The Mission
32 Ensanguentados
Notas iniciais
Scorpius Malfoy
Após a extensa declaração do garoto Lestrange, ou não-tão-Lestrange-assim a respeito de sua vida infernal dentro da casa do inimigo, o rapaz finalmente foi embora. Minha parceira parecia uma princesa de contos de fadas suspirando pelo seu príncipe esperado que finalmente viera resgatá-la num cavalo branco. Só que no caso dela, não havia príncipe, nem cavalo e muito menos resgate, só um pirralho que voltou para incomodar um pouco mais a minha vida.
– É empolgante, não acha. Um jovem inspirado renova nossas energias. – Rose Weasley declarou parecendo estar nas nuvens, deitada no sofá de pernas para o ar.
– Não sei. – respondi sem esconder minha desconfiança, andando de uma lado para o outro – As aparências enganam. Thalia, Thifany e Melanie são as provas disso. Ainda não sabemos o que esperar desses jovens. Devemos manter certa cautela, especialmente com o Edward. Ele sabe demais.
– O nome dele é Logan. – corrigiu, fitando-me com certa censura – Ele é uma boa pessoa, posso garantir.
– Colocaria a mão no fogo por ele? – parei à sua frente e encarei-a, incrédulo.
– Com toda certeza. Não só a mão, como o corpo inteiro.
– Logo você, que é segura em tudo o que faz, desconfiada de todos, se arriscaria por um garoto? – desafiei.
Ela se sentou a fim de frisar ainda mais as palavras que saíam de sua boca. Seus olhos miravam diretamente nos meus e o movimento era recíproco. Não me atrevia a desviar o olhar e quebrar o contato visual. Era intenso e revigorante, como se apenas aquilo fosse capaz de alimentar minha alma com uma mistura inusitada, porém equilibrada de sentimentos. Diversão, ódio, rancor, luxúria. A provocação mantida naquela troca de olhares não era apenas pelo menino. Ou por mim, ou por ela. Era pelas situações que havíamos vivido até ali. De certa forma, a sensação de desespero que me atingiu na noite do aniversário retornou, e se não tivesse controlado meus impulsos naquele momento, em que ela sentada com a postura impecável, me intimidava, tenho certeza de que nossa situação mudaria. Para pior, obviamente.
– Não é um garoto qualquer. – declarou decidida, subindo as escadas para seu quarto.
Pensei seriamente em deixá-la em paz, em arrumar a bagunça e subir para fazer algo, me distrair. Porém, há um bom tempo estava com uma dúvida. Pensando nisso, decidi que precisaria incomodá-la um pouco mais para enfim, poder alcançar a minha paz. Às pressas, corri para seus aposentos, e bati à porta, procurando palavras sutis para expressar o que estava me corroendo. Infelizmente, a única coisa que consegui dizer quando ela recebeu-me com semblante de puro tédio, foi:
– Precisamos falar sobre o beijo.
Percebi seu rosto contorcer em surpresa. Meio atordoada, a ruiva indicou para que eu entrasse em seu quarto completamente branco e pacífico, contrastando totalmente com a dona do local.
– Não precisamos falar sobre o beijo. – disse desinteressada, jogando-se em sua cama. Weasley era mesmo preguiçosa – Não sei o que deu em você para enfiar sua língua na minha boca. Confesso que foi uma estratégia ridícula, no entanto, deu certo. Isso é o que interessa.
– Então, para você, não tem nada a ver não é? – perguntei um tanto desconcertado. Rose agia tão naturalmente ao passo que eu me enrolava com toda aquela situação.
– Claro que não. – confirmou, como se fosse óbvio – Por que está remoendo essa história? Temos assuntos mais importantes a tratar.
– Sei disso. – falei, mesmo que em minha mente, não conseguisse pensar em algo realmente mais importante do que aquilo – Você tem toda razão.
– Claro que tenho.
– Qualquer coisa, já sabe, não é? Estarei no quarto ao lado. – apontei debilmente para a parede da esquerda.
– Estou ciente. – garantiu – Você está bem?
– Claro. Muito bem. – afirmei, embora meu coração parecesse querer saltar do peito e minha respiração estar falha. Absolutamente anormal – Acho que é o cansaço.
Só podia ser o cansaço. Não existia outra explicação. Assim que terminasse essa missão tiraria umas férias. Sentia que estava necessitando disso.
– Durma um pouco, então. Dou um jeito nas coisas por hoje. – aconselhou a ruiva. Aparentava estar levemente preocupada, todavia suspeitei que fosse apenas impressão minha, a Ruivosa não se preocuparia comigo, muito menos depois de eu deixar bem claro a desconfiança pelo Lestrange/Brown.
Assenti e me dirigi ao meu quarto, torcendo para que, com um pouco de descanso aquele formigamento nas pontas dos dedos e o frio na barriga se dissipassem. Se minha mãe estivesse aqui, diria que estava tendo pressentimentos ou estava envergonhado. Inclino mais para a segunda alternativa.
Ter uma mãe psicóloga faz com que você aprenda a esconder as emoções e não ter o desejo de entendê-las de fato. Pelo menos era essa a minha aspiração aos 13 anos, quando os hormônios começam a aflorar e o que você menos anseia é que seus pais descubram que você espiava as meninas no vestiário depois da Educação Física. Uma pena Astoria Malfoy sempre ter entendido o que acontecia comigo, e ter me explicado tudo detalhadamente. Até demais.
Por sorte, consegui pegar no sono em pouco tempo. Acordei algumas horas mais tarde, um tanto desorientado com relação ao horário. Podia-se ouvir uma música muito alta vinda do andar de baixo. Era uma banda cujo nome não me recordava, entretanto não me era estranha. A música era agitada, e, devo confessar, contagiante.
Saí do quarto à procura da origem da sonoridade. Não me incomodava realmente, porém aquilo não poderia estar acontecendo sem fundamento algum. E não estava. Do topo da escada, pude observar Rose Weasley dançando como louca, fazendo um espanador de microfone, o que me fez imaginar que seu objetivo inicial era limpar a bagunça do dia. Falha tentativa. Pelos sofás afastados e a mesa de centro quase na cozinha, previa uma bagunça ainda maior. E a previsão tornava-se real ali, com uma ruiva descabelada rodopiando pela sala. Apesar de desorganizada, era uma imagem bonita de se ver. Um quadro cheio de cores vibrantes e quentes. A música terminou, e outra ainda mais agitada começou a tocar. Em sua coreografia nada sincronizada, Weasley deu uma olhadela para cima, e enfim fui descoberto.
– Os vizinhos vão reclamar. – avisei, quase gritando.
Esperta, a Ruivosa esperou alguns segundos para dar-me retorno com a letra da música que ouvia.
– I DON’T CARE! I LOVE IT! – exclamou resfolegante devido aos pulinhos que dava durante o ato.
Gargalhei com sua animação. Desci as escadas para acompanhá-la, e por incrível que pareça, ela envolveu suas mãos nas minhas, no intuito de me fazer dançar junto a ela. Só então, de perto, reparei que ela transpirava um pouco, me levando a questionar há quanto tempo ela estaria ali. Presumi que bem mais do que duas músicas. Ela ria como uma criança, e de alguma forma estranha, isso despertava em mim uma vontade enorme de sorrir também. Estávamos dançando juntos no meio da sala, já era noite, não que eu me importasse de verdade com o horário. Minha mente parecia vazia, eu simplesmente não pensava em nada. A única imagem que possuía era de Rose, na minha frente. Nem prestava atenção à música, apenas sentia o ritmo e acompanhava minha parceira.
Ao fim da música terminou também o momento de lividez. A mulher se jogou no sofá, exausta, e pediu para que eu desligasse o aparelho de som. Acatei seu pedido, sentando-me ao seu lado.
– Estava ouvindo algumas músicas para não ficar para trás no assunto dos jovens. – explicou-se
– Claro. – assenti sarcasticamente – Muito profissional.
– Sou mesmo.
Ficamos um tempo ali, admirando o silêncio, até que notamos um barulho vindo da janela. Olhamos um para o outro, atentos a qualquer outro movimento suspeito. E ele veio. Sussurros vieram do local. Tal situação era extremamente incomum. Se estávamos sendo atacados, os inimigos não eram nada profissionais.
Silenciosamente, Rose e eu traçamos uma estratégia. Havia uma arma no tampo falso da mesa de centro. Ela iria empunhá-la ao passo que eu abriria a janela. Se algo nos atacasse, poderíamos nos defender. Assim fizemos. Em perfeita sincronia, como se trabalhássemos juntos há anos. Para nosso alívio, não se tratava de bandidos, no entanto, para nosso total desespero, estavam parados em nossa frente Roxanne, Dominique e Albus, completamente apavorados e... ensanguentados.
– Por favor, precisamos entrar. – sussurrou a loira do grupo, quase implorando.
Rose puxou-a para dentro, acompanhada dos outros dois. Estavam claramente fatigados e com ferimentos leves.
– O que houve com vocês? – Weasley fez a pergunta de um milhão de dólares.
– Estamos em apuros, todos nós. – declarou Roxanne.
– Em outras palavras. – começou Albus – Fodeu a porra toda.
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