The Mission
22 Reunião
Notas iniciais
Scorpius Malfoy
Segunda-feira à tarde e eu aqui, preparando lanche para uma multidão de adolescentes esfomeados. Ninguém merece.
– Weasley, não passou pela sua cabeça me ajudar um pouquinho aqui, não? – reclamei.
– Para falar a verdade, não. A minha cabeça está ocupada demais tentando encontrar uma música para aquela porcaria de teste.
Saí da cozinha e fui até a sala, onde a ruiva encontrava-se esparramada no sofá com um tablet em mãos.
– E aquelas que vocês escolheram? Pensei que tudo estivesse resolvido.
– Beyoncé é passado, segundo a Thalia, já está muito “batido”. – respondeu com uma careta de desgosto.
– Faça com que ela encontre uma música descente e dançante para vocês então, oras.
– Este é o grande problema. Dançantes praticamente todas são, agora, descentes...?
– Deixe isso para depois, venha me ajudar logo.
– Está bem, seu chato.
E assim fomos os dois para a cozinha.
***
Já era quase noite quando a campainha tocou. Rose correu para atender a porta, e parada à sua frente estava quem já esperávamos. Thalia.
– Boa tarde. – desejou ofegante – O atraso não foi proposital, me desculpe, é que o trânsito estava de matar.
– Tudo bem, entre. – ouvi Rose dizer.
As duas passaram depressa por mim na sala, a loira sequer me deu um simples “oi”. Logo escutei a porta de um dos quartos do andar superior ser fechada, o de Rose, deduzi. Aí tem coisa.
Voltaram aos risos dez minutos depois.
– Eu adorei, você é perfeita para este tipo de coisa. Muito obrigada, Lizzy. – gratulou a Rose.
– Não foi nada, só temos que ensaiar agora.
– Então meninas, tudo bem aí? – expus a fim de ser notado. Thalia pareceu espantar-se de finalmente ter reparado em minha presença – Olá. – sorri sarcástico.
– Não vi você aí.
– Deu para perceber.
A garota enrubesceu-se de imediato.
– Não é como se ele fosse importante. – disse Rose querendo amenizar a situação – Só quer chamar atenção. – completou fitando-me com cara feia.
Apenas dei de ombros não querendo dar continuidade àquilo.
– Cadê o resto do pessoal? – Rose quis saber.
– Devem estar chegando, marquei com eles às seis, achei que fosse um bom horário.
– E quantos são? – demandei desta vez, estava preocupado da quantidade de comida não ser suficiente.
– Poucos, não se preocupe, apenas o suficiente para encher a sala, nada mais.
– Certo, é melhor que estejamos bem... – Rose dizia quando fora interrompida pelo som da campainha. – Eu atendo. – prontificou-se.
Continuei sentado confortavelmente à medida que Thalia andava de um lado para o outro do cômodo. Vi apontando atrás de Rose uma garota estranha com cabelo colorido. Taylor. E estava acompanhada de seu irmão Taylor.
– Casa legal. – comentou a garota analisando o local – Vocês moram sozinhos? – Rose e eu nos entreolhamos e assentimos – E não rola sexo?
Rose engasgou-se com a própria saliva e ficou vermelha como pimenta. Suas orelhas estavam num estado crítico, parecia que iam explodir.
– O quê? – indagou a ruiva ainda engasgada.
Taylor girl mantinha a expressão impassível, como se aquela pergunta não causasse nenhum tipo de rebuliço, coisa que instaurava-se no local no momento.
– É mais que óbvio que não rola nada. – afirmei com convicção, apesar de não achar má ideia. Reparando bem, até que a Weasley tem uma pele legal. Espere, no que estou pensando? Só pode ser carência.
– Claro que não, eu nunca iria querer nada com isso. – falou apontando para mim com repulsa. Ei, isso fere meu ego profundamente.
– Acho que vou aguardar o resto do pessoal na entrada. – anunciou Thalia visivelmente constrangida – Taylor, pode me acompanhar? – perguntou à morena, porém seu tom de voz soava mais como uma ordem.
E as duas saíram em direção à porta com a loira dando uma bela bronca na amiga.
– Peço desculpas pela minha irmã. Ás vezes ela é bastante... direta. – demandou o Taylor boy.
– Quer beber alguma coisa? – ofereceu Rose, ainda envergonhada com a situação. Parecia uma colegial em seu primeiro relacionamento, uma gracinha.
– Água, por favor.
A mulher, com sua fantasia de menina, dirigiu-se à cozinha. Sei bem porque se autodesignou para tal função. Estava encabulada e pelo que conheço dela, odeia quando isso acontece. Lembro-me de quando não conseguia palestrar sobre a matéria em questão quando estudávamos juntos, era realmente frustrante para ela.
Aos poucos chegavam mais e mais alunos. Todos assinavam uma lista como confirmação de presença. Haviam pelo menos treze jovens espalhados pela sala da casa. Meninos e meninas de quatorze a dezoito anos dispostos em cadeiras, sofás e poltronas. Alguns até sentados no tapete.
– Certo, acho que podemos começar, não? – sugeriu Thalia.
– Não está se esquecendo de ninguém, Lia? – incutiu Taylor.
O semblante da moça mudou por um instante, passou por algo parecido com decepção.
– Não. – asseverou simplesmente. Logo, seu rosto voltou a mostrar um pouco mais de alegria e entusiasmo, entretanto minha curiosidade ainda era fixa. Quem estava faltando? – Sejam todos bem-vindos. Esta é a primeira reunião da Armada este ano e graças aos novatos, que generosamente concederam a nós sua casa para uso em nossos encontros. Seria de bom tom que todos agradecêssemos a eles.
Todos os jovens ali reunidos, portanto, levantaram-se e lançaram a nós palavras de gratidão. As frases variavam entre “valeu, aí” e “meus agradecimentos a vocês serão eternos”.
– Organizem-se, por favor, temos muito o que discutir. – prosseguiu a loira e os adolescentes voltaram a seus devidos lugares – Como já é de conhecimento geral, desse a nossa primeira reunião, estamos aqui com um objetivo: acabar com a tirania imposta por Lestrange. Sabemos muito bem que Dumbledore nunca apoiaria seus atos horrendos e sua administração penosa. O estopim foi quando a Sra. Krum foi rejeitada pela escola mesmo com seu currículo impecável.
– Mamãe não merecia ter sido escorraçada daquela forma. – expressou um garoto de cabelos negros no meio de todos.
– Claro, Sebastian, essa foi uma atitude muito feia da direção e estamos dispostos a reverter esta situação, por isso o apoio dos alunos é tão necessário.
Fiquei de certa forma chocado da forma que a McMillan se mostrava desenvolta falando com seus colegas ao passo que, em qualquer outra situação, mantinha-se sempre tímida e acanhada. Sua facilidade ao discursar era impressionante.
– Ela fala bem. – cochichou Rose a meu lado.
– Estava pensando nisso agora mesmo. Chega a ser estranho.
– Nem tanto. Precisa vê-la dançando, é incrível. É como se outra pessoa comandasse os movimentos de seu corpo e ela apena obedecesse.
– Vai ver ela está sendo possuída e você nem percebe. – fiz graça.
– Deixe de besteira, você entendeu o que eu quis dizer.
– Sim, ninguém pode ser fechado em tudo.
O discurso se prosseguia e os alunos debatiam propostas de soluções para os problemas, tudo conforme as normas da escola e de acordo com as leis, obviamente. Até que a turminha era eficiente. Rose e eu apenas assistíamos e comentávamos entre nós sobre a dinâmica dos envolvidos. Até que a campainha toca novamente, o instrumento mais requisitado da casa inteira no dia em questão.
Todos se calaram. Seja lá quem fosse, estava atrasado para a reunião, contudo meu medo não era esse, e sim que fosse alguém que não fazia parte do grupo intitulado armada de Dumbledore.
Dispus-me a receber o visitante, ou, caso necessário, a enxotá-lo dali.
Espantei-me ao abrir a porta e me deparar com o garoto em minha frente. Era um estudante, sem dúvidas, só que o fato dele estar ali era, no mínimo, bizarro.
– Posso entrar? – inquiriu aturdido.
– Claro. – respondi dando-lhe espaço – Fique à vontade.
Ele entrou no recinto e imediatamente os olhares se direcionaram a ele.
– Desculpe-me pelo atraso, Lia. – pediu – Fugir de casa está cada vez mais complicado. – concluiu com um sorrisinho no final.
– Não tem necessidade nenhuma, mas de qualquer forma, está desculpado. – observei um pontinho de felicidade em sua voz – Bem vindo à Armada, Edward.
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