The Missing Rainbow
6 Sonhando com o inimigo
O começo de nossa missão foi surpreendentemente fácil. O único problema era que sabíamos apenas que teríamos que ir ao sul. Não tínhamos mais nenhuma informação sobre para onde irmos, então estávamos praticamente perdidos.
Estávamos ainda parados em cima da colina, conversando sobre para onde iríamos, mas os semideuses nos olhando do acampamento inquietos estavam me deixando nervosa.
– E agora, o que a gente faz?– perguntei — Todos lá em baixo estão olhando, esperando alguma decisão, e faz quase 10 minutos que estamos parados aqui sem fazer nada. Eles esperam uma atitude heroica de nós, e estão começando a ficar apreensivos. E eu também.
– Eu esperava... Sei lá, algum sinal de Íris, como o nome do lugar escrito num arco-íris no céu, ou algo do tipo. – Disse Pedro – Mas pelo jeito não vai ser assim não, né?
Nesse momento, a pedra do meu colar brilhou e começou a ficar quente. Muito quente. — Por Íris, isso tá me queimando — gritei desesperada, arrancando o colar do pescoço. Segurei-o pela corrente de prata, e instantaneamente soube o que fazer. Levei a mão até a pedra colorida e com a ponta do dedo indicador a girei lentamente para a direita. Nesse momento a pedra brilhou mais intensamente, e em um clarão projetou um holograma multicolorido no ar, bem na nossa frente. Era um mapa de Nova York, mas não mostrava as ruas, prédios ou pontos turísticos. Mostrava apenas 4 pontos: Uma loja de velharias chamada Lost and Found, um conjunto de apartamentos abandonados, um parque de diversões e um condomínio residencial as margens do rio Hudson.
– Bom, acho que agora já sabemos pra onde ir. — Disse Felipe
– Próxima parada: Lost and Found! — Gritou Yuri, entusiasmado — Argos, leve-nos pra a rodoviária!
– Esperem! Só um segundo, tá legal? Preciso falar com o meu pai. — Disse eu, movendo a mão no ar e formando um arco-íris, um dos poderes dos filhos de Íris. Jogando um dracma de outro no arco-íris, disse: — Ó Íris, deusa do arco-íris, mostre-me meu pai
A moeda desapareceu ao passar pelo arco-íris, e meu pai apareceu, ainda sonolento mas assustado: — Julieta! Pelo amor de Deus, onde você esta? Eu te coloco de castigo por duas horas e você some por dois dias? Você quer me matar de susto? E quem são todos esses garotos aí com você?
– Calma, pai! Não são "todos esses garotos" são Pedro, Felipe e Yuri! Bom, eu vou resumir: Eu fugi de casa pra te dar um susto, mas aí eu encontrei o Pedro e um sátiro lutando contra uma hidra, aí eu matei ela e vim pro Acampamento Meio-Sangue, e minha mãe é Íris, você deve saber. Bom, Nyx que é uma deusa primordial raptou a minha mãe e pretende raptar todos os outros deuses e mergulhar o mundo nas trevas. Então eu saí em uma missão pra resgatar Íris, derrotar Nyx e salvar o mundo.
– Eu sabia que algum dia você ia ter que ir pra aí — Ele disse, com um olhar triste — Agora não há nada que eu possa fazer pra te ajudar. Boa sorte filha, eu te amo.
– Eu também te amo — Eu disse, segurando as lágrimas, e a imagem se apagou.
Argos nos deixou de carro na rodoviária, e pegamos o ônibus para o nosso destino. Mas deveríamos saber que tudo estava indo fácil de mais. Mais ou menos na metade do caminho, quando o senhor na nossa frente se metamorfoseou em um Manticore, e o nosso ônibus explodiu, eu percebi que a missão ia complicar um pouco.
O senhor grisalho, se levantou e ficou me encarando por um momento, e depois com uma voz forte e grave, que não aparentava nem um pouco ser de um velhinho de uns 70 e tantos anos, disse:
– Filha do arco-íris, desista de sua missão se quiser viver. Eu sei o seu destino, e em breve, você também saberá. – Rugiu, se transformando em um... leão, com asas de morcego, cauda de escorpião, e o rosto com feições humanas, como se alguém tivesse batido as criaturas no liquidificador, e esse fosse o resultado. Num impulso, pressionei a pedra do colar, e quando olhei para Pedro, ele já estava com a sua espada na mão, Felipe havia sacado duas adagas de seu colete, e Yuri empunhava duas espadas compridas que emanavam arcos de eletricidade. Todos no ônibus gritavam aterrorizados, alguma coisa sobre um leão gigante, e tentavam escapulir pelas janelas enquanto as portas e saídas de emergência se abriam lentamente.
O monstro atacou, e eu por pouco não perdi um braço quando ele fechou suas mandíbulas com tamanha força, que suas várias fileiras de dentes retiniram com o impacto. Eu fui em seu encontro, enquanto Felipe me dava cobertura lançando cinco, seis, sete adagas de uma vez, e Pedro e Yuri iam descobrindo e atacando seus pontos fracos, cortando e fazendo grandes talhos em seu pelo, que mais parecia uma malha de ferro, de tão duro, mas então aconteceu uma coisa inesperada: O ônibus explodiu. Fomos lançados pelos ares com o estrondo, e o mesmo houve com o manticore, mas ele não se abalou, e se levantou imediatamente. O mesmo não aconteceu conosco. Caímos no chão, e eu senti que minha cabeça ia explodir, como se estivesse passando por um moedor de carne. Pressionei as têmporas, enquanto os outros se levantavam. Pelo visto, apenas eu havia me machucado. Eu ouvi o monstro se aproximando e rugindo alto, e então eu apaguei.
Quando acordei, estava dentro de alguma barraca verde, e ouvia os garotos conversarem do lado de fora. Tentei me sentar, mas na hora minha cabeça começou a doer novamente, como se alguém estivesse batendo na minha cabeça com um martelo.
– Pedro! – Chamei, meus olhos cheios de lágrimas devidas á dor que voltara com muita força e não passara.
–Julie, como você está? Ficamos preocupados. Você ficou desmaiada por quase 5 horas – Disse Pedro, entrando na barraca, com uma expressão preocupada no rosto – Como você se sente?
– Dói. Minha cabeça. Dói muito. Onde estamos? O que aconteceu? Cadê os outros?– Estava com tanta dor que mal conseguia falar.
Ele me ajudou a levantar e me levou para fora da barraca, onde Felipe e Yuri conversavam sérios, afiando suas armas. Dei três passos, apoiada em Pedro, mas ao tentar dar mais um passo, desabei no chão, soltando um grunhido de dor. Os outros dois garotos vieram me ajudar, e me levaram de volta á barraca, onde me deram um pouco de ambrosia e néctar. A dor cedeu um pouco, mas eu ainda não estava bem.
– Durma um pouco – Insistiu Yuri – Amanhã nós continuamos nosso caminho.
Eu posso dizer que dormi, mas não posso dizer que foi um sono tranqüilo. Eu sonhei... e não foi uma coisa nada animadora.
No sonho, eu não estava na mesma casa dos outros sonhos, mas a cena era diferente, como se estivesse em outro cômodo. Uma mulher branca, muito bonita com os cabelos lisos pretos e volumosos e olhos pretos e intensos, conversava com alguém que estava nas sombras, e que não consegui ver.
– O manticore não conseguiu vencê-los. Talvez tenha os atrasado, mas não muito, Senhora Nyx. – Dizia devagar a pessoa nas sombras, como se escolhesse as palavras com cuidado – Mas em compensação, causamos um estrago bem grande na cabeça da pequena Íris. Suponho que as idéias dela vão ficar, digamos... Um pouco embaçadas daqui pra frente. – Disse em tom de sarcasmo, e eu tive vontade de socar ele, mas não conseguia mover meus pés.
– Pelo menos isso, você conseguiu. – Disse Nyx, em tom de reprovação – Assim vai ser um pouco mais fácil mexer com a cabecinha dela...
O que? Mexer com a minha cabeça? Como assim? Minha cabeça começou a doer novamente e eu caí no chão. Nyx olhou pra mim, com ar de desprezo e disse:
– Olha só quem temos aqui? Se não é a pequena arco-íris... Ela é sua amiguinha não é, criado?
– Bem... Ela acha que eu sou amiguinho dela... mas está enganada... – Disse, quem estava nas sombras.
– Então vamos acabar logo com isso! – Disse a deusa, se aproximando de mim, com uma espada na mão, e mesmo sendo um sonho, eu sabia que eu podia morrer. Ela desceu a espada, e eu abri os olhos.
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