The Mission
17 Buscando
Notas iniciais
Scorpius Malfoy
Tenho que me lembrar de amaldiçoar Albus Severus Potter pelo resto de seus miseráveis dias. Aquele desgraçado me disse para incentivar a prima a se soltar mais e eu, o bocó, acreditei que ela cederia fácil. Nunca pensei que seria otário, fui otário. Agora, além de ter que cozinhar sozinho por dois meses, terei que convencer Thalia a entrar na onda de Rose Weasley, ou melhor, Elizabeth Parker.
Um fato sobre Thalia McMillan: ela é extremamente tímida, o que me faz pensar que:
– Ela não vai concordar com essa loucura, já olhou para ela? Thalia não faz esse tipo.
– Eu também não – retrucou Weasley – Mesmo assim você quer que eu entre para este grupinho medíocre.
– Eu não quero que você entre, nós precisamos para que a missão seja bem sucedida – tentei convencer a teimosa. Ela tinha que desistir de tentar converter a Thalia a isso, ela nunca aceitaria entrar no grupo das animadoras, ainda mais com sua irmã desmoralizando-a a todo instante.
Rose suspirou e pareceu refletir por um tempo, até que surgiu com uma ideia:
– Convide-a para ir à nossa casa. Podemos, sei lá, oferecer a ela um almoço.
– E você realmente presume que ela irá aceitar tão facilmente? Ela nem nos conhece.
– Mas tem simpatia por nós. É só pedir com jeitinho, sei que pode convencê-la. Temos uns dez minutos até o início das aulas, tem que ser ágil.
– E o que fará enquanto isso? – questionei já convencido de minha função, mas ainda irado por ela ficar desocupada enquanto eu faço o trabalho duro.
– Vou em busca de Edward Lestrange.
...
Andei pela multidão de alunos procurando a loira, até que encontrei-a sentada no chão abaixo das janelas lendo. Aproximei-me.
– E aí? – cumprimentei-a sorrindo. Ela, porém, assustou-se, derrubando o livro no chão – Me perdoe, não quis assustá-la – desculpei-me.
– Tudo bem, eu é que estava distraída – estendeu-me a mão direita – Como vai?
– Bem.
– E a Srtª Parker? Não a vejo desde que...
– Ah, não, ela está bem, aquilo não foi nada. Era só alergia.
– Isso é bom. Quero dizer, ter alergia não é, o que é bom é que ela está melhor – embaraçou-se.
Thalia era engraçada de certa forma, era tão doce que não teria coragem para zombar dela, mas era tão acanhada que chegava a ser cômica a forma que se comportava, principalmente perto de mim.
– Sabe, é exatamente sobre isso que vim falar com você – aconcheguei-me a seu lado no chão. Já sabia como convencê-la a nos fazer uma visita – Elizabeth gostaria de te agradecer pela ajuda, e eu também, é claro. Graças a você nós sabemos nos locomover por aqui sem nos perder e se não criamos problemas com a administração diante do incidente com a Lizzy é porque você nos salvou.
A garota erubesceu-se. Seu nervosismo era notável, não parecia habituada a receber elogios.
– Aquilo não foi nada, não fiz mais do que minha obrigação – explicou com um sorriso tímido.
– Claro que foi. Por isso queremos convidá-la para um lanche, qualquer coisa, só queremos você por perto para agradecer da forma correta.
– Não precisa disso, Sr. Banks, já disse, não foi nada demais, só estava cumprindo o meu dever.
– Eu insisto – envolvi sua mão direita nas minhas. A loira com traços angelicais arregalou os olhos de tal forma que juro ter pensado que eles saltariam das órbitas – Por favor Thalia – fiz minha melhor cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança.
– Está bem – confirmou com a voz mínima, quase inaudível.
– Ótimo – comemorei levantando-me de supetão levando-a no embalo – Agora, por gentileza, pare de nos chamar pelo sobrenome, até parece que não nos conhece.
– É um sinal de respeito.
– Pois então pare de respeitar, nós três somos iguais. Me sinto um velhote quando sou chamado de “senhor”, principalmente por você.
– Me desculpe então Se... – parou por um breve instante e riu consigo mesma – Josh – completou com uma leve dificuldade.
Enfiei as mãos nos bolsos da calça a procura de um papel.
– Aqui está – entreguei o pedaço de folha – Pode ver que contém o número da Lizzy e o meu, bem como o endereço da nossa casa, Facebook e Instagram. Pode pesquisar tudo isso se está pensando que somos criminosos que querem sequestra-la ou algo assim – brinquei.
– Não se preocupe, confio em vocês.
– Pode aparecer por lá hoje, então?
– Depois da aula, pode ser? Mamãe e Thifany vão sair para fazer compras.
– Combinado então, estaremos aguardo você.
Estava saindo quando fui interrompido.
–Só uma coisa – Thalia chamou – Por que esse interesse de vocês em mim? – inquiriu ainda que um tanto temerosa. Espantei-me com tal pergunta.
– Você pode não achar, mas é uma pessoa muito interessante.
Rose Weasley
Quando Malfoy me enviou uma mensagem avisando que conseguira convencer Thalia a nos fazer uma visita, tive vontade de pular de alegria, afinal, mataríamos dois coelhos com uma só machadada. Tiraríamos Thalia desta vida de idolatria e obediência à irmã e ainda poderíamos criar uma espécie de espiã, afinal, sua irmã compactuava diretamente com a filha de nosso principal suspeito, que aliás, andava muito quieto. Nenhuma das conversas dentro das dependências de seu escritório se mostraram reveladoras depois daquela primeira.
Não é minha intenção usar Thalia como cobaia, longe disso. Quero dar a ela sua carta de alforria, uma oportunidade de ser alguém mais do que a irmã feia. Ela é uma garota legal, inteligente e bonita, embora muito tímida. Óbvio que a ideia de se tornar animadora não lhe agradaria mais do que agrada a mim, porém, colocar as obrigações em primeiro lugar é meu lema desde sempre, por isso concordei em fazer o teste e não, não foi pela proposta do Malfoy, no entanto, quando vi em minha relutância uma oportunidade fazer do loiro mimado meu cozinheiro particular, resolvi investir nisso. Nunca admitiria em voz alta, mas Scorpius cozinha muitíssimo bem.
Durante a aula de Biologia – a qual Malfoy chegou atrasado – eu e o loiro aguado tivemos que nos comunicar via mensagens de texto, já que o professor Horácio Slughorn era um verdadeiro carrasco e todo e qualquer tipo de comunicação em sua aula resultava em detenção. Era só olhar para a cara dele e já se notava que era um velho solitário e rabugento. Foi nesta curta conversa que ele me informou de suas recentes conquistas e também questionou sobre o resultado da minha pesquisa. Perguntou se havia conseguido falar com Edward e eu afirmei que explicava tudo mais tarde. Ele, entretanto, não deixou de expressar suas teorias que, devo ressaltar, estavam completamente equivocadas.
Ao fim das primeiras aulas saímos para o intervalo e tivemos que nos sentar novamente com os seres humanos de muito corpo e pouco cérebro. Juro que nunca me acostumaria com isso, era demais para meu QI elevado.
Após trinta minutos de tortura ouvindo o grupinho glitterizado debater sobre como a Jennifer Lawrence está gorda e precisa urgentemente parar de comer pizzas, seguimos para mais algumas aulas e finalmente o sinal tocou indicando o termino de mais um exaustivo dia aprendendo coisas que eu já sabia há muito tempo e não esperava nem pretendia voltar a discutir sobre.
Voltamos para casa calmamente. Deixei que Malfoy dirigisse e me ofereci parar fazer os quitutes, afinal, receberíamos visita. Seria minha despedida como cozinheira, já que meu não tão querido companheiro de missão se encarregaria desta tarefa a partir do momento que eu assinasse meu lindo nome falso na lista de inscrições para animadoras de torcida. A parcela da dança em si não seria muito trabalhosa para mim, já que tenho ótima flexibilidade, o complicado mesmo seria aturar aquelas garotas insuportáveis cacarejando em meu ouvido.
Ao entrar em casa, a primeira coisa que o projeto de doninha albina fez foi se jogar no sofá.
– Nem pense nisso – repreendi-o – Pode levantar esta bunda branca daí agora mesmo, Scorpius. Tem que me ajudar a fazer as enchiladas.
– Olha só a intimidade da moça – brincou – Primeiro: como sabe a cor da minha bunda e segundo: desde quando me chama pelo primeiro nome?
Como ele se achava engraçadinho.
– Você é todo branco seu idiota, e caso não se recorde, mas fez questão de me mostrar esta coisa horrenda na segunda de manhã, além disso – expliquei fazendo uma careta de nojo – E não foi você quem fez um acordo com meu primo prometendo virar meu amiguinho? Pois então, estou facilitando as coisas para você.
– Ah, Rose, você é tão amável – exclamou levantando-se de supetão, me abraçando forte em seguida, pendendo-me com seus braços e me enchendo de beijos no rosto enquanto eu tentava me desvencilhar de suas garras. Fazia aquilo apenas para me irritar, e conseguiu no início, contudo, dois segundos depois rendi-me ás gargalhadas caindo no sofá junto ao loiro.
– Acho que não cheguei em boa hora – falou uma voz conhecida proveniente da entrada. O loiro e eu apenas interrompemos nossa brincadeira infantil para encarar uma Thalia totalmente envergonhada apoiando-se no batente da porta – Eu chamei, mas ninguém ouviu, então me aproximei e a porta estava aberta – explicou – Me desculpe.
– Não precisa se desculpar – discorri enquanto arrumava meu cabelo e as roupas – Estava apenas tentando fazer este preguiçoso reagir e me ajudar. A propósito, gosta de enchiladas?
– Adoro – tornou entusiasmada – É o que temos para hoje?
– Sim, mas só se, claro, este loiro aguado me ajudar. Vamos logo Josh – chamei puxando-o pelo braço enquanto o mesmo ainda se encontrava esparramado no sofá.
– Eu ajudo você – ofereceu Thalia – Sério, é um prazer.
– Tudo bem. Josh, arrume a mesa de centro, vamos comer aqui mesmo e, por favor, seja rápido – me virei para a loira – Vamos lá Thalia, temos um assunto muito importante para tratar.
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