The Mission
13 Novos coleguinhas
Notas iniciais

Rose Weasley
Dolores Jane Umbridge. Tentei inutilmente buscar em minha memória alguma coisa sobre ela. Nada. Para mim, uma completa desconhecida, mas como tenho a impressão de ter ouvido esse nome antes? Como posso ter tanta certeza de que, de certa forma, a conheço?
Depois daquele tempo que ficamos parados conversando, decidimos apressar nosso tour pelo colégio, ou melhor, pelo sétimo andar. Sim, ficávamos na cobertura. Cada andar correspondia a uma série diferente, o que dava mais liberdade para os alunos interagirem com pessoas de sua própria faixa etária. A escola ministrava crianças de 11 a 18 anos, tendo elas um QI elevado ou aptidão para esportes. Não obtendo nenhum desses requisitos, os discentes seriam reprovados nos testes de fim de ano, gerando assim sua expulsão, já que na instituição não tolerava-se repetentes, porém, segundo Thalia, eram aceitos lá crianças e adolescentes que já possuíssem um histórico de reprovações, contanto que a devida situação não voltasse a ocorrer. Esse era o caso de sua irmã, Thifany McMillan, a qual tinha 18 anos e uma reprovação em seu histórico escolar.
– E este é o banheiro feminino – apresenta Thalia – Gostaria de entrar, Srtª Parker?
– Não, talvez outra hora. Obrigada.
E continuamos nosso caminho.
– Sabe, vocês me parecem meio... bizarros – comenta a estudante um tanto relutante.
Ela parecia estar em um conflito interno para saber se deveria mesmo fazer aquele comentário.
Scorpius e eu nos entreolhamos.
– Claro, somos totalmente bizarros – retruca rindo – Na verdade, somos super agentes infiltrados aqui para espionar você, então, cuidado a partir de agora.
Ela ri. Ótimo, caiu na conversa fiada do Malfoy. Apesar dele ter quebrado o Código de Segurança – CS – TG — 005. 14, Artigo 1º, que dita claramente que “Todo e qualquer ato que comprometa o sigilo da Organização, seja ele partido de um agente e/ou pessoas próximas a ele, deve ser severamente punido com a expulsão do indivíduo”, usou a ironia de forma correta, combinando a expressão facial a seu tom de voz. Assim sendo, não há motivos para castigos.
– Me desculpem por isso, mas é que ninguém nunca costuma ser legal comigo. Sabe, ás vezes me tratam como se eu fosse ninguém – lamenta-se – É que é bem difícil pessoas que parecem tão descoladas como vocês serem ao mesmo tempo gentis. Isso é uma grande qualidade – completou sorrindo para nós.
De certa forma, me identifiquei com Thalia. Ela me parecia doce, educada e inteligente. Se estivéssemos seguindo o plano á risca, não deveríamos ser agradáveis com ela, contudo, ela parecia-me tão frágil que não resisti. Nunca irei confessar isso, mas também achei amável da do Malfoy tratá-la de forma educada.
Passamos tanto tempo andando pela infinita área do andar que nos assustamos ao notar que já era hora do intervalo. Thalia parecia tranquila. Essa parte devia estar inclusa na sua programação, como ela mesma disse, estava por nossa conta.
– O refeitório é no primeiro andar. Os alunos dos três últimos anos lancham depois. Eles devem descer pelas escadas porque senão os elevadores ficariam congestionados, mas nós temos uma certa vantagem em relação aos outros alunos hoje, portanto, vamos pelo elevador – explicou a garota.
– Você desce sempre pelo elevador? – questionei enquanto seguíamos para o fim do corredor.
– Não, só quando tenho de apresentar a escola para alguém, contudo, a partir deste ano serei permitida a usá-lo assim como os professores. É um privilégio para os monitores-chefes.
– Meus parabéns – cumprimentou Malfoy.
Thalia deu um sorriso fraco, tímido e ajeitou os óculos que pendiam para os lados. Eu conhecia aquela expressão. Envergonhada, ruborizada, acanhada. Oh não! Não pode ser. Ela não pode estar sentindo-se atraída por essa minhoca super desenvolvida.
Assim que adentramos no refeitório os olhares de praticamente todos ali presentes voltaram-se para nós. Se fosse em outra época estaria sentindo-me envergonhada, mas agora isso não me afeta mais. Sei que esses olhares vão além de curiosidade, eles são de admiração, e alguns até de inveja. Algo que estudamos para nos formar agentes são as expressões faciais. Elas são essenciais para identificar, por exemplo, se o suspeito está blefando ou não, e nos ensina também a fazer com que os suspeitos não desconfiem caso estejamos blefando. Pode ser confuso, mas é isso aí.
Sou levada de volta a realidade quando uma garota morena de olhos incrivelmente verdes e um corpo de dar inveja chega perto de nós.
– Então, não vai se apresentar? – pergunta a oferecida para Scorpius.
Ele pondera. Parece relutante. Com certeza deve estar pensando na regra que diz: não transar com menores.
– Josh Banks – diz estendendo-lhe a mão, mas ela é mais rápida e o abraça tocando em lugares realmente inapropriados. Isso é o que eu chamo de vadia. Não é possível que depois de anos essa espécie ainda não evoluiu – E esta é a Lizzy – completa após se livrar do abraço apontando para mim.
Dou um leve aceno. A garota me analisa. Faz uma cara de desprezo ao reparar no meu corpo.
– Somos irmãos – comentei por alto. E não é que a cara da garota melhorou de uma hora para outra? Ela até me lançou um sorriso.
– Legal. E o que duas figuras como vocês estão fazendo ao lado da Irmã Feia?
Thalia abaixou a cabeça. Então ela era a irmã feia? Que coisa mais ridícula, ela era bonita!
– Desculpe, de quem você está falando? – fiz-me de desentendida.
– Da Thalia – respondeu uma garota de cabelos ruivos mais falsos que o solzinho do Teletubbies. Se aproximou de nós e reparei que tinha um pouco de rosto na sua maquiagem. Desci meu olhar para seu corpo e me perguntei se vendiam shorts na loja que ela comprou aquela calcinha. E ela usava saltos. Que tipo de ser humano usa salto alto na escola? – Infelizmente, minha irmã – proferiu.
Senti vontade de pular em cima dela e mandá-la calar a boca. Tive o impulso de defender Thalia, mas não podia. Isso comprometeria a mim e a missão. Comprometeria nossas identidades falsas e o teatro estaria desfeito antes mesmo da peça chegar ao fim do primeiro ato.
– Sou Thifany McMillan. Infelizmente, a minha mãe fez o favor de parir esta coisa depois do meu nascimento. Na verdade, tenho sérias dúvidas se ela é realmente uma pessoa ou a prasplenta da mamãe – dispôs olhando com certo nojo para a irmã.
– É placenta, Thiffy – respondeu a loira.
– Seja lá o que for, você é isso. E eu não te dei o direito de usar meu apelido. Agora vaza.
E Thalia saiu para sentar-se com seus amigos. Não acredito que ela fez isso. Por acaso era algum tipo de submissa da própria irmã? Uma garota que trata a irmã mais nova de modo tão pejorativo deveria receber algum tipo de punição. Estou falando sério.
– Adorei o seu look, querida – disse a falsa ruiva dirigindo-se a mim. Tive que engolir a minha raiva para respondê-la.
– Obrigada. Acredita que cada peça foi comprada em um país diferente?
– Poxa, que interessante – conferenciou sorrindo, mas eu sabia que estava se remoendo de inveja – Qual o seu nome mesmo?
– Elizabeth.
– Não acha um nome de velha?
– É, acho que a rainha do Canadá tem esse mesmo nome, né? – completou a morena de olhos verdes e bumbum avantajado que até agora eu não sei o nome. Reprimi um sorriso e vi que a minhoca-loira-malhada fazia o mesmo. Ah, a burrice. Ela não tem limites.
– Eu prefiro o termo clássico, mas se você se sente incomodada com o meu nome pode me chamar de Parker.
– Ou Lizzy – acrescentou o Malfoy. Certo, me esqueci de que tinha que ser gentil com elas. Fico devendo uma a ele. Desviei-me do foco, e isso é perigoso, pode arruinar uma missão importante. Devemos nos concentrar até nos mínimos detalhes.
Acabou que eu e o Malfoy sentamos junto com as macacas depiladas e os gorilas barbudos. Não, isso é um insulto aos primatas, eles são seres quase racionais e os nossos queridos colegas aqui presentes parecem mais babuínos bobocas balbuciando em bando. As garotas simplesmente não comiam. Quando a morena de olhos verdes cujo nome ainda me era desconhecido resolveu pegar uma folha de alface do hambúrguer de um dos jogadores, começou o alvoroço.
– Julie, o que está fazendo? – perguntou uma loira oxigenada que estava sentada a seu lado.
Ah, agora eu sei o nome da vagaranha.
– Estou com fome, Mel. Por favor – suplicou.
A loira bufou.
– Meia folha e não se discute mais isso. Você sabe que é para o seu bem. Pense nos testes para animadora de torcida. Temos que nos manter em forma até lá.
– Acho isso meio exagerado – falo – Uma alimentação saudável é o que ela precisa, não parar de comer.
– Vai dizer que nunca fez esse tipo de sacrifício? – pergunta Thiffy. Sim, ela me deu essa intimidade, olha que merda.
– Não, eu nunca fiz – retruco – Vocês são adolescentes. Onde estão as pizzas e fritas? É sério, dá para comer isso e compensar em exercícios depois. Não sejam egoístas, deixem a garota comer!
A loira se virou para mim com os olhos parecendo arder em chamas. Sua raiva era evidente.
– Já chegou achando que tem moral? Escute bem querida, você não deveria levantar a voz para Melanie Lestrange, entendeu? Eu gostei de você, mas coloque-se no seu lugar.
Lestrange? Aquela garota era uma Lestrange? Droga, ela devia ser filha do diretor. Droga duas vezes. Precisava de uma saída rápida dali, precisava de uma solução para voltar para casa, precisava urgentemente ter uma reunião com o Jack Frost, digo, Scorpius Malfoy. Mas como?
Devo ressaltar que das várias lições que aprendi na CIA, uma das mais importantes era imobilização. Não era o ato de imobilizar outro indivíduo, mas sim de manter-se imóvel. Parada e com a respiração fraca, era assim que eu precisava ficar, era assim que se simulava um desmaio. E foi assim que eu tombei da cadeira em que estive sentada para o chão. Ouvi gritos de espanto e surpresa, enquanto meu corpo tocava a superfície gelada do solo. Senti dois braços fortes me envolvendo. Seu cheiro amadeirado não me deixava negar, Scorpius Malfoy havia entendido o recado.
– Leve-a para a enfermaria!
– Será que ela morreu?
– Se ela morrer, o que vão fazer com as roupas importadas dela? Eu quero algumas.
– Eu também.
Essas eram algumas frases que eu ouvi enquanto estive de olhos fechados. A todas elas, Malfoy respondeu com um simples “Ela só precisa do remédio que está em casa”. Não muito inteligente, mas o suficiente para enganar os curiosos. Senti alguém se aproximando e a voz tímida e preocupada de Thalia indagando Malfoy:
– Precisa de ajuda?
– Só preciso sair daqui e levá-la para casa. Pode me ajudar nisso?
– Claro, podem sair, eu me entendo com a diretoria. Espero que ela melhore logo.
– Ela vai, obrigada.
– Não foi nada.
E o loiro saiu em disparada em direção á saída. Um tempo depois, quando desacelerou o passo, sussurrou:
– Pode abrir os olhos agora.
E eu o fiz. Estávamos entrando no estacionamento.
– O que pretendia com isso? – inquiriu, mas eu não respondi, só estaríamos seguros fora dos terrenos escolares.
Ele me colocou deitada no banco de trás do carro e não fiz objeção quanto a isso. Quando me senti segura o suficiente, sentei-me e falei:
– Ela é filha dele.
– Acho que poderia descobrir isso sozinho.
– Como a CIA não sabia?
– Eu não faço ideia.
– Precisamos investigar.
– Por isso o desmaio? Só por causa de uma futilidade dessas?
Revirei os olhos e bufei.
– Claro que não. Precisamos analisar o espaço geográfico do local e conferir o que Rabastan andou dizendo depois que saímos de lá. Precisamos ter a confirmação de que fomos convincentes.
– Claro, mas como vamos fazer isso, gênia?
– Coloquei um escuta na sala dele.
Scorpius pareceu surpreso.
– Você o que? Como? Quando?
– Digamos que batucar a parte inferior das mesas não é uma simples mania – declarei com um sorrisinho de lado. Ele parou num sinal vermelho e olhou para o banco de trás. Afigurava-se impressionado.
– Acho que subestimei suas habilidades.
– Sou mais perceptiva que você. É algo que vem da natureza feminina, apenas aprimorei a técnica. A propósito, o sinal está verde.
Ele virou-se para frente e voltou a dirigir.
Ao chegarmos em casa, jogamo-nos no sofá com meu notebook sobre a mesa de centro. Dividimos um pacote de biscoitos e cada um estava com um copo de suco.
– Preparado para uma daquelas musiquinhas super secretas?
– Já nasci preparado.
E eu coloquei para rodar. Apesar do medo e do receio, lá no fundo, sabia que tinha feito uma boa atuação e senti-me mais segura ao constatar que se eu me afundasse, Malfoy iria junto. Nada melhor do que ver seu inimigo na fossa, mesmo que para isso, você tenha que estar nela também.
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