The Missing Rainbow

1 Eu me apresento


Oi, eu sou a Julieta, já salvei o mundo, o Olimpo, os deuses, humanos e afins, mas vamos começar minha história do começo.

Bom, eu morava com o meu pai. Sempre achei que minha mãe havia morrido num terrível acidente de carro, como sempre me foi dito. Além do meu pai, morava com a minha madrasta Sarah, e não tem outro jeito de descrevê-la senão com a palavra detestável.

No dia em que fugi, eu tinha acordado com o rosto muito inchado, por ter ido dormir chorando. Eu tinha brigado com Sarah novamente na noite anterior, por ela ter usado meu colar favorito, com um pingente de algum tipo de pedra que reluzia em todas as cores do Arco-Íris, que minha mãe havia deixado para mim. Ah, ela era tão idiota.

–Julieta, querida – começou ela, em tom de sarcasmo – Não sei porque ficou tão brava ontem á noite, aquele colar nem é tão bonito assim...

–Cale a boca! – interrompi – Ou vou fazer você engolir esse colar idiota!

–César – chamou – Venha cá dar um jeito nessa sua filhinha malcriada! Acho que já passou da hora de você dar educação para ela!

Da sala de estar, ouvi os passos dele indo em direção á cozinha. Na noite passada, ele havia me avisado, de que se eu desrespeitasse mais uma vez a sua noiva, ia me deixar de castigo por um mês. Meu pai é um homem pacato, de 40 e tantos anos, que era bem legal comigo, até começar a namorar aquela mulher repugnante.

–Meu Deus, Julieta, será que eu vou ter que te mandar para um internato? Não aguento mais, você sendo expulsa das escolas todo o ano! E se não bastasse isso, você ainda continua desrespeitando Sarah! Você não vai entender nunca, que eu a amo? Sei que você não gosta dela porque sente falta de sua mãe, mas isso é um problema seu, e não é certo você descontar suas rebeldias infantis com a sua madrasta!

Comecei a chorar, num misto de revolta, tristeza e raiva. Nunca meu pai havia gritado comigo dessa maneira, não por causa de Sarah:

–Você sequer me perguntou o que Sarah me disse, antes de começar a brigar comigo?– Gritei, engasgando com as lágrimas – Você não percebe, que eu sou assim “rebelde”, por causa dessa bruxa que você enfiou dentro da nossa casa, sem ao menos me consultar? Você pode amar Sarah, não me incomodo com isso, mas a sua vida se resume apenas a trabalho e á ela! Você se lembra da última vez que você conversou comigo, ou saímos para nos divertir? Toda noite você sai com Sarah, e eu fico em casa, com os empregados, trancada no meu quarto, sozinha, mas com isso você não se importa! – Explodi, falando tudo o que estava entalado em mim, desde que ele a conhecera.

– Ah, então é isso o que causa tanta intriga? Você tem ciúmes de Sarah!

– Pai, me manda logo para essa droga de internato, por favor! Acho que pelo menos lá alguém vai se importar mais comigo, do que você! Por favor, arrume algum outro lugar para eu morar, de uma vez! – Gritei, em meio á soluços.

– Não, Julieta. Você não vai sair dessa casa! Você vai continuar a morar aqui, e aprender á respeitar a mim e a Sarah! Agora vá para o seu quarto, que eu vou mandar Morgana levar seu café da manhã! – Dando a palavra final, completou: – Agora! E não saia de lá enquanto eu não mandar!

Saí da cozinha batendo os pés, e bati a porta do meu quarto.