The Mission

14 A pessoa mais importante


Notas iniciais
Oi pessoal! Sei que tem gente aí querendo me matar né? Por favor, não me matem. Não postei semana passada por falta de organização mesmo. Eu tinha todo o capítulo na cabeça mas não encontrava uma forma legal de organizá-lo. Enfim, ontem eu fiquei sem internet, o que me deu tempo de escrever este capítulo e ainda iniciar o capítulo 15 (eba!), então talvez dê para postá-lo no meio desta semana. Muito obrigada pelos comentários lindíssimos, eu simplesmente amei todos. Boa leitura. Amo vocês.

Scorpius Malfoy

– Bulstrode, na minha sala agora.

– Deseja algo, senhor?

– Relatório dos dois que acabaram de sair daqui.

– Trago em instantes.

– Aqui está.

***

– Deixe-me averiguar. Emilia, reparou algo suspeito neles?

– Não, senhor. Sei que pareciam nervosos, mas todos que entram aqui parecem estar. Suponho que seja o receio de estar numa escola nova, o medo de não se enturmar e fazer amigos, de não se encaixar.

– Observa bem os alunos, não? Espero que não tenha se afeiçoado a nenhuma destas crianças.

– Evidente que não, senhor. Isso nunca.

– Bom, de qualquer forma, é melhor ficar de olho neles. Sabe como é, não?

– Procedimento padrão.

– Exato. Caso perceba algo estranho, comunique-me imediatamente, ouviu bem?

– Sim, senhor. Mais alguma coisa?

– Dê uma vigiada em Edward para mim, sim?

– Mas, senhor, pensei que ele não oferecesse perigo.

– Minha querida, somos os Lestrange. Todos nós oferecemos perigo, mesmo quando aparentamos estar acima de qualquer suspeita.

– Claro, desculpe-me pela intromissão. Tenha um bom dia.

A Weasley pausou o áudio, afigurava-se surpresa. Devo ressaltar que não estava muito diferente dela.

– Prestou atenção nisso? – perguntou-me.

– Em que exatamente?

– Nesse tal de Edward. Sabia da existência dele?

– Não, é claro que não.

– Isso é muito estranho. Primeiro a CIA nos manda para uma casa sem câmeras, aliás, você reparou nisso, não é?

– Não andaria nu corredor afora se houvessem câmeras aqui.

– Claro. E agora parecem estar escondendo algo de nós. Tenho quase certeza de que sabiam que este homem tinha uma filha e talvez este Edward seja filho dele também, eles pesquisaram sobre o local, fizeram uma investigação interna básica e esse é o tipo de coisa que se encontra numa investigação interna básica. Posso soar como louca, mas tenho a leve impressão de que estão nos desertando.

Desertando? De onde ela tirou isso? Agora toda missão dada é porque querem nos ver pelas costas? Lastimável a atitude do mini vulcão Weasley. Absolutamente patético.

– Onde quer chegar com essa história?

Ela pareceu ponderar a ideia de compartilhar suas reflexões comigo. Por fim, acho que decidiu que eu não oferecia nenhum perigo.

– Desde que o meu pai desapareceu eu venho pensando numa coisa.

Ah, ótimo. O que o pai dela tem a ver com essa maluquice?

– Que coisa? – inquiro. Mesmo estando receoso, minha curiosidade é grande.

– Se há agentes nossos infiltrados em organizações criminosas para destruir tudo começando por dentro, por que não haveria pessoas assim na CIA também?

Paro para refletir um pouco sobre isso. Ela não está ao todo errada, no entanto, invadir a CIA é quase impossível.

– É uma hipótese válida, entretanto, você sabe como funciona toda a segurança de lá. É quase nula a possibilidade de alguém se infiltrar lá.

– Mas pode haver um traidor. Alguém inteligente, alguém competente o suficiente, um bom ator.

Ela se levanta e anda pela sala pensativa. Está nervosa, como se nunca tivesse compartilhado aquilo com alguém antes, e talvez nunca tenha o feito mesmo, afinal, durona como é e com esta fama de independente e autossuficiente, creio que a única pessoa capaz de aturá-la falando assim é o Al. O que me espanta é que, ao meu ver, ela nunca disse isso a ele também. É algo importante, ele teria me contado. Talvez ele só servisse de psicólogo particular para questões pessoais. Porém, cheguei à conclusão de que, por mais que aquilo se tratasse de um acontecimento dentro da CIA, não era um assunto profissional, era pessoal.

– Está pensando nisso apenas para ter uma desculpa para o desaparecimento do seu pai.

O rosto da ruiva se contorceu em puro ódio e vi suas orelhas ficarem vermelhas.

– Acha que ele é incompetente? Acha que ele sumiu porque não tinha capacidade o suficiente de se virar? Meu pai foi capturado, Malfoy, é a única explicação plausível para ele não ter sido encontrado até hoje. Estão mantendo-o prisioneiro, e não vá pensando que é fácil capturar Ronald Weasley, se fizeram isso, é porque tiveram ajuda interna, e digo mais, de gente muito importante. Gente acima do Al, de você, de mim, e até da Roxy. Gente poderosa, que manda e desmanda lá.

– Você está delirando. É só isso o que quer, não é? Não está focada nesta missão, a única coisa que importa para você é encontrar seu majestoso paizinho. Era para estarmos analisando esta missão a qual estamos incumbidos e não uma que aconteceu anos atrás. Já pensou que eles podem ter queimado o corpo dele e jogado as cinzas em qualquer lugar por aí? É uma ótima forma de sumir com um corpo.

Espantei-a, e pior, decepcionei-a. Seus olhos ficaram vermelhos e mais úmidos que o normal. Arrependi-me imediatamente. Al ficaria furioso comigo se soubesse que descumpri a promessa, mas meu sangue é quente e a Weasley me tira do sério. O que posso fazer se ela era geniosa e atrevida? Sabia que ela iria chorar, mas não na minha frente. Era orgulhosa demais para tal ato. Engoliu o choro, respirou fundo e dirigiu-se a mim com a voz embargada:

– Pense na pessoa mais importante da sua vida. A pessoa que faz os seus dias valerem a pena. Aquela pessoa que, por mais que as coisas estejam complicadas, só dela estar presente tudo melhora e fica mais feliz. Essa pessoa que te faz sorrir mesmo que você esteja com raiva de tudo e de todos, que faz você se sentir especial e amado. Eu era a princesa do meu pai, e era ele quem vinha me cobrir à noite mesmo depois d’eu estar crescida o suficiente para não precisar mais disso. Era ele quem fazia eu me sentir bonita mesmo quando todos diziam o contrário, foi ele quem acreditou em mim desde o começo e me incentivou a ser quem eu sou hoje – a este ponto, as lágrimas que ela tanto lutava para esconder já caíam livres pelo seu rosto e a cada palavra proferida, um soluço era abafado – Meu pai é o meu herói, e não dá para parar de sofrer por ele não estar comigo. É, pode ser que eu esteja levantando todas essas hipóteses apenas para encontrar uma maneira de apaziguar a minha dor, o meu sofrimento, mas o sofrimento são as coisas erradas que fazemos e as coisas erradas que fazem conosco. O sofrimento sempre está presente. Eu sei que uma hora terei que parar de procurar por ele, sei que, caso eu não o encontre, terei que desistir, porque não podemos prolongar para sempre esse tipo de coisa, chega uma hora que precisamos arrancar o Band-Aid. Dói, mas pelo menos ficamos aliviados, só que até lá, nem que a minha busca dure dez, vinte, quarenta anos, que seja, eu vou procurá-lo, mesmo que o medo de nunca encontrá-lo esteja sempre presente. Farei isso pelo simples motivo de ainda ter esperança, e só a esperança é maior que o medo.

E ela subiu as escadas me deixando parado refletindo sobre tudo aquilo. Não vi Rose Wealsey mais naquele dia, mas ela se infiltrou na minha mente por todo o tempo que se passou dali por diante. Ela não era uma ingênua que não queria enxergar o óbvio, era só que o óbvio para ela era diferente. Por quanto tempo aquilo estava na cabeça dela? Por quanto tempo ela ficou pensando sobre aquilo? Sufocando-se em sua própria prisão sentimental, reprimindo-se. O medo não a assustava, é como se ela o ignorasse. Rose Weasley era uma grande mulher, uma fonte de sabedoria e coragem, e eu estava disposto a beber dessa fonte se era isso o necessário para acompanhá-la nesta luta. Eu ajudaria Rose Weasley a encontrar e acabar com Voldemort, e a acompanharia na jornada em busca de seu pai, nem que para isso, eu tivesse que abrir mão do meu orgulho. Faria isso porque compreendi o que a ruiva quis dizer, e comecei a pensar que tomaria tal atitude não só por ela, mas por mim e principalmente pela minha mãe, a pessoa mais importante da minha vida.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Estou ansiosa pelos seus comentários, que são sempre mais que divosos. Kisses...