The Missing Rainbow

5 Cinco dias para achar uma deusa.


Tomei café da manhã com Liz, mas logo depois, fui correndo falar com Pedro. Ele era a única pessoa em quem eu confiava no acampamento, e eu precisava contar meu sonho para alguém. Cheguei em sua mesa, ele estava comendo ovos mexidos e conversando entusiasmadamente com Felipe.

– Huum... Pedro? — Interrompi.

– AAh, oi Julie! Como foi lá no chalé novo? — Ele perguntou, sorrindo.

– Foi tudo ótimo! – disse eu – mas você pode me encontrar depois do café, no lago? Preciso falar contigo!

Pedro assentiu, e eu voltei para a minha mesa. Terminei de comer, e fui para o lago, esperar Pedro, mas ele chegou logo em seguida, e se sentou ao meu lado.

– O que aconteceu Julie? Você estava muito estranha lá no refeitório! – comentou Pedro.

Expliquei tudo a ele, sem esquecer nenhum detalhe. Estava desesperada, então acabei despejando tudo em cima dele. Ele me ouvia com atenção, sem tirar os olhos de mim, e quando terminei, ele ficou parado, me encarando, em choque.

– Você não vai dizer nada? — Perguntei, após alguns instantes.

– Desculpe, Julie, mas você tem certeza de que realmente sonhou isso?

– Como assim? Você acha que eu estou mentindo? É isso? — Comecei a gritar, um nó se formando em minha garganta.

– Não é isso. É só, que... isso é muita coisa. – Começou, com calma — Você não acha melhor, falarmos com Quiron? Com certeza ele poderá te ajudar, melhor do que eu!

– Você tem razão... – concordei – Você vai comigo?

– Claro! – Disse Pedro, se levantando. Fiquei em pé, e o acompanhei até a Casa Grande.

Chegamos lá, e encontramos Quiron, conversando com um garoto alto, que eu já havia visto algumas vezes, filho de Zeus. Pedi licença e entrei, e Pedro me acompanhou. O Rapaz dizia alguma coisa sobre sonhos, mas parou abruptamente quando entrei.

– Julieta! Pedro! – Começou Quiron, olhando para mim – No que posso te ajudar?

– Huum... Eu e Pedro precisamos conversar com você. Mas se estiver ocupado podemos voltar outra hora.

– Não, não... – Me respondeu o filho de Zeus, apressadamente – Eu já estava de saída. E a propósito, meu nome é Yuri. – Se apresentou – Você é Julieta Stain, filha de Íris. E o seu amigo, é?

– Pedro. Pedro Stew – O garoto disse.

Eles se cumprimentaram, e Yuri, saiu da casa. Contei a Quiron sobre meu sonho com detalhes, e ele me olhou com um olhar espantado, como se eu tivesse acabado de falar, algo de outro mundo.

– Julieta, nessas circunstancias, e sabendo a importância dos sonhos para os semideuses, você vai imediatamente falar com o Oráculo, para receber sua profecia.

– Oráculo? Profecia? — Estava tudo muito confuso pra mim ainda

– Sim, para sair em uma missão, você precisa de uma profecia – Explicou Quiron. Eu vou chamar Rachel, o Oráculo. Me encontre aqui, daqui a pouco. E venha sozinha.

Saí da sala com Pedro, e voltamos ao lago para conversar mais um pouco. Passados mais ou menos 5 minutos, eu voltei a Casa Grande, e ele ficou no lago, me esperando.

– Oi Quiron – Disse eu, entrando na casa. Não vi nada que julgasse ser o Oraculo, apenas uma garota ruiva, com cerca de 16 anos, mas para mim, ela não se parecia muito com a portadora do Espírito de Delfos.

– Pode entrar, Julie. Essa é Rachel, nosso Oráculo. Ela vai te dizer sua profecia. – Disse saindo da sala onde estávamos – Esperarei lá fora.

Eu estava com medo, mas mesmo assim consegui me apresentar ao tal Oráculo. Não sabia como seria a profecia, até o momento em que ela, do nada, se curvou para frente, e quando olhou para mim de volta, estava com os olhos completamente verdes, e brilhantes, e eu tive que lutar contra a vontade de sair correndo.

Com uma voz que com certeza não era a dela, ela começou:

"Ao sul, a prisão da deusa sequestrada está

Um grande inimigo, a filha das cores enfrentará

A sela do arco-íris pela água se abrirá

E pela mão de um amigo, um dos quatro morrerá

Um segredo obscuro um há de revelar

Pelo filho dos raios, a escuridão acabará

Um sacrifício decisivo o ladrão enfrentará

E pelas mão do inimigo, o arco-íris brilhará”

Quando terminou, ela se curvou para frente, como antes, e quando olhou para mim, seus olhos estavam normais.

–Hum, bem... eu acho que é isso! Boa sorte em sua missão! – Disse Rachel

– Obrigada! – Disse eu, ainda muito assustada.

Fui até a varanda mas não encontrei Quiron, então decidi ir até o lago conversar com Pedro. Quando cheguei, estava com Felipe que estava completamente encharcado, e Pedro estava com uma cara aterrorizada. Me aproximei deles, e tive uma surpresa: Havia um mini tridente, símbolo de Posseidon, rodando sobre a sua cabeça.

O que é que houve, aqui? — Gritei – Eu me afasto cinco minutos e quando eu volto descubro que Pedro é filho do deus do mar?

– Isso é demais, não é? — Disse Pedro, sorrindo – Felipe chegou aqui, e começou a me irritar, por causa de Pietra, a filha de Atena, eu me irritei e quando vi, a água estava saindo do lago e molhando Felipe! E agora tem um garfo flutuando sobre a minha cabeça!

– Não é um garfo! – Gritou Felipe, visivelmente irritado – É um tridente! E eu não estou vendo graça nenhuma, em estar completamente encharcado!

– Calma, cara! – Eu disse, segurando o riso – Você devia ficar feliz por Pedro.

– Tudo bem! – Disse Pedro – E aí, como foi lá dentro?

Expliquei a Felipe meu sonho, e depois falei sobre a profecia. Eu já sabia exatamente quem iria comigo na missão: Eu (filha das cores), Felipe (bom, achei que ele seria o ladrão da profecia, por ser filho de Hermes), Pedro ( pois precisaríamos de água para abrir a cela) e Yuri, meu recém conhecido (filho dos raios).

– Vocês precisam falar com Quiron sobre Pedro e sobre a profecia – Disse Felipe.

– Você vem com a gente! – Disse Pedro ao amigo, se levantando.

Fomos até a casa, e encontramos Quiron no lugar de sempre. Contamos tudo á ele, e ele pediu a Felipe que chamasse Yuri. Quando chegaram, e nós terminamos de explicar tudo, á todos, ele disse:

– Bom, temos aqui os quatro solicitados á missão. Todos estão de acordo? — Todos assentimos – Vocês partirão amanhã, ao meio dia. Vão arrumar suas coisas, e praticar. Se encontrem no topo da colina, amanhã no horário marcado.

Saímos da casa, e fomos para nossos chalés, nos preparar. Passei á tarde toda praticando com os meus acompanhantes de missão, e só paramos na hora do jantar. Após jantarmos voltamos aos chalés, e eu fui dormir, esperando não ter mais sonhos. Mas isso não aconteceu:

Eu estava no mesmo lugar do sonho anterior, mas ele estava mais desfocado, como uma chamada por vídeo com o sinal fraco.

– Filha, fico feliz que tenha conseguido sua missão! – Disse minha mãe – Eu preciso lhe dar um ultimo recado antes de partir: Você tem pouco tempo para me salvar. Mais exatamente, cinco dias. Sem mais. Para te ajudar, como já foi dito, lhe mandarei sinais, mensagens que apenas vocês quatro conseguirão vê-las. Mas fique atenta, elas não durarão muito, pois estou quase sem forças. Vocês precisam me ajudar! – Nesse momento a imagem começou a falhar, e a voz dela a se distanciar – Não tenho mais tempo, você tem que acordar. Só mais uma coisa: Não tenha medo. Você vai ter que enfrentar seu pior temor. Seja corajosa. – E a imagem se apagou. Antes de acordar eu só consegui ouvir mais uma coisa: “Tome cuidado com o...”, e então eu abri os olhos.

Tomei café de manhã, peguei minhas coisas no chalé e fui me encontrar com os outros. Encontrei-os no pé na colina, me esperando. Cumprimentei a todos, e subimos a colina. Antes de partirmos olhei para trás, para o acampamento, e vi todos aqueles campistas, rindo, praticando e conversando. Naquele momento, única coisa que eu pensei foi: Eu não vou falhar.