The Missing Rainbow
2 Um encontro com seres mitológicos
Bem, eu não pretendia fugir de casa de verdade, eu só queria dar um susto no meu pai pra chamar sua atenção, mas a situação saiu do meu controle.
Eu peguei algumas roupas e um pouco de dinheiro, mas nem precisei me dar o trabalho de sair pela janela. Saí pela porta da frente da minha casa passando agachada por trás do sofá onde meu pai estava com Sarah, mas nem corri o risco de ser notada, já que eles estavam conversando e rindo alto.
Sai de casa, e senti a brisa leve no meu rosto. Eu pretendia atravessar a floresta que ficava na frente da minha casa, e passar a noite num hotel, mas nada saiu como planejei. Estava mais ou menos no meio da floresta, de forma que podia ouvir os sons da cidade do outro lado, quando escutei um barulho bem estranho.E gritos. Não gritos de ajuda, e sim gritos e luta e o tilintar de espadas.
Fui vencida pela curiosidade e resolvi seguir os sons. Não demorou muito até eu chegar á uma cena realmente assustadora: Havia um monstro, uma criatura com pernas de bode, e um garoto com mais ou menos a minha idade.
O monstro, era gigante, e se assemelhava á um dragão, mas tinha sete cabeças. Quando o vi soube na mesma hora que aquilo era uma hidra. E como se não bastasse isso, havia um adolescente branco de cabelos pretos e encaracolados, que era bem bonitinho, tirando o fato de ele ser um bode da cintura para baixo. Mais uma vez com o auxílio de minhas aulas de história, soube que era um sátiro. O ultimo dos três, era um garoto branco com os cabelos castanhos que aparentemente não tinha nada de anormal, tirando o fato de ele estar com uma espada na mão, tentando matar a Hidra com a ajuda do Sátiro.
Eu fiquei em choque ao ver a cena, mas quando percebi que o garoto estava machucado, eu senti que precisava ajudar, mas não tinha nenhuma arma. Senti algo gelado em meu pescoço, e me lembrei que estava com meu colar, aquele que minha mãe me dera. Minha mão se moveu quase que sozinha até o meu colar, e pressionou a pedra. Foi como um impulso, e em menos de um segundo, eu segurava uma adaga prateada, incrivelmente leve e balanceada, com a pedra colorida cravada no punhal.
Quando vi a adaga em minha mão, não pensei duas vezes e fui á luta. Aproveitei que ninguém tinha me visto ainda, e consegui, de alguma forma, montar nas costas da hidra. Sabia que não podia cortar suas cabeças, porque senão nasceriam duas no lugar de cada uma cortada, então quando vi a fenda que havia em sua couraça dura, enfiei a espada inteira ali e a desci por seu corpo, e a fera, num grunhido de dor, virou um monte de areia e eu caí no chão.
Quando levantei a cabeça, e vi que os dois rapazes me olhavam, perplexos, eu não hesitei em me apresentar:
– Huum... Olá. Meu nome é Julieta Stain, e eu não faço a mínima ideia de como eu fiz isso.
Eles continuaram me olhando, e o garoto foi o primeiro a se manifestar:
– Oi! Meu nome é Pedro Soak, e isso que você fez foi demais! Você me salvou. Eu nem sei como te agradecer!
Percebendo que o sátiro ainda me olhava, perplexo, eu disse:
–Bom... talvez você possa começar me apresentando o seu amigo bode, aí!
– Desculpe-me por ele! – Pedro o apresentou, meio sem graça – Seu nome é Tom, ele é um sátiro.
Conforme íamos conversando, Tom me fez uma série de perguntas estranhas, do tipo “Você tem Transtorno de Déficit de Atenção, Hiperatividade, ou Dislexia?”, “Você é expulsa das escolas com frequência?” e “Você não conhece algum de seus pais?”, e o que me deixou espantada, era que todas as respostas eram sim.
Conforme eu ia assentindo, os rapazes se olhavam de uma maneira estranha, e ao fim do interrogatório, eles começaram um diálogo bem esquisito:
– Você acha? — Começou Pedro
– Eu tenho certeza – Respondeu Tom, rapidamente.
– Então fale pra ela! – concluiu o garoto.
– Ei, vocês dois! Vocês vão me explicar o que está acontecendo, ou eu já posso ir embora?? — Gritei, já começando a ficar irritada com aquilo.
– É o seguinte, Julieta – Começou Tom, com calma – Você conhece os mitos gregos, sobres os deuses, semideuses e monstros, não é? — eu assenti com a cabeça, e ele continuou — Bem, eles não são mitos! Os deuses estão vivos, o Monte Olimpo se mudou para o 600º andar do Empire State em New York, e como você viu os monstros ainda andam sobre a terra. Ás vezes, esses deuses, descem ao nosso mundo e acabam se apaixonando por mortais. Muito provavelmente isso aconteceu com o seu pai, e sua mãe é uma deusa, por isso você nunca a conheceu.
Eu fiquei, de certa forma, bem espantada, pois, mesmo depois de ter matado um monstro, e estar frente á frente com um sátiro, eu não esperava essa explicação. Isso me atingiu como um soco, bem no estômago, e quando tentei falar, as palavras não saiam.
– Julieta, eu sei que isso é uma coisa bem complicada pra você – disse Pedro – Porque eu também tive essa mesma sensação quando soube disso, mas Tom não terminou de explicar: agora que você sabe que é uma semideusa, os monstros vão começar a te atacar com cada vez mais freqüência, e para evitar isso, existe um acampamento para pessoas como nós, chamado Acampamento Meio-Sangue, onde estaremos em segurança.
– Mas eu não posso ir! Não sem antes avisar o meu pai! – Protestei – Eu quero muito ir com vocês, de verdade, mas não posso sumir assim, do nada. Meu pai vai ficar preocupado!
– Julieta, essa pode ser a sua única chance de ir ao Acampamento. Seu pai sabe que sua mãe é uma deusa, então, quando chegarmos lá, você pode enviar uma mensagem para ele! – Disse Tom.
– Tudo bem – Decidi – Eu vou com vocês!
Você pode me achar uma idiota, por estar acompanhando estranhos, pelo meio da floresta, eu também estava, mas eu não tinha outra opção, pois acreditava em cada palavra dita pelos meus recém conhecidos, e sabia que se voltasse para casa, eu correria um grande perigo, e meu pai, também.
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