The Mission

4 E todos os traumas vêm à tona


Notas iniciais
Olá amores! Tenho uma boa notícia: quando escrevi este capítulo, vi que tinha ficado grande demais então o dividi em dois, ou seja, já tenho o próximo capítulo pronto, mas vou deixá-lo de molho pra dar um suspense básico. Obrigada pela paciência e espero que gostem, Boa leitura!

Rose Weasley

A ideia do Albus só era um pouco menos ridícula do que o fato de eu ter que trabalhar com o Malfoy.

Meu Deus! O que eu fiz pra passar por isso? O pior é que agora estava mais do que nervosa e em total estado de choque. Acho que por isso o Al estalava os dedos na minha frente

– Rose! Rose! Está tudo bem? – indagava preocupado. Pisquei rapidamente como quem acabava de sair de um transe.

– Po-Populares? – gaguejei ao perguntar – Tipo, daquelas garotas que... Que... Você sabe!

Ele fez cara de desentendido. Provavelmente não sabia o que eu queria dizer. Nem ele e nem o Malfoy, mas ao contrário da preocupação que Albus transmitia, o outro mantinha um semblante de divertimento. Provavelmente estava rindo internamente da minha situação.

– Na verdade, eu não entendi. – declarou Albus provando minha teoria – Me explique.

Quando ia me pronunciar, um certo loiro aguado fez o favor de se intrometer na conversa.

– É que a Cabeça de Fósforo aí. – apontou pra mim. Será que ele não percebe que a conversa é entre Rose Weasley e Albus Potter? Não tem nada de Malfoy no meio, mas mesmo assim continuou – Está pensando nas garotas do nosso tempo de escola. Aquelas com quem a gente costumava sair.

Esqueci de falar, Albus estudava comigo, no entanto era completamente diferente de mim. Era popular e jogava no time do colégio assim como o Malfoy, foi assim que se conheceram e tornaram-se amigos. Melhores amigos, porém ao contrário da doninha irritante, Albus era gentil e modesto. O principal é que além de primo e amigo, Al era meu defensor na escola, mas, infelizmente, ele nem sempre estava por perto e isso tinha algumas consequências ás vezes. Bom, digamos que as líderes de torcida não iam muito com a minha cara e sem o Al eu ficava completamente desprotegida.

– O trauma. – o moreno finalmente se tocou e resumiu tudo em duas palavras – Pensei que tivesse superado isso há tempos Ross. – ele disse carinhoso.

Naquele momento, ele estava sendo o Albus amigo, não o Albus profissional. Isso meio que era proibido no trabalho, mas acho que no momento não havia problemas. Estava tentando me tranquilizar do mesmo modo que fazia antigamente, do mesmo jeito que sempre fazia quando ligava desesperada durante a madrugada, ou quando chegava em sua casa aos prantos. Isso era mais frequente do que gostaria que fosse. E ele sempre está lá, com os olhos que me transmitiam calma e que faziam parecer que tudo estava bem, que o mundo estava na mais perfeita paz, mesmo que não fosse essa a realidade. Ele era um bom amigo, me entendia sempre, e quando não entendia, pelo menos me escutava. É por isso que me sinto mais forte quando olho para suas orbes verdes, entretanto meus traumas da adolescência nem o Al conseguia tirar de mim. Era um dos meus problemas mais graves. Já fiz terapia por isso e garanto, não resolveu nada. Com o tempo foi se amenizando, mas agora, com essa história de voltar a ser adolescente, eu meio que voltei ao passado, onde nem aprontar com os professores suspenderia meu pavor. Respirei fundo e encarei meu amigo.

– Não é fácil assim Al. Eu tento, você sabe.

– Fala sério Weasley. – falou Malfoy em tom de brincadeira – O que você passou não é nada grave se comparado a outras pessoas. Vê se cresce ok?

Olhei pra ele com raiva, muita raiva, e falei entredentes.

– Você não sabe nem metade do que passei Malfoy, não me venha com suas asneiras agora. – ele encarou-me surpreso, mas não assustado, enquanto Albus tentava acabar com o que provavelmente viria a ser uma briga muito demorada.

– Rose, não há outro jeito. – disse olhando nos meus olhos. Se virou para o Malfoy – Scorpius, já disse pra parar com isso. Não se meta ok?

Pela primeira vez na vida vi o Malfoy fazer algo que preste. Ele baixou a cabeça e fingiu que nada daquilo era com ele. Albus continuou a falar para mim.

– Rose, superar é essencial, mas temos pouco tempo até o início oficial da missão. Além disso, não vou deixar você como uma daquelas garotas. Por melhor que seja a sua interpretação, você não é assim e nunca será, te conheço bem o suficiente para saber que no fundo, no fundo, você é só uma garotinha assustada, não posso forçar tudo em você. Prometo fazer com que se sinta o mais confortável possível, tudo bem?

– Tudo ótimo. – respondi com um sorriso. Esse é o meu garoto.

Albus pegou um cartão em seu bolso e disse para Malfoy e eu:

– Sigam-me. – nós o fizemos.

Ele estava se direcionando para uma sala que ficava acoplada à primeira. Passou seu cartão no local indicado e entrou, logo, Malfoy e eu estávamos dentro de um enorme closet que continha roupas de diferentes estilos e tamanhos. Era um verdadeiro paraíso para amantes da moda.

– O que estamos fazendo aqui exatamente? – perguntou o Malfoy

– Não é óbvio? – respondeu Al – Vamos montar seus armários. Os de vocês dois. Começando pelas damas.

Soltei um muxoxo. Simplesmente odiava que me mandassem vestir algo. Se a roupa era pra mim, eu tinha que escolher, mas aqui na C.I.A. as coisas não funcionavam assim.

Malfoy já estava sentado em um canto do cômodo com seu celular na mão, esquecendo completamente da existência dos outros dois integrantes daquele local.

– Então Rose, preparada? – perguntou Albus animado, mas ao ver a minha expressão de tédio ele murchou um pouco – Ah! Vamos lá Rosinha, são só algumas roupas.

Albus passou mais ou menos meia hora pegando roupas aleatórias, às quais eu não dava a mínima atenção. Depois de colocar todas numa mesa ele veio conversar comigo. Na verdade, me dar uma bronca.

– Sei que não prestou atenção em nada. – me olhou com cara feia – Mas podemos pelo menos conversar sobre o que você vai usar e se você entender tudo, te livro de ter que experimentar todas essas roupas.

– Tudo bem. – respondi. Afinal, que outra opção eu tinha? Foi aí que o Al desatou a falar.

– Pra você eu quero algo que não seja indecente. Não quero te expor demais.

– Sexy sem ser vulgar? – palpitei.

– Exato. Você já faz isso com maestria se quer saber. – pois é, acho que estou completamente corada agora. Parece que Alvo reparou, já que deu uma breve risada e continuou – Você sabe que faz Rose, mas isso quando está com saia e salto alto, na escola não será assim. Quero algo simples, porém, que contenha sofisticação e mistério. Nada vulgar. Você não é desfrutável. Scorpius sim, você não. – o Malfoy soltou um “Hey!” do outro lado da sala em sinal de indignação. Não demos a mínima importância a isso – Você será apenas um objeto de desejo. Almejada pelos garotos, mas inalcançável. Assim terá uma popularidade positiva. Concorda?

Não posso negar, Albus Potter era um gênio.

– Claro Al. – dei-lhe um abraço. Ele estava se esforçando para me agradar – Onde aprendeu tudo isso? Anda lendo revistas teens? – brinquei.

– É isso o que se ganha por conviver demais com a Lily. – Lily Luna Potter, a caçula da família Potter. Já devia ter desconfiado.

– É, a Lily sempre tinha um discurso desses na ponta da língua. – comentei divertida.

– Verdade. – concordou – Você se lembra daquela vez em que o seu pai até... – ele parou de falar assim que viu minha cara. Eu não estava mais contente. Sentia uma mistura de tristeza e mágoa dentro de mim –Me desculpe – acrescentou envergonhado.

– Tudo bem. Já terminamos? – forcei um sorriso. Ele assentiu – Já vou então.

Saí dali controlando as lágrimas. Por que toda vez em que alguém falava do meu pai eu ficava assim? Gosto de falar dele, gosto de lembrar dele, mas ás vezes é tão doloroso, tão angustiante.

Fui direto para a minha sala. Sentei na minha cadeira e lembranças começaram a invadir a minha mente. Lágrimas caíam sem permissão, mas de certa forma, aliviavam meu sofrimento. Fiquei lá por um bom tempo. Recompus-me e comecei a arrumar as minhas coisas. Até que ouço alguém bater na porta.

Quem será?

Notas finais
Gostaram? Espero que sim :) Obrigada pela atenção e até mais!