Notas iniciais
Capa: Jeziel

Começo a gritar desesperada, um fantasma, será mesmo? Ou é só a minha cabeça?

— VAI EMBORA SEU DEMÔNIO! – peguei uma almofada e joguei em direção ao meu pai e como eu temia ela o atravessou.

—CALMA AÊ MENINA! – meu pai grita, se bem que eu duvido que ele realmente seja meu pai, eu acho que eu devo ter comido demais no almoço e isso me afetou.

— Calma? EU ESTOU ENLOQUECENDO! Eu vou embora, vou comer alguma coisa, e vou dormir. E VC VAI DESAPARECER!

— Blé. Eu ia tentar explicar, mas acho que serei obrigado a mostrar.

Sinto que meus ossos viram gelatina. Algo me puxa, o meu corpo se desintegra e fica tudo escuro.

Vlamir já estava idoso, havia se aposentado e decidira comer todas as coisas que sempre se proibira de comer. Pizza, tortas, bolos, doces e todos aqueles venenos.

Venenos mesmo, aos 64 anos, teve um ataque fulminante. Estava um pouco nervoso, pois seu time tinha perdido uma partida importante de futebol. Sentiu uma dor enorme no peito e puf! Cai duro no chão.

Após sua alma deixar o corpo, ele viu toda a sua trajetória. Desde o momento que foi concebido (eca), infância, adolescência, etc.

Sua vida passava como um flash em sua frente. A cada cena que via, mais se lembrava, isso é algo bem incomum.

Foi quando uma luz o cegou, a cena mudou. Estava em uma fila, em um lugar branco, dourado e prateado, havia muitas pessoas na sua frente. Ele estava com um papel na mão, sua senha, seu número era o 5374.

Demorou muito para chegar sua vez, até que Vlamir entra em uma cabine onde havia duas fotos dele, uma dele jovem e bonito, outra ele estava velho e gordo e em cima estava escrito ‘’ MUDE SUA APARÊNCIA! Ou não, você quem sabe... ‘’

Ele escolheu a foto de quando era jovem, afinal, pensou ele, antes ser um gostoso de camisa vermelha do que um gordo de camisa vermelha.

Após sair da cabine, ele entrou em uma sala novamente branca, com uma mesa e duas cadeiras, em uma delas, estava um homem de branco, era um pouco orelhudo. Ao seu lado havia uma balança.

— Hum, da licença, onde eu estou? –Vladmir perguntou confuso.

— Olá, eu me chamo Jeziel, e você está morto.

Vlad riu, na verdade, ele pensou que estava sonhando. Até que percebeu que seu corpo estava extremamente leve.

— T-t- tá falando sério?

— Sim- Ele sorri- Muito prazer, eu sou o Jeziel, o anjo responsável por auxiliar as pessoas a receber sua sentença. Mas não se preocupe, morrer é a melhor parte da vida.

— Tá, o que eu tenho que fazer agora?

Jeziel lhe entregou uma folha uma pena.

— Faça um rabisco qualquer nessa folha, eu irei colocar na balança. Dependendo do resultado, você irá para o Sono, ou direto para as trevas.

Ele pegou a folha e fez um rabisco qualquer.

O anjo pôs na balança, ela se inclinou primeiro para a direita, depois para a esquerda, até ficar e perfeito equilíbrio. Jeziel estava desesperado.

—AH MEU DEUS! E AGORA?

— O que foi? –O loiro pergunta desesperado- acalquei de mais o papel?

— Não, pior que isso. Você é bom demais para o Inferno e ruim demais para o Céu, isso nunca aconteceu.

— E agora?