The Mission
23 Mistérios
Notas iniciais
Rose Weasley
Era dia dos testes para líder de torcida. Se eu estava nervosa? Imagina! Apenas dando um ataque do coração quando diziam a palavra “teste” na minha frente.
– Rose, você viu a minha camiseta branca? Deixei ela no sofá ontem á noite, mas não consigo encontrá-la. – perguntou Scorpius enquanto revirava a sala inteira atrás da vestimenta.
– Tente na lata de lixo. Pode ser que eu tenha jogado lá sem querer após repetir umas quinhentas vezes que era para você tirar aquela nojeira do meio da casa.
– Não acredito. – Encarou-me perplexo – Isso é tudo TPM ou é por causa do teste?
– Não fale mais nesta porcaria de teste, está me ouvindo? – rugi – Sinto que irei explodir hoje. Serei um desastre.
– Não acho que será um desastre. – afirmou o loiro aproximando-se de mim – Para quem já foi striper, uma dancinha será fichinha.
– NÃO ACREDITO QUE O CRETINO DO MEU PRIMO CONTOU A VOCÊ! – bravejei.
– Não foi o Al. – retrucou – Foi a Roxy.
– Vagabunda. – resmunguei.
É, este é mais um item da lista de vexames que um agente tem que passar em favor de uma missão.
– Agora, falando sério, relaxe Weasley. Vai dar tudo certo. Você e Thalia são uma ótima dupla.
Suspirei em busca de calma. Ele tinha razão.
– Obrigada.
– Não é nada. – Sua mão repousava em meu ombro transmitindo-me força – Temos que ir, não queremos chegar atrasados hoje, não é?
– Claro que não. – respondi prontamente – A sua camisa. – alertei-o apontando para seu tronco nu.
– Ah, isso. Vá para o carro, chego lá num segundo.
***
Ao entrar no ginásio de esportes, senti que o local estava inundado de desespero. A maioria das garotas apresentavam uma expressão apavorada, tremiam dos pés à cabeça, algumas rezavam. Encontrei Thalia sentada num canto da arquibancada. Vestia camiseta e short, o que a deixava diferente. Estava estranhamente calma.
– Olá. – cumprimentei abancando-me a seu lado – Nervosa?
– Não muito. Tive uma conversa com meu mordomo pela manhã e ele me reconfortou bastante.
– Mordomo, é?
– Coisa da mamãe. Ela sempre sonhou em ter um mordomo inglês, porém, cá entre nós, Thomas é mais amigo do que mordomo.
– Fico feliz que tenha alguém para conversar em casa.
– Também fico feliz por tê-lo.
– Atenção candidatas. – a voz da professora Glenda Jones ecoou pelo recinto. Olhei para a quadra e vi que tinha um megafone branco em mãos. – Os testes para animadora de torcida terão início em cinco minutos. A lista de músicas está em minhas mãos. Como nos anos anteriores, vocês sabem é permitida apenas uma música por candidata e que é proibida a repetição da mesma. – espere aí, eu não vi nada disso. Olhei para Thalia e a mesma continuava calma – Portanto, teremos algumas eliminações por desrespeito das regras por parte de algumas meninas. – eliminação? Não é possível, eu não posso ser eliminada, preciso do cargo para a missão – O protocolo de eliminação funciona da seguinte forma: das garotas que informaram as músicas para utilização em sua performance, as que o fizeram primeiro permanecem na lista de testes, as atrasadas, não. – Ufa! Eu e Thalia mandamos o pen-drive com a música no mesmo dia. Fizemos isso juntas. – Caso tenham cumprido esta etapa no mesmo dia, fazemos uma seleção, distinguindo as veteranas das calouras, assim sendo, as veteranas continuam concorrendo a uma vaga. As calouras se retiram.
“Com uso deste método, analisamos as listas e constatamos que as músicas Dark Horse e Salute foram objeto de trabalho para mais de uma garota, eliminando assim, respectivamente, as senhoritas Amelia Stoles e Elizabeth Parker. As senhoritas podem se retirar do salão, por gentileza, para que suas colegas preparem-se para o teste.”
– Você sabia. – acusei Thalia – Por que não disse nada?
– Me desculpe – lamentou-se – Tenho meus motivos para virar animadora e eles vão além da Armada.
– Pois saiba que eu também tenho. Não acredito que confiei em você. Pensei que fôssemos iguais.
– Ah, não me faça rir. Olhe para você e para mim. Faz sucesso com todos os garotos desde o primeiro dia.
– Então o problema é esse, os garotos? Eu poderia ter te ajudado com isso também, era só pedir.
– Não preciso da sua piedade, Parker. – retrucou – Se me der licença, tenho um teste para fazer. – encerrou levantando-se e descendo em direção à quadra.
Fiquei encarando-a perplexa com sua atitude. Fui usada por uma garota de dezessete anos, isso eu não posso admitir. Saí dali correndo. Estava chateada sim, porém a decepção não atrapalhava meu raciocínio. Saí em direção à sala cinco, onde ocorriam as aulas de Inglês. O lugar exato que Scorpius estaria, no entanto não era ele a pessoa que eu procurava.
Bati à porta e pedi para conversar com um aluno. Relutante e com uma cara nada boa, a professora permitiu que ele se retirasse da sala por um instante.
– Bom dia, Elizabeth. – desejou – Não deveria estar fazendo o teste para líder?
– Graças à sua amiga, eu não o farei. Você sabia o que ela pretendia, não é Edward?
Ele respirou fundo e encarou-me de forma estranha, como se também não estivesse de acordo com a atitude da loira.
– Ela está querendo se meter onde não deve. – declarou – Ela gosta de você, está tentando evitar confusão para você.
– Como assim? – inquiri curiosa.
– Me desculpe a falta de modos, mas... isso não é da sua conta. Só não fique chateada com ela.
– Como não posso me chatear com ela? Ela me usou, fez com que eu a treinasse, que eu a ensinasse como usar o corpo de forma proveitosa para este tipo de coisa. Ela planejou desde o inicio, não é? E eu fui tola demais para ver. O que ela faria se eu não tivesse feito o convite, teria me induzido a fazê-lo, obviamente.
– NÃO – prontificou-se a me corrigir – Ela só pensou em tudo depois que você a convidou. Por favor, tente entender. Nós temos muitos problemas, coisas que vão além da escola, além da Armada.
– Família? – palpitei.
– Isso não importa. – disse prontamente – Eu imploro. Você é uma pessoa legal. Anda com a Lestrange, entretanto não tem nenhum traço de hostilidade com as ninfas.
– Ela é sua irmã.
– Não, não é. – tornou com uma risada – Se não se importa, eu preciso voltar para a aula. Você vem junto?
– Claro.
Edward deu espaço para que eu entrasse antes dele. Acomodei-me numa mesa ao lado de Scorpius, que estranhou minha presença ali.
– O que foi? – sussurrou surpreso.
– Depois explico. – respondi no mesmo tom – Mas acho que estamos envolvidos em mais mistérios do que pensávamos.
Fale com o autor