Notas iniciais
Capítulo novo! Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer a todos vocês pelos belíssimos comentários recebidos no capítulo passado. Em segundo lugar, eu vou postar o novo capítulo de The New Hogwarts assim que terminar de escrever e o de The New Storybrooke assim que atingir a meta e terminar de escrever o capítulo. Sem mais delongas, espero que gostem e boa leitura!

Anna estava cercada por cerca de vinte pessoas, todos piratas. Eles pareciam se divertir bastante com a ruiva, que tremia e suava em seu lugar. Um deles, um loiro de olhos castanhos com um sorriso no rosto, deu um passo à frente.

– Parola. – Anna falou de repente, mais por impulso do que por realmente ter pensado no que havia dito.

– O que? – O loiro arqueou uma sobrancelha, trazendo no rosto um sorriso confuso, mas também divertido.

– Parola. – Anna repetiu, finalmente decidindo-se sobre o que devia fazer. – O Código da Ordem dos Piratas diz que me levem ao seu capitão.

– Senhorita... – Uma garota de cabelos e olhos castanhos se aproximou do loiro, que passava as mãos nervosamente no cabelo.

– Se alguém lhes pede Parola, vocês não podem feri-lo até que a negociação com o capitão seja terminada. – Anna a interrompeu, falando firmemente, apesar de estar absolutamente nervosa com o que estava acontecendo.

– Olhe... – A garota de cabelos castanhos começou a falar, mas desta vez o loiro a interrompeu com um gesto mínimo da mão, que indicava que ela se calasse e assim ela o fez.

– Se ela quer ser levada às capitãs, ela será. – O loiro declarou com um sorriso divertido, enfatizando a palavra “capitãs”.

Anna engoliu em seco, de repente arrependendo-se do que havia feito e desejando mais do que tudo ter ficado calada. Um rapaz de cabelos castanhos e olhos verdes e outro de cabelos e olhos pretos se aproximaram dela, cada um segurando um braço da ruiva e começando a guiá-la ao porto com o resto da tripulação seguindo-os.

A cada passo que dava, a tensão da ruiva parecia aumentar. Os tripulantes do navio Vingança dos Sete Mares pareciam bastante entusiasmados em levá-las ao navio para que falasse com, agora ela sabia, as capitãs. Ou seja, nada de bom poderia sair daquela conversa.

Até mesmo a respiração nervosa e descompassada da ruiva e os passos ansiosos arrancavam risos dos piratas a sua volta, deixando-a com ainda mais medo. Mesmo assim, ela nem ao menos fez uma tentativa de se libertar, uma vez que sabia que nada conseguiria além de provocar a ira dos tripulantes do navio mais temido do Caribe.

Finalmente, chegaram ao navio, que estava absolutamente vazio, exceto por três pessoas. Uma era uma garota que tinha olhos azul-gelo com cabelos loiro-esbranquiçados arrumados numa trança caída por sobre o ombro emoldurando o rosto de anjo. O segundo era um rapaz de cabelos brancos desorganizados, olhos azuis e um corte na bochecha, bem como alguns nos braços expostos. A terceira era uma garota exatamente igual à loira, mas que tinha cabelos castanho-escuros. Por algum motivo que a ruiva não sabia, a morena e a loira lhe pareciam familiares, embora ela pudesse jurar que não as conhecia.

A loira estava de pé próxima ao mastro segurando duas espadas e trazia um sorriso divertido no rosto. O albino estava caído no chão e olhava para a loira com certo temor nos olhos. A morena estava com os braços cruzados e segurava uma pistola em uma das mãos, olhando para o albino com desinteresse. Nenhum deles havia percebido a chegada da tripulação.

– Com licença. – O loiro de olhos castanhos que primeiramente tentara falar com Anna chamou a atenção dos três. – Capitã Elsa? Capitã Elena? – Chamou as duas.

– Sim, Kristoff? – A loira, Elsa, virou-se para o loiro ao perceber a chegada da tripulação e então percebeu a presença de Anna. – Sabe, quando dissemos sequestrem alguém, não estávamos falando sério. – Apontou para a ruiva atônita.

– Essa garota pediu Parola. – O loiro, Kristoff, empurrou Anna na direção das capitãs e do albino, que ainda estava no chão.

– Sério? – A morena, Elena, se aproximou, passando pelo albino e olhando a ruiva com um sorriso divertido e incrédulo no rosto enquanto guardava a pistola. – Nunca pensei que alguém iria pedir isso à tripulação desse navio, mas parece que há loucos para tudo neste mundo. – Riu e sua tripulação a acompanhou no riso, bem como Elsa.

Anna viu o albino caído olhando-a, parecendo conhecê-la, e balançou a cabeça em um gesto quase imperceptível, sabendo que provavelmente, ele pertencia àquele reino e não era uma boa ideia dizer a piratas que ela era uma princesa. O albino pareceu entendê-la e manteve-se calado, ainda no chão.

– Então, ruiva, o que você quer? – Elsa arqueou uma sobrancelha, gesticulando para que Anna falasse enquanto entregava uma das espadas com um dos tripulantes que se aproximou dela.

A ruiva engoliu em seco e mais uma vez foi empurrada na direção das capitãs por alguém que ela não se importou em ver qual era. O medo a estava consumindo e a certeza de que não sairia viva dali assolava seu coração.

– Não temos a noite inteira, sabe? – Elena interveio, visivelmente impaciente, bufando e batendo o pé no chão do convés.

– É... É... É... – Anna começou a gaguejar, tremendo e suando frio. O que faria agora?

Elsa bufou, também perdendo sua paciência, enquanto Elena já parecia estar no limite da sua. A tripulação do navio riu, divertindo-se com a situação, por mais que nenhum deles quisesse realmente ver aquelas duas irritadas.

– Já estou perdendo minha paciência. – Elsa falou por entre os dentes trincados, olhando para Anna com impaciência.

– Vim negociar a retirada de vocês deste reino. – As palavras saíram da boca de Anna antes que ela sequer processasse a ideia. Porém, a ruiva não retirou o que disse, afinal, sendo a única Princesa de Arendelle, precisava cuidar do reino e tirar aqueles piratas dali, não importava o que lhe custasse.

– Ah, claro. – Elena concordou com um gesto quase imperceptível da cabeça, parecendo ter se acalmado, e então abrindo um sorriso divertido e debochado. – E quem seria você, a propósito?

Anna engoliu em seco. Rapidamente pôs-se a pensar em alguma mentira, mas não era muito boa nisso. Optou por uma meia-verdade:

– Anna d... – Se interrompeu, quase dizendo “de Arendelle”. – Das Ilhas do Sul. – Mentiu, embora em breve aquilo pudesse se tornar verdade dado ao seu noivado com o Príncipe Hans. – Como parceira de negócios de Arendelle, não parece uma boa ideia para o meu reino que piratas destruam este. – Surpreendeu-se com a mentira que contou tão naturalmente, por dentro feliz por ter conseguido.

– Entendo. – Elsa assentiu, examinando Anna com o olhar e franzindo o cenho, parecendo pensar em algo que em nada lhe agradara, mas logo balançou levemente a cabeça, como se estivesse se livrando de uma ideia. – E o que a faria pensar que sairíamos daqui assim? – Arqueou uma sobrancelha, retomando o sorriso debochado.

Mais uma vez, a ruiva se pôs a pensar. Não havia sequer imaginado que chegaria tão longe, uma vez que julgara que já estaria morta a essa altura. Foi então que se lembrou de uma coisa, bastante antiga e que lhe foi dada por suas irmãs, que curiosamente tinham os mesmos nomes das capitãs daquele navio, afinal aqueles nomes não eram realmente muito incomuns, bem como o dela própria. Lembrava-se perfeitamente que alguns dias antes de se trancarem no quarto, as figuras borradas em sua memória de suas irmãs a havia lhe dado um colar com o símbolo de Arendelle.

– Onde conseguiu isso? – Elena arqueou uma sobrancelha, olhando para o pescoço de Anna, o que a fez perceber que havia levado a mão ao colar.

– Uma amiga me deu. – Anna respondeu em um tom nervoso, agora temendo que elas não acreditassem.

– Claro. – Elsa concordou, embora ainda parecesse desconfiada. – Então, qual é o seu acordo?

– Que saiam daqui e nunca mais retornem. – Anna rapidamente respondeu, não tendo dúvida alguma ao falar, afinal havia dito exatamente o que queria. – Esse é o meu acordo.

Elsa e Elena se entreolharam, cada uma com seus próprios pensamentos, parecendo conversar silenciosamente apenas por meio daquela troca de olhares, deixando todos ali presentes, incluindo Jack e a tripulação, tensos.

– Fechado. – Finalmente as duas disseram juntas, trazendo em seus rostos de anjo sorrisos de quem estava aprontando alguma coisa, apesar de ainda parecerem desconfiadas da história que Anna havia lhes contado, e a ruiva lentamente retirou o colar de seu pescoço, relutante, entregando a elas logo em seguida.

– Muito bem. – Elena falou sozinha e olhou para os tripulantes. – Levantar âncora. Soltar as velas. Preparem-se para partir imediatamente. – Assim que ela terminou de falar, todos se espalharam pelo navio para fazer suas determinadas funções.

Com todos trabalhando e Jack ainda no chão, Elsa e Elena se puseram a andar calmamente em meio ao alvoroço até a porta que levaria à sua cabine.

– Esperem! – Anna as seguiu, estando agora absolutamente aterrorizada, ou mais do que estava antes. – Eu tenho que desembarcar. O Código dos Piratas...

As duas capitãs do navio pararam abruptamente, cada uma trazendo um sorriso divertido de anjo no rosto.

– Em primeiro lugar, – Elena começou a falar, parecendo se divertir com a expressão aterrorizada de Anna. – Seu retorno ao reino não fazia parte da nossa negociação, então não me sinto realmente inclinada a fazer qualquer coisa por isso. – Finalizou, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha, como se desafiasse que Anna retrucasse.

– Em segundo lugar, – Elsa continuou assim que a irmã parou de falar, trazendo no rosto o mesmo sorriso que a morena. – É preciso ser um pirata para fazer valer o Código e eu tenho absoluta certeza de que você não é, portanto nada farei. – Colocou uma mão na cintura enquanto brincava com o cabo da espada então embainhada com a ponta dos dedos da outra mão.

– Em terceiro lugar, – Elena prosseguiu no mesmo tom divertido de antes, mas naquele momento falando mais baixo, de modo que apenas ela, Elsa e Anna poderiam ouvir. – Não somos o que se chama de seguidoras de regras, ainda mais do Código, que é mais uma orientação do que uma regra propriamente dita. – Soltou um riso baixo.

Anna ficou absolutamente calada, imóvel, paralisada. Não sabia o que pensar ou mesmo o que falar. A única coisa que lhe vinha à mente era o fato de que agora estava presa em um navio pirata.

– Bem-vinda a bordo do Vingança dos Sete Mares, ruivinha. – As duas capitãs do navio disseram juntas, cada uma parecendo aproveitar aquilo à sua maneira.

Anna ficou quieta, calada, sem ter mais nada a dizer. Nunca havia pensado que estaria numa situação como aquela, presa em um navio pirata sem ter como voltar para casa. Perdida em seus pensamentos, ouviu o barulho dos tripulantes que andavam de um lado para o outro e também o barulho de algo caindo na água, que quase imediatamente ela soube se tratar do albino que antes estivera caído no chão.

Ele tivera bem mais sorte que ela, pois, apesar de ter sido atirado no mar, não era obrigado a ficar ali. Ele não era um prisioneiro. Ela sim.

Ela era prisioneira de um navio pirata.

Notas finais
O que acharam? Ficou bom?