The Magic In me

37 Ganhamos? (Parte Dois)



Confuso, sem conseguir sequer pensar no que estava a acontecer, Declan apenas a fitou, teria perdido a cabeça de vez? O seu cérebro não teve tempo para lhe dar uma resposta, ela sorriu-lhe, ergueu uma das mãos e sem qualquer tipo de esforço, trespassou-lhe o corpo de lado a lado, ele olhou-a espantando, os olhos esbugalhados de dor, sangue jorrou da sua boca quando ele o cuspiu involuntariamente na cara da bruxa, ela empurrou-o para o lado, e ele tombou sem sentidos.
Lana levantou-se, poderia facilmente ter arrancado a espinha do vampiro, isso iria fazer com que ele sofresse ainda mais… mas agora era tarde demais, não ia perder mais tempo com Declan, pelo menos não por agora.
Pegou a espada do chão, pronta a eliminar a próxima ameaça. Tinha ainda Luka, o caçador e Julian, embora o ultimo não causasse qualquer problema para ela.
Virou-se subitamente com a arma em punho, foi então que apareceu, bem na sua frente, as mãos pingavam sangue e os olhos demonstravam raiva, Sam tinha-se literalmente agarrado a vida com todas as suas forças, quando Lana a atirou para a morte, conseguiu com muito esforço alcançar os pequenos buracos na barreira de pedra que adornava a varanda, depois, e claro com ainda mais esforço, tinha conseguido elevar-se, impulsionando o corpo para o lado de dentro e caindo no solo de pedra, bem ao lado das grandes janelas partidas.
Agora, ali estava e não queria mais esperar, Declan jazia numa poça do próprio sangue num canto, isso fe-la sentir ainda mais raiva, desferiu um pontapé na mão de Lana e a espada voou para longe. A outra olhou-a surpresa
:- Parece que não és assim tão fácil de matar
Sam não respondeu, deu um murro no nariz da outra, que a fez dar um passo atrás, o nariz estalou demonstrando que se partira, sangue começou a escorrer do mesmo, pelo queixo e pescoço mas ela pareceu não se importar.
De novo Sam, não disse nada, desferiu-lhe outro pontapé, desta vez no estômago que a fez cair de joelhos
:- Aprendi umas coisinhas com Jesse – encolheu os ombros, a outra olhou-a furiosa e levantou-se de um pulo, limpou o sangue com as costas da mão, lançou a Sam um ataque mas esta foi capaz de criar um escudo protector a sua volta , evitando-o facilmente, Lana entortou a cabeça olhando a outra de forma curiosa, até mesmo divertida, de novo, Sam limitou-se a atacar lançando sob a outra uma bola de fogo, a bruxa tentou desviar-se mas não foi a tempo, o lado esquerdo da sua cara e corpo foram engolidos pelas chamas, Sam ficou a ver, enquanto as chamas laranjas consumiam o cabelo loiro da outra, a sua pele, esta urrou de dor, e a jovem feiticeira correu em direcção á espada, estava a alguns centímetros dela quando uma fenda se abriu no chão, Sam pulou para trás para não cair no abismo e caiu de traseiro no chão, olhou sobre o ombro e viu que Lana se aproximava, tinha conseguido apagar o corpo mas metade do seu cabelo tinha desaparecido, sendo queimado pelo ataque da feiticeira, o seu rosto, ou pelo menos metade dele, estava também afectado, desfigurado, dando-lhe um aspecto de monstro de filme de terror, talvez como que a irmã perdida de Freddy Krueger.
Da fenda no chão começaram a sair insectos enormes, bichos saídos dos pesadelos de crianças assustadas, Sam arrastou-se para trás, só parando quando embateu na parede de pedra
:- Acabou! – Lana declarou, elevando a mão e a espada voou até ela
Sam tentou levantar-se mas do chão brotaram espinhos de novo, desta vez não de matéria biológica mas de arame farpado, enrolara-se nos pulsos, tornozelos e pernas dela, Sam sentiu o aço enfiar-se para dentro da sua pele e teve de morder o lábio para não gritar de dor.
Lana andou até ela e apontou-lhe a arma ao pescoço, debateu-se por se libertar mas só conseguiu com que os espinhos de aço se aprofundassem mais para dentro da sua pele.
:- Ultimas palavras?
Era o fim, agora não havia mesmo salvação, não havia herói que entraria no último minuto para a salvar… Os seus amigos estavam ou aprisionados ou mortos, estava entregue a si mesma e sabia que nada podia fazer para se libertar, tinha sido “fácil” queimar os espinhos que a outra bruxa envolvera nos seus pulsos, mas desta vez, era puro aço que a mantinha imóvel, por muito que tentasse, não tinha escapatória. Tinha acabado sim, era o fim, tanto ela como muitas outras pessoas inocentes iam morrer e tudo porque ela não fora forte o suficiente para cumprir a sua única tarefa: Matar a bruxa.
:- Perdoo-te – Disse por fim quebrando o silêncio
:- Perdoas?
:- Não a ti – abanou a cabeça negativamente – Não a Deliah, perdoou a Lana, a verdadeira Lana, sei que não podes ouvir-me , mas eu perdoou-te, sei que não querias nada disto, sei que querias poder, mas também sei que no teu juízo perfeito nunca terias feito isto, todas estas… atrocidades, eu sei – olhou-a nos olhos, não esperava nada, sabia que Lana, a verdadeira Lana tinha há muito sumido, mas queria dizer aquilo, aqueles eram os seus últimos momentos, e talvez, onde quer que a sua amiga estivesse agora, talvez a conseguisse ouvir, e saber que de certo modo ela não a culpava por nada daquilo – Tu nunca matarias a Mila, nunca deixarias que a magoasse, eu sei que querias poder, não sei porque o que fizeste, talvez só mesmo por isso, pelo poder… Mas eu perdoo-te.
:- Eu não sabia! – Lana começou a chorar, abanando a cabeça – Eu não sabia, eu juro! Eu não sabia que Deliah ia tomar conta do meu corpo! Eu só pensei que ia ganhar poderes e—ter tudo aquilo que eu sempre quis!
Sam olhou-a confusa
:- Isso não tem piada! Matas-te a minha amiga e tens a lata de te fazer passar por ela? Já ganhas-te Deliah! Tens me aqui, podes matar-me
:- Não, Sam! Sou eu! Não sei como… O meu espírito supostamente, deveria ter sido destruído quando Deliah habitou o meu corpo mas… Não foi, consegui recuperar o controle algumas vezes, especialmente quando ela está fraca como agora… Não tenho muito tempo, nunca tenho…
:- Lana? – Sam franziu a testa, olhando o agora desfigurado rosto da sua amiga
:- Sinto muito, Sam, eu nunca quis nada disto, só queria ser uma bruxa poderosa… só queria… Não queria morte! A minha família, tiraram os nossos poderes, aos nossos antepassados, há séculos atrás como castigo por terem ajudado Deliah, eu pensava que estava apenas a recuperar aquilo a que tinha direito… acredita em mim, eu nunca quis nada disto!
:- Eu acredito, Lana, solta-me!, podemos fazer algo, tem de haver uma maneira!
:- Sinto muito , Sam, não posso fazer isso – Deu um passo atrás
:- Lana… tens de me libertar! Eu… posso encontrar uma maneira, tens de haver um jeito de fazer a Deliah desaparecer de… tu voltares a ser tu!
:- Não há maneira! Consigo senti-la, ela está prestes a voltar, não há nada que possas fazer, Sam! A única maneira de a parar é acabar com ela! – virou a espada para ela mesma, apontando-a ao abdómen
:- Lana!
:- Sinto muito, sinto mesmo, mas eu vou remediar isto, eu prometo – Sorriu
:- Lana, não!
:- Não há outra saída, está tudo bem, Sam, tenho de me redimir, vou redimir-me.
Empurrou a espada para dentro do corpo com toda a força que lhe era permitida, sentiu o ardor do aço nas entranhas e então caiu para o lado, um vómito de sangue que ela não foi capaz de controlar, fez o líquido vermelho ser expelido da sua boca
:- Sai enquanto podes, o cas---castelo vai ruir…. – disse e depois os seus olhos fitaram o nada, vazios, sem vida.
Sam fechou os olhos forçando as lágrimas a não sair, gritou de dor quando o arame farpado á volta dos seus pulsos e tornozelos de dissipou, desvanecendo no ar.
Levantou-se cambaleante, correu até aos amigos, agora a prisão tinha também sumido.
:- Temos de sair daqui! – Jesse comentou com urgência vendo que o chão começava a tremer – ajuda o Julian, eu ajudo o Declan!
Disse para Luka que não hesitou, colocou o corpo frágil do Professor sob o ombro.
Jesse correu até ao vampiro, puxando-o para cima, o buraco no seu abdómen começava a fechar, mas era ainda largo o suficiente para deixar ver as suas entranhas.
Correram para fora do castelo, enquanto a terra termia e o edifício ruía á volta deles.
:- Esperem! Esperem, parem! – Sam gritou uma vez do lado de fora
:- Não posso parar! Vampiro, sol, não é uma boa combinação! – Jesse gritou, olhando o céu onde agora o sol voltara a brilhar, — Tenho de leva-lo para a sombra das árvores, rápido!
:- Vai! – Sam acenou – Não podemos deixa-la aqui! – Disse olhando o corpo de Sloan sem vida – por favor, é o mínimo que eu posso fazer por ela…
Sem uma palavra, Luka , pousou suavemente, Julian, que agora começara a acordar e pegou o corpo sem vida da profeta.
Sam apressou-se a ajudar o professor, confuso e ainda debilitado a andar dali para fora.
Atrás deles, o castelo ruía, enormes pedras caiam no chão causando crateras apenas para depois sumir como se nunca ali tivessem estado.
Por fim, a feiticeira e os seus amigos ficaram longe o suficiente do castelo que agora era nada mais do que poeira ao vento.
Declan e Jesse, descansavam encostados na sombras das árvores, longe da luz do sol que para o vampiro era mortífera.
Ajudou Julian a apoiar-se também no tronco de uma árvore, este confuso e tonto fechou os olhos e respirou fundo.
Sam estava prestes a falar, a perguntar a Julian se se sentia bem, foi então que uma dor que nunca tinha antes experienciado tomou conta de todo o seu corpo, cambaleou um pouco sentindo se tonta, era como se estivesse a ser picada por milhares de agulhas fininhas, caiu de joelhos arfando, depois, passado apenas segundos a dor desapareceu da mesma maneira inesperada e misteriosa que tinha aparecido.
:- Conseguiram! – Uma voz fez-la virar-se
:- Sam, estás bem? – Luka perguntou notando algo errado na feiticeira, mas ela já andava em direcção ao recém-chegado, ele iria querer uma explicação, e na verdade, ela queria ignorar aquela dor estranha, pois no fundo, no intimo do seu ser, sabia, sem sombra de duvida o que tinha acabado de acontecer.
:- O que aconteceu? – Zeke perguntou, franzido a testa ao ver Sloan imóvel nos braços do lobisomem, vinha com Aura que se limitou a olhar Luka e depois foi se postar perto de Jesse e Declan.
:- Sinto muito, ela… salvou-me a vida, salvou-nos a todos nós de certa forma, sem a ajuda dela tudo estaria perdido
Zeke andou até Luka e tomou o corpo de Sloan dos seus braços
:- Sabia que isto ia acontecer – Disse com um suspiro de dor, contendo as lágrimas – mas ainda assim não estava preparado… Esperava estar enganado. Ás vezes este dom… — Suspirou de novo – Pude ver na aura dela que algo errado, muito grave se iria passar, por isso a mandei ir contigo, pensei…
Sam colocou a mão no ombro dele
:- Pensas-te que ela ficaria a salvo… Zeke, eu… sinto muito, eu queria ajuda-la! Mas não consegui…
:- Não, ao invés disso, ela ajudou-te a ti, salvou-te a ti a vida, acho que cumpriu o seu destino, que não havia nada que pudéssemos fazer para impedi-lo
:- Foi isso que ela disse, que encontrou o seu propósito … se eu menos eu tivesse conseguido...
:- Oh, querida! Para de te martirizar, estou certo do que se pudesses a tinhas mantido viva, de que farias qualquer coisa para a salvar, Não foi culpa tua, Sammy.
Sorriu-lhe, era um sorriso triste mas que ainda assim mostrava que não estava zangado, o que a culpava pela morte da sua amiga.

Aura andou até Luka, passos hesitantes e amedrontados, pousou-lhe a mão no ombro ao ver que ele observava Zeke e Sam com uma expressão de pesar
:- Conseguiram...
:- Ela conseguiu
:- Ela realmente é uma mulher forte...
:- É.
:- Luka... eu sinto muito, por tudo aquilo que te fiz... Pela forma que agi no nosso reencontro. Sei que nunca vais entender as minhas razões... Mas espero que pelo menos consigamos voltar a ser amigos
:- Keira — suspirou — Aura, tens razão, eu não entendo as tuas razões, nunca vou ser capaz de o fazer, e nunca vou ser capaz de te perdoar ou até ser teu amigo. Estou agradecido pela ajuda que nos deste mas não passa disso. Por isso obrigado, mas aquilo que te disse mantém-se, não preciso que fiques na minha vida.
:- Entendo — sorriu de forma triste — voltarei com Rodney e os outros — começou a afastar-se, depois parou e olhou-o — Luka? Acho que uma das razões pela qual não me perdoas e recusas a aproximar-te, é porque o teu coração se encontra fechado. Não porque te recusas a amar, mas sim porque já o fazes mesmo sem o saberes.
Sorriu-lhe e depois afastou-se rapidamente. Ele ficou ali uns minutos, a tentar entender o que ela queria dizer com aquilo, depois decidiu ignorar o comentário e aproximou-se de Julian, que ainda se encontrava apoiado na árvore.
:-Julian, Como se sente?
:- Bem, eu acho…
:- Como é que…? Quer dizer, pensei que fosse suposto…
:- Eu morrer? – Julian perguntou com um aceno de cabeça – Também pensei o mesmo mas… Digamos que um anjo da guarda me disse que o meu lugar é aqui do vosso lado… Aparentemente ainda tenho muita gente a quem ajudar
Luka sorriu
: — Fico feliz por estar bem
:- Eu também, surpreendentemente… então… — Olhou a volta contemplando o sol – Ganhamos?
O lobisomem riu um pouco
:- Ganhamos.