The Nightmare of Darkness
5 The Whitch
Notas iniciais
Nate observava enquanto Jessica fazia um feitiço simples para quebrar a barreira, e lembrou-se de Melanie Bennett. A semelhança entre as duas era inacreditável, e talvez esse fosse o motivo de ficar tão surpreso quando viu Jasper chegando com ela. Chegou a pensar que fosse Jasper e a própria Melanie.
–Esta feito. Tente sair. — disse Jessica, claramente orgulhosa por seu feitiço.
Nate deu um passo à frente devagar e... funcionou! Estava livre agora. Um sorriso de satisfação passou pelo rosto de Jessica.
–Agora podemos começar o feitiço de localização para achar a bruxa má do oeste loira. — resmungou Jasper. Jessica pareceu ofendida com o comentário de Jasper, mas não respondeu.
Jasper e Jessica entraram na casa com a mala de Jessica, e Nate fechou a porta. Estava inquieto.
–Vamos começar logo com isso. — disparou Nate, assim que fechou a porta. — Do que você vai precisar para o feitiço?
–Vejamos... Um mapa, velas, a pulseira e um pouco de sangue. — respondeu Jessica — As velas eu trouxe.
–Acho que tenho um mapa do estado. Deve estar no meu quarto, vou buscar. — lembrou-se Jasper, e subiu as escadas apressado.
Nate não perdeu tempo.
–Você me parece familiar. É muito parecida com Melanie Bennett.
–Já me falaram isso, e tem um quadro dela na mansão. -disse Jessica, e depois se alertou — Você conheceu Melanie Bennett?
–Sim, conheci. — suspirou Nate. Jessica pareceu maravilhada.
–Isto é inacreditável! Ela foi uma das melhores bruxas que já tivemos em minha família. Era muito poderosa. Uma lenda, na verdade.
–Tem razão, ela era muito boa.
–Nathaniel... — começou Jessica, mas se corrigiu ao ver o olhar de Nate. — Quer dizer, Nate. Posso fazer uma pergunta? — disse Jessica, e Nate concordou com a cabeça. — O que a vampira Evie quis dizer quando disse que você saberia explicar sobre o feitiço? Minha família manteve Melanie e o feitiço em segredo, poucos sabem. E agora você diz que a conheceu... Você é o vampiro da historia que contam em minha família, não é?
Nate abaixou a cabeça, e prendeu seu olhar no chão. Não gostava de tocar no assunto, muito menos com Jessica, que parecia tanto com Melanie. Sentia-se desconfortável, não só com a presença de Jessica, mas com as lembranças também. Odiava o que fez a Melanie.
–Sim... Sim, eu sou o vampiro da historia. — respondeu Nate, quase em um sussurro. Jessica ficou sem expressão. — Você é inteligente, e percebeu rápido. Vejo nos seus olhos que sabe exatamente o que aconteceu a Melanie durante o feitiço. Ela quase morreu.
Nate imaginou se ela iria parar de ajudá-los agora que sabe o que ele fez. Jessica deu uma longa pausa. Parecia estar pensando, sem resultados, no que dizer. Nate levantou o rosto e buscou os olhos de Jessica, e la estavam eles. Pensativos e fixos nele, analisando cada expressão e cada movimento, ate que ela finalmente resolveu falar.
–Não vou abandonar vocês, se é o que esta pensando.
–Porque não? Na verdade, estava me perguntando também o porquê de você resolver ajudar Jasper, que ate então, era um completo estranho.
–Como você sabe, eu sou uma bruxa, mas não como qualquer outra. De alguma forma desconhecida ate por mim, eu consigo enxergar a personalidade das pessoas no momento em que as conheço. Foi assim que eu soube que podia confiar em Jasper, e em você também, pra falar a verdade.
E em você também.
Nate ficou surpreso ao ouvi-la dizer isso, apesar de tudo que havia feito a sua família, mas não teve tempo de responder, porque nesse momento Jasper desceu a escada com o tal mapa na mao.
–Aqui esta o mapa. Desculpe a demora, estava procurando em meio à bagunça.
–Ótimo, vou começar o feitiço. — disse Jessica, tirando algumas velas da mala que trouxe. Nate se perguntou que tipo de pessoa levava velas na mala de viagem.
Os dois vampiros observavam atentamente enquanto Jessica abria o mapa no chão, acendia as velas e abria seu livro grande com feitiços.
–Preciso de um pouco de sangue.
Mesmo sem entender, Nate sentiu enquanto as presas saiam e ele mordia o próprio pulso. Ficou com o pulso sangrando em cima do mapa por alguns instantes ate que atingiu a quantidade necessária. Era apenas algumas gotas de sangue, mas era o bastante para o feitiço.
Nesse momento, Jessica, que segurava a pulseira de Cara, começou a pronunciar palavras em outra língua — uma língua própria para feitiços, que só as bruxas falavam. De repente, as gotas de sangue que estavam espalhadas sobre o mapa se juntaram formando uma só gota grande e começaram a se movimentar, parando em cima de um ponto no mapa. Um lugar no meio do nada, nas redondezas de Carter Hills.
–Eu sei onde fica! É uma galeria abandonada próxima a Carter Hills, não é longe. — exclamou Jasper.
–O que faremos então? — perguntou Nate, apreensivo. Nate olhou para Jasper, e pela expressão dele, também não havia pensado nisso antes.
–Eu não sei... Pensei em trazê-la pra ca, mas se Evie estiver la, isso vai ser um problema.
–Você ia seqüestrá-la? — Nate parecia horrorizado com o plano do amigo.
–Tem razão, não tem como seqüestrar uma bruxa, mas não consegui pensar em nada melhor.
–Então não pense. Não é a melhor opção, mas é a única que temos. — falou Jessica, levantando do chão, onde estava sentada para fazer o feitiço. — Vocês não sabem o que vão encontrar la.
–E quanto a Holly? Ela não pode dormir o dia inteiro, e uma hora vai descobrir do que se trata. — acrescentou Jasper.
–Posso fazer um feitiço simples de proteção. Não é nenhuma garantia de que vai manter ela viva, mas vai ajudar.
Nate concordou com a cabeça, e começou a subir as escadas.
–Jasper, seu amigo Nate não vai gostar, mas acho que você deve contar a Holly o que esta acontecendo. — sugeriu Jessica. Jasper não respondeu, ainda pensava no assunto.
Alguns minutos depois Nate e Holly desceram as escadas. Holly com o rosto inchado, pois acabara de acordar, vestia a mesma roupa do dia anterior, e mesmo assim, conseguia continuar bonita. Jasper, que estava sentado no sofá, se levantou quando eles chegaram.
–Holly, tem algo que preciso te contar. — disparou Jasper. Nate arregalou os olhos.
–Não, Jasper. Você não pode fazer isso.
Mas Jasper ignorou o aviso do amigo. Estava determinado a contar a Holly. Explicou tudo, detalhe por detalhe. Ao terminar, Jasper já imaginava o que Holly falaria; os sermões que iria dar. No entanto, a reação de Holly foi algo que surpreendeu muito mais e pegou Jasper desprevenido. Ela correu em direção a Jasper e lhe deu um abraço forte e carinhoso ao mesmo tempo. Jasper não se lembrava da ultima vez que recebeu um abraço daquele, mas de certa forma, o lembrava das irmãs dele.
–Tome cuidado. — sussurrou Holly no ouvido dele.
E então algo que surpreendeu Jasper mais ainda. Holly não se preocupava com ela, ou com o risco de morte dela. Holly estava preocupada com ele. Um vampiro com mais de um século de idade. Jasper a abraçou mais forte ainda e fechou os olhos, se permitindo aproveitar aquele momento por uns segundos. Quando se afastaram, Jasper pode reparar nos olhos dela. Estavam cheios de lagrimas. Lagrimas que ele tinha certeza que ela nunca desperdiçaria. Holly era forte, nunca chorava. Jasper acreditava que ela guardava para algum tipo de ocasião especial. E ele estava certo; ela parecia estar fazendo uma força enorme para não chorar.
Jasper se recompôs, e olhou para Nate, que estava parado, apoiado na parede e com os braços cruzados. Seu rosto estava sem expressão, completamente indiferente, mas Jasper o conhecia a tempo bastante para saber que devia reparar o que dizia seus olhos, e não seu rosto. Tristeza. Desespero. Decepção. Surpresa. E...
Ciúme?
"Não, não pode ser isso" pensou Jasper
Nate não fazia o tipo ciumento. No entanto, Jasper sempre soube que Nate gostava de Holly mais que como amigo, e Nate também deveria saber que Jasper nunca sentira nada assim em relação à Holly, e nunca nem tinha considerado a possibilidade de ter algo a mais com ela, mas será que foi isso que pareceu? Jasper se perguntava.
Olhou de relance para Jessica, e viu na expressão dela que ela também tinha percebido algo diferente, mas sabia que aquela não era a hora certa. Tentou abafar a situação constrangedora.
–Não temos tempo pra isso, devemos correr se quisermos manter a ruivinha viva. Vamos.
–Antes de vocês irem, preciso de um pouco do sangue de Holly para o feitiço de proteção. -disse Jessica, tirando uma faca e um frasco da bolsa. "Mas quem leva uma faca e um frasco na bolsa", Jasper nao parava de se perguntar.
Holly, sempre corajosa, pegou a faca e fez um corte na palma da mao, e deixou o sangue cair no pequeno frasco ate atingir a quantidade suficiente, e devolveu o frasco a Jessica. Nate deixou as presas saírem e mordeu o próprio pulso e ofereceu a Holly.
–Tome.
–Nao precisa, em é só um corte bobo.- Holly disse, indiferente.
–Beba. Nao vou deixar você com um corte na mao. -Nate ordenou. Holly resolveu nao recusar e bebeu logo o sangue de uma vez, e sentiu sua ferida se curando.
Nate e Jasper saíram imediatamente, e Jasper foi quem dirigiu. O percurso ate a galeria era de mais ou menos uns 40 minutos — considerando a velocidade que Jasper costumava dirigir. Estava um silencio perturbador entre os dois garotos, e Nate resolveu quebrá-lo, afinal, havia mesmo algo que estava o incomodando.
–O que foi aquilo entre você e Holly? — Nate disparou de repente.
–O que quer dizer com isso? — Jasper respondeu com outra pergunta. Típico dele.
–Não se faça de desentendido, você sabe do que estou falando. Aquele abraço incomum na sala. Ate Jessica percebeu.
–Mas não teve nada de incomum! Ela me abraçou e me disse para ter cuidado. A única coisa que eu achei incomum foi o fato de ela não ter me dado nenhum sermão. — Jasper estava ficando nervoso, mas não poderia deixar essa conversa passar sem nenhuma piadinha.
–Claro, ate porque você e a Holly sempre foram desses amigos super íntimos que sempre se abraçam em qualquer situação, contam segredos um para o outro, e fazem guerra de travesseiros. — ironizou Nate, devolvendo a piadinha de Jasper com a mesma moeda.
–Eu não posso fazer uma guerra de travesseiros com ela, porque eu provavelmente a machucaria seriamente com minha força. — Jasper estava tentando mudar de assunto.
–Engraçadinho, mas sei o que esta fazendo, não muda de assunto.
–O que você quer que eu fale, Nate? Já disse que não fiz nada, nunca tive nada com Holly. Você esta com ciúme, é isso?
Nate não respondeu nada por alguns instantes, ate que resolveu acabar com o mistério.
–Sim, eu estou com ciúme. Vocês nunca foram assim tão íntimos, e na verdade, vocês dois nunca foram íntimos assim nem com outra pessoa. Talvez eu esteja sendo um idiota, mas vi sua expressão naquela hora, parecia estar apreciando, mas não de uma forma que um amigo faria.
–Está certo em uma coisa: você está mesmo sendo um idiota. Eu sei que você gosta dela e fico surpreso em descobrir que você pensa sou um amigo tão merda que seria capaz de ter alguma relação com a Holly mesmo sabendo que você gosta dela.
–Me desculpa. E obrigado por esclarecer.
E assim encerraram o assunto, e o silencio desconfortável tomou conta do carro novamente. Aquela conversa não saia da cabeça de Jasper. Ele não conseguia acreditar que o amigo achava que ele poderia ter alguma coisa com a Holly. Ele sabia que essa não era a hora certa para ocupar sua mente com esses pensamentos, e tentava afastar essa conversa da cabeça, mas não conseguia. Ele sempre achara Holly muito bonita, mas nunca gostara dela dessa forma. Na verdade, nunca tinha pensado nisso, e porque estava pensando agora? Logo agora, que sua mente deveria estar completamente focada em tentar salva-la. Mas seus pensamentos finalmente se afastaram quando chegaram a tal galeria.
–Olhe! É logo ali. Não vou parar o carro na porta. — disse Jasper, e parou com o carro no acostamento da estrada.
Era uma galeria antiga que estava abandonada há anos no meio do mato. Eles desceram do carro e caminharam ate os fundos da galeria e se esconderam no meio do mato alto que crescia em volta a construção. Jasper teria pensado que não tinha ninguém dentro se não fosse sua audição de vampiro.
Ele escutava uma voz feminina que dizia palavras em uma língua que ele não conseguiu identificar. Talvez fosse o idioma que as bruxas usam para conjurar os feitiços.
–Essa parece a voz da Cara. — disse Nate, que também estava atento ao barulho.
Em meio a voz de Cara, escutaram outra voz, e desta vez era masculina.
–Tem certeza de que esse feitiço vai funcionar, Evie?
–Se funcionou uma vez com aquela vampirinha, filha de Katherine, entao tambem pode funcionar com o Alexander. — respondeu uma outra voz, que Jasper reconheceu como a voz de Evie.
–Mas não tenho certeza se Cara é boa o suficiente para conjurar esse feitiço. Você sabe que é um feitiço poderoso. — falou a voz masculina, em um tom tão baixo que Jasper quase não escutou.
–Eu ouvi isso! — gritou Cara, parando o feitiço que estava fazendo — Se duvida tanto assim de minha capacidade, é melhor se apressar e começar a procurar outra bruxa que se voluntarie para fazer esse feitiço por você.
O homem resmungou alguma coisa em resposta, e Evie riu. Cara voltou ao feitiço.
–Já chega. Entre na galeria quando eu der o sinal. Vou entrar logo atrás de você. — sussurrou Nate pegando uma pedra no chão, e Jasper assentiu.
Jasper não sabia que sinal esperar, mas foi ate a entrada da frente da galeria que estava aberta e ficou escondido do lado. Ate que escutou um estilhaçar de vidro.
–LUKE! -gritou Evie. O grito de horror assustou Jasper, mas ele sabia que esse era o sinal. Jasper entrou calmo na galeria, e sorrindo, mas não sabia o que esperar. Olhou em volta disfarcadamente e viu uma mulher alta e loira com cabelo curto sentada no chão, no meio de um circulo de velas grandes vermelhas, com uma expressão assustada. Cara.
Em seguida viu Evie abaixada em cima do corpo de um garoto. O garoto estava sangrando e com um buraco na cabeça, e Evie estava chorando. Nate tinha lançado a pedra em Luke com sua força sobrenatural e a pedra atravessara a cabeça dele. Jasper gargalhou ao ver a cena, e só nessa hora as duas garotas repararam na presença dele.
–Gostou do show, meu amor? — disse Jasper, ainda rindo da situação. -Qual era o nome dele mesmo? Era... Luke?
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