The Missing Rainbow

4 Uma deusa não tão boa


Assim que Quiron pronunciou essas palavras, ouve um breve murmúrio, em todo o refeitório. Eu fiquei um pouco constrangida, pois todos olhavam para mim, até que uma garota, que tinha os olhos coloridos, como os meus, se levantou e gritou:

– Hey, Quiron! Deixe a garota se sentar conosco! Quero conhecer minha nova irmã!

Quiron olhou para mim, com um ar amigável, e pediu para eu me juntar aos meus irmãos. Andei até a mesa, onde a garota me esperava ainda em pé. Notei que todas as cadeiras estavam ocupadas, mas a garota disse:

– Pode se sentar no meu lugar! Eu pego outra cadeira para mim!

Eu me sentei, e começando á minha direita, todos começaram a se apresentar. A garota que me dera o lugar, se chamava Liz. Eles foram realmente muito simpáticos comigo.

O jantar acabou, e quando eu cheguei no meu chalé, eu fiquei encantada. Ele era branco, e tinha muitos detalhes de todas as cores, desenhos, pedras, era mesmo maravilhoso. Entrei no chalé, e ele era igualmente lindo por dentro. Ao contrário do chalé de Hermes, o meu não tinha beliches, apenas camas, espalhadas pelo quarto. Tinha também uma espécie de chafariz que quando tinha a luz do sol refletida em sua água, banhava o chalé num suave arco-íris. Me sentei em uma das camas, e encostei as costas na parede. Antes mesmo que eu pudesse pensar em começar a chorar, como fiz no outro chalé, Liz se sentou ao meu lado:

– Seja bem-vinda ao nosso chalé! Fique à-vontade.

– Obrigada! – Agradeci, timidamente.

– Bem... Conte-me sua história!

Ficamos conversando por bastante tempo. Contei tudo, desde quando fugi de casa, e tive que me esforçar para não começar a chorar, todas as vezes que falava do meu pai. Ela também me contou a sua história, e perto da dela, a minha parecia um conto infantil. Conversamos mais, sobre muitos assuntos, rimos alto o bastante para sermos ouvidas do chalé vizinho, e ao final disso tudo, todos do chalé, cerca de 20 adolescentes de olhos coloridos, estavam sentados no chão, em roda, compartilhando suas histórias, conversando e rindo.

Não percebi, o quanto eu estava cansada, até parar de rir, e me acalmar. Eu estava deixada de bruços no chão, com a cabeça apoiada nas mãos, e meus olhos começaram a ficar pesados.

– Eei, novata! Acho que é melhor você ir para a cama! Você deve estar bem cansada, depois do dia cheio que você teve hoje. Pode ir dormir, que amanhã eu te acordo. – Disse um garoto alto, chamado Arthur. Ele era bem legal, mas eu estava sentindo falta de conversar com Pedro.

Fui para a minha cama, e peguei o meu pijama que havia trazido comigo, me vesti e fui me deitar. Meus olhos se fecharam imediatamente, mas ao contrário do que eu imaginei, eu não tive um sono tranqüilo.

Em meu sonho, eu estava em um lugar estranho, um lugar em que eu nunca estive antes. Era como as ruínas de uma casa, tirando o fato de que dentro dela, ao invés de ter moveis, havia apenas uma cela. Não uma cela comum, como as de cadeia, e sim uma cela feita de alguma coisa imaterial, algum tipo de magia, ou o que quer que fosse, parecia indestrutível.

Dentro da cela, havia uma mulher, que de alguma forma, eu conhecia: Íris, minha mãe, presa, em uma cela, sentada, quieta. Pele clara, cabelos longos e castanhos e olhos que pareciam muito com os meus e os de todos os meus irmãos. Emanava uma aura colorida, porém muito fraca. Ela levantou a cabeça e me encarou por um instante, e depois falou:

–Filha... Venha aqui! Chegue mais perto. – instintivamente, eu me aproximei da cela – Eu não tenho muito tempo, por isso, me ouça com atenção. Eu fui raptada, aprisionada, por uma deusa: Nyx, a deusa da noite. Você tem que me salvar. Saia em uma missão. Encontre-me. Nyx quer transformar o mundo em escuridão. Ela vai aprisionar os deuses um a um, e torná-los mortais, ela tem esse poder.

– O que? uma missão? Mas eu cheguei no acampamento hoje! Porque não escolheu uma outra filha ou filho? Porque eu? — Eu tinha mil perguntas em minha cabeça.

– Te escolhi, porque sei que você é a única que poderá enfrentar o que há por vir, a única que saberá fazer o que tem de ser feito. – Disse, minha mãe. E logo após ouvi o som de passos – Nyx está vindo! Eu vou te enviar dicas, que só você poderá ver, para encontrar-me. – Sua voz começou a ficar cada vez mais distante – Me salve! Salve o mundo! Eu te amo!

E então eu acordei. Quando abri os olhos vi que o sol entrava pela janela aberta. Sentada ao meu lado, na cama, estava Liz:

– Bom dia! Está na hora no café da manhã! Vamos lá! – Disse entusiasmada – Depois nós vamos praticar um pouco com a espada! Tenho muita coisa para te ensinar!

– Bom dia! – disse eu, ainda sonolenta. – Me espere lá fora, que eu já estou indo!