The Mission

10 É dada a largada


Notas iniciais
Oi gente, como vão vocês? Me desculpem por não ter aparecido aqui semana passada, mas é que eu fiquei gripada e ferrou com tudo. Gostaria de agradecer aos reviews que vocês me mandaram e espero recebem mais desta vez. Não tenham medo, podem falar o que quiserem que eu vou aceitar e responder, okay? Quero deixar bem claro também que qualquer dúvida recorrente da história, é só me mandar um MP e, se estiver ao meu alcance, eu respondo. Os reviews que estavam faltando eu vou responder agora e, mais uma vez, me perdoem pela demora. Nos vemos lá em baixo.

Sábado. Cinco e quarenta e cinco da manhã. Departamento de Caracterização e Disfarces da CIA.

Bom dia? O que o dia tem de bom? Não dormi nada na noite passada, quer dizer, nesta noite, porque ainda não amanheceu e eu estou plantado aqui esperando o cara que nem sei se é mais o meu melhor amigo a fim de que possamos começar a nos aprontar para o martírio que será esta porcaria de missão. E quando eu digo nós, quero dizer a Weasley e eu. Não que ela esteja aqui esperando junto comigo. Deveria, mas não está.

Ah Weasley. Mal sabe ela que foi o motivo por eu não ter pregado os olhos e ter passado a madrugada em claro. O pior disso tudo é saber que o único responsável por esses pensamentos sou eu mesmo. Eu sei, é confuso. Se eu não tivesse feito a ruiva chorar não estaria cheio de remorso agora. Duvido que ela olhe na minha cara hoje, ou, melhor dizendo, duvido que ela olhe na minha cara pelos próximos trezentos anos. Entretanto, meu maior medo não é esse. Meu maior medo é que o meu amigo, aquele que me conhece como ninguém, tenha a mesma postura. Albus é muito importante para mim, não posso perdê-lo. É, sei que isso soou meio gay, mas que se dane! Estou admitindo isso para eu mesmo, então, qual o problema?

Tínhamos marcado de começar a trabalhar às seis, mas estava aqui desde as quatro e quinze. É uma das vantagens de se trabalhar numa agência que funciona vinte e quatro horas por dia.

Dois minutos depois desde a minha última checagem no relógio – o que acontecia a cada minuto, mais ou menos – Albus apontou no fundo da sala. Sua expressão? Por incrível que pareça, a mais tranquila possível.

– E aí? – disse assim que ele se aproximou. Qual é? Sou orgulhoso, mas sei reconhecer meus erros quando os mesmos afetam a minha relação com meu melhor amigo.

Ele pareceu ponderar um pouco antes de responder.

– E aí?

– Então... Sobre ontem. Albus, eu só gostaria de dizer que sinto muito e que eu admito que errei – fui logo confessando.

– O assunto “ontem” morreu – disse simplesmente.

– Falou com a fera?

– Se com o termo fera você se refere à minha prima, sim, falei com ela. E saiba você que não foi fácil acalmá-la.

– E o que acontece agora? – discorri. Tinha medo dela simplesmente abandonar a missão e, consequentemente, o emprego por algo que eu falei sem pensar.

– Agora é só você se comportar. E não a irrite em hipótese alguma, entendeu?

– Claro – disse automaticamente – Mas, Al, sobre tudo aquilo que você me disse... Como fica tudo isso? Ela sabe que eu sei? Tipo, de tudo?

– Ora, mas que tolinho. Para a sua informação, você não sabe de tudo – interrompeu a ruiva mais linda do mundo. Nota-se a ironia – Na verdade, não sabe da missa a metade.

– Al, me responda uma coisa – dissertei ignorando-a, ou melhor, fingindo ignorá-la – Não é só o pessoal do laboratório que usa branco? E, que eu saiba, a Weasley não é do laboratório – debochei de suas vestes.

– Achei que o Al tivesse falado para que você não me irritasse, Malfoy – falou a cabeça de cenoura.

– O quanto você nos ouviu, Rose? – perguntou Albus tirando as palavras da minha boca.

– O suficiente – disse simplesmente – Agora, podemos começar logo ou vou ter que me torturar por mais tempo ainda olhando para o Sr. Cara de Doninha? Ou pior, para cabelo dele?

Albus nos fez sinal para que o seguíssemos. Parecia um deja vu na minha mente. Foi exatamente assim que ele fez na primeira vez que vim aqui por causa desta missão, só que, desta vez, fomos por uma direção diferente. Pude reconhecer antes mesmo de entrarmos no recinto. Cheiro de produtos de beleza, shampoo, tinta de cabelo e esmaltes. Estávamos em um salão de cabelereiro. Se bem que salão não era o termo certo. Isto aqui estava mais para um SPA, afinal, era enorme.

Assim que apontamos na porta, uma loira magnificamente linda veio ao nosso encontro.

– Bom dia, pupilos. O que os traz aqui? – disse ela com um enorme sorriso nos lábios.

Eu a conhecia. Era Dominique Delacour, especialista em estética. E pelo que pude reparar da estética dela, era uma ótima especialista. Sua altura era mediana, mas seu corpo era totalmente proporcional. Seus olhos eram de um azul esplêndido, simplesmente fascinante, e estavam marcados por uma maquiagem preta, mas leve. Seus traços eram angelicais, mas fortes ao mesmo tempo. Será que isso é mesmo possível? Não interessa. Ela era linda e mais nada importava.

– Compromisso das seis, Domi – respondeu Al.

– Ah! Não sabia que seriam os dois, só me deram os números e eu não tive a curiosidade de conferir nos sistemas. Sabe como é, né? Estou aqui desde três da manhã – falou parecendo um tanto quanto revoltada – Rose, não acredito que finalmente terei a oportunidade de cuidar do seu cabelo. Ele é tão divino e precioso. Me atrai. Acho que sinto um amor platônico por ele.

– Domi, não exagera – discorreu a ruiva – Não é pra tanto.

– Então, o que acham de deixar o papo para depois? – interrompeu Albus – Domi, o que pode fazer por nós, ou melhor, por eles?

– Muita coisa – disse a loira empolgada – Li o projeto e achei incrível. Al, você é um gênio.

– Obrigada loirinha – agradeceu Albus – Mas ainda não merece o número do meu irmão.

– Estraga prazeres. Pois bem, voltando ao MEU projeto, estou pensando algo bem simples para o gatinho aqui – disse olhando para mim – Qual o seu nome mesmo, amorzinho?

– Scorpius Malfoy – respondi um tanto quanto decepcionado por ela não saber quem sou.

– O Imperador.

– Como disse?

– Te chamam de Imperador por aqui, não sabia?

– Não, não sabia.

– Seu segundo nome é Hyperion, não? Deve ser por isso. A mente armazena melhor os apelidos do que os próprios nomes – ela parou de palestrar por um instante – A Viúva Negra e o Imperador juntos – completou meio aérea.

– O que? – falou a Weasley parecendo irritada.

Dominique pareceu voltar de seu transe temporário.

– É melhor voltar ao trabalho, certo? Certo. Como ia dizendo, o Impe... digo, o Scorpius, não precisará passar por muita coisa. Talvez alguns poucos processos. Vamos mudar o corte de cabelo para que fique um pouco menos certinho. Vai precisar deixá-lo crescer, mas isso é o de menos. Teremos também que tirar esta barba extraordinariamente sexy. Isso é uma pena.

– Posso fazer isso sozinho – manifestei.

– Querido, precisamos de algo que dure mais, e uma simples lâmina de barbear não poderá fazer isso.

Weasley riu. Não entendi a razão.

– Qual é a graça? – perguntei a ela.

– Vão depilar seu rosto.

– Depilar?

– É. Com cera.

– Na verdade – embargou Dominique – É com uma linha especial. Aquela que eu te mostrei semana passada, Rosie. Ela é realmente eficaz, só tem um pequeno problema.

Weasley riu ainda mais.

– Qual problema? – falei um pouco nervoso, afinal, quem Rose Weaslye pensa que é para rir de mim?

– É muito mais doloroso – concluiu Domi.

Ainda com um pouco de raiva, acabei me conformando com a situação, afinal, ter aquelas lindas mãos me tocando seria meu consolo.

– Podemos começar agora? – sugeri.

– Claro. Pode entrar naquela porta ali – apontou para o que parecia ser um cômodo mais reservado ao final do salão.

– Prefiro ir junto com você, não acha melhor?

– Desculpe, mas não vou tratar de você. Nunca perderia a oportunidade única de poder brincar com os fios ruivos mais lindos que já vi em toda a minha vida – se explicou. Maldita seja Rose Weasley e seus míseros cabelos acobreados – No entanto, não deve se desesperar. Tenho a pessoa certa para tratar você com todo conforto e carinho que merece.

Bom, pelo menos isso. Se não fosse por ela, que fosse por uma das deslumbrantes mulheres que trabalhavam ali.

– E quem seria? – inquiri um pouco menos frustrado.

– RICHARD! VENHA AQUI QUERIDO! – ela chamou.

Apareceu então na minha frente um homem alto, forte e terrivelmente musculoso e disse:

– Pode vir tchutchuquinho, não se preocupe, cuidarei muito bem de você.

Duas horas depois de uma sessão de tortura dentro de um cubículo fechado junto com uma pessoa nada atraente que ficava se jogando descaradamente para cima de mim, decidi fazer um lanche. Convidei Albus para ir junto e depois de comermos, fomos dar uma volta.

– Não tem mais o que fazer? – perguntei.

– Estou por conta de vocês hoje.

– Como está a organização da missão?

– Ótima. Os caminhões de mudança já chegaram lá. A casa está mobiliada, decorada e tudo está em ordem. Tem comida na geladeira, roupas nos armários e dois agentes estão agora na escola se passando pelos pais de vocês. O lugar fica a duas quadras do colégio. Vocês já têm os documentos necessários e certamente conseguiram guardar todas as informações que passamos na cachola. Têm revistas de mulheres nuas debaixo do colchão do seu quarto e revistas teens com fotos e pôsteres dos rapazes mais cobiçados do mundo, sendo eles atores ou cantores para a Rose. Está tudo na mais perfeita ordem, Scorp.

– Menos você.

– O que?

– Está perturbado.

Ele suspirou.

– Estou preocupado. Preocupado com vocês. Já pensou se tudo dá errado e eu perco meus dois melhores amigos? Imagina a reação da minha tia. Aquilo que você falou ontem me fez pensar nisso. Seria muito doloroso para ela...

– Ontem não aconteceu. Vai ficar tudo bem. Vamos ficar bem – confortei-o.

– Não quero ter que encontrar outro parceiro de poker.

– Não vai precisar.

Reinou ali um silêncio, depois Albus deu um outro suspiro.

– Rose é mais frágil do que aparenta ser.

– Ela não aparenta ser frágil.

– Por isso mesmo. Não a faça sofrer. Não faça aquilo de novo.

– Vou protegê-la – falei convicto – Por você, pela mãe dela, pelo irmão também. E, principalmente, pelo pai. Darei a minha vida se for preciso. Posso não gostar dela, mas sei que tem muita gente que gosta.

– Você é um grande homem, Scorpius. Ás vezes é um imbecil, mas é um grande homem.

– E você é o mais nobre dos homens que eu já conheci – disse com admiração. A mais sincera e verdadeira admiração.

De novo o silêncio. Acho que todas as conversas profundas são cercadas de silêncio.

– É melhor pararmos com isso. Que tal irmos para a minha sala? Aquela tela lá dentro serve para muitas coisas, inclusive jogar vídeo-game – disse o moreno numa animação meio forçada.

– Isso não é antiprofissional?

– Não quando estou sem paciência para esperar horas dentro de um salão até que Dominique decida que rose está maravilhosa o suficiente para começar uma missão.

Rimos e nos dirigimos juntos até sua sala. Passamos o resto do dia jogando, assistindo TV e jogando conversa fora. Só paramos para comer e eu para me caracterizar, o que se aplicava a vestir um jeans aparentemente surrado, calçar tênis e bagunçar meus cabelos.

Por volta das cinco horas da tarde, Dominique mandou nos chamar. Segundo ela, o processo estava completo. Isso deveria significar que a Weasley estava pronta. Também pudera, passou o dia todo se embelezando. Se bem que “embelezar” não é a palavra certa, afinal, quem nasce desprovido da beleza, por mais que tente, nunca conseguirá alcançá-la. A Weasley se incluía neste grande grupo.

Ao chegar ao salão, Dominique nos parou na porta. Ela parecia soltar fogos de artifício por dentro, pois estava radiante.

– Estão prontos? – perguntou animada.

– Claro, Domi – respondeu Al com tom de tédio – Tivemos doze horas para nos preparar.

– Pare de ser sem graça, Albus. Ela está esplêndida.

– Não enrola.

– Tudo bem, apressadinho.

Ela pirregateou alto.

– Senhoras e senhores, ou melhor, senhores, apresento a vocês a mais nova Rose Weasley. Ou devo dizer, Elizabeth Jean Parker?

– Continuo a mesma de sempre Dominique, isso é só para fins trabalhistas – disse uma voz atrás de Dominique, a qual reconheci ser de Rose Weasley.

Quando Domi desbloqueou nossa visão – não sem antes revirar os olhos e bufar – tive a ideia do real sentido da palavra "mudança". Rose Weasley estava exatamente o oposto do que era nos tempos de colégio. As roupas não pareciam nem de longe as que ela usava na época, roupas essas que escondiam completamente seu corpo. As que ela estava usando valorizavam totalmente suas curvas, que são muito belas, devo admitir, e não eram nem de longe indecentes. Ela estava maquiada, mas só reparando bem para perceber, a não ser pelo batom, que era de cor forte. Seu cabelo estava mais comprido, com certeza fruto de alguma técnica artificial. Suas unhas estavam pintadas com um esmalte azul escuro. Estava consideravelmente apresentável. Repare bem, eu não disse bonita, disse apresentável.

– Uau! – foi o que Al conseguiu dizer. Ele estava obviamente abobado.

– Me sinto meio idiota. Não vou me acostumar fácil com isso. Acho que estou envergonhada, sabe, exposta – manifestou a Weasley. E, realmente, as orelhas dela estavam em tom escarlate.

– Está maravilhosa, Rose – protestou Dominique – Do que vai se envergonhar? Desse cabelo metade seu e metade criação minha? Desse rosto de menina com um toque de mulher? Desse corpão maravilhoso que inveja até a mim? Se liga, garota. Olhe para si mesma e valorize-se. É a sua chance de se provar forte e determinada com relação a si mesma. Confie em mim, vai dar tudo certo.

– Ela tem razão – surpreendi-me dizendo isso. Mas saiu, fazer o que?

Rose deu um sorriso meio tímido. É, acho que o medo dela não é muito bobo. Aconteceu alguma coisa bem séria no passado.

– Estão prontos? – perguntou Albus sério.

– Sim – respondemos em uníssono.

– Tem um carro esperando vocês lá em baixo. Fica a critério de vocês quem dirige. Tomem cuidado.

Rose saiu apressada de onde estava e deu um apertado abraço em Albus. Eles disseram algumas coisas, mas como falavam baixo, não consegui identificar nada além de "baixinha". Depois, ela se postou ao meu lado

– Pois bem, agentes – continuou ele – a missão "17 outra vez" começa agora.

E antes de assentir e sair dali junto com a Weasley, só pensei numa coisa: que nome mais idiota para uma missão.

Notas finais
Não fui eu que editei o gif, eu acheu no tublr, só para que não haja confusão. Enfim, espero que tenham gostado e que comentem por favor. E, gente, uma recomendação não seria nada mal, né? Só vou deixar no ar assim, sem pressão. Kisses & bye.