The Music
11 Capítulo 10
Notas iniciais
O vapor toma conta do cômodo embaçando os espelhos e o Box, ele é como a névoa destorce a realidade e nos faz pensar em coisas muitas vezes “ridículas” e em outras vezes infelizmente reais.
Lembro-me de ter saído do refeitório e ido direto pra sala de química, o que não me ajudou nada a parar de pensar no que acontecera no refeitório, afinal, foi aqui que se passara o incidente da noite, trancados numa sala.
Olhei para trás e logo vi a Camilla Kimbal entrar na sala no encalço de Gabe, o que me fez soltar uma leve risada – ele seria sua próxima vítima. Será que havia a possibilidade de ele ficar trancado numa sala com a Barbie? Não, acho que não! Já estou é viajando demais. Viro-me para frente assim que vejo aqueles olhos castanhos entrarem na sala e logo direcionarem seu olhar a mim. Um olhar despreocupado, malicioso e trapaceiro.
Ele senta em duas cadeiras atrás de mim na fileira do meu lado esquerdo, posso sentir um olhar sobrecarregado sobre mim, viro-me devagar e encontro seu olhar o que me faz virar para frente novamente. E assim percorreu as duas aulas inteiras de Química, o que não me deixou me concentrar nem um pouco na aula, a qual era matéria nova.
Passo minha mão sobre meu rosto e enterro minha cabeça dentro da água, preciso tirar todo e qualquer pensamento que envolva essa peste da minha cabeça.
Desligo o chuveiro, saio do Box e me enrolo na minha toalha macia de algodão branco.
Vejo que meu celular está piscando indicando que tenho uma nova mensagem.
“Prefiro as interessantes. Chris ;)”
Falando no diabo! Mas pêra ai, como ele tem meu número? Ah, como se eu me interessasse em que tipo de garota ele gosta.
“Como conseguiu meu número?”
Mandei-lhe, mas honestamente não esperava resposta. Fui há meu armário procurar o que vestir. Me troquei, e antes que pudesse pentear os cabelos escuto meu celular apitar.
“Sou o filho do diretor! Facilmente consigo acesso a ficha dos alunos!”
Porque ele iria atrás de minha ficha? Ele poderia muito bem perguntar a Barbie ou sei lá o que. Não gosto de pensar na sequer hipótese dele xeretando minha ficha, um lugar o qual continha quase “tudo” sobre mim. Ah. Vamos tirar esse pensamento da mente Emily? Afinal, isso não é nada, ele pode estar mentindo.
“Você não tem medo que eu lhe denuncie ao seu pai, não?”
Respondo e vou pentear meus cabelos, não demora muito até que meu celular apite novamente, termino de pentear meus cabelos e me atiro na cama para ler a mensagem.
“Eu sei que você não faria isso.” – dou uma leve risada com sua resposta, quando me dou conta de meu sorriso tiro logo o mesmo dos meus lábios.
“Já disse: Não sou tão certinha quanto você pensa”
“O.K. Embora minha resposta não se referisse a isso.”
“Há o que se referia então?”
“Esquece! Estamos bem atrasadinhos não acha?”
“Atrasados? Como?”
“A música. Não compomos nada ainda, e o festival já é daqui uma semana!”
“Ah é, e como faremos?”
Não recebi resposta, o que me deixou...talvez um pouco... nervosa.
Sai do quarto e tranquei a porta, estava indo em direção a biblioteca de cabeça baixa e olho que meu cadarço está desamarrado, me abaixo para amarra-lo.
– AAAAH! – grito quando sinto alguém tropeçar em mim e cair do outro lado do meu corpo.
– CARALHO VELHO! ISSO É LUGAR DE FICAR SENTADO PORRA! – gritou até virar seu olhar pra mim e se assustar. – O que você está fazendo aí no chão.
– Amarrando o meu cadarço o que mais? Você pensou o que? Que eu estivesse brincando de pular carniça com o primeiro que aparecesse? Imbecil! – me levanto com raiva e saio furiosa.
Escuto passos pesados vindo atrás de mim, começo a andar mais rápido mais sinto uma mão segurar meu braço e me puxar pra si.
– Me solta oh escroto! – digo o empurrando com força mais ele não solta meu braço. – O quê que você quer?
– Eu estava indo no seu quarto! – falou e me soltou abaixando a cabeça logo em seguida. Ele continuava com a mesma roupa de hoje cedo.
– Fazer o que? – pergunto ainda irritadiça com os braços cruzados.
– Compor ué, o que mais? – disse dando aquele seu sorriso sínico. – A não ser que, você quisesse outra coisa. – falou trazendo sua mão em direção ao meu rosto, a qual logo tirei com um tapa. – O.k, O.k não toco em você! Então, vamos lá? – disse indo em direção a ala feminina dos dormitórios.
– Nós não vamos compor no meu quarto. – disse simples e direta.
– E porque não? Compomos no meu da outra vez.
– No meu quarto não! – insisti.
– O.k então princesinha. – disse vindo na minha direção com olhar de desaprovação. – Onde vamos compor então?
– Eu sei lá! Na sala de música? É um bom lugar.
– É óbvio que não! A música tem que ser inédita, ninguém pode ouvir.
– Então aonde espertão?
– Bem, precisaremos de um instrumento e ontem eu sem querer quebrei a corda do meu violão...
– Nada mais do que esperado – o interrompi falando comigo mesma.
– Como?
– Esquece! – falei nervosa.
– Enfim, temos uma opção mas é o mesmo que nada porque duvido que a “princesinha” – debochou – queira considerá-la.
– E qual seria espertão?
– Na minha casa há uma sala de música onde há um piano de cauda, podemos sei lá, ir compor lá.
– Eu? Na sua casa? Nem a pau!
– Num disse!
– Ah, vai á merda! – disse e ia saindo do corredor antes que ele me fizesse parar com a seguinte frase.
– O.k então! Já sabia que você não era uma pessoa de palavra.
– Como? – disse me virando com uma sobrancelha erguida.
– Você prometeu ao meu pai que comporia a música.
– Isso é um truque?
– é claro que não! Não se preocupe, você não é tão bonita pra que eu te agarre, agora vamos logo, não devemos perder mais tempo do que já perdemos! – diz ele segurando minha mão e me guiando em direção ao pátio. Provavelmente, para a saída dos fundos.
Fale com o autor