The Mission
31 Anote o que eu digo
Notas iniciais
Faz um favor para esta escritora que vos fala? Leias a notas iniciais!
Rose Weasley
– Você é muito fofo, Logan. – disse apertando as bochechas do pestinha de cinco anos à minha frente – Ele não é fofo, mamãe?
– Sim, Rose, muito fofo. – interrompeu a leitura e concordou rindo – Mas que tal largar as bochechas dele? Vão ficar doloridas depois.
Obedeci minha mãe, continuando a brincar com o trenzinho de brinquedo pertencente ao ilustre visitante da nossa casa, acompanhada por ele. No entanto o garotinho logo parou a brincadeira para cochichar em meu ouvido:
– Rosinha, posso fazer xixi? – perguntou apertando uma perninha contra a outra.
Dei-lhe minha permissão, o deixando sair correndo dali em direção ao banheiro.
– Mamãe – chamei, fazendo Hermione voltar seus olhos para mim – A Lilá vai demorar desta vez?
– Não sei, querida. – apoiou o braço na poltrona. Sua expressão era cansada – O trabalho dela exige muito esforço, você sabe, a vida do seu pai também é corrida desse jeito, eles têm de viajar bastante com essa empresa, meu amor.
– Eu entendo. – suspirei – E o papai, quando volta?
– Assim que der, Rosie. Ele deve chegar hoje à noite ou amanhã pela manhã. Isso se não aparecer por aqui de madrugada. Mas nada de ficar acordada esperando-o como da última vez, ouviu, mocinha? – meneei a cabeça em sinal de concordância.
Logan já voltava para brincarmos mais e eu o acompanhei mais uma vez em sua diversão.
***
Estava em meu quarto tentando lidar com a terrível fase da vida em que você “vira mocinha” quando ouvi um baque na cozinha. Aos doze anos já era muito estressada então desci correndo pensando ser Hugo em mais uma de suas armações quando dou de cara com um garotinho de sete anos e cara de culpado coberto de calda de chocolate. Eu não deveria tê-lo deixado dormir no quarto do meu irmão. Onde eu estava com a cabeça ao pensar que em pleno sábado, aquele cabeção iria acordar cedo e me ajudar a cuidar dessa criança?
– Eu queria colocar na panqueca, Rosinha. – se explicou quase aos prantos.
– Tudo bem, Logan. Vamos tomar um banho para tirar isso de você, okay? Depois a Rosinha prepara panquecas para você. – prometi sorrindo, pensando que assim que o colocasse no banheiro, obrigaria Hugo a limpar toda aquela bagunça.
***
– Admita, Rose. Pode não ir com a cara dele, mas temos de concordar que ele é um pedaço de mau caminho.
Estava jogada na cama ao telefone com minha prima que insistia em convencer-me de absurdos.
– Ele não é lá muita coisa, Lily. Scorpius Malfoy é só mais um bonitinho, não tem nada de especial. Entretanto aquele amigo dele, Zabini, bem, aquele é um caso a se pensar.
– Eu sabia que pelo menos um deles atraía você. – sorriu maldosamente.
– Rose, desça aqui um instante, por favor. – minha mãe gritou do andar de baixo.
Respondi que já estava indo enquanto me despedia de Lily. Desci as escadas às pressas esperando encontrar minha mãe mais uma vez na sala, sentada em sua poltrona, lendo, porém surpreendi-me ao me deparar também com meu pai abraçado à esposa e Lilá Brown, a última com expressão chorosa. Dei por falta de Logan, logo pensando que algo havia acontecido a ele.
– Rose. – Lilá começou – Vim aqui para despedir-me de você.
– Se despedir de mim? O que é isso? – comecei a me apavorar – Onde o Logan está?
– Logan está no quarto do Hugo, pegando alguns brinquedos que gostaria de levar. – explicou – Vamos nos mudar para outra cidade, Rose. Na verdade, para outro país, e não temos planos de retorno?
– Mas por que?
– Precisamos fazer isso, é algo que está além da sua compreensão.
***
E de fato estava. Depois daquele dia nunca mais vi nem um sinal sequer de Logan Brown ou de sua mãe. Até agora.
Larguei o garoto de uma só vez, respirando com dificuldade, talvez até mais do que ele, que ficara com o pescoço preso em minhas mãos por tanto tempo. Era difícil assimilar tudo aquilo, mas no fim das contas me sentia aliviada. Logan estava ali, não sei como, nem a razão, mas estava, e se aquilo não fosse destino, eu não sei o que era.
Assim que o rapaz se recompôs lancei-me contra ele, contendo as lágrimas. Não me importava se Scorpius estava ali, estranhando toda aquela cena, o fato relevante era que ali estava o meu principezinho, já um homem feito.
– Você está há oito anos sem dar notícias. Vai ter que me explicar tudo isso, mocinho.
– Sei disso, mas não podemos fazer isso aqui, muito menos agora. As aulas começam em cinco minutos. – alertou – Vou à sua casa logo depois da aula. Prometo que explico tudo, Rosinha.
Concordei com seus termos e saí do laboratório com um Scorpius muito confuso ao meu encalço.
– Pode me explicar o que foi tudo isso? – indagou – Estrangulamento, ameaças e depois abraços e beijos? Rose, isso está muito estranho.
– Sei disso. – afirmei parando para olhar em seus olhos – Scorpius eu estou muito feliz, radiante! Você vai saber assim que o Lo... digo, Edward contar. Até lá, por favor, sem mais perguntas.
Ele assentiu, ainda que a contragosto. Pelo menos não discutiu nem reclamou, apenas aceitou, como deve ser.
Sequer prestei atenção às aulas ou a qualquer coisa que acontecia ao meu redor, só pensava em como Logan pudera parar na casa do Lestrange, e considerava uma hipótese pior do que a outra. Nem reparei em como Thalia ria escandalosamente durante o intervalo, nem que Thifany foi para casa durante a terceira aula, alegando estar passando mal. Pelo menos eu não estava sozinha, Scorpius era um ótimo observador quando queria, o que me ajudava bastante.
Finalmente as aulas terminaram, e no caminho de volta para casa Scorpius estava estranhamente calado. Eu dirigia, mas minha visão periférica permitia que notasse sua expressão de incômodo.
– O que foi? – perguntei preocupada.
– Nada.
– Scorpius, desembucha. Não se faça de difícil.
– Só estou curioso com tudo isso. Você e o Lestrange, sabe? Achei estranho essa aproximação, você não esclarece nada, quer que eu espere para entender acho que se esqueceu que essa missão é para dois.
– Eu não me esqueci. – retruquei – Só pedi que esperasse, que tivesse paciência. Está sendo complicado para mim também, assimilar tudo isso requer esforço. Não está sendo fácil, a diferença é que estou feliz.
– Então o que custa compartilhar essa felicidade toda comigo? – subiu o tom da voz.
Bufei exasperada. Ele não entenderia.
– Tudo bem. – iniciei – Eu e Edward nos conhecemos.
– Namorado?
– Não! – tornei indignada e... enojada – Está mais para uma relação de irmãos. Eu o conheço desde que usava fraldas. Meu pai e a mãe dele trabalhavam juntos. Meus pais eram padrinhos dele, o que o fazia ficar lá em casa sempre que a mãe tinha uma missão. Na época eu não entendia esse trabalho, era só uma criança. – suspirei me esforçando para resumir a história toda – Quando ele tinha nove anos a mãe resolveu que iria se mudar para outro país, acho que estavam fugindo, não tenho certeza porque nem o meu pai sabia direito dessa história, só sei que depois disso eu não tive mais notícias de nenhum dos dois. – terminei e Scorpius fez sinal de que compreendera – A propósito, o nome dele é Logan, não Edward. Ele terá de explicar isso também.
Chegando em casa, antes mesmo de estacionar o carro na garagem, reparei no garoto de cabelos escuros parados em nossa porta. Fui de encontro a ele assim que terminei com o automóvel.
– Como chegou tão rápido? – questionei realmente curiosa.
– Vim de moto. Aliás, eu tenho uma moto, é bem mais veloz e eficaz nos dias de trânsito lento.
– Vem, vamos entrar. Você vai me contar tudo, tintim por tintim, ouviu bem?
O garoto assentiu, entrando em casa junto de Scorpius e eu. Sentamo-nos todos nos já conhecidos e explorados sofás da sala. Scorpius nos serviu sucos e biscoitos, o que deixava todo aquele momento tenso um pouco mais confortável.
– Então, quando vai começar? – inquiriu o loiro, recebendo logo um olhar de reprovação de mim.
– Logan, assim que se sentir bem com isso, está bem? – disse ao menino – Scorpius, menos, por favor!
– Então seu nome é Scorpius? – Malfoy assentiu – Prazer, Logan Brown. – estendeu-lhe a mão, logo os dois deram-se um aperto, cumprimentando-se devidamente. – Estão em missão, não é? Sabia que seguiria os passos do seu pai, Rosinha.
– Ele é minha grande inspiração – sorri, ainda mais por causa do apelido carinhoso.
– E onde ele está? Como anda o tio Ron? – quis saber, empolgado. Eu não respondi e senti-me um pouco desconfortável.
– Isso é um assunto um tanto delicado, que podemos tratar depois. – Scorpius respondeu por mim.
– Certo. – Logan assentiu desconfortável – Bem, o que eu tenho para falar é meio delicado também. Na verdade, um pouco difícil de resumir.
– Então não resuma, nos conte o que houve, desde o início. – incentivei.
– Okay. Bom, aquele dia em que eu saí da sua casa foi bem estranho, se quer saber. Era para mamãe e eu pegarmos o avião ao fim da tarde. Seu pai queria nos levar, mas minha mãe se recusou a deixá-lo fazer isso. Ela chorava muito naquele dia e eu não entendia. A verdade era que estávamos fugindo. Mamãe se envolveu demais na missão a qual fora designada a cumprir, ela colocou emoção demais nisso. Acabou sendo descoberta, então decidiu fugir comigo, não sei até hoje para onde iríamos, até porque nunca chegamos a embarcar. Na fila do check-in dois homens a abordaram. Falavam baixo e educadamente, eu pensei por muito tempo que dava para fugir mas me lembrei que senti algo na cabeça. Acho que apontavam uma arma para mim, e isso obrigou a minha mãe a acompanhá-los.
“Fomos com eles até uma casa grande, rústica, medonha. A casa dos Lestrange. Mamãe estava em missão lá por muito tempo, ela se apegou à garotinha que vivia lá. Ela era filha de uma das mulheres que faziam parte do harém de Rabastan. Ele teria mandado a mulher abortar a criança, ou matado as duas, mas aquela era a sua favorita, decidiu que ficaria com a criança, mas descartou a mulher. Minha mãe trabalhou por cinco anos lá, infiltrada como babá de Melanie, mas começaram a desconfiar dela e ela tinha que fugir. E como eu disse, ela havia se apegado demais à menina. Decidiu que se despediria dela, e assim fez. A partir de então á Melanie chorava todos os dias, e um dia foi reclamar com o pai, dizendo que queria a babá de volta. Só então ele deu a falta da minha mãe. Ela havia dito a todos que estava doente, só Melanie sabia que ela não voltaria. Mas só ela precisava saber para que tudo acontecesse”
“Prenderam a mim e a minha num quarto. Por dias Rabastan a torturou, a machucou, tudo na minha frente. Era horrível, mas depois de tudo ela ainda sorria e dizia que ia passar que aquele sofrimento todo iria acabar. E acabou. Num dia Lestrange entrou no quarto. Mas não sozinho. Havia um outro homem. Não me lembro muito dele, só que era cruel, o olhar dele parecia de uma serpente pronta para o ataque. Ele apontou uma arma para mim, disse à minha mãe que aquela era a última tortura que sofreria ali, que depois seria solta e nenhum deles a incomodariam nunca mais, a não ser que ela provocasse. Mas ela entrou na minha frente, ela morreu por mim.”
“Não sei a razão, porém Lestrange queria ficar comigo, dizia que precisava fazer o nome Lestrange perpetuar, e uma filha não poderia fazer isso. Ele me fez uma lavagem cerebral. Todos os empregados, sócios, parceiros, visitantes, todo mundo fingia que me conhecia há muito tempo, que eu era Edward Lestrange, que sempre vivi ali. Eu nunca acreditei em nada disso, apenas fingia, e finjo até hoje. Graças aos cuidados de Minerva eu consegui sobreviver, e Melanie e ela se tornaram minha família. Lestrange bate em mim por revirar suas coisas, mas ele nem imagina o que eu já sei, o que estava nos arquivos da minha mãe e eu li aos treze anos, quando voltei ao nosso apartamento. Aquele veljo idiota também não sabe disso, acha que esqueci da minha mãe, de quem ela era. Eu nunca esqueci, nem vou esquecer, e ele vai pagar por tudo o que já fez a ela. Anote o que eu digo, o jogo de Rabastan Lestrange está prestes a chegar ao fim.”.
Fale com o autor