The Missing Rainbow

7 Molhados, porém felizes.


O sossego da floresta quando acordei dentro da barraca verde foi estranha comparado ao meu sonho. Era como a calmaria depois da tempestade. Eu ainda estava toda suada, com o cabelo encharcado e as roupas coladas ao corpo, mas minha cabeça já não doia tanto e eu consegui levantar.

Saí da barraca e começei a procurar os meninos. Eles não estavam em lugar nenhum. Era de tarde, ainda estava claro e eu entrei na floresta e começei a procurar meus companheiros. Chamei seus nomes muitas e muitas vezes mas eles não respondiam. Começei a ficar desesperada, e gritei seus nomes mais alto. Estava chorando, muito assustada então não encherguei a pedra que me fez tropeçar e rolar o barranco.

Caí num riacho não muito grande, de aguas cristalinas. Eu estava toda suja, tinha cortes nos braços e bochechas, mas pelo menos encontrei Pedro, Yuri e Felipe. Estavam apenas com shorts, sem camisa se banhando na água fresca. Fiquei muito aliviada ao ver os três ali, sãos e salvos, mas esse alívio se transformou rapidamente em raiva.

– Vocês estão loucos, só pode ser! — gritei, alto o bastante para encobrir o barulho da água e as risadas deles, que ainda não haviam me notado e brincavam jogando água uns nos outros — Que tipo de amigos deixam uma garota desmaiada numa barraca no meio da floresta? Eu fiquei desesperada! Achei que tinha acontecido alguma coisa com vocês!

– Desculpe, nós tinhamos que tomar banho. Nós não ouvimos você chamar por causa do barulho da água! Mas, espera aí... Você tava preocupada com a gente! Que fofa! Me da um abraço — Disse Felipe, me dando um abraço molhado

– Mas agora anda, vem tomar banho com a gente! — Disse Yuri

Tomei um banho demorado para tirar o suor e tentar me acalmar daquele sonho terrivel. O sol se pôs e estavamos aindano riacho, jogando água uns nos outros, Pedro fazendo ondas nos pegarem de surpresa pelas costas. Por um momento me esqueci que estava numa missão, que podia ser morta a qualquer momento e que provavelmente estava brincando com um traidor. Por um momento, me senti apenas brincando na água com amigos. Mas essa felicidade não durou muito. Logo estava muito escuro e nós tivemos que voltar para a barraca.

Segui os garotos pelo caminho e descobri que o riacho era muito mais perto do acampamento do que eu pensei. Eu tinha feito um caminho muito mais longo. Quando chegamos ás barracas estava tudo em ordem, o que foi um alívio. Tirei a roupa molhada, coloquei um pijama e fui dormir. Como tinhamos apenas 2 barracas acabei ficando junto com Pedro. Saíriamos no dia seguinte, assim que o sol nascesse.

Comemos juntos, próximos á fogueira e depois fomos nos deitar. Quando cheguei na barraca Pedro já me esperava lá. Conversamos um pouco, mas estavamos muito cansados e acabei adormeçendo no colo de Pedro, com ele fazendo cafuné nos meus cabelos curtos, agora em sua cor castanha normal.

Quando acordei estava sozinha na barraca. Ouvi vozes no lado de fora e saí para ver. Já estava tudo arrumado, faltava apenas arrumarmos minha barraca e partirmos. Quando finalmente nos pusemos a caminhar eram quase 7 horas da manhã. Em pouco tempo estávamos na cidade, e paramos numa lanchonete para tomarmos café da manhã. Então, 8 horas da manhã já estavamos num taxi indo para o Lost and Found. Quase duas horas depois estavamos descendo do táxi na frente da pequena vitrine da loja de velharias apertada entre casas grandes. Pagamos com o dinheiro mortal que tinhamos e abrimos a porta.