The Mission
25 Eliminando alvos
Notas iniciais
Scorpius Malfoy
Matar, essa era uma palavra forte. Matar uma agente para capturar um assassino. Não parecia correto na minha mente, talvez por não ser correto. Voldemort não vale o esforço e eu estou bem sem ter que carregar um peso na consciência, obrigado.
– Você está completamente maluca, Rose Weasley. – esbravejei – Como você aceita uma missão sabendo que vai morrer? A sua vida acabou, Weasley, você escolheu se suicidar apenas para prender um cara que nem vale a pena!
– Não foi apenas para prender um cara. – contestou – É para livrar as pessoas do mal que isso causa, Scorpius, pessoas inocentes como Alex Poulin. Acha que ele merecia ter morrido? Não é justo, Malfoy.
Realmente, não era justa a morte do Poulin, ele era um bom garoto mas isso? Isso é loucura! Pessoas inocentes não iriam morrer por causa deste terrorista de merda, e isso incluía Rose Weasley. Como uma garota tão jovem e com uma vida inteira pela frente se submete a isso?
– Não pode fazer isso, de forma alguma. – aleguei – Eu não vou compactuar com esta insanidade.
– Então siga feliz perdendo seu emprego.
– Prefiro mil vezes perder o meu emprego, perder tudo o que tenho do que ser responsável pela sua morte. Não é possível que esteja me fazendo passar por isso Rose Weasley, não acredito que a prima do meu melhor amigo seja tão baixa a este ponto.
– Eu não estou sendo baixa. – protestou indignada – Você é que não consegue lidar com a situação, sua falta de profissionalismo me espanta! Albus não tem nada a ver com esta história.
– Você chama isso de falta de profissionalismo? Quando foi mesmo que você leu nas normas da empresa que matar o seu parceiro fazia parte do seu trabalho? Me desculpe mas talvez você prefira inverter as coisas e me matar já que pelo visto tornou-se expert no assunto.
No instante que as palavras saíram da minha boca percebi que não deveria tê-las dito. A ruiva, que antes parecia querer apenas me convencer de que estava certa, enfureceu-se de tal forma que senti medo. Seus olhos transmitiam algo que nunca antes havia reparado, não nela. Um brilho psicótico e ameaçador que faria qualquer um sair correndo de medo.
– Não tente usar isto contra mim, não coloque Peter nesta história porque não tem nada a ver com ele. – vociferou entredentes.
– Jura? Pois me parece que você só está fazendo isso por culpa. – continuei por impulso, mesmo sabendo que não deveria – Acho que sente que talvez consiga se redimir com o mundo se morrer da mesma forma do seu amado, porém lhe digo que isso não vai funcionar pois eu me recuso a meter uma bala na sua cabeça.
Mal acabei de falar e senti minha face direita esquentar. Rose Weasley havia me dado um tapa no rosto. Toquei o local com cuidado, pois ardia um pouco e a encarei por poucos segundos até que ela caísse no choro novamente. Mulheres são tão difíceis de se entender.
– Eu não deveria ter te contado, não deveria. – sussurrava ao passo que suas lágrimas caíam.
– Rose – segurei seus ombros a fim de lhe reconfortar e esperei que ela me afastasse, mas não fez. Assim, senti-me livre para prosseguir – Me desculpe por dizer aquilo, eu não estava bem. Não estou.
– E você acha que eu estou? – questionou encarando-me com ira – Acha que é fácil para mim viver este tempo todo carregando nas costas um peso desses e com as pessoas me dando apelidos idiotas por isso? Acha engraçado o que falam de mim ou fazem comigo? Pode não parecer, no entanto eu me abalo e muito com essa situação e talvez eu esteja mesmo querendo me redimir, fazer algo que me livre deste peso e se esta for a melhor forma para isso eu vou agir da melhor maneira para que este plano dê certo.
– Você precisa de mim para executar o plano.
– Vou dar um jeito. – encerrou retirando-se.
– E quanto à sua família? – perguntei interrompendo seu percurso.
– Eles entenderão.
– Não, não entenderão. – fui em sua direção, parando junto a ela na escada, apenas um degrau abaixo – Pense neles Rose. Pense em como vão ficar se te perderem.
– Eles encontrarão meu pai. E depois, eles superarão. Não pense que foi fácil para os Longbotton. Peter deixou o pai e duas irmãs mais novas, elas eram apenas crianças. Hugo já está crescido e vai saber consolar a mamãe, e quando papai voltar tudo ficará melhor. A minha família é compreensiva.
Observei-a mais um pouco buscando entender o motivo para uma garota tão inteligente estar fazendo aquilo tudo sendo que a machuca tanto. Então eu pensei: e se tudo isso for um ciclo vicioso? E se eu me sentir como ela após tudo isso e ter que fazer outra pessoa me matar e se a outra pessoa se sentir na obrigação de fazer o mesmo? Quando isso acaba?
– E eu? – inquiri – O que acontece comigo, você não pensa em mim?
– Você é mentalmente mais estabilizado do que eu. Vai superar. – deu um risinho tímido – É mais forte do que eu, mais controlado e, ouso dizer, mais inteligente.
Sorri com seus elogios, mas isso não adiantava de nada se ela estivesse morta.
– Podemos encontrar outro jeito. – afirmei – Você é um gênio, Rose.
Passamos minutos em silêncio até ouvir seu suspiro.
– Vamos pensar em outro modo. – sorri abertamente com sua resposta – Entretanto terá que me prometer que se não conseguirmos achar outra saída, irá seguir o plano inicial, irá respeitar as ordens superiores e honrar o seu nome. Isso é para um bem maior.
– Para um bem maior. – repeti sussurrando – Eu prometo.
***
– Agora que eles alteraram a fórmula fazendo com que dure mais, pode ser que tenham intensificado os efeitos também e isso é preocupante porque há uma certa possibilidade de que o soro passe a funcionar em nós e aí estaremos perdidos.
Rose e eu estávamos na sala estudando o inexcusabiles da forma que podíamos. Não tínhamos um laboratório à disposição, o que tornava a coisa ainda mais complicada. Acreditávamos que Poulin havia servido de cobaia para a nova versão do soro. A escola havia decretado luto pelo resto da semana, nada mais do que justo. O funeral seria daqui três dias e nós estávamos muito tentados a não ir, porém era nosso dever, Alex era nosso colega e, apesar de não nos falarmos muito, tínhamos que discretamente interrogar as pessoas.
Novidade: ao tentar contatar a escuta da sala do diretor em busca de evidências, descobrimos que ele não funciona mais. Poderia ser erro técnico no entanto resolvemos averiguar. Havia um rastreador no aparelho e graças a ele vimos que a localização indicava um lugar do outro lado da cidade, mais especificamente uma indústria de reciclagem, isto é, o dispositivo havia sido retirado dali. Torcemos para que a equipe de limpeza tenha sido responsável por isso, porém infelizmente esta possibilidade era um tanto quanto remota. O mais provável foi que tenham encontrado nosso aparelho e jogado fora, agora resta saber quem o encontrou.
– Espera. – exclamou Rose repentinamente – Acho que descobri uma coisa.
– E o que é? – questionei enquanto ela começou a digitar loucamente no notebook.
– Já te digo.
– Ou pode dizer agora.
Como já era esperado, ela me ignorou totalmente, focando-se na tela em sua frente pelos três minutos e vinte e sete segundos seguintes. É, eu contei.
– Ai, merda. – praguejou – Estamos ferrados.
– O que foi? – perguntei assustado.
Ela se acomodou a meu lado mostrando uma lista na tela.
– Está vendo isso? É a lista de “visitas” à secretaria nos últimos dias. Essa lista existe para que a ausência em algumas aulas sejam justificadas caso haja questionamento da parte de pais ou professores. É como um sistema que impede o aluno de cabular as aulas. Agora, olhe aqui – apontou para um nome na tela – É o nome do Poulin e ele aparece várias vezes. Durante a aula de Matemática, a de Química, a de Literatura.
– E o que quer dizer?
– Quer dizer que Alex andou conversando muito com o diretor ultimamente.
– Talvez ele só esteja sendo levado demais. – sugeri.
– Sim, é uma possibilidade e eu até consideraria se não fosse isso. – mostrou-me imagens na tela desta vez. – São das câmeras de segurança do colégio. Acredito que devido à confusão de hoje elas não tenham sido arquivadas então ainda estão disponíveis no arquivo interno da escola. – ela adiantou um pouco o vídeo – Eu entrei e encontrei uma coisa: hoje, antes dos testes Alex apareceu na secretaria novamente e conversou com o diretor. Como foi antes do início das aulas, essa visita não foi registrada no sistema. Agora olhe bem. – Rose colocou a imagem para rodar em câmera lenta. Era Bulstrode levando uma bandeja para dentro da sala – Viu?
– Eles tomaram chá, e daí? – Rose revirou os olhos e bufou antes de aproximar a imagem. Haviam duas xícaras, uma azul e outra lilás – O que tem isso?
– Você é burro ou o que? – inquiriu irritada – As xícaras era de cores diferentes. Acompanhe meu raciocínio, ou pelo menos tente, ok? Jogos de xícaras comuns não costumam vir com cores diferentes e não é de bom tom servir algo com jogos diferentes, é uma gafe.
– Está tentando me explicar algo ou dar aulas de etiqueta?
– Cale a boca. Lestrange é um homem elegante, não podemos negar e não permitiria uma coisa assim, você ouviu nos últimos dias que ele briga por coisas bem menores, o que me faz pensar que...
– Que...?
– Que as xicaras eram diferentes porque uma estava batizada e a outra não. Uma das xícaras estava com o soro. – concluiu.
– Então a nossa teoria estava certa, o Alex serviu de cobaia.
– Não exatamente. – ela suspirou novamente. Odeio quando ela suspira demais, é sinal de problema – Eu abri a fixa do Alex e da namorada dele. Os registros estão incompletos. Não constam informações sobre os pais deles nem de possíveis orfanatos e escolas que frequentavam. Além disso, entraram aqui este ano.
– E o que sua cabecinha diz sobre isso? – questionei muito preocupado pois no fundo já sabia a resposta.
– Eliminaram uma pessoa que pode ser suspeita de espionagem, mas não eliminaram a pessoa certa. Scorpius, eles sabem que estamos aqui e estão atrás da gente.
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