Notas iniciais
Olá pessoas! Passando aqui rapidinho antes de dormir. Leiam e deixem reviews, espero que gostem. Amos vocês!

Scorpius Malfoy

– Você confia nela? – perguntei inquieto.

– Em Thifany McMillan, a garota que chamou a própria irmã de resto de aborto? Não mesmo.

No carro, a caminho da escola, Rose e eu avaliávamos a possibilidade de colocar Thifany Mcmillan à frente da Armada de Dumbledore. Não que eu a ache um poço de simpatia, mas ás vezes confiar na intuição era essencial e a minha não dizia que a garota estava fingindo.

– Ela não parecia estar mentindo.

– Os melhores vigaristas nunca parecem, deveria saber disso Malfoy. – disse a ruiva com um sorriso irônico.

Acelerei o carro um pouco mais. Não gostaria de estar tendo uma conversa dessas em plena manhã de segunda-feira. Estava com sono, e com fome, porque acordei atrasado e não deu tempo de tomar um café da manhã descente.

– Tenho uma teoria sobre isso – começou a Rose sentada no banco do carona. Fiz sinal para que prosseguisse – Acho que você só está a favor da garota porque ela dá em cima de você, tipo, descaradamente.

– Que mentira mais deslavada! – protestei – Você não tem o direito de me dizer tamanha atrocidade. Ela deve ter seus dezoito anos no máximo, me sujeitar a ela seria, no mínimo, burrice. Sou um homem de princípios, oras.

A Weasley riu com gosto.

– Homem de princípios, é? Que eu saiba não é bem assim, Malfoy – comentou divertida – Christina Astor do setor financeiro pode discordar dos seus princípios. Quantos anos ela tinha quando entrou lá, dezessete?

– Para seu governo, ela já tinha dezenove e não parecia tão nova. Além disso, eu tenho vinte e três, não faz tanta diferença assim. Mesmo assim, eu dei o fora quando soube sua verdadeira idade.

– Mentiroso – acusou gargalhando – Ela te deu um fora porque é lésbica.

Começamos a rir como duas hienas engasgadas. Percebi que deveria me acalmar quando as lágrimas começaram a se formar em meus olhos, impedindo-me de observar o transito com clareza.

– Quem te contou isso? – quis saber ao recuperar meu estado normal.

– A namorada dela é minha prima.

– É a Lily?

– Não. A minha família é bem grande, Malfoy. E também, essa é do lado Granger da força.

Já tinha entrado no estacionamento ao fim de sua frase. Odiava chegar ali. Aquele local representava o início de um dia cheio de mentiras e fingimentos. Merda. Quando escolhi esta vida não achei que teria que ser ator também.

– Acho que só conheço a Lily. Quero conhecer mais pessoas quando voltássemos, agora que estamos amiguinhos podemos fazer isso. Se você quiser me apresentar algumas primas suas pode ter certeza que eu não vou reclamar – brinquei.

E o silêncio reinou por alguns segundos. Após parar o carro na vaga, encarei a Weasley. Ela me olhava inexpressiva. Foi então que me toquei, nós não voltaríamos da missão, não juntos, não como amigos, sequer como parceiros. Rose Weasley simplesmente não voltaria.

– Vamos dar um jeito nisso, eu já disse – assegurei.

Saímos do veículo juntos. Acionei o alarme e, lado a lado, entramos no colégio.

– De qualquer forma, mesmo que eu não possa fazer isso, peça ao Al. Diga a ele para lhe passar o número da Molly ou da Lucy. Você irá adorá-las, tenho certeza.

Apenas assenti e segui meu caminho até meu armário. Rose caminhou um pouco mais até encontrar o seu. Logo pude ver Thifany alcançá-la, iniciando um dialogo aos cochichos. Ponderei aproximar-me delas, porém fui impedido por duas mãos femininas que seguraram meus ombros por trás. Virei-me lentamente para verificar a dona das mãos que me apalpavam e surpreendi-me ao dar de cara com Thalia.

– Te assustei, gatinho? Espero que não saia correndo para o telhado – divertiu-se com a minha cara de espanto.

A loira estava inegavelmente linda. Seu cabelo estava solto em cascata e sua seus lábios contornados por um batom de cor vermelha. Não parecia vulgar, só estava bonita. Usava um vestido jeans e tênis, na verdade estava muito parecida com Rose.

– Bom dia para você também. – desejei afastando suas mãos que agora se encontravam em meu tórax.

Thalia sorriu para mim e entregou-me um envelope.

– É para a festa da Mel. Nem me pergunto a razão, mas ela quer você e a Elizabeth lá. Podem levar mais alguém se quiser. Quanto mais gente melhor.

– Obrigada – disse entredentes.

– Parece que a sua irmãzinha está se dando bem com a minha, que lindo – comentou ironicamente enquanto observava as duas através dos meus ombros – Duas fracassadas.

– Ei, não fale assim, ok? O que aconteceu com aquela garota de uma semana atrás?

– Morreu. Mas não se preocupe, está bem? Você vai sair ileso desta vez. A sua irmã é que não vai.

– O que quer dizer com isso? – perguntei começando a ficar irritado.

– Nada. Só diga para a Elizabeth e aquele bando de nerds idiotas ficarem de olhos abertos, porque eu vou me vingar de cada um deles. Anote o que eu digo.

***

– Ela disse mesmo isso? – questionou Rose incrédula.

Estávamos na aula de Educação Física fazendo flexões. Os treinos ainda não haviam começado devido ao atraso nos testes, que ficaram marcados para o mês seguinte em respeito à memória de Alex Poulin, portanto as aulas ainda eram conjuntas, exceto as das lideres de torcida, que já estavam na ativa.

– Do jeito que eu te falei. Você ainda duvida que ela estava interpretando um papel para nos impressionar?

– Não é isso. É que o que o Lestrange me disse não sai da minha cabeça.

– Três minutos para tomar água, pessoal, vamos lá – ouvimos a voz de Gareth Castley ressonar por toda a quadra.

Rose e eu nos dirigimos para um dos bancos dispostos ali, dividindo uma garrafa d’água.

– Por mais que me doa admitir, você é a pessoa que está raciocinando sem interferências no momento – declarou – Deixo a decisão em suas mãos.

– Então eu já sei o que vamos fazer – disse convicto da decisão que tomaríamos.

***

– Quero que entendam que esta foi a melhor decisão que já tomaram – disse Thifany com um sorriso irradiante.

– Eu espero que sim. Não chamei o pessoal da Armada para vir aqui hoje à toa – respondi emburrado – É a minha comida que eles comem. Os burritos de hoje vão ter que sobrar.

– Deixe de ser chato, Josh – repreendeu-me Rose.

Sentamos todos no sofá e ficamos ali, encarando uns aos outros por cerca de dez minutos até a campainha tocar. Todos os três fomos até a porta, exasperados e ansiosos para ver quem seria o primeiro a chegar. Como sempre, os irmãos Foster.

– Olhe aqui, se aquela piranha oxigenada da McMillan estiver aqui é melhor se esconder depressa porque quando eu alcançá-la será muito doloroso – disse a garota atropelando-nos e entrando na casa sem cerimônias. Após notar que Thalia não se encontrava, dirigiu sua atenção aos presentes – Olhe só, a outra vagabunda McMillan. O que faz aqui? – perguntou com desprezo.

– Estou tentando ajudar, Foster. – esclareceu Thifany.

– Claro que está, agora que foi chutada você vai fazer de tudo para se vingar, não é? – insinuou Taylor se aproximando da ruiva – Só tome cuidado, porque se vacilar com a gente, vai se dar mal.

– Eu sei disso, esquisita.

– Todos sabemos – Rose manifestou-se – Pelo que vimos, Thalia quer fazer exatamente isso.

– Pode ser mais clara, por favor? – pediu o garoto Taylor.

Rose indicou o sofá para que todos se abancassem. Sentei-me ao lado dela.

– Thalia parece querer se vingar de vocês.

– De nós? – inquiriu a Foster indignada – Seus amigos?

– Ela me disse algumas coisas hoje pela manhã. Coisas estranhas e amedrontadoras, para falar a verdade. – comecei – E, infelizmente, é isso o que ela parece querer fazer.

– Mas, por que? – quis saber Taylor desolada.

– É isso o que estamos querendo descobrir.

– E eu acho que posso ajudar – disse Thifany – Melanie é burra para muita coisa, mas não para mudar a cabeça de uma pessoa. Acredite, minha irmã nunca teria pensamentos contra vocês. Nenhum de vocês. – falou olhando para os irmãos – E nem dos outros, os quais tenho certeza que só não vieram por minha causa. Não tiro a razão deles, contudo espero que pelo menos vocês dois confiem em mim uma única vez. Thalia já proferiu coisas horríveis contra mim só nos últimos e eu estou relevando porque sei que estas palavras, estas atitudes, não são dela. Falo sério sobre conter coisas horrendas naquela casa, naquela família. Sei que tem muito mais do que Melanie me contou, e sei onde podemos encontrar.

– Como assim? – perguntei curioso.

– Melanie tem um diário que guarda a sete chaves literalmente. Fica no quarto dela, na escrivaninha branca ao lado da porta da varanda, mais especificamente na segunda gaveta da direita.

– E como pretende pegar esse diário?

– Eu não pretendo, eu vou. A festa de aniversário da Melanie é neste sábado e é mais que óbvio que ela irá convidar todos daqui, se já não convidou – disse convicta – Nem que seja para esfregar sua superioridade na cara de cada um. Então, durante a festa, alguém dá um jeito de entrar no quarto dela e se encarrega de extrair as informações de lá. Simples assim. Alguém topa?

Não sei quanto aos outros, mas encarei Rose, apenas a opinião dela me importava, e naquele momento, pude ver em seu rosto o mesmo que ela via no meu. Aquilo estava saindo melhor do que a encomenda.

***

– Vamos logo, Rose, já são quase nove horas. – chamei impaciente enquanto esperava na sala.

– Esta porcaria de vestido não fecha. – praguejou alto de seu quarto. Tive que rir da sua situação.

– Termine de se arrumar no caminho, a festa já começou há uma hora.

Não obtive resposta imediata, imaginei que Rose ainda lutava contra o vestido. Pensei errado. Em poucos segundos ela apontou no alto da escada, coberta por um delicado vestido perolado que estendia-se até a metade de suas coxas. A parte superior, um pouco larga – imaginei que fosse por não estar fechada adequadamente – apresentava um pequeno decote em seu colo. Seus sapatos de saltos médios apresentavam uma cor clara, quase igualitária à coloração alva de sua pele. A maquiagem leve e simples valorizava seus olhos castanhos, quase verdes e sua boca carnuda. Seus cabelos, presos de uma maneira que daria a qualquer um a certeza de que Rose Weasley era uma verdadeira princesa.

– Vai ficar parado aí ou vai me ajudar com esta porcaria criada por um enviado do demônio? – chamou-me a atenção enquanto descia as escadas.

– No baile, você... – comecei gaguejando.

– Não, não é o vestido do baile, a cor é parecida, nada mais. – ela foi cortando logo de cara. Virou-se então deixando suas costas expostas, não totalmente nuas somente pelo detalhe de um sutiã de renda branco – Ande logo com isso, a festa já começou. – esbravejou, mas notei divertimento em sua voz.

– Desculpe-me, é que não estou habituado a vestir mulheres – comentei ao passo que puxava o zíper – Despir é muito mais prático e prazeroso. – disse dando o trabalho por terminado.

– Você não presta. – falou Rose encarando-me e dando-me um leve tapa no ombro esquerdo – Vamos logo, ainda temos um quarto para invadir.

Chegamos à festa às nove e quinze da noite, o local não era tão longe da nossa atual residência. Ficamos levemente chocados com a estrutura territorial da mansão dos Lestrange. Só o estacionamento já era maior do que a casa dos meus pais. Um quarto dali deveria ser do tamanho do meu apartamento.

– Se tem algo que não podemos negar é que praticas ilegais rendem muito dinheiro. – comentou a ruiva enquanto saía do carro.

– Sou obrigado a concordar.

A casa estava completamente iluminada por fora, mas nada comparava-se à decoração interior. Imagens da aniversariante ocupavam todos os ambientes, desde o bar até a pista de dança. O lugar estava cheio de gente, fazendo as mais diversas coisas: alguns bebiam, outros dançavam, alguns se pegavam pelos cantos. Cerca de meia hora depois, vimos um rosto conhecido no meio da multidão. Era Thalia McMillan em seu tubinho preto.

– Aquilo na mão dela é uma garrafa de vodka? – perguntou Rose observando a garota com uma careta.

– Provavelmente. – disse simplesmente.

Continuamos ali por um tempo até sermos praticamente atacados por uma Taylor Foster alvoroçada.

– Vocês têm que ir agora. – atropelou as palavras.

– O que?

– A Lestrange está sendo fotografada, isso nos dá pelo menos quinze minutos até ela surtar e querer trocar a roupa novamente. Boa sorte. – e saiu em disparada.

– Lembra das instruções da Thifany? – Rose inquiriu e eu assenti – Certo. Vamos logo. Terceira porta à esquerda.

Seguimos em direção às escadas. Aproveitamos que algumas garotas estavam subindo para o segundo andar e fomos no embalo. Caminhamos pelo corredor até a porta indicada e entramos. O quarto era enorme e muito espaçoso, dava para fazer uma festa lá dentro. Era decorado em tons de lilás e cheio de perfumes, bichinhos de pelúcia e essas coisas que as meninas têm e não servem para absolutamente nada.

– A gaveta está destrancada – anunciou Rose arrancando-me de meus devaneios. Garota ágil. Fui até lá e peguei o diário.

– Está trancado. – constatei.

– Jura? Você fala como se isso fosse mesmo um problema. – debochou ao passo que remexia em seu cabelo. Logo estava com um grampo em mãos e utilizou-o para abrir o caderno.

– Esperta. – congratulei.

Rapidamente retirei uma câmera especial do bolso e comecei a fotografar as páginas em tempo recorde. Eram cerca de duzentas páginas preenchidas com a caligrafia minúscula de Melanie Lestrange. O tempo ia passando e Rose estava parada na porta me dando cobertura. Estava quase terminando quando ouvimos uma gritaria no corredor.

– VOCÊ NUNCA MAIS PISA NESTA CASA, ALICE COTTON. – exclamou uma voz estridente. Rose e eu entreolhamo-nos assustados. Qual é, já enfrentamos vários assassinos sanguinários e estamos com medo de uma adolescente de 17 anos? Sim, nós estamos.

– Guardei o diário mais que depressa, deixando tudo do jeito que encontrei, em ordem. As vozes ficavam cada vez mais altas à medida que aproximavam-se. Rose e eu fomos para a varanda, a fim de encontrar lá uma saída, nada feito, haviam grades de proteção no local. Voltamos para a imensidão do quarto, completamente perdidos. A maçaneta da porta já começava a se mexer, em questão de segundos Melanie nos pegaria em flagrante. Pensei como um adolescente que não queria ser pego por fazer coisa errada na casa de outra pessoa, e a coisa mais errada a se fazer no quarto da aniversariante no dia de sua era só uma.

– Rose, desculpe-me por isto. – pedi antecipadamente.

E antes mesmo que ela pudesse dizer algo, segurei sua cintura e a beijei no mesmo instante em que a porta se abria.