The Mission
19 As normas de Dolores
Notas iniciais
Scorpius Malfoy
– Não acredito que ela aceitou – expressei assim que chegamos a Hogwarts no dia seguinte.
– Pois acredite, já te disse, sou demais – falou Rose, a convencida.
Havia novamente uma aglomeração de alunos defronte o quadro de avisos, porém, desta vez parecia que a confusão era maior.
– O que é isso? – perguntei me aproximando. Rose não respondeu, apenas me acompanhou.
– Por favor, me dê licença, já falei mil vezes, você não vai me convencer do contrário – manifestou uma voz conhecida. Thalia.
– Não sei o que deu em você para querer entrar para a nossa equipe, seja lá o que tenha te motivado a fazer isso não adianta, você não será aceita, eu não vou permitir – retrucou sua irmã mais velha.
O caso era o seguinte: as duas discutiam sobre o destino de Thalia como animadora. Sabia desde o início que isso geraria problemas, principalmente sendo as duas irmãs tão diferentes, entretanto não pensei que a discussão teria plateia, Thalia era muito reservada, contudo Thifany gostava de chamar atenção, suas roupas e maquiagem coloridas já escancaravam sua preferência. Ainda não conseguia vê-las, no entanto, não ouvi-las era quase impossível, visto que a conversa se dava aos berros.
– Temos que fazer alguma coisa – murmurou Rose avançando em direção às duas.
– Não – impedi-a – Não é problema nosso.
A ruiva encarou-me incrédula.
– Como não é problema nosso? – retorquiu – Pensei que fossemos amigos dela, pelo menos eu sou.
– Nós somos, pelo menos parcialmente – expliquei – Sei o que quer fazer lá, seu desejo é protegê-la. Não posso permitir que concretize tal ato, vai comprometer tudo o que já fizemos, e olha que não é muita coisa – permiti-me acrescentar.
Todos prestavam atenção na briga, estávamos protegidos pelo barulho.
– Deixaremos as duas se atacarem desse modo? – guinchou.
Bufei e revirei os olhos.
– Eu resolvo isso.
Andei entra a aglomeração de alunos sendo esmagado e obrigado a empurrar alguns devido o tumulto. Cheguei num local bem à frente, onde conseguia vê-las. Aproximei-me.
– Garotas – chamei. Ambas discutiam fervorosamente como se eu nem estivesse ali – Garotas – disse mais alto, porém não surtiu efeito algum – GAROTAS – gritei. As irmãs olharam para mim espantadas – O que está havendo aqui? – questionei em meu tom habitual.
Começaram a discutir novamente enquanto tentavam se explicar e mais pessoas se juntaram ao tumulto. A confusão, que já era grande, ficou ainda maior.
– CALEM A BOCA – todos dirigiram o olhar para Rose, que resolveu se intrometer mesmo comigo alertando-a para não fazê-lo, pelo menos os pirralhos se calaram – Qual é? Estão agindo como crianças birrentas enfurnadas numa creche.
– Acho melhor sair daqui – pronunciou Thalia demostrando cansaço diante daquela situação.
– Não tão depressa, senhorita monitora-chefe – disse uma voz estridente e infantil ao fundo. Saltos batendo no piso eram ouvidos. Um corredor se formou devido ao afastamento dos alunos claramente espantados. No fim dele apontou uma mulher baixinha, rechonchuda e com cara de poucos amigos. Suas roupas extravagantemente rosa chamavam ainda mais atenção – Foi você quem começou esta anarquia? – perguntou a Thalia.
– Nã-não senhora – gaguejou com o medo estampado em sua face.
– Oh, querida, perdão – soltou uma risadinha – É que me pareceu que a senhorita estava discutindo de forma nada civilizada com sua irmã.
Rose e eu apenas nos encarávamos. Sabíamos que aquela era a tal Vaca-Rosa de quem Thalia falou na segunda-feira. Ah, a segunda-feira, parecia que haviam se passado séculos desde aquele dia.
– Dolores, eu posso explicar tudo – manifestou Melanie com sua voz enjoada – É tudo culpa da McMillan
– Que é culpa da McMillan já deu para ver, resta saber de qual – disse um aluno no meio do tumulto. A multidão segurava o riso por medo de receber uma detenção, Dolores no entanto não pareceu se incomodar com isso, focava-se com afinco nas garotas à frente para se preocupar com engraçadinhos piadistas.
– Eu quis dizer o resto de aborto – esclareceu a garota – Thiffy não tem nada a ver com isso.
– Resto de aborto é você – gritou uma menina. Reconheci-a como Taylor, a maluquinha do cabelo colorido – O nome dela é Thalia e todos nós somos testemunhas de que ela só estava tentando fazer algo absolutamente normal quando foi brutalmente interrompida pela irmã.
– Calada Srtª. Foster – ordenou Umbridge – Afinal, o que esta garota queria fazer? – Taylor não respondeu – Desembuche.
– Você mandou eu me calar – debochou.
Umbridge encarou-a com fúria.
– Responda logo antes que ganhe uma detenção.
– Está bem, que estresse, vê se relaxa – disse a jovem calmamente – Thalia estava se inscrevendo para os testes de líder de torcida quando Thifany começou a gritar como se ela estivesse cometendo um crime – explicou.
– Crime não, mas é uma falta de respeito enorme – comentou Julie, a morena de olhos verdes – Onde já se viu uma pessoa como ela querer virar uma de nós?
Muitas garotas concordaram e dali se iniciou um murmúrio que logo se dissipou quando Thalia começou a falar:
– Segundo o regulamento escolar não existe nenhuma norma que proíba, como você comentou, pessoas como eu de entrar na equipe, a não ser é claro, que seja um garoto, portanto não se atreva a se dirigir a mim de modo tão hostil – bradou Thalia. Assim que fechou a boca, tapou-a com as mãos, incrédula com o jeito que havia se expressado.
Umbridge aproximou-se da garota ficando frente a frente com ela, e com um sorrisinho presunçoso decretou:
– Detenção pelo resto da semana, senhorita monitora-chefe. Uma pena esta falta não ser grave o suficiente para que este distintivo seja arrancado do seu peito – lamentou – Aguardo-a a partir de hoje na minha sala depois da aula. Espero que não tenha alergia a pelos, querida – finalizou com a habitual risadinha, tão insuportável quanto ela.
A Vaca-Rosa se retirou e à medida que se afastava o clima ficava mais leve e as conversas voltavam a acontecer. Observei Thalia se afastar. Sabia que a primeira aula dela era de Inglês, pois era a mesma que a minha, contudo, a loira foi na direção oposta à sala de aula. Rose fez menção de segui-la. Cheguei perto dela e a impedi.
– Espere – pedi – Se inscreva ali primeiro antes que arranjem uma forma de barrar você também.
– Tudo bem – concordou. Acompanhei-a até lá a fim de assinar meu nome para os testes do futebol – Ela só assinou o primeiro nome – reparou Rose chamando minha atenção para o quadro. O nome de Thalia aparecia como um borrão abaixo de todos, apenas um rabisco.
– Complete então – sugeri. A ruiva o fez – Acha que ela ficará bem? – inquiri verdadeiramente preocupado com o estado da McMillan. Rose encarou-me.
– Gente como ela – parou por um instante – E como eu aprende a ser forte assim – completou e saiu em direção ao banheiro feminino. A Weasley sabia exatamente onde a loira havia se escondido.
***
– Estão atrasadas senhoritas – repreendeu a professora McGonagall assim que Rose entrou de fininho na sala de aula com Thalia em seu encalço. Esta última com os olhos levemente avermelhados.
– Desculpe-nos, professora, isso não irá mais se repetir.
– Espero que não, ainda assim desejo conversar com vocês duas depois desta aula – declarou franzindo os lábios. Sua voz apresentava severidade, entretanto reparei divertimento em seu olhar – Juntem-se a seus respectivos pares, menino com menina. Para a próxima tarefa usaremos... – e desatou a explicar o exercício enquanto Rose acomodava-se ao meu lado.
Thalia andou até a última fileira onde sentou-se junto de um rapaz moreno de cabelos negros, um desconhecido para mim. Rose porém acenou para o mesmo e ele retribuiu com um sorriso tímido nos lábios. Logo depois engatou uma conversa com sua dupla.
– Quem é aquele? – perguntei à ruiva.
– Aquele é Edward Lincoln Lestrange – choquei-me. Aquele era o irmão da hiperativa Melanie Lestrange afinal? – Surpreso.
– Um ner...
– Um garoto inteligente, apesar de reservado e muito simpático também – interrompeu-me.
– Sim, mas não deixa de ser um...
– Menino muito charmoso, sim, concordo, ele realmente é.
– Vocês aí – exclamou Minerva direcionando-se a nós – Sem conversas paralelas. Vamos trabalhar.
***
O restante do dia transcorreu bem, pelo menos até a última aula. História.
Na aula da professora Umbridge, meninos e meninas deveriam manter a distância mínima de um metro entre si. Ela recolhia todos os aparelhos eletrônicos e mantinha-nos em uma caixa reservada para isso. Obviamente, eles deveriam estar devidamente desligados. Para se pronunciar, o aluno deveria levantar a mão direita – caso erguesse a esquerda ela simplesmente ignorava – e aguardar o fim da explicação. Cada aluno tinha a obrigação de responder corretamente a pelo menos uma pergunta para que todos fossem liberados. As garotas deveriam estar devidamente vestidas com roupas abaixo do joelho – a não ser, é claro, que se tratasse da filha do diretor e suas seguidoras. Além disso, durante toda a aula, a turma inteira deve manter a postura, não podendo sequer recostar-se mais confortavelmente na cadeira.
– Esta mulher é a encarnação do demônio – declarou Rose ao chegar em casa jogando-se no sofá.
– Concordo – imitei-a levantando suas pernas e apoiando-as em meu colo para que pudéssemos dividir o mesmo espaço. Pode parecer um ato estranho, mas se tratava do meu sofá favorito, e eu não estava afim de brigar por ele naquele momento. Ficamos em silêncio até que me recordei de algo – O que a professora de inglês queria com vocês? Atrasaram-se uns cinco minutos para a aula de Química.
– Nada demais – respondeu sorridente – Ela só queria parabenizar Thalia por sua coragem e me agradecer por ficar ao lado dela.
– Uma professora boazinha, então?
– Ao que me parece, sim. Consegui analisá-la bem e não vi nenhum resquício de perversidade.
– E não é que você é mesmo sensitiva? – caçoei.
– Estou falando sério – bradou – Além disso, Thalia me contou que ela era o braço direito de Dumbledore.
– E será que podemos confiar na palavra dela?
– Não cegamente, é preciso precaução sempre, no entanto, é a melhor opção que temos agora – concluiu.
– A melhor opção que eu tenho agora é tomar um bom banho – disse me levantando e passando por Rose para ir em direção às escadas. Ela porém, numa atitude ágil, segurou meu braço.
– Estou com fome – resmungou.
– E eu fedendo – retruquei.
– Continuo com fome.
– E eu continuo fedendo. Não vai querer que estas mãos que você nem sabe por onde passaram toquem na sua comida, não é? – retorqui.
– ECA! – exclamou a ruiva soltando meu braço – Que nojo.
Continuei meu percurso até o banheiro no intuito de relaxar um pouco. Com a água quente que cai sobre meus ombros, obviamente, afinal, essa está sendo a minha única forma de relaxamento ultimamente.
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