The Mission
11 Batalhas
Notas iniciais

Rose Weasley
Estávamos no carro eu e Malfoy. O silêncio reinava e o clima era pesado. Aposto que nenhum de nós estava afim de iniciar uma conversa, então preferíamos aquele silêncio que, embora constrangedor, era seguro.
Sentia-me de fato estranha por estar com o Malfoy a sós num recinto fechado, abafado, e sem poder sequer discutir com ele. Vejo que será difícil me segurar nas bases se este loiro começar a me irritar, porém, levando em consideração que ele ainda pode cair acidentalmente várias vezes sobre uma faca, eu já me sinto mais tranquila.
A nossa nova casa está localizada em Waverly Place. É uma rua localizada em Greenwich Village, uma área residencial de Manhattan. A Hogwarts High School fica a duas quadras de lá, o que facilita bastante as investigações, uma vez que levo a sério aquele velho ditado: mantenha os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda.
Meu apartamento fica na Madison Avenue, que é muito diferente da calmaria de Waverly Place. Confesso que sentirei falta de toda a barulheira e a movimentação do lado de fora do meu prédio, mas o que posso fazer se este é o meu trabalho? A única escolha que tenho é me calar e aceitar.
– No que está pensando? – pergunta o loiro aguado.
Apesar de não estar muito no clima de conversa, respondo com educação e sinceridade:
– Em casa. Não estou acostumada com muito sossego.
– Olhe, essas ruas podem nos surpreender. Não são o que parecem, às vezes a bagunça é maior ainda.
– Já morou em áreas residenciais?
– Morei a minha vida toda, só me mudei depois de crescido. Mas você também, não?
– Quando se é um membro da família Weasley, tranquilidade é a última coisa que você consegue.
– Conheço bem esses Weasley – comentou rindo. Permiti-me rir também.
O silêncio voltou a dominar o local, e mais uma vez minha cabeça retornou a trabalhar. Voltei há sete anos atrás, quando estava indo para o primeiro dia de aula do meu último ano na escola. Era muito ruim socializar com as pessoas naquela época porque elas eram simplesmente idiotas e ridículas, como o Malfoy.
Repreendo-me internamente por pensar nisso. “Missão nova é sinal de novas conquistas, Rose. Não se desespere. Isso irá ajudá-la no trabalho” dizia para mim mesma.
–... você o conheceu, não é? – perguntou o Malfoy, mas como eu estava concentrada demais em minha própria reflexão, não prestei atenção na pergunta.
– Desculpe. O que disse? – discorri um tanto aturdida.
– Perguntei se você conhecia o tal Peter Longbotton. Acho que vocês eram amigos, ou algo assim.
Oh droga! Ele tinha mesmo que perguntar do Peter?
– Éramos parceiros, na verdade – respondi – Por que o interesse?
– Nada, é só que eu não o vejo há muito tempo. Primeiro me disseram que ele estava em missão, mas isso já faz anos. Não sei porque, mas me lembrei dele agora. Então, tem noticias dele?
– Ele morreu.
Scorpius pareceu-me um tanto quanto constrangido. Dei graças aos céus quando ele decidiu se calar e não dar sequência a esse assunto. Falar da morte do Peter remetia diretamente ao meu fracasso, meu grande fracasso, e isso não era nada agradável de se lembrar.
Depois do que, pelas minhas contas, me pareceram dez minutos, o loiro voltou a se pronunciar:
– Chegamos. Bem-vinda ao lar, Elizabeth.
Quando olhei pela janela, reparei que a casa era bem parecida com todas as que cercavam o bairro. Isso era bem previsível, afinal, é algo absolutamente comum em áreas residenciais. Na habitação haviam dois andares e era uma moradia relativamente grande, principalmente quando se leva em consideração o fato de que apenas duas pessoas viverão lá dentro.
– Espero que mandem alguém para fazer a limpeza, porque eu não vou gastar meu tempo e nem as minhas energias cuidando de uma casa que nem é minha – reclamei.
Malfoy riu pelo nariz de um jeito meio debochado. Saímos do carro e ele foi pegar algumas coisas no porta-malas do mesmo.
Após pegar algumas poucas bagagens, entramos na casa. O resto de aborto oxigenado carregando as malas e eu, como uma lady, apenas apreciando a decoração. A sala era simples. Sofá, TV, mesa de centro, poltronas. Realmente passava a impressão de uma casa de família. Parecia-se muito com a minha, só que sem mamãe e papai e com uma versão mais alta, robusta, chata e irritante de Hugo. Sem contar que o meu irmão não tem os cabelos cor de cocô de diarreia.
– Pegue aqui as suas coisas, folgada. Não vou ficar carregando as suas coisas – queixou-se a ameba loira.
Bufei e me aproximei dele.
– O que é isso? Achei que já estivesse tudo no seu devido lugar.
– Não reclame, birrenta. Seu computador está aqui. Ele e mais um monte de coisas, pelo que sei.
Animei-me.
– Isso é ótimo! Assim não vou precisar me adaptar a outro aparelho. Sabe como isso é difícil? Reprogramar tudo, inserir informações, instalar novos programas.
– Pode parar. Isso é Rose Weasley demais.
– E o que significa ser “Rose Weasley demais”?
– Significa ser nerd demais. Tem que parar com isso. Ninguém quer saber.
– É impressionante a capacidade que certas pessoas tem de subestimar um hacker, mas idolatrar as conquistas deles – retorqui.
– Não estou subestimando ninguém, só não quero saber disso – contestou – Agora, se não se importa, eu quero conhecer o resto da casa.
– Vou também.
E assim passamos pela cozinha, subimos as escadas, fomos ao banheiro social, o quarto que supostamente seria dos nossos pais, e finalmente chegamos ao nossos quartos. Entramos primeiro no do loiro aguado. Segundo o Al, nossos quartos tinham os mesmos tamanhos e proporções, e eram simples, isto é, não tinham banheiro. Teríamos que usar o social mesmo. Eles foram decorados de acordo com o que a equipe achou apropriado.
– Poxa, eles capricharam – comentou o Malfoy sobre o quarto – Olha só, tem um vídeo-game!
E saiu pulando feito uma criança que acabara de ganhar um novo brinquedo e está louca para brincar com ele.
Entrei no cômodo e constatei que, sim, era um quarto muito bem arquitetado.
– A cama é macia – disse me esparramando nela.
– Hey! Sai daí sua maluca, não quero que você infecte o meu colchão – gritou Scorpius me pegando a força e me jogando no chão.
Como sou uma pessoa muito madura e civilizada, pulei sobre ele e assim iniciamos uma batalha de quem ficava em cima da cama. Ninguém ganhou porque ele me pegou pelas pernas, me jogou nas costas e me carregou até o meu quarto, me jogando na cama. É claro que durante o percurso eu gritei, me sacudi, o xinguei, e tentei de todas as formas me livrar dele, mas isso ninguém precisa saber.
– Sua cama é esta. Não precisa ficar na minha – pronunciou por fim – E ela também é muito macia – falou jogando-se nela.
Eu apenas bufei e me levantei analisando o local.
– Não é rosa – constatei – Nem acredito nisso! O QUARTO NÃO É ROSA! UHU!!! – e comecei a fazer uma dancinha um pouco maluca, diga-se de passagem. Detalhe: o Malfoy estava me assistindo.
– Bem, Weasley, vou me retirar. Vai que doideira pega, né?
– Não sou doida, Malfoy. Agora, saia do meu quarto e não entre a menos que seja convidado, o que, já esteja avisado, não vai acontecer.
– Tudo bem, se não percebeu, eu já estava de saída. Preciso de descanso. Acho que vou jogar um pouco antes de dormir – comentou indo em direção à porta.
– Malfoy, estamos apenas fingindo ser adolescentes, nós não somos adolescentes, caso você tenha se esquecido – falei encarando-o.
– GTA não é apenas para adolescentes, minha cara. É para os pilotos profissionais – contestou – Agora, se me der licença, preciso treinar minhas técnicas – e saiu fechando a porta atrás de si.
Troquei de roupa vestindo um pijama razoavelmente confortável que encontrei numa das gavetas do guarda-roupa, sem nem ao menos reparar nas demais peças que se encontravam lá dentro. Teria tempo para isso depois. Agora, estava morta de cansada e só pensava em dormir.
Quando deitei-me na cama, reparei que ela era mesmo muito macia e que me proporcionaria uma bela noite de sono, com meu merecido descanso, afinal, minhas batalhas haviam apenas começado. A primeira contra Voldemort, que me assombra há anos. E a segunda contra o meu passado, que Scorpius Malfoy, mesmo que involuntariamente, faz questão de trazer à tona.
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