The Music
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Estava tudo escuro quando cheguei a sala de música. Todas as luzes estavam apagadas, que merda que está acontecendo? Entrei e fechei a porta atrás de mim com um certo receio, ok, admito, estou cagando de medo, e se for uma armadilha de um bandido ou algo assim? Aff’ porque sou tão cafajeste?
Quando me virei para sair da sala sinto mãos macias passearem pelo meu tórax e ir descendo até parar no botão da minha calça. Quando lá pararam sinto uma respiração no meu ouvido. Me arrepiei.
– O que acha de uma coisinha mais selvagem? – a voz fortemente sedutora e sexy do telefone fala.
– Nada mal. – falo e quando me viro dou um pulo pra trás e um grito não muito másculo.
Camilla Kinball a mulher/homem, eu não sei o que é isso?Meu coração acelerou e eu entrei em pânico. Não que eu seja homofóbico, longe disso, mas não sou o tipo de cara que curti travestis.
– O que foi príncipe? – falou passando as mãos em mim enquanto eu me esquivava. – Você não disse que queria brincar? – fez uma carinha de triste. Acho melhor eu sair daqui.
– M-m-mas que voz é essa? – perguntei um pouco apavorado. A voz dele/dela tava muito fina, como pode isso?
– Ah gostou gato? Fiz uma operação no início da semana. Não sentiu minha falta? – disse e bateu seu dedo indicador no meu nariz.
– A-ah claro! M-mas sabe, eu... eu... eu marquei de encontrar com uns amigos sabe, e tinha esquecido, lembrei agora. Então... tenho que ir. – falei e sai apressado da sala deixando ele/ela lá com uma lingerie vermelha bem curta com uma cara de tristeza.
Sai correndo o mais rápido que pude para evitar que aquela pessoa me alcançasse.
– Ai caramba! VÊ SE OLHA POR ONDE ANDA IDIOTA! – Quando eu olho pra frente vejo a Emily parada bem na minha frente passando a mão na cabeça.
Ela parece só perceber que era eu quando levantou a cabeça, o que lhe trousse junto um olhar confuso.
–O QUE VOCE ESTÁ FAZENDO AQUI? – Nós dois gritamos juntos.
– Fala baixo idiota! – Juntos novamente.
– Para de repetir o que eu digo! – Mais uma vez os dois.
– Aff’! – Esse jogo já ta cansando.Nós viramos cada um para um lado e cruzamos os braços emburrados.
– Pêra ai! O que você está fazendo no 3 andar do prédio a essa hora se o dormitório das meninas fica no segundo andar?
Antes que ela pudesse responder uma voz um pouco longe disse:
–Gato! Cadê você? Por favor, vem brincar comigo! Não quero ter que desperdiçar essa minha lingerie novinha!
Meus olhos se arregalaram enquanto a Emily franziu as sobrancelhas.
–Vem! – puxei a Emily pelo braço e a carreguei pra primeira sala que vi.
– Mas o q...
– Shiiii! – falei a segurando contra a porta pela cintura e tampando sua boca.
– Chri-is, cadê você? Você não vai me fazer essa desfeita vai?
Eu e a Emily observamos a Camilla passando reto no corredor e descer as escadas. Soltei a Emily e vejo que ela parece estar passando mal.
– Tudo bem? – ela começou a rir estericamente e se contorcendo.
– Aquela, aquela era a Camilla Kinball de lingerie? – reviro os olhos e sento em cima da primeira mesa que vejo. Ela depois de rir bastante se acalma um pouco e se senta na mesa a minha frente. – Não sabia que você curtia essas coisas! – falou e riu mais um pouco, o que me deixou com raiva.
Acho que ela percebeu isso porque ela parou de rir e começou a olhar a lua pela janela. Estávamos na sala de química, nela a janela do lado esquerdo toma a parede inteira e dá pra uma bela vista do campo de futebol americano. Hoje a lua estava cheia.
– Eu estava voltando da enfermaria, – começou ela – tinha ido buscar algum remédio pra insônia, mas quando cheguei ela já estava fechada.
– Hum. – foi tudo que disse sobre o assunto.
– A não ser que queira que eu ache que você é gay, não seria melhor me explicar toda essa historia de Camilla Kinball de lingerie atrás de você?
–É uma longa história. – falei entediado olhando o chão que brilhava com a luz da lua.
– Sou toda ouvidos...
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