de sairmos tenho certeza que bebi quase o dobro antes de os efeitos começarem esquentar meu corpo. Decidi que me preocuparia com aquilo mais tarde e estiquei o copo para Clarisse.

Só não contava que Leon iria passar na frente e pegar o copo da minha mão, só que o lugar que ele tocou, diferente das outras vezes, ficou formigando como se eu tivesse tomado um pequeno choque.

Definitivamente preciso resolver isso, só que não agora e, por isso mesmo, preciso pensar em algo que não seja Leon ou Lilliel e Gray.

Isso me fez, por algum mistério universal, pensar em Carlo.

Aquele idiota iria se divertir com a minha situação e rir como um condenado, aliás, ele é um primo que não presta em nenhum ponto nesse sentido.

E foi assim, pensando em como Carlo é idiota, mas seria bom que estivesse ali, que Leon voltou para a sala e meu olho esquerdo mudou de frequência, agora eu estava, de alguma forma, admirando as ruas de Manhathan na companhia de uma casal de loiros vagamente conhecidos.

Eram Ashlley e Lear, ambos ansiosos e até um pouco irritados. O que me fez imaginar que o olho de quem eu estava espiando era do Carlo.

Ouvi um grunhido irritado e logo estava olhando diretamente para Ashlley.

–Será que podemos ir para esse tal acampamento agora? -Para minha surpresa eu ouvia as palavras dela perfeitamente, apesar de o som estar um pouco abafado. E mesmo assim a voz de Ashlley pareceu bonita.

–Não. Kaíros foi bem claro ao me dizer que apenas depois de amanhã vamos poder aparecer por lá e acho que sabe perfeitamente as implicações de ir contra os conselhos dele. Ou estou enganado, Ashlley? -A voz do dono da visão estava abafada também, mas agora eu tinha certeza absoluta que era Carlo.

Minha prima bufou irrtada.

–Ela entendeu isso logicamente Carl, mas acho que você pode imaginar que nós dois estamos realmente ansiosos para corrigir tudo isso. -Apesar da voz ligeiramente grave e forte, as palavras de Lear eram suaves e ele parecia tentar ficar o mais calmo e racional possível naquela situação.

–Corrigir?! Eu vou é fazer a Hal se arrepender do momento em que saiu da minha cama aquele dia, nem que para isso tenha que sequestrar aquela idiota e prende-la no meu apartamento por dias. -Ashlley fez uma cara vagamente famíliar a que Gray e Lilliel faziam se devorando com os olhos durante a missão ou mesmo agora depois de tudo, só que dez vezes pior.

Tadinha da Halley.

–Sua irmã me dá medo Lear. -Depois piscou e riu. -Aliás, como dormiram com alguém e não sabem nem mesmo os nomes dessas pessoas? São idiotas por acaso. -Apesar da risada Carlo estava bravo com os dois.

–Quem não sabe é a Ash, eu só mantive a brincadeira no começo e depois ambos acabamos decidindo a levar a coisa a sério, como deveria ser. O nome dele é Reynald. Diferente da minha irmã eu considerei isso importante antes de dormir com ele. -Agora, mesmo com todo o auto-controle de Reynald, eu pude notar na voz forte e grave de Lear havia uma clareza de sentimentos mais do que incomum.

–E não me julgue por minhas escolhas Carlo, eu sabia o que estava fazendo, só não sabia que ela fugiria no final. -E na voz de Ashlley agora eu podia notar uma agressividade latente, mesmo que seu tom de voz fosse suave.

Sinceramente, aquilo me soou estranho, mas como tudo na minha família parece ter uma explicação mais maluca que a outra eu nem mesmo precisei pensar sobre o assunto, por que Carlo realmente gosta de falar.

–Francamente, não entendo como isso foi acontecer. Olhando de for ninguém acredita, mas é claro como água que Ash ficou com a personalidade parecida com a de Ares e a aparência de Afrodite. Enquanto você, Lear, ficou com a aparência de um filho de Ares e a personalidade similar a de Afrodite.

–E se bem me lembro essa é uma das piadas favoritas da nossa família. Além, claro, do fato de que nossa mãe é uma neta de Ares e filha de Afrodite, o que torna obvio o fato de que eu e a Ash jamais seriamos pessoas normais mesmo se não fossemos parte da linhagem. -Lear lamentou.

–Dramático... -Ouvi Ashlley debochar antes de ser, literalmente, sacudida de volta para a sala da Casa Grande.

Assim que prestei atenção pude ver Clarisse, Chris e Leon me encarando preocupados.

–Tudo bem com você? Quer deitar ou que gente chame o Quirón? -Leon se adiantou.

Pisquei diante daquilo.

–Não, tudo bem. Eu só me distrai. -Os três me olharam desconfiados, o que me fez perguntar por que Gray e Lilliel não esperaram mais umas horas. -Sério pessoal, eu me distrai pensando em algo relativo a missão e nem morta falo disse sem aqueles dois junto. Então esqueçam esse assunto por hora.

Clarisse riu e eu continuei mantendo parte da minha mente focada em Carlo andando por New York, aliás, eu podia jurar que eles estavam no Brooklyn. Felizmente isso me ajudava a não pensar em Gray e Lilliel no andar de cima.

–Bom, se não se importarem quero resolver algumas coisas enquanto espero para voltar ao quarto.

Todos trocaram olhares de dúvida quanto ao fato de que eu, ferrada como estava, queria sair para “resolver” algo, afinal, sobre a missão eles sabiam que não adiantaria discutir mais. O resultado seria o mesmo de tentar mudar qualquer decisão que Clarisse tomasse antes de ela terminar o que queria fazer, por pior que fosse o resultado.

–E aonde pretende ir? -Chris pareceu animado.

–No Chalé de Hera.

Os três pareceram surpresos de formas amplamente diferentes.

–Tá de brincadeira? -Clarisse poderia ter levado um tapa na cara com a expressão que tinha agora.

–Como? -Já Chris parecia um aluno que o professor acaba de dizer que tem prova surpresa para a nota do bimestre.

–Hum... -Leon ou estava curioso ou muito surpreso ou mesmo muito calmo.

O que me fazia questionar se ele imaginava o por que de eu querer ir até aquele chalé.

–Olha, eu preciso passar no chalé de Hera, quer vocês gostem ou não da ideia e isso não é negociável, assim como o fato que tenho certeza disso. Vou fazer isso sozinha, mas não se preocupem, o que vou fazer não é perigoso ou idiota.

Os três se entreolharam e suspiraram vencidos.

Realmente eles sabiam quando eu aceitaria mudar de planos.

E esse não era o caso mesmo.

==========X==========

Apesar da minha decisão de ir ao Chalé de Hera, Clarisse só liberou a minha saída após me fazer tomar um bom café da manhã reforçado. Ainda que preparado de forma improvisada, já que o original ficou com Gray e Lilliel no quarto.

Bom, essa não foi a parte difícil.

Mesmo descer as escadas não foi tão ruim já que tive a ajuda de Leon e Chris para não precisar lidar com cada degrau usando muletas. O que não muda o fato de que foi impossível ignorar que o menor contato com o toque de Leon causava descargas elétricas por todo o meu corpo de forma que me deixava a um passo de ter um ataque de pura vergonha.

Caminhar colina abaixo com os três me escoltando nem mesmo foi difícil fisicamente, mas mentalmente foi sufocante, principalmente com Clarisse insistindo em manter aquele maldito sorriso cínico malicioso no canto da boca, como se eu fosse a melhor piada de todo o seu dia.

O que de certa forma até agora deve ser verdade.

Seguimos quase todo o caminho sem cruzar com campistas, já que a maioria estava nas suas atividades diárias ou na área dos chalés resolvendo algo. Mesmo assim os dois filhos de Ares que passaram por nós fizeram questão de me cumprimentar pelo sucesso na missão e por voltar viva, além de razoavelmente inteira. O que não aconteceu de forma alguma com meus dois irmãos de Hermes, que reagiram da mesma forma hostil de sempre ao me verem.

Por isso que quando cheguei a área dos chalés eu não tinha absolutamente nenhuma esperança de ser bem recebida pelos campistas em geral, nesse ponto eu não me enganei.

Sabe, apesar de toda a “boa confraternização” do acampamento ou mesmo a ideia de que este seja um lugar seguro para qualquer semideus, eu sei, melhor que a maioria aqui, que certos campistas não são nem de longe bem vistos pelos mais variados motivos.

Eu mesma estou no topo dessa lista a alguns anos. Outros como Chris, Gray, Rigardo e Galatea estão bem no final dela. Já pessoas como Lana, Reynald, Halley e Leon não estão muito abaixo do meu nível de “amor”.

Então, para um lugar que deveria ser um refugio, o acampamento as vezes pode ser mais assustador do que todos os monstros do Tártaro juntos. Na verdade, acho até que prefiro lutar com os guardas de Kaíros todos os dias do que ficar aqui lidando com esse pessoal, afinal a luta seria menos cansativa e daria mais resultados.

Entramos na área dos chalés passando pela frente da moradas dos filhos do mundo inferior, aliás o chalé da Lilliel parecia até animado. Não que muitos possam notar a diferença nos ânimos dos irmãos da minha prima, mas conheço esse pessoal o bastante para saber quando sua cara feia é de ansiedade ou dor de barriga.

Segui até poucos metros do chalé de Hermes, quando uma Lana quase desesperada saiu correndo, quase como se estivesse sendo caçada por um cão infernal, e me abraçou ofegante com uma força quase desnecessária dizendo:

–Graças aos deuses que você finalmente voltou Liz. Eu juro que estou enlouquecendo com aqueles idiotas. -Aquela confissão da minha irmã ainda me agarrando era tão boa de certa forma que quase esqueci que algo deveria estar errado.

Quase, por que assim que Lana se afastou um pouco fiquei preocupada com o que via. Ela estava com olheiras profundas e os olhos azul escuro pareciam quase negros, coisa que só acontece quando ela está com raiva ou cansada ou mesmo ambos. Além disso sendo uma pessoa um pouco vaidosa como sei que Lana é, o fato de ela ainda estar sem pentear os cabelos era algo a se considerar.

Meu único consolo era que apenas de ver a minha cara ali e já andando os olhos de Lana desanuviaram recuperando um brilho levemente mais claro, sua respiração antes pesada e ofegante ficou mais leve, até mesmo as olheiras ao redor de seus olhos haviam ficado mais suaves. Minha irmã estava, de todos os pontos de vista possíveis, mais calma.

Eu entendo ela de verdade, por que apesar de nunca ter me deixado na mão e sempre me ajudar com as coisas do chalé Lana odeia estar no comando, ou foi o que me disse quando perguntei por que nunca pegou o cargo de conselheira. Cargo esse que ela foge a mais tempo que eu.

Na verdade sempre achei que isso na verdade tem relação com o fato de que ela não consegue se controlar quanto a bater em pessoas como as do nosso chalé ou o fato de ela ser um tanto quanto vingativa para uma filha de Hermes. Na verdade ela poderia facilmente ser filha de Ares ou Hades no que diz relação a isso.

Suspirei ao pensar sobre isso, por que as raízes de Lana não são, nem de longe, bonitinhas, embora nada comparadas a zona que são as minhas.

–Tudo bem, certo. Eu assumo o cargo novamente desde agora, mas até que meus machucados estejam completamente curados você vai receber muitas ordens minhas. -Respondi conformada e os olhos de Lana se encheram de lágrimas.

–Obrigada. Juro que sinto muito por te devolver essa bomba agora antes que esteja bem, mas eu estou ao ponto de matar um, provavelmente o Jack. -Nesse momento um brilho maldoso com uma fúria assassina passou pelos seus olhos.

Acabei precisando rir antes de perguntar:

–O que o Jack fez dessa vez?

–Nada, ainda. Por via das dúvidas eu e Clarisse levamos seus pertences para o chalé dela e tudo que ele pode fazer foi pichar a sua cama.

Respirei fundo.

Jack é um completo idiota desde sempre e nunca consegui entender de verdade a sua raiva comigo ou Lana mesma com horas pensando sobre o assunto. Até mesmo por que nunca conseguiria entender o que motivaria alguém a agir com tanta maldade contra pessoas que nunca fizeram nada para prejudica-lo de qualquer forma que se possa imaginar.

Sendo ele um ano mais velho que eu sempre pensei que poderiamos pelo menos nos tratar com algum respeito. Quando Jack chegou ao acampamento eu me lembro claramente que estava começando o meu segundo ano aqui e ainda esperava poder ter uma relação boa com todos, em especial menus irmãos.

Porém, para a minha decepção, menos de duas horas após chegar Jack já nutria uma raiva indescritível contra mim. Lana ainda teve a sorte de uma vantagem de dois dias nesse processo, o que não tem facilitado a nossa vida no geral.

Jack é o “ficante” de Drew e aquela garota sente uma inveja pelo fato de que Lana é, sempre foi, mais bonita que ela e, só para piorar, tem o detalhe que minha irmã liga tanto para isso como para o que os deuses pensam a respeito dela. E Lana esta mais interessada nos resultados dos seus treinos que na opinião dos deuses, isso por que ela não liga para os resultados dos treinos.

–Bom, deixa assim por hora. Agora eu preciso mesmo é ir até o chalé de Hera.

Lana me olhou surpresa antes de perguntar:

–Tem haver com ontem ou é coisa sua?

–Um pouco do primeiro e muito do segundo. -Confessei.

Lana suspirou.

–Algo me diz que tem relação com sua mãe.

–Errada posso garantir que você não está, mas tem mais coisas também.

Ao meu lado Clarisse grunhiu agoniada, o que surpreendeu a todos, já que ela normalmente não gosta de fofocas. Na verdade, ela não demonstra qualquer interesse ou sentimento que não seja uma fúria homicida para quase todos os assuntos.

Mesmo assim resolvi ignorar aquilo por hora e continuei seguindo até o chalé de Hera no final da formação.

Era sempre único olhar para o chalé com suas paredes brancas de marfim, as colunas altas e imponentes com flores crescendo ao redor, as grandes portas de ouro com seus detalhes de penas de pavão e intrincados adornos.

Respirei fundo antes de empurrar a porta.

Dei o primeiro passo, porém Clarisse e Lana fizeram menção de me seguir, por isso precisei encara-las.

–Por favor, esperem aqui fora. Preciso fazer isso sozinha, é pessoal.

As duas se entreolharam e Lana me encarou em dúvida.

–Tem certeza? Estamos falando de Hera e mesmo que ela tenha te ajudado ontem ou que você goste dela isso pode não ser uma boa ideia.

Senti meu rosto formar um sorriso largo e as duas pareceram surpresas.

–Vou ficar bem. Eu garanto.

Clarisse suspirou e bagunçou de leve meus cabelos.

–Não esqueça que estamos aqui. Qualquer coisa é só gritar.

Então as duas viraram come se fossem montar guarda na por tá do chalé, o que não duvido que façam.

–Pode deixar que grito se precisar. -Respondi já fechando a porta do chalé.

==========X==========

Eu havia entrado no chalé de Hera algumas vezes no passado, todas em busca de algum refugio para as minhas dores e medos, sempre que meus sentimentos e minhas dores eram tão intensos que poderiam ferir de verdade aqueles que me apoiavam. Então eu normalmente fugia para o chalé da Rainha dos Deuses e chorava até ter forças para poder encarar Clarisse e os outros sem que eles precisassem me ver da forma que fiquei quando minha mãe morreu.

O mais curioso era que em todas essas ocasiões não importava o quanto o chalé de Hera pudesse parecer frio e vazio, eu me sentia em casa, envolvida em um aconchegante calor nostálgico. Sempre achei que isso era por que eu procurava o amor da minha mãe e estava na casa da deusa da família, mas agora eu sabia que de alguma forma era por que Hera estava me dizendo “você é bem vinda, esta em casa” da forma como ela podia já que nunca pedi para ser consolada.

Respirei fundo encarando a estatua a minha frente e procurando por onde começar aquilo.

Não era como se eu nunca tivesse falado com Hera. Na verdade eu sempre agradecia por ela me deixar ficar aqui ou ficava falando sobre como eu me sentia sobre o que acontecia no acampamento, as vezes eu apenas agradecia por Hera ser quem é e em outras eu cantava para ela ou cantava para extravasar meus sentimentos e a Rainha dos Deuses era minha platéia.

Mesmo assim tudo isso era muito diferente de pedir para ela aparecer ali ou me responder qualquer que fosse a minha pergunta.

Tirei meu colar do acampamento observando a pena delicada que agora estava presa a tira de couro, a qual eu poderia jurar que era a pena de pavão que deveria estar guardada na minha mochila, mas desde que acordei em Vegas estava ali.

Na verdade eu até mesmo pensei que ela havia se perdido depois da luta com os guardas de Kaíros e foi só no hotel que reparei que de alguma forma não era um presente comum.

Talvez se eu a retirassem o pingente voltaria a ser uma pena e Hera também aparecesse. Essa era uma ideia.

–Não precisa tirar. É um presente, mas é para ficar ai onde esta. -A voz gentil as minhas costas me fez virar assutada.

Eu havia visto Hera ontem na sala dos tronos e depois no acampamento, só que estava tão cansada e dolorida que não posso dizer que realmente vi a Rainha do Olimpo.

Suas feições ainda que duras eram gentis, os olhos atentos dizendo que eu deveria me comportar também refletiam amor, mesmo o sorriso altivo tinha uma ternura que me deixavam sem saber o que fazer.

Eu queria apenas correr e abraça-la, mas me mantive parada. Não havia tentado chamar Hera ainda e o fato de ela aparecer aqui sem um chamado me fazia exitar.

–Não precisa fazer cerimonia comigo Lizandra, se quer me abraçar ou se quer chorar isso não é importante. Agora eu sou a sua madrinha, não só a Rainha do Olimpo. -A voz de Hera fez meu peito doer.

Os mesmos sentimentos que haviam despertado quando conversamos no deserto voltaram, só que com uma força muito maior.

Então meus pés simplesmente se moveram na direção de Hera antes que eu pudesse notar, depois meus braços se estenderam na direção dela e quando dei por conta já estava chorando abraçada a deusa da família. Só que o melhor foi sentir que o meu abraço era retribuído e parecia que eu abraçava a minha mãe novamente.

–Eu sei que não é sempre que posso aparecer e que as vezes me manter longe é para o seu bem, mas senti falta disso. -Ouvi Hera sussurrar.

Isso me fez levantar o rosto para olha-la.

–Já me abraçou antes?

–Claro que sim, principalmente quando você era bebê e sua mãe tinha os ataques da doença. Nessas ocasiões eu aparecia e cuidava de você, quando fez três anos continuei aparecendo, só que sob outra forma. Você sabe qual é.

–Tia Ruth. Ela aparecia sempre que minha mãe ficava mal e cuidava para que eu ficasse bem até que mamãe melhorasse. Só que você sumiu quando eu vim para o acampamento, não é, Hera?

–Bom, você sempre acreditou que eu não era alguém ruim como os outros campistas e se fosse necessário de verdade ou se você me chamasse eu poderia aparecer sob esta forma a qualquer momento. Só que você nunca me chamou e sempre se superou de algum modo.

Sorri para Hera realmente feliz por ouvir aquilo, que ela estava me esperando.

A Rainha do Olimpo acenou com a mão fazendo surgir um sofá na frente da sua estatua e me levando até ele.

–Vamos, sente antes que a sua perna fique pior do que está.

O comentário dela me fez lembrar de algo que estava me deixando curiosa:

–Hera, eu agradeço pelo que fizeram ontem por nós, mas, por que não curaram todos os nossos machucados de uma vez?

Ela sentou o meu lado no sofá e respirou fundo.

–Por que, para simplificar, não podemos. A deusa que mais pode fazer é Teresa e mesmo assim a influência dela é minima. O processo de cura que vocês iniciaram impede isso.

–Como assim não podem? Eu não sabia que isso era possível.

–É na verdade isso é culpa do Kaíros.

–Por que não estou surpresa.

–Bom, o fato é que o poder de Kaíros é o responsável pelo processo de cura e também por todos da “Linhagem” terem mantido todas as habilidades dos antigos ancestrais divinos e as reforçados no correr dos séculos. Na verdade se Kaíros e Cronos tivessem ficado do mesmo lado os Olimpianos nunca teriam ganho a guerra, por que tudo que falta no meu pai sobra no meu tio e vice-versa. Cronos usa Prometeus e Atlas como seus estrategistas pois essa deveria ser a função de Kaíros, além disso meu tio é poder puro, por que ele é o tempo do deuses e não apenas o tempo. -Hera pareceu um pouco tensa.

–Mas Kaíros disse que esqueceu a porta do mausoléu aberta... -Tentei entender aquilo.

–Sim, mas aquele lugar tem armadilhas contra intrusos de humanos a primordiais, por isso o que ele quis realmente dizer foi que, na verdade, alguém muito bem treinado e com muito poder ou uma proteção fora dos padrões entrou, passou pelas defesas, conseguiu sair e se esconder com um sucesso que nos faz parecer crianças idiotas brincando com areia. Kaíros está furioso e é um verdadeiro milagre não ter começado uma caçada matando todos os suspeitos de algo assim. -Realmente Hera parecia tensa e muito furiosa.

Por isso mudei de assunto, ou melhor, voltei ao assunto original:

–Então, os machucados...

–Ah, sim. Como vocês começaram o processo de cura com os poderes de Kaíros ou os derivados dele, são vocês que tem que terminar o processo. Na verdade isso é irritante, como a maioria das coisas relacionadas a Kaíros, então...

–Apenas eu e Lilliel podemos terminar o processo mesmo. Só que eu não entendo o por que de o Leon ter sido afetado, o Gray eu sei que foi atingido pelo poder do processo de cura em Vegas mais de uma vez, mas eu não...

Sim, eu estava pirando ali.

É isso que acontece quando você tenta entender muita coisa complicada ao mesmo tempo formulando teorias para coisas que você ainda não entendeu enquanto está agitada.

Senti Hera segurar minha mão e olhei para ela, só então conseguindo respirar fundo e me acalmar.

–Certo, vou tentar me acalmar. -Respondi a pergunta muda dela.

–Eu gradeço. Sobre suas perguntas é tudo coisa do Kaíros e, sim, eu sei que ele pode ser irritante. -Fiz uma careta quando ela falou. -Bom, para resumir, Gray não foi o único que Kaíros fez o favor de levar para uma visita nos sonhos ou em... seja lá o que ele faz usou isso para manter contato com Leon.

–Não sei se quero ouvir o resto dessa história. -Resmunguei.

–No seu lugar eu também não iria querer. Mas o fato é que com o Leon, Kaíros resolveu ter uma abordagem mais direta e, literalmente, sequestrou seu namorado algumas vezes?

–O que? -Sim, eu ignorei a parte do namorado.

–Sim. As vezes Kaíros era mais “delicado” e apenas invadia os sonhos de Leon, em outras ocassiões ele arrastava seu namorado para onde você estava fisicamente. Leon estava lá quando lutou contra a Thi̱río no estacionamento, ele viu quando Lilliel te salvou de Kampe, assim como assistiu sua luta e machucados do encontro com Liácon. Leon foi levado até você após a luta contra os guardas de Kaíros enquanto estava desmaiada e também enquanto dormia no terraço do Lótus. Mas, foi você e ninguém mais que invocou Leon para o mausoléu de Urano, foi a única vez que Kaíros não precisou interferir levando ele até seu corpo desacordado. Também foi nessa hora que ele se feriu ao te segurar quando foi arremessada para longe de Urano e que o vínculo com esse processo de cura irritante foi feito.

Minha mente estava trabalhando a mil por hora e eu mal sabia o que fazer, achei até mesmo que esqueceria como respirar.

–Leon não só se feriu, ele fez algo mais. Algo perigoso, não foi?

–Sim, de fato. Porém, isso é algo que não me foi dado o direito de falar e se quer respostas faça as perguntas ao seu namorado e ao Gray, os dois podem e devem responder as suas perguntas já que a decisão foi deles. A única coisa que posso dizer é que essa escolha deles reflete na eternidade.

–Tipo campos de punição ou ser um deus?

–Algo nessa linha.

–Acho que não quero saber o que é. -Admiti.

–Mas vai ficar sabendo. -Recebi a resposta da minha madrinha com um sorriso levemente maroto estampado em seu rosto.

O tipo de sorriso comum entre meus irmãos, o sorriso do meu pai, e isso normalmente não é bom sinal.

–Hera... -Eu bem que tentei dizer algo a respeito daquilo, mas, no final, não iria fazer diferença e ela não iria me responder nada. -Bem, o que sabe sobre o plano cupido de Kaíros envolvendo eu, a Lilliel e os nossos primos?

–Que vai ser interessante, muito na verdade. Muito embora eu esteja mais curiosa sobre a Lana, algo me diz que sei exatamente qual será a participação dela nessa história.

–E qual seria? -Aquele era um ponto que vinha me intrigando desde que Kaíros avisará.

Por que, acredite ou não, tudo o que Lana consegue normalmente são problemas e confusões. Sem falar que ela é de longe tão azarada no amor quanto Halley e Reynald juntos, e os dois são mais azarados que todos os seres hunamos da terra nesse quesito no momento.

–Ora. Vamos lá, é simples. Primeiro pense um pouco como Afrodite, misture nisso a história da “Linhagem”, lembre de quantas e que pessoas estão a caminho, depois acrescente a personalidade da Lana e a resposta é mais simples do que parece.

Minha mente deu um nó, só que de entendimento.

–Espera, não me diga q...

Então um barulho alto de batidas irrompeu da porta, quase como se alguém estivesse tentando arromba-la.

Ouvi Hera suspirar irritada olhando para a porta.

–Alguns semi-deuses realmente mereciam morrer, a começar por essa garota irritante. -Depois ela se virou e me abraçou de surpresa. -Se cuide e não se preocupe, tudo vai dar certo para você. Agora tenho que ir. -Hera levantou já se virando.

–Espera!

Ela se virou assustada.

–O que foi?

–Estou te devendo algo ainda.

Me coloquei de pé enquanto Hera me olhava curiosa.

Então eu sorri para a minha madrinha, o mesmo sorriso que antes destinava apenas para a minha mãe e fazer isso me fez chorar, mas de alegria por poder sentir novamente aquela sensação de saber que alguém está pensando no meu bem e me esperando com um abraço. Não só Hera, mas toda a minha recém-descoberta família louca. Só que agora eu estava diante daquela que era quase a minha mãe e que sempre olhou por mim junto com a minha verdadeira mãe.

Quando o segundo estrondo atingiu a porta eu jurei ver um vislumbre de lágrima no canto dos olhos de Hera antes de ela sorrir dizendo:

–Obrigada.

E então, ela sumiu e eu desabei no sofá de novo.

No segundo seguinte a porta se abriu com força e Drew entrou no templo junto dos seus amigos como se estivesse na própria casa.

–Mas o que significa isso agora? -Ouvi ela gritar histérica como se fosse a dona do lugar ao me ver sentada no sofá de frente para a estatua de Hera.

Uns dois segundos depois consegui distinguir Clarisse, Chris, Lana Leon dando a volta no grande grupo e, depois de alcançarem o lado livre do sofá,me encarando. Como sei que meu irmão e a filha de Ares tem seus momentos com Hera os três certamente vão se entender mais tarde.

–Tudo bem? -Clarisse foi a primeira a quebrar a tensão.

–Sim, por que? -Respondi.

–Por que você está aqui dentro a pelo menos umas duas horas. Isso é o por que. -Chris parecia assustado.

–Duas horas? UAU! Ela é boa nisso. -Admiti.

–Desculpa, mas, quem é “ela”? -A participação de Lana em conversas era sempre precisa.

–Hera. Precisava falar com ela e esclarecer conversa pendente, pagar uma promessa e ter um reencontro familiar descente. Ou algo assim. -Disse levantando do sofá e depois encarando a estatua a minha frente. -Valeu pelo sofá e principalmente por todo o resto. Volto outra hora para conversarmos mais e, por favor, reza para que os planos do Kaíros não piorem ainda mais as coisas.

–EI! -Ouvi Drew gritar novamente as minhas costas. -Eu falei com você anormal! O que você fazia no chalé da Rainha do Olimpo?!

Me virei na direção de Drew que desviou correndo e comecei a andar enquanto falava calmamente:

–Sabe Drew, se isso fosse da sua conta ou Hera teria esperado para te responder ou mesmo eu poderia dizer. Só que como nada do que aconteceu aqui te interessa em nada Hera foi embora e eu não preciso responder nada. -Depois virei para Leon. -Pode me acompanhar até a Casa Grande?

–Claro. A resposta dele foi tão imediata que senti minhas bochechas queimarem.

Sai do chalé de Hera ao lado de Leon com algumas certezas, uma delas o fato de que queria falar mais com Hera e que contar a missão para os outros do acampamento seria algo a parte. Assim como o fato de que eu precisava, de algum jeito, acertar as coisas com Leon, por que pelo visto tem mais te um deus interessado em se intrometer na minha vida amorosa e muitos deles não serão nem de longe pacientes ou bonzinhos comigo igual a Kaíros.

Falando nele, ainda tinha o pequeno fato de que os planos de Kaíros, assim como Gray e Lilliel, ainda iriam me irritar um bom tanto.

Tudo isso sem falar que Drew ainda voltaria no meu encalço em poucos minutos, provavelmente para aprontar alguma coisa.

Por isso mesmo não me surpreendi quando notei ela novamente atrás de mim já a meio caminho da casa grande.

Só que alguma coisa me dizia que ela não se sairia tão bem quanto esperava.

Nunca estive tão feliz de estar certa quanto a Drew.

Notas finais
Ficha de Personagem ATUALIZADA : Rigardo Wolf NOME COMPLETO: Rigardo Wolf Idade: 18 anos Olhos: Azul marinho (podem ficar com uma aparência levemente elétrica se você irrita-lo pra valer ou mexer com Galatea) Cabelos: Negros Pele: Branca Altura: 194cm (altura aproximada) Peso: 100 Kg (peso aproximado) - Aparência https://www.facebook.com/photo.php?fbid=484576475002602&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&l=134ac1914b&permPage=1 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=484576718335911&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&l=134ac1914b&permPage=1 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=484576691669247&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&l=134ac1914b&permPage=1 - Rigardo não mudou muito em personalidade. Apenas se tornou o perfeito namorado protetor que jurou para Galatea que seria (não que ela precise, mas ela adora). Mas ele, nas palavras de muitas garotas, do acampamento e de fora, se tornou um exemplo de deus grego e Galatea gosta do que vê, mas não de que outras vejam. Ele ainda ficou, na opinião de Galatea, idiotamente alto e isso irrita muito a garota que não cresceu tanto quanto gostaria para competir com o namorado, mas, Rigardo é muito bom em apontar para ela as vantagens que a namorada pode tirar desse fato ou mesmo as chantagens que ela pode fazer sobre isso com ele. De fato, Percy odeia esses momentos.