The Mission

24 Inexcusabiles


Notas iniciais
Olá pessoas! Era para ter postado antes, eu sei, porém com essa vida agitada que eu tenho (olha a ironia) não deu. A verdade é que é difícil para mim ter contato com um computador por muito tempo, então relevem. 2014 está acabando e eu só tenho a agradecer a vocês, que sempre são tão carinhosas, atenciosas e amorosas comigo. Você me fazem muuuuito feliz. Todas vocês mereciam um presente meu, mas como não posso dar, entrego só mais um capítulo mesmo. Espero todas vocês aqui ano que vem. Cada vez mais felizes, mais realizadas e abençoadas. Que Deus ilumine a vida e o ano de todas, que você se saiam bem no trabalho, nos estudos, que tenham saúde e amor, que são muito importantes. Sei que dizer "eu te amo" pra todo mundo é feio, mas existem diversas formas de amor, e eu amo vocês, não duvidem disso. Feliz 2015!

Quando decidi me inscrever para os testes de jogador não pensava que teria tanta concorrência. O pessoal daqui gosta de bater uma bolinha e eu, por mais que me doa confessar, não sou o melhor do mundo na função. Sim, eu disse para a Weasley que era bom, porém, convenhamos, quando uma garota pergunta a você se sabe fazer algo, a única resposta possível é: sim, faço muito bem. É a lógica masculina, temos que convencê-las de que damos conta do recado, em todos os sentidos.

Chegando ao campo vi que, diferente dos testes para animadoras, os dos jogadores eram abertos ao público. O público estudantil de Hogwarts, obviamente. Direcionei meu olhar para a arquibancada em busca de uma cabecinha vermelha no meio de tantos jovens. Encontrei-a sorridente ao lado dos irmãos Foster. Nossos olhares se chocaram e ela acenou e sorriu para mim. Devolvi o gesto.

– Ei, Banks, já vai começar – avisou-me Ray Whelan, um dos meus colegas de classe e que também concorria a uma vaga no time. Estávamos no mesmo barco.

Juntei-me aos outros garotos no banco de reservas enquanto o treinador Gareth Castley dava as instruções.

– Olá a todos vocês, novatos e veteranos. – cumprimentou-nos – Sei que muitos aqui pensam que só porque estavam no time ano passado já estão dentro este ano. Isso é lenda. Se não se esforçarem e mostrarem serviço nunca conseguirão chegar às estaduais. – Sua expressão era severa. Enquanto falava, suas sobrancelhas loiras, quase imperceptíveis sob seus óculos escuros, se arqueavam e juntavam-se. Tenho certeza que seus olhos estreitavam-se à medida que seu discurso ficava sério – A temporada de jogos se inicia no próximo mês e este time deve estar preparado até lá. Estamos entendidos?

– Sim, treinador. – respondemos em uníssono.

Nossas vozes, todas no mesmo tom, foram abafadas pelo som de um grito gerado na extremidade do banco. Todas as cabeças se viraram na direção de Alex Poulin, que havia saído de sua posição e gemia de dor caído no chão.

Olhei em volta em busca de explicação, no entanto todos pareciam mais confusos do que eu. O treinador Castley andou até Alex procurando a origem de sua dor. Nada aparente, entretanto o rapaz ainda se encontrava ali, estirado no chão e agonizando de dor. Seus gritos cada vez mais altos e agudos, seu rosto contorcido em sofrimento. Seus cabelos negros encharcados de suor, tal qual seu corpo inteiro. Alex chorava enquanto se mantinha em posição fetal. Aproximei-me na esperança de poder ajudar, auxiliar em algo. O que havia aprendido nos diversos treinamentos para situações como aquela não valeram de nada, não poderia ajudar sem saber a causa. Haviam-se passado cerca de dez minutos desde que o garoto caiu na grama e ainda assim nenhuma solução.

A enfermeira do colégio apontou ao longe, acompanhada de um aluno. Certamente chamaram ajuda. Afastei-me à medida que ela chegava perto do garoto. Abriu seus olhos com dificuldade, já que ele os fechara com força em busca de alívio. A enfermeira mantinha-se calma, apesar de todos à sua volta aparentarem desespero. Dei mais uma olhada para os arredores e reparei que o campo havia se infestado de pessoas. Os que antes abancavam-se em seus lugares na platéia, agora resolverem assistir de camarote. Mais uma vez meus olhos buscaram Rose Weasley na multidão. Beirava às lágrimas, seu rosto mais que contorcido, como se aquela dor que Poulin sentia fosse transmitida a ela. Tudo em volta parecia um borrão, Rose era minha preocupação no momento. Uma pena meu transe ter sido desfeito por um novo grito, desta vez, provindo de uma voz bem mais fina.

– NÃO, ALEX, NÃO.

Ajoelhada no chão, ao lado de Alex Poulin, chorando como uma garotinha com medo do bicho-papão estava Grace Stanton, sua namorada. Ele já não gritava mais. O pavor no rosto da enfermeira e do treinador indicava o motivo. Alex Poulin morrera no campo de futebol da escola de uma forma, no mínimo, estranha.

Os alarmes tocaram quatro vezes. Segundo o regulamento escolar, indicava que estávamos sendo liberados das aulas, ou, de acordo com o que ocorrera, obrigados a voltar para nossas casas. O pânico se instaurou rapidamente. Observei várias garotas chorando, outras apenas com medo. Os garotos não estavam diferentes. Vi Ray afagando os cabelos de Grace á medida que a abraçava. Era de se esperar, ele e Alex eram melhores amigos.

Senti uma mão em meu ombro. Viro-me e dou de cara com Rose, seu rosto banhado em lágrimas. Permito limpá-las com minha mão mas ela apenas soluça. Abraço-a forte.

– Tudo vai se resolver, Rose. – sussurro em seu ouvido – Não sabia que gostava tanto dele.

Separamo-nos e ela se vira para mim novamente, murmurando baixinho.

– Sequer fomos apresentados. – diz com a voz embargada.

– Então para que tanto alvoroço? – questiono.

– Eu sei o que o matou.

Peguei-a pelo braço imediatamente, seguindo para o estacionamento. Não dissemos nada até chegar lá, pois nossa corrida não permitia. No momento em que entramos no carro, volto a encará-la.

– Pode desembuchar. – digo, desesperado.

– Me desculpe. – pediu aos soluços – Por favor, vamos para casa, eu lhe conto tudo.

Ao longo do caminho, o único som que ouvia eram os soluços de Rose e suas casuais fungadas de nariz. Aquilo era bastante preocupante.

Assim que colocamos os pés dentro do recinto, puxei Rose para o sofá e sentei-a ali. Fui até a cozinha e voltei com um copo d’água para ela, que recebeu de bom grado. Envolveu o copo com suas pequenas mãos tremulas e desatou a falar.

– Não nos mandaram juntos para cá à toa, Scorpius.

– Sei que não, precisavam de pessoas jovens para a missão, disseram isso a nós. – tornei confuso. Era mais do que óbvio que eu sabia o motivo de ter nos mandado até ali.

– Não disseram toda a verdade a você. – esclareceu. Espantei-me. Como me mandam a uma missão sem dizer a verdade? O que exatamente eu estava fazendo ali.

– Você não está fazendo sentido, Rose.

– Eu sei, eu sei. – declarou exasperada – Me desculpe por não ter contado antes, me perdoe por contar agora. Sei que vai se irritar, mas você tem que entender, não é minha culpa. – a ruiva me encarava com desespero no olhar, implorava por minha piedade.

– Prometo não brigar com você. Sei bem como o pessoal da CIA pode ser... persuasivo.

– Lembra quando nos chamaram para avisar que trabalharíamos juntos? – Assenti – Depois daquilo, quantas reuniões você já teve com o Roberts?

– Nenhuma, por que?

– Eu tive mais três. – espantei-me. Isso não é certo, as reuniões deveriam acontecer em conjunto, ou seja, com nós dois. – O objetivo não ara apenas capturar o Lestrange, era fazer com que Lestrange nos levasse até Voldemort, para que assim pudéssemos acabar com toda esta rede de assassinos que cresce mais a cada dia.

– Disso eu sei.

– Sim, e sabe também que eu já fui encarregada de capturar o próprio Voldemort uma vez. O que você não sabe é que o nome dele é Tom Riddle, e que não tem o nariz.

– Não tem nariz?

– Eu arranquei.

Olhei para ela apavorado. Tenho que me lembrar de nunca mais arrumar briga com Rose Weasley.

– Como você fez isso?

– Há três anos eu fui convocada para uma missão muito importante. Disseram que era algo de alta responsabilidade mas que eu e meu parceiro estávamos preparados para isso. Eu estava com medo, confesso. Era minha segunda missão apenas, a primeira de grande importância, mas eu não liguei. Peter estaria lá, ele estaria comigo.

– Peter Longbotton?

– O próprio. Nós fomos treinados juntos, então tínhamos uma ótima relação, uma afinidade incrível. Não que todos soubessem, mas tínhamos meio que um rolo. Um namoro, mas não assumido, entende? Pois bem, ficamos lisonjeados pela convocação. Nos mandaram para Miami, um destino maravilhoso para férias, não acha? Nos disseram que seguiram o rastro de um dos capangas do Lorde e ele os levou até lá. Seguimos todas as instruções e chegamos a um local estranho. Não foi difícil entrar, estava tudo deserto e eu fiz o favor de desligar todas as câmeras de segurança do quarteirão. Era um galpão equipado com material de laboratório. Peter era bom nessas coisas, ele sabia muito sobre química. Analisando o local, descobrimos que estavam produzindo uma substância chamada inexcusabiles.

– Como?

– Imperdoável em Latim. – explicou – Pouco depois de ter coletado provas suficientes para mandar muitos cientistas e professores de renome para a prisão, Peter e eu iríamos explodir o lugar. Armamos uma bomba e programamos para meia hora, tempo suficiente para fugirmos e tirarmos as pessoas que poderiam eventualmente estar nas ruas, mas aí tudo mudou. – Rose tomou fôlego – Depois da bomba armada, nós voltamos para a saída e tinham uns vinte homens armados nos esperando. Nós lutamos, tentamos, até matamos alguns, porém tudo em vão. De qualquer forma, nós acabamos amarrados ajoelhados aos pés de Tom Riddle. Foi horrível. Ele disse que não nos mataria, que nós faríamos isso por ele. Disse que conhecia meu pai. Ele sabia de quem eu era filha. – a ruiva parou por um instante, até criar forças para continuar – Ele injetou a inexcusabiles em nós. A mesma dose para os dois, uma seringa. Parecia o suficiente. O tempo ia passando e eu só pensava na bomba, que eu precisava tirar Peter de lá, que nós tínhamos que sair vivos. Foi então que Voltemort cortou as cordas que nos amarravam. Eu não entendi. Peter continuou imóvel e eu achei melhor imitá-lo. Pelo menos até aquele monstro chegar perto de mim. Perto o suficiente para que eu pudesse tirar a faca que guardava no cós da calça e cortar a primeira coisa que vi pela frente. Coincidentemente, era seu nariz. Ele urrou de dor e angústia, entretanto ainda tinha forças para dizer: Mate-a. A princípio, eu não entendi com quem ele falava. Procurei por seus guardas mas eles não vieram. Então olhei para Peter. Ele apontava uma arma para a minha cabeça. Foi quando Voldemort, com um pano ensanguentado em seu rosto teve a audácia de olhar a cena e rir. Ele me disse o que a inexcusabiles fazia com as pessoas. Primeiro, três minutos de desorientação cerebral, onde sua mente se esvazia e você obedece a tudo que mandam você fazer. O segundo estágio dura mais cinco minutos. Dor intensa, causada por seus nervos. Eles fazem você pensar que está sentindo dor quando na verdade não está. E, por fim, seu cérebro entra em colapso e você morre.

– Foi isso o que houve com o seu namorado? – perguntei receoso. A dor no rosto de Rose era angustiante.

– Não. Lutei com Peter pelos três minutos em que ele tentou ser meu assassino. Depois fiquei com ele por mais um minuto enquanto ele sofria desesperadamente. Aí ele me disse... disse que me amava. – agora, mais do que antes, a Weasley chorava. Sua voz completamente embargada, saindo com um sussurro – E pediu para que o matasse. Ele implorou para que eu acabasse com aquilo, com o sofrimento. E eu fiz. Depois saí correndo com o corpo dele nas costas e Voldemort em meu encalço. A última coisa de que tive consciência foi do galpão explodindo. Depois disso acordei no hospital.

– Por isso Viúva Negra. – murmurei comigo mesmo, mas Rose ouviu, e assentiu – Mas isso não explica o motivo de eu estar na missão.

– Como você viu, conseguiram aumentar a duração do soro no organismo, no entanto, de alguma forma, eu sou imune à substância, e com as amostras que levei até nosso laboratório, eles puderam analisar o motivo disso, e assim, procurar alguém que também fosse imune.

– E eu sou?

– Sim. Ago a ver com um lote de vacina para gripe aos dez anos de idade. – respondeu rápida e direta – É por isso que eu tenho que te pedir perdão.

– Rose, o que há de tão errado?

– Não sei como fizeram isso, porém a CIA descobriu que depois do soro aplicado, os Comensais levam os corpos para análise. Nos mandaram para esta missão porque podemos resistir ao soro. Não sei se lembram de que sou capaz disso, mas não sabem que você é.

– E o que isso quer dizer?

– Que Voldemort é tão cruel que vai aplicar o soro em você e ficar para assistir de camarote. Ele vai mandar que me mate, e para que possa pegá-lo depois, você terá que obedecer.