The New Continent

34 Capítulo 33 – Sem saída.


Will

1 Março, 2200, 17:47.

Parecia que todos ainda estavam perplexos com a notícia e eu não conseguia organizar meus pensamentos com tanta informação perdida. De repente, um silêncio pairou no ar e parecia que todos aos poucos tentavam assimilar a gravidade da situação daqueles dois estranhos.

— O que vocês fizeram com a Berry? – Perguntou Tina aflita e com um olhar rancoroso.

— Ainda não fizemos nada com ela, mas podemos fazer caso vocês queiram. – Respondeu um dos garotos.

— Anda logo, e digam o que vieram fazer aqui? – Perguntou Mike ríspido.

— Não vão nos convidar para entrar? Tomar alguma coisa. – Ironizou. — É assim que vocês recebem as visitas?

— Viemos de tão longe. Vocês não vão nem nos oferecer um copo de água? – Mencionou o outro desconhecido.

— Frank! Vá até a estufa e pegue um copo de água para cada um deles. Enquanto isso você já podem ir direto ao ponto e falar o que você querem de uma vez? – Disse Mike sem ao menos tirar os olhos dos dois.

— Tudo bem, já estamos de saída. Só viemos trazer um recado. A proposta é que queremos um abastecimento de alimentos correspondente a oito caixas de suprimentos como estas pela garota. – Disse o garoto apontando para a caixa de suprimentos que Mike acabara de trazer. — Consiga os nossos suprimentos e a garota está a salvo.

— Você está louco. Conseguir essas caixas é quase impossível. Raramente somos abastecidos com elas e...

— Não me interessa. Porque pelo visto vocês têm sorte em consegui-la, então, isso não é da minha conta. Se vocês gostam mesmo da amiguinha bisbilhoteira de vocês é melhor fazer o que eu estou pedindo.

— Sua proposta é inviável. Podemos fazer outro acordo. Vocês não gostariam de viver aqui. Podemos compartilhar a comida e...

— Eu não vim para cá em busca de favor. Eu vim impor a minha decisão, ou vocês arrecadam o total de alimentos em uma semana, ou a amiguinha lá vai sofrer as consequencias.

— Eu fico no lugar dela. – Interrompeu Cory no meio da multidão. – Vocês podem me levar como prisioneiro de vocês, no entanto soltem-na.

— Você é o namorado dela?

— Não, eu sou o irmão dela.

— Entendi. Isso é muito cavalheirismo, mas sem ofensa preferimos estuprar ela antes de matá-la do que você, eu sinto muito. – Cory sem ao menos pensar começou a correr furioso em direção aos garotos, ele saltou para cima de um deles enforcando com toda força.

— Me mata! – Bravejou o rapaz agonizando, enquanto Mike tentava segurar o Cory. – Anda logo, e a vagabunda vai junto comigo. – Mike finalmente consegue imobilizar Cory . – Se nos matar eles vão vir atrás de vocês, então, segurem o irmãozinho, antes que ele estrague tudo e faça qualquer besteira.

— O que está acontecendo? — Sussurrou Frank chegando com as cumbucas de água.

— Se cumprirem com o acordo, fiquem tranquilos que nada disso vai acontecer com a garota. –Respondeu o outro garoto que tentando socorrer o amigo.

— Frank dê a água a eles. Porque eles já estão de saída. – Disse Mike em voz alta. Frank foi até eles entregou as cumbucas com água e eles partiram de volta para a selva.

— O que vamos fazer agora? – Perguntou Tina aflita.

— Achar melhor não prepararmos o banquete de hoje? – Acrescentou Sarah.

— Eu preciso pensar. – Respondeu Mike inquieto. – Entretanto, não vamos interromper o banquete e nem iremos entrar no jogo deles. Eu irei arranjar uma solução, então, continue fazendo o que estavam fazendo antes de sermos interrompidos. – As pessoas começaram a retomar suas tarefas enquanto eu e Tina íamos na direção um do outro.

— O que vamos fazer Will? Eu não confio no Mike para nos tirar dessa situação. – Sussurrou a morena.

— Antes eu preciso que me explique como a Berry conseguiu ser raptada?

— Eu acho melhor você perguntar para o antigo líder ali. – A morena revirou os olhos para o Cory que conversava com Mike a sós.

— Do que você está falando? Cory tem alguma coisa a ver com isso? – Perguntei confuso.

— Eu já disse, você deve perguntar para ele, entretanto no momento eu preciso que me ajude a pensar numa possibilidade rápida de agirmos antes que seja tarde demais.

— Eu mal sei o que está acontecendo, por um acaso você não tem nenhuma ideia?

— Eu acho que a Pietra pode ser uma saída.

— Como assim? – Indaguei.

— Pietra saiu daqui a dias a procurar da Berry e jurou trazê-la de volta. Então, eu acho que a melhor das opções é encontrá-la e juntos irmos atrás dela.

— Pietra também não está aqui? Alguém mais sabe disso?

— Além da Loren, acho que ninguém.

— E como espera que a encontremos?

— Eu não sei, eu só não consigo ficar aqui sem fazer absolutamente nada. — A morena não parava de andar de um lado para o outro.

— Infelizmente não podemos agir por impulso. É a vida dela que está em jogo. – Segurei-a pelos ombros. — Então, por favor, eu preciso que me conte como tudo isso foi acontecer, e talvez eu consiga ajudar. – A menina relutou em pensamento, por fim desabafou.

— De uma forma resumida, Cory a expulso daqui e Pietra foi atrás dela assim que descobriu.

— O quê?! – Olhei ao redor em busca de Cory e o moreno já havia desaparecido do meu campo de visão. – Que loucura é essa?! Como isso foi acontecer?

— Não há tempo para detalhes. E caso você queira mais informações vá e pergunte a ele.

— Tina! – Interrompeu Loren com um grito vindo do interior da cabana. – Você pode vir aqui?

— Eu já estou indo. – Respondeu a morena. – Desculpa, mas continuamos a conversa depois. Enquanto isso, acho melhor você ir atrás dele.

A menina virou-se e caminhou até a cabana enquanto isso eu fitava mais uma vez ao redor a procura de Cory. Por fim, andei até a cabana na esperança de encontrá-lo. Procurei cômodo a cômodo e ele não parecia estar lá. No fim, desci até a alcova e ali estavam Jihan, Nofre e Anne seus semblantes eram carregados de um sentimento pesado e cinza.

— O que foi? Você conseguiu chegar a tempo não é? Ele vai ficar bem não é? – Uma aflição cresceu dentro de mim enquanto eles faziam suspense antes de responder. – Ande, fale logo! Está tudo bem não é?!

— Eu não sei Will – Respondeu Anne pressionada. – Quando eu cheguei aqui o coração dele parecia não estar mais batendo, eu dei as sementes a ele, mas eu não sei se consegui chegar a tempo, então, eu não sei se ele está tudo bem. Vamos ter que esperar por alguns dias e ver se ele acorda.

— Droga! – Murmurei. – Tudo bem, me desculpe eu posso ter me alterado um pouco... Tudo bem, vamos esperar. – Eu olhava nos olhos daqueles dois e não conseguia ver mais a esperança. – Nofre, olhe para mim. Eu vou fazer de tudo para poder salvá-lo ouviu? Nós vamos conseguir.

— Não precisa mentir para mim. Eu não sou uma criança, Will, e mesmo assim eu sei que você já fez tudo o que pode para nos ajudar. Agora o fim de tudo isso não está mais nas nossas mãos.

— Isso é inacreditável. Parece que eu já enfrentei mais problemas aqui com vocês do que todos os problemas que eu já tive desde que cheguei neste lugar. – Disse Anne perplexa.

Realmente eles tinham razão, a fé seria a única coisa que poderia nos consolar naquele momento. Sendo assim, depois disso me retirei do cômodo e voltei à busca por Cory, contudo dessa vez fui até a área dos fundos a procura dele, entretanto lá só estavam Sarah, Kim e Frank. Eles trabalhavam para acender a fogueira e aprontar os alimentos da caixa.

— Alguém de vocês sabe onde o Cory está? – Interrompi.

— Ele foi do outro lado da praia buscar estoque de galhos para a comida, mas já deve estar voltando. – Respondeu Sarah enquanto enxugava o suor de suas têmporas.

— Mas já vai escurecer. Ele foi para aquela direção? – Disse enquanto apontava para um dos lados das praias que havia um amontoado de pedregulhos.

— Sim ele foi naquela direção.

Sendo assim, segui na direção indicada e após alguns minutos lá estava ele carregando uma pilha de galhos nos braços com certa dificuldade, com isso, aproximei-me até que ele pudesse notar a minha presença.

— Então, vai ficar aí olhando ou vai vir aqui ajudar? – Disse Cory arqueando as sobrancelhas.

— É claro, assim que você terminar de me contar o que houve com a Berry. – Nesse momento parece que nossos olhares trocaram farpas, de modo que, o moreno mudou seu semblante de repente.

— Não vamos conversar sobre isso... – Ele tentou desviar o caminho, quando eu segurei em seus braços.

—Você vai matá-la desse jeito e todo aquele sofrimento será em vão. Você tem uma segunda chance, então, não a desperdice. – Joguei uma suposição.

— Eu não me arrependo de ter mandado a embora daqui.

— Como assim? Ela saiu daqui por sua causa? Você a expulsou? – Indaguei confuso.

— Ué a defensora das causas nobres, Tina, já não me deflagrou para você? – Ironizou o moreno. – Eu fiz o que ela queria esse tempo todo.

— Você não acha que agiu um pouco precipitado? Você está vivo graças a ela.

— Eu não tenho certeza se estou vivo, ou simplesmente existindo. Agora chega de sermões porque eu já ouvi o suficiente de todos vocês. – Ele puxou o braço para junto de si e começou a caminhar de volta a cabana.

— Você não se diz arrependido, mas não foi isso que você demonstrou hoje mais cedo. – O garoto parou de andar por alguns segundos e, por fim, retornou a caminhar sem ao menos olhar para trás.

Depois disso, fiquei um tempo estático tentando dar sentido a todos àqueles acontecimentos. Os fatos não pareciam se encaixar. Por que a Berry teve de ir? Por que o Cory estava agindo daquela maneira? Aquilo não era simplesmente rancor era algo mais subliminar. No entanto, aquele caso profundo e familiar não era da minha conta. Quando eu retornava caminhando de volta a cabana, meu relógio apitou. Era uma vídeo chamada do Steve. Caminhei então para um canto mais escondido e aceitei a chamada.

— Eu acho que alguém acabou de brigar com o amiguinho. – Desdenhou Steve.

— Se você veio só para fazer piadinhas, saiba que hoje eu não estou afim.

— Eu acho que meu senso de humor te incomoda, mas tudo bem sem piadas por hoje. No entanto, parece que alguém está me devendo um mínimo obrigado. – Disse Steve exibindo-se.

— Obrigado? Pelo o quê? – Indaguei.

— Eu salvei a sua vida lá na caverna. Sem mim, você e alguns de seus amigos estariam mortos a essa hora.

— Você sabe que tudo o que aconteceu não foi por pura solidariedade não é?! Você precisa de mim vivo e sabe que minha morte só seria mais um dos seus problemas.

— Você é mesmo um garoto ingrato – Resmungou o mais velho.

— Por mais controverso que seja. Você merece um obrigado, entretanto eu preciso mais uma vez de uma ajudinha.

— Esquece. – Implicou Steve. – Eu não posso mais te ajudar, eu já infringi as regras para te ajudar daquela vez, eu não posso fazer isso de novo.

— Uma garota vai morrer se você não me ajudar, como você pode não viver com o peso na consciência? – Retruquei.

— Como representante chefe da Austrália, minha única responsabilidade aqui é você e mais ninguém. Eu já te disse que se arriscar por esses estranhos vai te matar alguma hora dessas.

— Vocês são os responsáveis pelo nosso horror aqui dentro, então, deviam no mínimo fazer um trabalho descente.

— Não se esqueça de que cada um de vocês possui um instrutor. Se alguém está em apuros, talvez a culpa não seja nossa. As vidas de vocês não são em vão. Então, não venha me impor fardos que não são meus.

— Eu também estou carregando fardos que não são meus, mas mesmo assim eu não desisto do que eu acredito. Você tem mais alguma para dizer?

— Não, eu acho que eu já vou indo. Eu espero que tudo dê certo nas suas decisões. – Por fim, ele desligou a chamada e seu holograma desapareceu no ar.

Retornei caminhando de volta para a cabana e quando cheguei passei mais uma vez pela alcova do térreo para observar o estado de Jihan. O menino parecia um defunto gelado e pálido, seu corpo estava completamente imóvel e nenhum sinal de vida parecia habitar naquele corpo.

— Eu espero que ele fique bem. – Entrou Tina de repente no cômodo. – Eu só vim avisar que os outros já estão na fogueira comendo.

— Tudo bem, eu já estou indo. – Fiquei ali por mais alguns segundos então me encaminhei até a estufa.

— Vamos, eu estava esperando você. – Disse Tina sentada no banco da estufa. Juntos, fomos até os fundos, todos ali estavam sentados em volta da fogueira comendo. – Eu acho que não tem mais lugar em volta da fogueira.

— Tem um lugar ali ao lado do Ralf. – Indiquei o lugar vazio.

— Eu acho que eu vou pegar um banco na estufa, você pode sentar lá.

— Não se preocupe, sente lá, eu pego o banco.

— Não precisa, eu pego. – Ela disse virando as costas e caminhando de volta a estufa.

Sentei, então, no lugar vago ao lado de Ralf e ele me ofereceu um espeto de peixe.

— Então, o que a Tina foi fazer lá dentro? – Perguntou Ralf curioso.

— Ela foi buscar um assento, por quê? — Em alguns minutos, Tina retornou com um banco sentando ao lado de Loren do outro lado da fogueira.

— Não é nada. É... Que a reunião já vai começar.

— Reunião?! – Indaguei.

— Agora que todos estão aqui, estamos prontos para começar a reunião. – Disse Mike levantando-se de seu lugar. — Eu acho que todos já estão cientes do problema que estamos enfrentando, então, precisamos tomar uma decisão. Porém, antes de qualquer coisa, alguém tem alguma alternativa para apresentar? – Todos permaneceram em silêncio esperando por alguma resposta, no entanto ninguém se pronunciou. – Bom, já que ninguém tem nenhuma ideia, eu sou obrigado a apresentar a minha.

— E o que você nos propõe a fazer? – Perguntou Tina.

— Uma guerra.

— O que?! – Todos indagaram quase que ao mesmo tempo. Nesse momento um burburinho de vozes tomou o local e todos pareciam indignados assim como eu.

— Por favor, silêncio todos vocês. – Gritou Mike. – Por um acaso, alguém tem alguma ideia melhor!

— Eu não tenho uma ideia, mas eu tenho certeza de que essa não é a melhor opção. – Mencionou Anne.

— Mike, eu sinto muito, mas eu não vou arriscar a minha vida por uma pessoa que eu mal conheço. – Declarou Sarah. – Você viu o que aconteceu com o Uriel. Eu não pretendo ser a próxima.

— Eu lamento, mas eu também estou fora. – Acrescentou Zenaya.

— E o que vocês esperam que façamos? Acham mesmo que vamos conseguir aquela quantidade de suprimento? – Perguntou o líder ríspido. – Ou vocês já entregaram o jogo e já aceitaram a morte daquela garota? – Nesse momento todos ficaram em silêncio sem saber o que dizer. – Hein, eu preciso que vocês me digam o que vocês estão pensando. Eu demorei um tempo para aceitar essa decisão, eu espero que vocês ao menos pensem antes de se prontificarem.

— Eu aceito. – Interrompeu Cory. – Eu aceito a guerra.

— Parece que temos nosso primeiro soldado. – Ironizou o Líder. – Confiem em mim, só precisamos nos preparar, se atacarmos de surpresa nós podemos ganhar essa luta.

— Diferente de todos nós aqui. Não foi muito difícil para ele ter decidido isso. Berry é a irmã dele. – Ressaltou Nofre.

— Sem contar que não sabemos quantos eles são. – Acrescentou Loren. – Pela audácia daquele garoto o exercito deles parecem ser muito maior que o nosso.

— Ou eles podem estar simplesmente blefando... – Retrucou Mike.

— Eu aceito. – Interrompeu Tina. — Eu não posso deixá-la morrer.

— Parece que temos um soldado. Precisamos de um exército! – Incentivava o líder.

— Pare com isso! – Finalmente me prontifiquei. – Essa é a ideia mais idiota que eu já ouvi. Ninguém aqui vai para uma guerra ao menos que ela seja necessária. Não viemos aqui para matar pessoas, não somos assassinos a sangue frio.

— E que outra alternativa você encontrou. – Resmungou Cory.

— O que vocês estavam fazendo com aqueles garotos. – Disse apontando para Nofre e Frank. – É repugnante. Ninguém aqui é obrigado a fazer o que não quer. Já estamos vivendo o inferno suficiente nesse lugar, sendo assim, não somos obrigados a também vivermos como escravos.

— Você me vem com esse discurso, mas até agora não me apresentou nenhuma solução. – Retrucou Mike.

— Anne! – Chamei a atenção da loira. – Por favor, eu gostaria que agora você nos contasse um pouco da sua história com o povo gelado. – Nesse momento todos se entreolharam sem entender o motivo para tal declaração.

—Bom... Mas em que isso vai nos ajudar? – Perguntou a loira confusa.

— Eu só quero que você nos conte a sua história de como você os conheceu. Integramos você ao grupo, mas não sabemos muito sobre você. – Nesse momento todos os olhares se voltaram para Anne deixando à desconfortável.

— Ta bem, mas eu ainda não entendi o que você pretende com tudo isso. – A menina, então, respirou fundo e, por fim, prosseguiu. – Eu só me lembro de ter acordado em cima de uma calota de gelo boiando no mar. Eu estava desesperada, eu não sabia o que fazer e nem para onde ir. Até que um homem no meu relógio conversou comigo e me explicou tudo o que estava acontecendo. Naquele momento eu pensei que eu já estivesse morta.

— Um iceberg no meio de uma ilha tropical? – Indagou Sarah.

— Bem, esse lugar não é uma ilha simplesmente. Ele é muito maior do que a gente imagina.

— Por favor, não interrompa a história! Continue Anne, como você conheceu os gelados? – Interrompi.

— Bom, eu passei dois dias naquela calota até que ela começou a rachar e afundar. Eu precisei nadar naquela água gelada e naquele momento eu pensei que eu iria morrer. No entanto, eu conseguir nadar até uma parte fixa do continente, porém lá eu não encontrei ninguém. Eu caminhei por algumas horas, mas eu desisti e desmaiei no meio do caminho. Quando eu acordei. Eu estava numa barraca feita de pele de animal. Uma garota me deu água e comida, então, desde então eles cuidaram de mim. Até eu ser pega por aqueles vândalos que atacaram vocês e obrigada a ajudá-los.

— Se esse povo ajudou você, em sua opinião, você acha que eles nos ajudariam? – Perguntei curioso.

— Eu não sei, eu não os vejo já faz algum tempo e eles são um povo pacifico, não entrariam na guerra.

— E comida, eles te alimentaram. Você acha que eles fariam um acordo conosco?

— Bem, eles têm uma enorme caverna estocada de alimentos, mas eu não sei se eles nos ajudariam com a enorme quantidade de alimentos que precisamos.

— E se nós negociarmos com eles a vida dela. – Disse Ralf apontando para Anne. – Fazemos o jogo inverso e pagamos a dívida.

— O que?!- Indagou Anne.

— Não vamos matá-la de verdade. Isso seria uma espécie de chantagem. Pode dar certo.

— Não eu acho que chantageá-los não deve ser uma boa ideia. – Interrompi.

— E como você espera convencê-los? Apelo emocional? Will isso não é tão fácil assim. Ainda há grande probabilidade de nós não conseguirmos nada lá, isso pode ser uma perda de tempo. – Argumentou Cory descrente.

— Olha só, não foi por minha causa que ela saiu daqui. Então, escuta de uma vez o que eu estou falando. É muito melhor arriscarmos termos um não, do que arriscar vidas que não tem nada haver com a merda que você fez. Então, se você se garante na guerra o problema é seu, mas você não vai levar ninguém daqui. – Nossos olhares se chocavam assim como nossos pensamentos.

— Ei, vocês dois já temos problemas demais. – Interrompeu Mike entrando no meio de nós dois. – Will, eu já confiei em você uma vez para cuidar do meu bando e você fez um excelente trabalho. Você acredita que eu posso confiar em você de novo? Você acha que tudo isso realmente pode dar certo?

— Bom, o caminho vai ser longo. Podemos juntar um pouco de comida durante o caminho. E assim, nos organizarmos. Caso o plano falhe, eu aceito a guerra. – Afirmei confiante.

— Então, alguém mais tem um plano, ou todos estão de acordo? – Ninguém mais ousou a falar nada, aquela não era a solução perfeita, mas parecia a única aceitável naquele momento.

As pessoas mesmo desoladas com aquela situação aceitaram o plano. A reunião finalmente terminou, e todos ali voltaram ao banquete. Com toda aquela ansiedade e frio na barriga eu nem conseguira comer direito. Fiquei ali sentado na fogueira por um tempo e depois caminhei em direção ao mar e sentei na beira da areia. Fiquei ali por um tempo refletindo e olhando a lua refletir na escuridão do mar.

— Oi, eu posso sentar? – Pergunto Loren em pé ao meu lado me tirando dos meus pensamentos.

— Mas é claro.

— Eu vi que você não comeu quase nada, então, eu te trouxe mais um espeto de peixe.

— Mas você odeia espeto de peixe.

— Bem, eu to me acostumando com o cardápio diário. – Ironizou a loira. Ela me entregou o espeto e eu comecei a comer.

— Você não está com medo? – A loira me surpreendeu com a pergunta repentina.

— Medo?! Bem... Eu acho que eu já deixei de ter medo há algum tempo. Todo dia nesse é um risco. Você deveria estar acostumada com isso também.

— Eu acho que eu nunca vou conseguir me acostumar com isso. Agora você não acha que é um pouco cedo para você dar uma de aventureiro por aí. Você acabou de sair de um pós-coma.

— Infelizmente eu já acordei com a adrenalina no meu corpo. Fique tranquila eu estou bem.

— Mas você não me pareceu muito bem quando acordou.

— Aquilo foi só um surto e já passou. – Eu dei a última mordida no peixe e, logo em seguida levantei. – Vamos, levante-se amanhã teremos que acordar bem cedo. – Ela segurou a minha mão e eu a puxei para levantá-la.

Sendo assim, juntos fomos caminhando em direção à cabana mais precisamente para a alcova. Encontramos Ralf na estufa que seguiu junto conosco. Quando chegamos à alcova muitos já estavam posicionado em suas redes se preparando para dormir. Loren, antes de deitar foi em direção a dispensa ver como Maffy estava.

— Bem, tem uma rede disponível ali na rede do lado da Tina – Sugeri um lugar ao Ralf. – Eu posso dormir ali perto da Janela.

— Não se preocupe. Eu fico com a janela. – Respondeu Ralf.

— Só um instante. – Pedi para que ele esperasse e caminhei até Tina. Eu levei a garota até ele e deixei os dois de frente um para o outro. – Olha só, eu não sei o que aconteceu com vocês, mas eu preciso que vocês resolvam isso de uma vez por todas. Então, conversem lá em baixo e só subam quando vocês se resolverem.

— Mas... – Os dois repetiram.

— Sem, mas, andem logo. – Eu empurrei os dois para fora do cômodo até a escada e voltei para alcova.

— O que aconteceu com eles? – Perguntou Loren retornando da dispensa.

— Eu não sei, mas não precisamos de mais um problema. – Eu andei, então, até a rede perto da janela e deitei fitando a paisagem lá fora até, por fim, pegar nos sono.