The Mission
26 A Origem Secreta de Thifany McMillan
Notas iniciais
Rose Weasley
Durante o resto da semana, Malfoy e eu procuramos em todos os arquivos da escola algo relacionado a nós que pudesse colocar-nos em maus lençóis. Não aparecia nada suspeito, nenhuma anotação sobre nossos históricos ou nosso comportamento, também pudera, a história contada na escola fora muito bem articulada. Nós somos da CIA, o que esperavam, incompetência? O fato é que até então estávamos aparentemente longe da lista de suspeitos de Lestrange, e isso nos aliviava um pouco.
Devido ao grande esforço exercido em nossas atividades desgastantes dos últimos dias, permitimo-nos tirar uma folga no domingo. Dormir até tarde, comer besteiras durante o dia, papear sobre coisas que não tinham a ver com o trabalho, ou simplesmente não fazer nada, apenas comtemplar o ar, o céu e o sol, que irradiava fraquinho do lado de fora, sem se importar com as horas que se passavam, com o tempo discorrendo vagarosamente enquanto aguardávamos, sem muito entusiasmo, a chegada da segunda-feira e com ela, a volta das aulas.
As cerimônias fúnebres de Alex Poulin correram como qualquer outra. A tristeza era palpável. Seus pais estavam presentes, e sua namorada e os pais dela também, isso ajudou a me deixar menos apavorada e creio que Malfoy tenha tido a mesma sensação. Não gostaríamos de ser os culpados de outra morte, desta vez da jovem Grace. Sim, nos sentíamos culpados pela morte do rapaz, afinal de contas, quem o matou estava atrás de nós dois, era angustiante pensar éramos assassinos passivos de um jovem simplesmente por não podermos ser os assassinos ativos da pessoa que fez isso a ele. Esta é uma das coisas que mais odeio no meu emprego, esta ordem de matar os capangas mas nunca o chefe me dá nos nervos. Um homem que faz atrocidades horrendas a bel prazer como Voldemort não merecia nem um julgamento, que dirá retaliação diante de um juiz e de pessoas honestas que direta, ou indiretamente acabam sendo vítimas dele e de outros bandidos. Quantas pessoas já morreram ou perderam a chance de ter uma vida normal por causa de balas perdidas? Quantos inocentes já não sofreram deformações ou vieram a óbito por terem servido de ratos de laboratório para cientistas malucos com ideias de soros como o Inexcusabiles? É incontável o números de pessoas, entre elas, jovens e crianças que tinham muito o que conquistar na vida ainda. Nós, agentes do governo acabamos tomando responsabilidade por estas mortas, assim como os próprios bandidos. A diferença é que nossa consciência pesa diante destes eventos, diferente dos canalhas.
Mais ou menos às cinco da tarde, quando a noite começava a dar sinal de vida, ouço a campainha tocando. Scorpius e eu estávamos espojados cada um num sofá assistindo a um programa qualquer na TV. Olhei para ele inquisidora e o loiro retornou o mesmo olhar para mim, nenhum de nós aguardava visitas. Levantei-me de supetão e verifiquei se minhas roupas estavam pelo menos aceitáveis para receber alguém. Camiseta de flanela e calça de moletom, nada mal. Fui em direção à entrada com Malfoy a meu encalço. Quando abri a porta, espantei-me com quem estava ali. Thifany McMillan se encontrava estacada em minha frente, vestida com um conjunto de calça e camisa simples, sem maquiagem e com os cabelos presos num coque improvisado. Totalmente diferente do que estava acostumada a ver. Aquela garota que no primeiro dia de aula falou comigo de um jeito esnobe, agora abaixava a cabeça diante de mim. Meu colega, que agora se postava a meu lado, aparentava estar tão surpreso quanto eu.
– Olá Thifany. – cumprimentei assim que recuperei a voz – Posso te ajudar com alguma coisa?
– Será que eu posso entrar? – perguntou tímida – Preciso conversar sério com vocês. É sobre a minha irmã.
Scorpius e eu nos entreolhamos e demos espaço para que a garota passasse por nós. Fomos todos para a sala. A ruiva acomodou-se numa poltrona enquanto Malfoy e eu abancamo-nos lado a lado de frente a ela.
– O que tem de tão importante assim para nos falar? – Scorpius quis saber.
A garota estava muito nervosa, esfregava as mãos na calça freneticamente e volta e meia voltava seus toques para seu rosto, tocando principalmente um ponto da sobrancelha.
– É a Thalia. – começou – Ela está desequilibrada, totalmente diferente. Sinceramente, não sei mais com quem estou convivendo.
– Ela só está reagindo. – repliquei – Passou tanto tempo vivendo sob suas ofensas que agora que resolveu se impor, você está assustada. Só está provando do seu próprio veneno.
– Não é só isso – rebateu – Ela me parece má, como se não fosse mais aquela garota pura e delicada que mamãe tanto mima. Ela era a garota perfeita para os meus pais, um exemplo. Agora, está totalmente modificada.
– Ela é mimada pela sua mãe desde quando? Que eu saiba, sua mãe adora sair com você.
– De onde você tirou isso? Os dois sempre a preferiram, só começaram a dar mais atenção para mim quando fui estudar pintura na França.
– Espera aí. – interrompi – Você estudou na França?
– É. – confirmou – Ganhei uma bolsa há quatro anos. Fiquei por lá durante um ano, por isso perdi um ano na escola e comecei a estudar junto com a minha irmã.
– Mas ela disse que você repetiu de ano por não conseguir notas boas. – manifestou-se o loiro.
– O que? – interpelou a jovem – Que absurdo! Eu entendo que ela ficou chateada porque quando retornei não fui a melhor irmã do mundo, mas não é motivo para ela contar uma mentira dessas. Depois que eu voltei ela começou a se afastar de mim, me tratar com repugnância, como se eu fosse o ser humano mais desprezível da Terra. Não fazíamos mais nada juntas, ela se trancava dentro de casa e não saía por nada. Então eu fui procurar outras amizades. Foi aí que conheci a Melanie. Ela me aceitou em seu grupo porque sabia dançar e falar francês. Comecei a fazer as coreografias para as apresentações e a passar as respostas das lições e provas para as garotas. Assim me tornei a pessoa mais valiosa do grupo. Ninguém fazia nada sem a minha ajuda. Mas agora...
– Agora não precisam mais de você. Elas têm a sua irmã. – concluí.
– É. Eu pensei que ela seria eliminada logo de cara porque não aceitaria se fazer de burra para deixar a Melanie em evidência como eu faço. Obviamente, estava errada. As duas entraram num acordo maluco e só andam grudadas. Vivem no shopping, vão juntas a todo lugar. Antes o garoto Lestrange não saía lá de casa, agora a minha irmã não sai da casa dos Lestrange. E o pior disso tudo é que nenhuma das garotas me liga ou fala comigo. Elas me tratam como se fosse invisível. Me deixam por fora de tudo. Me tiraram da equipe de líderes.
– Como assim? – inquiri surpresa.
– Disseram que eu estava gorda. E que não precisavam de uma gorda no time. Agora não ando mais com elas e sinto que vão transformar Thalia em algo que ela não é.
– Pensei que não se importasse com a sua irmã. – provocou Scorpius.
– É claro que me importo, me preocupo com ela e não é pouco. Thalia só tinha que sair da minha aba e crescer um pouco, pensei que minha estadia na França fosse ajudar só que deu tudo errado. Não pensem que não sei da iniciativa dela, a tal Armada. Eu até concordo. Tudo na época de Dumbledore era melhor. O problema é que, como fiel seguidora da Melanie eu não poderia me aliar à causa.
– No entanto, sem ela te controlando, você pode se unir à sua irmã na causa. – concluí sua linha de raciocínio.
– Não posso me unir à Thalia porque ela mesma desistiu da Armada. – declarou. Espantei-me com a informação. Como ela pôde desistir do que, ao meu ver, parecia seu único objetivo concreto? – E tem mais. – continuou – Hoje pela manhã Taylor Foster foi visitá-la e ela praticamente escorraçou a garota de lá. Juro que vi a esquisitinha chorar e devemos concordar que ela não é o tipo de garota que chora por nada.
– Está bem, acho que entendi um pouco do que quis dizer. – começou Scorpius – A sua irmã virou uma patricinha do mal e você deixou de ser uma patricinha do mal para virar uma protetora da causa dos nerds indefesos, certo. Agora, pelo que eu entendi, sem Thalia não existe a Armada.
– Se fixarmos na ideia de que a Armada pertence à Thalia você está certo, contudo acho que devemos incluir as pessoas que compõem esta sociedade, não é? Incluindo vocês dois. Só porque a minha irmã está deixando a razão, não quer dizer que todos devemos.
– E o que você sugere? – perguntei.
– Todos sabem que eu não saía da casa dos Lestrange, e ao contrário do filho sombrio do Rabastan, eu circulava pela casa, não ficava só presa dentro do quarto. Ouvi muitas coisas lá dentro. Apesar de rica, Melanie é uma garota muito sozinha e ainda que tenha sido uma vaca comigo, no tempo em que passávamos juntas, partilhávamos confidências. A menina vivia angustiada. Sei de poucas e boas daquela família e suspeito que a Armada de Dumbledore precise de alguém com estas informações.
– Então está insinuando que...
– Que quero ajudar os alunos, quero fazer a diferença para eles. Sei que muitos deles foram humilhados por mim e eu sinto muito. A diferença é que o jogo mudou. Thalia ainda é uma garota boa e pura, eu sinto isso. Quero salvar minha irmã antes que transformem-na no monstro que eu era. Eu quero comandar a Armada.
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