Abriu a porta vagarosamente, ela estava ainda sentada na pequena cama, durante uns segundos, ele apenas a observou, parece que não tinha envelhecido um único dia. Foi como se um martelo, um martelo de recordações o atinge-se no cérebro assim que os seus olhos se "trocaram", todos os risos, todos os beijos, todos os momentos maravilhosos ao lado daquela mulher que na altura era ainda, tal como ele mesmo apenas uma jovem… Depois, depois o dia fatídico em que supostamente o corpo dela foi encontrado na mata, mas no final de contas aquela não era realmente o corpo dela caso contrario ela não estaria ali, bem na frente dele, o coração batendo quase tão forte como o dele, respirando, como ele, viva, como ele.

:- Luka… — levantou-se da cama e andou até ele, Luka deu um passo atrás, fechando a porta e deixando-se ficar lá encostado – Eu… nem sei o que dizer

:- Que tal começares pelo facto de não estares morta?

Ela acenou, os olhos fitaram o chão mostrando vergonha, arrependimento

:- Eu devia-lhes tanto…

: — Começa do inicio.

Cada palavra dela, cada explicação era como uma facada nova no seu peito, pensar que durante tanto tempo ele tinha sofrido pensando que perdera a pessoa que amava quando na realidade ela apenas tinha escolhido deixar que esse sofrimento o atingisse

:- Não entendo, porque nunca me procuras-te para me dizer a verdade? É certo que sabias o quanto me ia custar pensar que estavas morta!

:- Não podia, eles decidiram poupar me a vida, Luka, não podia simplesmente virar-lhes as costas!

:- E então e eu? Camille? Todos nós que choramos a tua morte!?

:- Eu… eu pensei que fosse melhor assim, podia começar uma vida nova, começar do zero, tu sabes quanto me estava a custar ajustar á vida de sobrenatural, eu não nasci assim! Não sou como tu

:- Pois, não, não és – Olhou-a com repulsa

:- Por favor…tens de entender…

:- Entender? Entender que durante estes anos todos a única pessoa que pensava amar não passa de uma mentirosa, egoísta?!

:- Eu? Egoísta? Então e tu? Toda esta discussão é por causa dos teus sentimentos e os meus sentimentos? E o que queria?

:- Pensava que o querias era ficar do meu lado…

:- Era! Mas depois, depois tudo mudou!

:- Pensas que não te íamos acolher de novo? Cometeste um erro, não estavas em controle! Todos nos cometemos esses mesmo erros, talvez não tão graves mas ainda assim, serias sempre uma de nós!

:- Não é isso que está em questão!

:- Então o que é?

:- Eu só… eu estava tão perdida!

:- Tinhas-me a mim!

:- Mas não era suficiente!

:- Obrigado.

:- Não é isso! Eu amava-te, tu sabes que sim!

:- Não tanto como pensava, caso contrario terias feito tudo para voltar, ou no mínimo para dizer que estavas bem, raios! Se querias ficar com eles, podias ter vindo ter comigo, podias ter dito que não eras feliz! Mas deixas-te que eles nos enganassem, que me enganassem, deixa-te que eu sofresse durante todos estes anos! Deixas-te que eu me fechasse com medo de me aproximar de alguém de novo e a perder! E queres saber? eu pensava que o amor era algo mau pois um dia podemos ficar sem pessoa que amamos assim sem aviso. Quando na verdade nem seque considerei que essa pessoa nos pudesse magoar por ela mesma. Ao fim ao cabo, acho que me fizeste um favor. Mantendo-me afastado de relações só tive de descobrir agora como as pessoas são falsas e egoístas!

:- Para de me chamar isso! Não é culpa minha que nunca tenhas superado a minha morte, que não tenhas sido forte o suficiente para seguir em frente! – ele puxou-a pelo braço para perto dele, olhou-o confusa quando a mão dele rapidamente se pousou na sua garganta apertando-a não com força suficiente para que ela deixasse de respirar mas ainda assim dificultando-lhe a tarefa

:- Não te atrevas! Não te atrevas a vir aqui, depois de tudo o que me fizeste e agir como se fosses a vítima no meio disto tudo!

:- A vítima… és tu? – Ele atirou-a para longe e virou-lhe as costas enquanto lágrimas escorriam do seu rosto, não queria acreditar que tinha deixado a raiva domina-lo daquela maneira

:- Não. A confiança, a amizade, o respeito, o amor. Essas são a vítimas.

Aura levantou-se do chão e apenas se deixou ficar ali a observá-lo

:- O que fazemos? – Perguntou por fim – se queres que me vá embora…

:- Não. Sam precisa de ti ou não te teria trazido para aqui.

:- Talvez ela só quisesse forçar-me a contar-te a verdade.

:- É uma guerra. Precisamos de toda a ajuda que conseguirmos.

:- Ela parece proteger-te muito. É bom que tenhas alguém assim do teu lado…

Ele virou-se para olha-la

:- Não sei o que estás a tentar dizer com isso mas nem sequer te atrevas! Não tens esse direito – Virou-se de novo para a porta, preparando-se para sair, mas antes disso deixou-lhe as ultimas palavras que lhe iria dirigir — Quando derrotarmos a Lana, quero-te fora daqui. Nunca mais te quero ver. Tu e eu, tudo o que tínhamos, morreu, assim como eu pensei que tinhas morrido há anos atrás.

Vendo-o sair do quarto de cabeça baixa e ainda limpando as lágrimas, Sam apresou-se para ele

:- Sinto muito…

:- É o que estás sempre a dizer – olhou-a com um sorriso triste – Ficarei bem

:- Mas é como perde-la de novo, tudo o que pensavas dela se alterou, está aqui mas ao mesmo tempo não está.

:- Sabes sempre o que eu estou a pensar não é, princesa? – riu um pouco posando as mãos nos ombros dela e olhando-a nos olho – Obrigado. Por olhares por mim. Não me refiro só em relação a Keira.

:- És o meu guardião – encolheu os ombros – acho que eu também posso… guarda-te a ti um pouco.

Foi a vez dela de rir, e então ele puxou-a para um abraço forte. De alguma maneira, sentia que ela parecia sempre compreende-lo, pelo menos naquilo que mais precisava. Era uma amiga a sério com a qual tinha uma ligação que na verdade nunca pensou ser possível.

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O feitiço estava pronto. Ninguém poderia realizar qualquer tipo de violência dentro do laboratório ou á volta dele. No entanto, Julian andava de um lado para o outro, preocupado, pensado nas palavras escritas a letras negras no velho livro “Só a grande bruxa tem o poder de se parar a si mesma.” O que podia aquilo querer dizer? Lana tinha de parar por ela mesma? Tinha de cometer suicídio? A menos que fosse de forma acidental, Julian duvidava piamente que algo assim fosse possível… talvez devesse contar a Sam, por um lado achava que ela deveria saber mas por outro… isso ia preocupa-la ainda mais, ia fazer com que ela não se sentisse motivada para tentar fosse o que fosse. Além do mais, a maioria das profecias não passava de mentiras, sonhadas sem querer, até quem sabe, por loucos que se achavam profetas.

Esperava que esta fosse uma delas, embora tendo em conta a fonte era um pouco difícil acreditar em tal coisa. Sabia também que se Sam não conseguisse de facto parar Deliah… se ela saísse magoada se iria culpar para sempre… talvez ele estivesse errado, talvez fosse melhor conta-lhe! Observou-a durante o que pareceu tempo demais, até que ela se virou para ele, confusa

:- Julian? Você está bem?

:- Sam… — Suspirou – Há algo que te quero contar – decidiu por fim dizer-lhe a verdade, depois tudo ela merecia – Na verdade, acho que todos vocês devem ouvir – Fitou os restantes e andou até ao meio da sala, em menos de cinco minutos tinha explicado como bem antes deles chegarem se tinha deparado com a profecia. Estava ainda a tentar entende-la mas se eles iam de facto enfrentar Lana tinham de saber toda a verdade.

:- Então, está a dizer – Jesse começou andando de um lado para o outro – Que só a Lana se pode parar a ela mesma e nada do que nos façamos vai adientar de muito?

:- Não – Julian abanou a cabeça negativamente – estou a dizer que há uma profecia! Mas as profecias nem sempre estão certas e muitas vezes existem maneiras de as modificar

:- Então porque raios são profecias?

Luka rolos os olhos, irritado

:- Porque as vezes, pessoas veem ou tem premonições, no entanto na hora delas se cumprirem alguém de fora interfere alterando ditas visões… conheces-te a Sloan, certo? – perguntou sarcástico – ela ve as coisas como estão destinadas a acontecer, mas isso não quer dizer que seja cem por cento assim.

:- Isso não impede o facto de basicamente nos estar a ser dito que não vale a pena fazermos nada

:- Tu queres ficar de braços cruzados? O Sr. Acção/Eu caço coisas desde criança?

:- Não estou a dizer que quero! Estou a dizer que esse livro nos está a tirar a esperança!

:- Só nos vai tirar a esperança se tu o deixares!

Sam, farta daquela discussão, colocou-se no meio dos dois

:- Okay, ouçam bem vocês, os dois! Não me importa aquilo que um livro velho e poeirento tem para dizer! A guerra lá fora vai ficar cada vez pior, eu já o vi acontecer e não vou faze-lo de novo! O Luka tem razão! – Viu o olhar vitorioso na face do lobisomem, quase como uma criança que nos deita a língua de fora só para ser irreverente mas ignorou-o, não tinha tempo para lutas de egos — Não podemos simplesmente ficar aqui de braços cruzados! Vamos lutar, vamos dar tudo o que temos! E se algum de nos morrer, pelo menos morre a tentar! A lutar! Agora, Cheif, tem de mandar os seus homens começar a atacar, professor é melhor ficar por aqui com a Izzie, nós vamos procurar a Lana

:- Não vou ficar por aqui – Julian disse calmamente

:- Não esta em condições de vir!

:- Sam, todos nós sabemos que o meu destino já está traçado. Sabemos que o meu tempo está a chegar ao fim. Não há necessidade de continuar a proteger-me. Vou lutar como todos vocês, vou estar lá ao vosso lado, levar esta luta até ao fim.

:- Tem a certeza?

:- Sem sombra de dúvida. Izzie pode ficar aqui e guardar o livro, duvido que consigam entrar devido ao feitiço mas ainda assim mais vale prevenir.

:- Eu fico com ela – Rodney disse dando um passo em frente, — Infelizmente os meus tempos de caça estão mais do que acabados. A única coisa que me parece racional fazer é ficar por aqui e ajuda-la a manter o livro seguro.

:- Agradeço – Julian acenou

:- Okay, isto está tudo muito certo mas como vamos achar a Lana? Não é como se ela estivesse por aí no meio da rua com o seu exercito de dementes– Jesse disse preparando as suas armas para a batalha

:- Nem acredito que vou dizer isto, mas ele tem razão – Luka concordou – De certo Lana está protegida num sitio qualquer nos confins do mundo a ver a guerra numa tv magica ou algo que se pareça.

:- Deliah tinha um castelo, no passado, quando Kaya e eu fomos procura-la, ela tinha um castelo enorme, estava escondida nele

:- Achas que consegues encontra-lo?

:- É como o Luka disse, ela deve estar escondida, quando há uma guerra os lideres apenas assistem, de certo ela não quer que nenhum de nós a localize, se ela morrer o sonho dela morre. E não posso simplesmente usar um feitiço de localização, tal como Kaya me disse, no passado, ela não é estúpida ao ponto de não se proteger contar tal. Os bosques que levam ao castelo pareciam-me familiares, mas tenho a certeza que qualquer um de nós teria reparado num edifício tão grande no meio de mato!

:- Pois bem, — Aura que se juntara a eles mas até se tinha mantido calada, quebrou por fim o seu próprio silencio, os outro viram a atenção para ela e ela fez o máximo para ignorar o ar de desprezo que Luka lhe lançava – Se não sabes onde é, então como raios vamos acha-lo?

:- Acho que posso ajudar com isso – o recém-chegado declarou vendo que agora as atenções se focavam todas nele

:- Tu?

:- O que? nem tenho direito a um “É bom ver-te de novo?” – Perguntou fechando a porta atrás de si e limpando o sangue que lhe escorria pela testa.