The Nightmare of Darkness
4 Bennett
Apesar de sua natureza teimosa, Jasper se apoiou na parede da entrada e ouviu atentamente o que Nate estava dizendo. Suor escorria pela testa de Nate. Ele não gostava de falar de seu passado, e Jasper não entendia o porquê. Ate agora.
–Acredito que já comentei alguma vez com você sobre meu primeiro amor, certo? — indagou Nate. Seu cabelo loiro grudado na testa pelo suor. — O nome dela era Katerina Petrova. Acho que já ouviu falar nela, talvez pelo seu nome atual, que ela gosta de ser chamada. Katherine Pierce. — Jasper arregalou os olhos. Já havia ouvido falar em Katherine Pierce. Manipuladora, e faz de tudo para sobreviver. Ela fugia de um vampiro Original, a primeira família de vampiros da historia, que a procurava há séculos. Jasper só não entendia como alguém como Nate poderia se apaixonar por ela. Nate reparou a expressão estampada em seu rosto e se apressou em acrescentar — Você conhece exatamente o que falam dela; o que ela é hoje, mas lhe garanto que nem sempre foi assim. Ela era muito diferente quando a conheci. Ela era humana. — um olhar triste tomou conta de seu rosto, como se fosse muitas lembranças o atacando de uma vez só, e talvez fosse, pensou Jasper.
Jasper estava verdadeiramente surpreso, não imaginava que o primeiro amor de Nate poderia ser a famosa Katherine Pierce — ou Katerina Petrova, como Nate a chamara -, no entanto, não entendia muito bem onde Nate queria chegar contando isso naquele momento.
–Por que esta me contando isso agora? Olha, o tempo esta correndo... — Jasper apressou Nate, o que não adiantou muito.
–Seja paciente, eu vou chegar la. Devo contar a historia toda — Nate prosseguiu — Katerina teve um filho meu, mas a família não aceitava nossa relação, e a expulsaram de casa. Procurei Katerina por um ano, mas não a encontrei. Katerina tem mesmo uma fama de estar sempre fugindo e escondida, isso você deve saber. Quando voltei, sem saber o que fazer, eu acabei tomando conta da criança. Seu nome era Nadia Petrova — contou Nate, enquanto seus olhos procuravam alguma coisa para se prender alem do chão. Nate não conseguia olhar nos olhos de Jasper. — Um ano depois, toda a família de Katerina foi encontrada morta. Corri ate a casa da família Petrova e la encontrei Katerina, chorando, mas havia algo de diferente nela. Ela já não era humana. — Nate parecia pertubado, não gostava mesmo de falar sobre aquilo — Nosso encontro foi breve, mas eu contei que estava cuidando de Nadia. Katerina gostou da noticia e me falou que havia se tornado vampira. Óbvio que não acreditei no inicio, ate ela me mostrar suas presas. Ela me fez jurar que protegeria Nadia não importa o que acontecesse, e pra isso me deu seu sangue de vampira para que eu me tornasse um também, e então partiu completamente atordoada com o que aconteceu a sua família por sua culpa. Eu sabia que Katerina nunca mais ia voltar, entao fiz o que prometi. Com uma adaga no coração, morri e me tornei um vampiro para que pudesse proteger nossa filha.
–Eu estou completamente chocado, mas ainda não entendi o que isso tem a ver com o tal feitiço. — Jasper o interrompeu de boca aberta, mas Nate pareceu não se incomodar.
–Não contei a ninguém o que vi naquela noite na casa da família Petrova, nem mesmo a minha filha. Nadia, quando ficou mais velha, resolveu retomar minhas buscas por Katerina. Procurou a mãe por 3 anos, ate eu obrigá-la a parar. Contei que sua mãe era uma vampira, assim como eu e que meu dever era protegê-la. Me pediu pra eu transformá-la para ela continuar as buscas, mas é obvio que eu neguei. Um tempo depois ela, de alguma forma, conseguiu meu sangue e se transformou em vampira. Tive que ensinar tudo a ela, mas depois disso, eu sabia que não adiantava mais o quanto eu tentava impedi-la de procurar Katerina, então a segui e a ajudei nas buscas. Foi no inicio do século XIX aqui na America em que uma vitima de Katherine Pierce, em busca de vingança, matou Nadia. Eu não podia deixá-la morrer, não só por que era minha filha e eu a amava, mas também por que havia prometido isso a Katerina e eu não quebro uma promessa. — a expressão de Nate ficou seria. Jasper achava que já sabia o que vinha a seguir. — Procurei uma bruxa local, e a fiz trazer Nadia de volta a vida.
–Então esse é o feitiço que Evie quer?
–Sim. — Nate falou quase em um sussurro. — Mas para Nadia voltar à vida, outra pessoa teve que morrer. E foi muito difícil pra bruxa, ela quase morreu conjurando o feitiço, pois ele alcançava lugares obscuros, e não era da natureza. Não era uma magia que uma bruxa pura faria.
–Me diga onde posso encontrar essa bruxa... -Jasper percebeu assim que pronunciou as palavras. Bruxas não são imortais como os vampiros, e se isso foi no inicio do século XIX, obviamente ela já estava morta.
–Ela morreu há mais de um século, e não tenho certeza se deixou algum descendente. — Nate viu o olhar de Jasper e respondeu, desesperançado.
–Vou ate la. Onde ela morava?
–Ela morava em um vilarejo próximo a Mystic Falls. — Nate estava inquieto.
–Mystic Falls não é tão longe daqui, sei onde é.
–Jasper, não temos como saber se a casa dela ainda esta la, ou se ela deixou algum descendente, e caso tenha deixado, não vejo motivo pra ele querer nos ajudar. Eu já disse que a bruxa quase morreu ao fazer esse feitiço — lembrou Nate com um olhar triste como se já tivesse perdido, mas Jasper não aceitou.
–Eu não vou deixar que Holly morra por minha causa! — insistiu Jasper. Depois de alguns instantes, Nate concordou com a cabeça.
–O nome dela era Melanie Bennett. Vai precisar levar algumas coisas na viagem. — disse Nate, e subiu as escadas.
Depois de uns minutos voltou com uma mochila com bolsas de sangue, uns cem dólares, o celular de Jasper — que ele havia esquecido em casa quando foi encontrar Evie — e um anel grande com um B na frente. Jasper não se lembrava de ver esse anel antes.
–O que é isso?
–O anel da família Bennett, que era de Melanie na época. Ela também tinha uma irma chamada Emily Bennett, que morava em Mystic Falls na época. Achei que se tiver algum descendente, o anel poderia ajudar.
Era uma viagem de longas 5 horas de carro ate Mystic Falls, e mais 40 minutos ate o limite da cidade. Jasper seguiu as exatas instruções de Nate. Seguir uma estrada longa — que às vezes Jasper imaginava se teria fim — ate uma curva, que deu em uma ponte. A placa antiga de "Bem vindo a Mystic Falls" no canto da estrada. Atravessou a cidade inteira de carro ate onde terminava. Jasper já esteve em Mystic Falls antes, há uns 15 anos, então sabia se localizar la, mas Nate deixou bem claro que não era na cidade, era no limite, no meio da mata. Jasper teve de abandonar o carro e seguir andando. Não dava para dirigir no meio do mato. Andou o que pareceu uns 30 minutos ate chegar a uma casa antiga e grande, que parecia abandonada, mas para sua surpresa, tinha fumaça saindo de uma chaminé — o que não é muito comum. Passou pelos portões, parou em frente à porta de entrada e bateu. Esperou uns instantes e nada. Bateu de novo, ate que uma mulher abriu a porta. Era uma mulher de meia idade com pele morena, o cabelo longo com algumas mechas grisalhas tinha uns cachos, e algumas rugas no rosto.
–Por que bate na minha porta essa hora? — falou a mulher, em seguida se recompôs e tentou ser mais educada. -Posso ajudar? — perguntou a mulher, de muito mal humor.
–Me desculpe, senhora, é uma emergência. Você mora aqui? — Jasper respondeu com outra pergunta.
–Sim, moro. Quem é você? — ela estava desconfiada.
–A pergunta que importa é quem é você. É descendente de Melanie Bennett? — a expressão dela escureceu ao ouvir a pergunta de Jasper.
–Não sei. Sou? Nao vou mexer no passado. O que passou, passou. Agora vá embora da minha casa.
–Eu poderia ir embora se essa não fosse uma questão de extrema importância. A vida de minha amiga humana corre perigo e a culpa vai ser sua se ela morrer. — argumentou Jasper.
–Lamento muito pela sua amiga, mas infelizmente não posso ajudar e mesmo se pudesse, não tenho nada com isso. — disse a mulher, começando a fechar a porta, mas Jasper segurou a porta, impedindo-a de fechar.
–Creio que pode sim. Convide-me para entrar, você pode confiar em mim. Meu nome é Jasper Harrison.
–Ora, ora, um vampiro em que posso confiar. Isso é novidade. — ironizou a mulher.
Jasper tentou se acalmar. Tinha de arrumar algum jeito de provar para a mulher que ela poderia confiar nele.
–Por favor. Minha amiga corre perigo, viajei horas de Carter Hills para chegar aqui e eu sei que a senhora pode ajudá-la, só me deixe entrar. — pediu Jasper. A mulher hesitou. Depois de uma longa pausa, respondeu, surpreendendo Jasper:
–Tudo bem. Pode entrar.
Jasper entrou. Era uma casa grande com moveis antigos e piso de madeira, mas tinha uma televisão grande na sala e alguns eletrodomésticos na cozinha. A mulher fechou a porta e se apresentou:
–Prazer, meu nome é Jessica Bennett. — ela parecia mais simpática agora. Jasper suspirou, aliviado, ao ouvir o sobrenome. — Agora, no que eu posso ajudar com sua amiga?
–Um feitiço. — Jasper respondeu rapidamente. Jessica arqueou a sobrancelha, mas não pareceu surpresa. — Pela sua cara acredito que já saiba do que se trata.
–Já sei, sim. Olha, minha família se separou por esse feitiço, e a maioria das bruxas que tentaram fazê-lo, morreu. Melanie Bennett era uma bruxa forte e só por isso sobreviveu. É um feitiço poderoso e são poucas que conseguem conjurá-lo.
–Eu sei disso, mas não é para mim. -Jasper viu o olhar de duvida no rosto de Jessica e completou: -Eu fiz uma coisa errada há um século, e agora estão ameaçando minha amiga em troca desse feitiço. — explicou Jasper, triste.
–Você é teimoso, impaciente e curioso, mas é protetor, e de alguma forma, eu sinto que posso confiar em você. — Jessica respondeu, com um sorriso. — Vou ajudá-lo, mas leve-me contigo. — Jasper ficou surpreso.
–Quer que eu te leve comigo? Por quê? Mas acabamos de nos conhecer.
–Você faz muitas perguntas, Jasper, mas vou responder. Também sou bastante curiosa e quero conhecer sua amiga, e alem disso, vivo sozinha aqui, um lugar repleto de lembranças vazias. — disse ela, com uma voz distante. Depois de um minuto de desconfiança, Jasper concordou.
–O.k, vou te levar comigo, mas ajude Holly.
–Vou ajudar. Agora, espere aqui, vou buscar minhas coisas. — Jessica subiu as escadas em passos rápidos.
Jasper olhou em volta, com a intenção de admirar a grande e bela casa. Os moveis antigos e o tapete grande no meio da sala, que combinava com as cortinas nas janelas que iam ate o chão. Sentou no sofá e aguardou Jessica por uns 20 minutos, ate que a mulher desceu as escadas com uma mochila e um livro grande, de capa dura marrom e bem gasto na mao. Parecia animada.
–Este é o livro de feitiços da minha família. — mostrou o livro velho que segurava, parecia orgulhosa. — Esta na minha família há séculos e tem feitiços bastante poderosos, mas nenhum se compara a esse. — abriu ele em uma pagina especifica. Pela expressão dela, o livro era pesado. — O feitiço de Melanie Bennett. A lenda que corre em nossa família é de que um vampiro a procurou e a pediu para salvar sua filha vampira. Eu não acredito muito nisso, afinal, vampiros não podem ter filhos, mas aparentemente, funcionou.
–Ah, você vai acreditar. — respondeu Jasper, distante. Estava fascinado com o livro na mao de Jessica. -Vamos? — Jasper completou antes que Jessica pudesse perguntar o que ele quis dizer com isso.
Os dois saíram da casa da família Bennett, e percorreram o caminho em direção a onde estava o carro de Jasper, e em 40 minutos — Jasper teve que andar mais devagar por causa de Jessica — estavam no carro de Jasper, a caminho de Carter Hills. Jessica passou as duas primeiras horas acordada, mas quando perdeu totalmente a desconfiança em Jasper, se permitiu dormir, por que afinal, Jasper havia batido na porta dela muito cedo.
Enquanto Jessica dormia, Jasper — que bebia a bolsa de sangue que Nate dera a ele antes de sair — abriu a janela do carro e o vento forte soprou no seu rosto. Estava dirigindo muito rápido, mas não havia nenhum carro alem do seu na estrada. Uma das vantagens de ser vampiro era a velocidade e a audição, e então, por isso, se viesse algum carro, ele perceberia antes, a tempo de diminuir a velocidade ou desviar. Estava dirigindo há um pouco mais de quatro horas, e já estava quase chegando a Carter Hills. Decidiu acordar Jessica quando chegassem na cidade, ela devia estar muito cansada, e era divertido observá-la dormir. Jessica parecia ter uns trinta e cinco anos de idade. Tinha traços belos no rosto, a pele morena, e os olhos cor de mel. Era bonita para a idade.
Jasper, estava tão distraído com os próprios pensamentos, que nem percebeu que já havia passado pela grande e velha placa de madeira de "Bem Vindo a Carter Hills". A placa era rabiscada, com nome de adolescentes que iam la. Se você se aproximasse, poderia ver as centenas de nomes marcados la, principalmente de casais que provavelmente já tinham terminado há muito tempo, como "Mark e Lily, para sempre".
Parou o carro em frente a sua casa, acordou Jessica e sairam do carro. Nate deve ter os ouvido chegar, pois quando começaram a subir os degraus de entrada, ele já estava parado na porta de entrada, aguardando-os. Olhou para Jasper, depois seguiu seu olhar para Jessica, e ficou confuso.
–Oi... Eu... Quem é ela? — perguntou Nate, olhando para Jessica.
–A bruxa que vai nos ajudar, descendente de Melanie Bennett. — respondeu Jasper, indiferente.
–Prazer, sou Jessica Bennett. — se apresentou Jessica, esticando as mãos para Nate esperando que ele apertasse. Ele o fez, ainda chocado e confuso.
–Sou Nathaniel, mas me chame de Nate. — Nate era sempre educado, e isso era uma das características dele que deixava Jasper irritado, mas no momento Jasper ficou feliz. Não seria bom irritar a bruxa que iria ajudá-los. — Holly ainda dorme. Não a acordei por que não queria ter que lidar com as perguntas. Mas então, o que vamos fazer agora?
–Eu gostaria que me explicassem melhor o que esta acontecendo. — Jessica se pronunciou.
Jasper contou tudo, detalhe por detalhe. Desde Evie o seguindo quando eles estavam indo ao Fletcher's, ate a pequena viagem ate Mystic Falls, onde encontrou Jessica. Nate mencionou Cara.
–Vocês vão mesmo entregar o que Evie quer? — indagou Jessica. Os dois garotos ficaram em silencio. Estavam tão preocupados com Holly que nem pensaram em pra que Evie quer esse feitiço. — Não acho adequado.
–O que podemos fazer então? — perguntou Jasper.
–Podemos tentar encontrar essa tal bruxa, Cara, e quebramos o feitiço dela que pode matar sua amiga. — sugeriu Jessica.
–Mas como vamos achá-la?
–Posso tentar um feitiço de localização, mas preciso de algum objeto pessoal dela. — os olhos de Jessica passaram por Jasper e foram ate Nate. Nate estava tirando alguma coisa do bolso da calca jeans.
Era uma pulseira prateada com algumas pedrinhas azuis.
–Cara deixou isso cair, mas não achei que fosse importante. — falou Nate, entregando a pulseira a Jessica.
Jessica observou a pulseira por uns instantes, pensativa.
–Ótimo. — disse Jessica, sorrindo.
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