Notas iniciais
Desculpe a demora... Espero que gostem. E tenham paciência ! :)

As meninas tiraram minha camisola e me acompanharam até o banheiro com uma certa calma, ao entrar na banheira morna que me esperava, passaram uma esponja lilás levemente contra minha pele caramelo.

Ainda não me acostumei com elas me vendo nua sempre que iam me vestir ou me ajudar a banhar, porém segundo a realeza é a obrigação de cada uma criar vestidos e fazerem outras coisas para cada selecionada, ainda assim sinto que nunca iria me acostumar com essa situação, nem mesmo minha mãe e minha irmã me viam deste jeito, tornando esses momentos ainda mais constrangedores.

— Pensando no encontro senhorita? — Faith sussurrou me tirando dos meus pensamentos — Está nervosa?

— Não, só estava pensando em algumas coisas — sorri — Você sabe que se dependesse de mim não estaria aqui né? Então, não, não estou nervosa.

— Mesmo depois de conhecê-lo... — hesitou e continuou com a voz baixa e tremula — depois do presente que lhe deu, da forma como ele a tratou? — as três me encararam curiosas esperando pela minha resposta.

— Bom, fico muito feliz por saber que ele não é o monstro que eu pensava que fosse, mas um presente ou a forma como ele me trata não muda o fato de eu está aqui porque fui obrigada. — a loira assentiu, deixando o lugar em silêncio profundo.

Após o banho Charlotte escovou e pranchou meu cabelo, finalizando com ondas e em seguida o prendendo no alto da cabeça com um prendedor prata de pedras rosadas deixando somente duas mechas soltas na lateral do meu rosto e a frente da minha orelha, Faith tirou do guarda-roupa um vestido que ela mesma criara na cor rosa claro estampado de flores com um tom mais escuro do rosa, a peça tinha mangas que cobriam até a metade de meu ombro revestindo toda a parte do meu peito à minha cintura deixando esta justa em meu corpo, o resto da peça fluido e rodado cobrindo a minha coxa até um pouco a cima do joelho. Angel terminou de fazer uma maquiagem simples somente de blush bronze e delineador, me ajudou a por um pequeno salto na mesma cor do vestido.

Encarei-me no espelho por bastante tempo, Mere iria amar esse vestido, ela sempre foi a que tentava sempre parecer mais sociável mesmo com pouco dinheiro. Meu all-star branco iria combinar perfeitamente com ele, pensei fazendo uma careta a frente do espelho.

— Não vou usar o salto — murmurei vendo o reflexo do mesmo no espelho — Peguem o all-star que Damon me dera, por favor.

Abriram o closet de sapatos tirando de lá o all-star branco que ainda estava dentro da caixa, tirei o solto o substituindo pelo pequeno tênis branco, me encarei no espelho novamente. Agora sim estava mais parecida comigo mesma. As meninas tentaram me fazer voltar atrás da decisão, usando a desculpa que o príncipe talvez pudesse não gostar da minha atitude. Dois guardas com quase dois metros de altura avisaram que iriam me acompanhar até que encontrássemos Damon.

Assim que as convenci de que eu podia usar e que ele não reclamaria, desci acompanhada pelos guardas, me encaminhando ao corredor que me levaria ao jardim, acabei encontrando com algumas garotas da seleção que me olhavam dos pés à cabeça de feição reprovadora. Chegando ao jardim me deparo com um Damon perfeitamente lindo repleto de guardas ao seu redor, conversando com uma das selecionadas que ao me aproximar percebi logo que era a Caroline. Só era o que me faltava. O príncipe sorriu mostrando seus belos dentes brancos quando finalmente percebeu minha presença se aproximar, reparei a expressão da loira mudar para algo feroz, que se dependesse do olhar com certeza eu já estaria no outro lado da vida, ou simplesmente, estaria morta. Resolvi a ignorar e formei em meu rosto um sorriso retribuindo ao do vampiro. Antes que chegasse mais perto da aglomeração de pessoas, a oxigenada se retirou me fuzilando com o olhar.

— Sabia que não iria seguir minhas ordens, pequena judgey — a voz rouca do vampiro falou.

— Desculpe, mas esses belos pares de all-star estavam pedindo para serem usados e não guardados... A culpa é sua por ter escolhido algo tão maravilhoso — falei sorrindo e parando na sua frente — E... Já disse para não me chamar de pequena judgey — bufei.

— Nunca vi alguém tão apaixonado por um par de sapatos — riu — Não resisto a te chamar de pequena judgey, simplesmente saí.

— E você chama as outras assim?

— Não.

— E por que não? Eu definitivamente não sou a única baixinha aqui. — Espero que eu esteja certa, ou terei que viver com salto mais altos tentando ficar no tamanho das outras, pensei.

— Porque nenhuma delas é como você — piscou levantando um de seus braços para que eu segurasse o mesmo, depois de alguns segundos finalmente o segurei e logo o vampiro nos guiou entrando em um labirinto de flores e arbustos ornamentais.

Tentei esquecer suas palavras durante o percurso silencioso, minha mente se perguntava o que ele queria dizer com “Porque nenhuma delas é como você”, tudo bem que eu o conheci antes de qualquer outra neste concurso, mas isso não significava que eu deveria ser especial, ou deveria?. Deixei que esses pensamentos se tornassem esquecidos pelo menos durante o tempo que esse encontro durasse, porém consequentemente passei a perceber que o tecido polido de seu terno me incomodava ao roçar em minha pele, provavelmente ele percebera pois tentou se desculpar.

— Perdoe-me, mas só lhe pedi para que segurasse em meu braço em nome das aparências, mas assim que estivermos sós — suspirou — você poderá se livrar deste incomodo importuno

— pausou e pareceu pensar em algo — Sinto muito que não tenha ganhado no jogo.

— Não sei se você realmente sente muito — esperava que minha voz em tom brincalhão deixasse claro que eu não estava triste por ter perdido, pois eu realmente não estava.

Eu sempre fiz apostas com o Stefan, mas nenhuma delas foi tão divertida quanto a sua — fixou seu olhar ao meu sorrindo de lado.

— Fico feliz em saber disso, mas não se deixe enganar, na próxima vez eu irei lhe vencer.

Imediatamente seu sorriso se tornou maior que o de antes, seus olhos brilhavam deixando a íris de seu mar azul ainda mais belo que o costume.

— Está me dizendo que está disposta a apostar comigo novamente, Bonnie Bennet? — seu sorriso se tornou maroto por alguns segundos e logo voltou ao normal.

— Por que não? É divertido ver seu lado competitivo — gargalhei.

— Bom saber... — permaneceu em silencio por um tempo — E como é sua família?

— O que você quer saber?

— Sua família deve ser bastante diferente da minha, gostaria de saber mais sobre eles.

— Com certeza — respondi entre risos — Bom, por mais que minha irmã adorasse a ideia, não usamos coroa vinte quatro horas por dia da semana, como a sua.

— Usam coroa só final de semana?

— Mas é claro, principalmente quando fazemos nossas apresentações.

Ele soltou uma risada aconchegante e um pouco alta, me fazendo rir junto. Nossa conversa só estava confirmando que ele não era como eu pensava ou esperava que fosse.

— Hmm... Continuando, sou a filha do meio de quatro irmãos.

— Quatro?!

— B-bom... Na verdade são cinco, porém o meu irmão mais velho sumiu depois que entrou para a tropa de guardas da família real... — fitei meus pés.

— Você quer que eu procure algo sobre ele? — o olhei novamente com curiosidade — Digo, para saber se ele ainda nos serve?

— Ah... N-não, ele nunca foi muito próximo da nossa família mesmo.

— Então... Reformulando minha pergunta — pausou — Cinco?!

Gargalhei com a expressão engraçada que ele fez sem perceber ao terminar de falar.

— Sim, cinco. A maioria das famílias lá fora, tirando as das raças superiores, tem muitos filhos. Eu mesma teria vários, se pudesse — sorri.

Damon ergueu uma sobrancelha — Mesmo?

— Sim — minha voz saiu fraca.

Sinceramente, não queria abordar esse assunto. Nunca falei disso com ninguém, exceto com o Kai. Senti uma dor querer crescer em meu coração, mas imediatamente me encarreguei de manda-la embora.

— Bom, deixa pra lá. Meu irmão mais velho se chama James, ele é solteiro, porém antes de entrar soube que ele estava apaixonado, acho que antes de eu sair daqui ele já vai esta casado. Ele trabalha em uma pequena fábrica próximo a nossa casa.

— Provavelmente o bolo do casamento será de chocolate, acertei? — sorriu brincalhão.

— S-sim — tentei parecer confiante.

Afinal, ele não precisava saber que talvez sequer haveria festa, devido as condições de minha família, por mais que durante minha estadia aqui eles estejam recebendo uma ajuda financeira, sabia que meu pai faria de tudo para guardar o pouco que sobrar caso precise para depois e que o James orgulhoso que era, não se deixaria festejar com a situação em que a família se encontra.

— Meus pais, principalmente o alfa, gostaria que eu me casasse pelo menos com alguém que fosse de uma família de bruxos com condições melhores ou que fosse até mesmo um lobo. Pretendo continuar no rumo da música e da dança, cresci com esses afazeres e acho que morrerei com os mesmos. — ri.

Continuei falando.

— Meredith vem em seguida, a chamo de Mere. Ela limpa e prepara através da decoração o local das minhas apresentações, quando necessário ela se arrisca a se apresentar comigo. E depois vem eu.

Damon sorriu facilmente — Bonnie Bennet, minha pequena judgey — pronunciou — e minha melhor amiga.

— Uhum — respondi enfadada.

Por enquanto, não havia como eu ser a melhor amiga do príncipe. Mas uma coisa eu admito: Ele e Kate eram as únicas pessoas que eu confiava que não possuíam um laço sanguíneo ou que não fosse meu ex–namorado.

Caminhávamos calmamente entre o labirinto de jardim, que ao meu ver parecia infinito, porém sabia que ainda estávamos na metade e que a conversa que me distraiu de saber a distancia que já percorremos. Damon parecia não ter pressa.

— E por último, meu irmão caçula Isaac. Ele ainda está confuso no que irá fazer, ele gosta bastante de lutar, mas ele não sabe se vai trabalhar na fábrica junto com James ou se irá seguir o rumo de artes e marcenaria como meus pais. Infelizmente o que ele gosta não vai fazer com que ele consiga dinheiro. Bom, falei de todos. — E seus pais?

— Meus pais? Você os conhece.

— Não, conheço o que a mídia mostra deles. Como eles são com você e Stefan?

Damon ficou um pouco tenso e logo em seguida relaxou suspirando, era perceptível que eu não havia o irritado. Analisei seu rosto que antes tenso, agora admirava o lugar. Tentei forçar um pouco meus braços para baixo tentando chamar sua atenção, o que falhou pois mesmo sob camadas de tecidos, ainda dava para sentir seus músculos fortes e sem contar sua força vampiresca.

Ao chegar no final do jardim, tinha uns bancos rústicos de madeira com algumas almofadas brancas por cima, um grupo de pessoas andavam correndo em nossa direção com câmeras de filmagens e fotográficas em suas mãos. Era obvio que queriam participar do primeiro encontro do príncipe. Com só um olhar furioso, que me deixou tremula, Damon fez todos — incluindo os guardas, ficando somente dois — se retirarem em um piscar de olho. Cheguei a ouvir múrmuros de xingamento. Ok, eu não estava animada para ser filmada, mas achei estranho ele os dispensarem.

— Você está bem? Acho que ver as câmeras lhe assustou um pouco, certo?

— Na verdade, andar ao seu lado me deixou mais nervosa — sorri sem graça — desculpa, cada dia que passa percebo que não sirvo para essas coisas.

— E de que coisas você está falando? — arqueou uma de suas sobrancelhas.

— A de ser princesa, ou sei lá, andar com um príncipe?

— Minha pequena judgey, para ser princesa não é preciso não ter vergonha ou pensar somente em riquezas, ser princesa é se importar com o próximo mesmo quando você não está bem — pausou — Pelo menos é o que minha mãe diz... E sinceramente? Algo me diz que esse título combina perfeitamente com você.

Não o respondi, simplesmente engoli em seco. Não sei lidar exatamente com esses tipos de coisas. Atrás da mesa de café da manhã que nos aguardava, possuía uma floresta a qual o sol se escondia, ficamos em silencio por um alguns segundos até que resolvi o quebrar.

— Você me deixa confusa.

Ele me olhou curioso, procurando por respostas em meu olhar.

— E porque a deixo confusa?

Hesitei pensando em como o responderia, mordi meu lábio inferior chamando sua atenção para o mesmo — Bom... Eu nunca sei o que esperar de você, ou desse nosso passeio ou do que você vai dizer.

— Hm... — aproximou-se mais de mim, causando um leve calafrio percorrer minha espinha, era possível sentir sua respiração sob meu rosto — Não gosto muito de rodeios, então vou dizer logo o que preciso de você.

O que? Ele iria tentar algo? Estávamos sozinhos em um lugar completamente escondido, somente com dois guardas em uma certa distancia, sem câmeras, sem ninguém para o impedir de fazer algo. Sem pensar duas vezes, lancei mentalmente um galho de arvore contra seu estomago o fazendo cair de joelhos no mesmo instante.

Levou suas mãos ao galho na tentativa de o tirar da sua barriga, sua feição era de dor.

— Por que fez isso? — rugiu.

— Se tentar alguma coisa eu vou fazer muito pior — torci para que minha voz saísse menos assustada do que realmente estava.

— O que?

— Isso mesmo, se tentar algo... — me interrompeu.

— Eu entendi sua maluca! Mas por que você fez isso? — gemeu baixo com uma careta de dor ao tirar por completo o galho — O que você quis dizer com isso?

Arregalei meus olhos, droga! Eu acabei de atacar a majestade, meu corpo esquentou instantaneamente, havia pensei no pior reagindo contra algo que não iria acontecer. Os guardas ao ouvir nossa pequena briga correram em nossa direção, Damon lançou um olhar mais furioso que o de antes, fazendo com que continuassem parados onde estavam.

— O que você achou que iria fazer? — rosnou me fazendo corar e abaixar a cabeça fitando meus pés — Bonnie Bennett, o que você achou que eu iria fazer?

Sua voz estava mais irritada que o normal, não só irritada, mas também ofendida. Evidentemente pressupôs o que eu haveria imaginado, não gostando nada deles.

— Você pensou?... Em público... meu DEUS! Bonnie sou um cavalheiro!

Quando ele ameaçou sair, passando por mim, segurei em seu braço com certa calma. Meu olhar era de desculpa e os dele de decepção.

— Sinceramente você me considera algo tão baixo?

Sua voz estava repleta de decepção, abaixei meu olhar novamente não conseguindo olhar em seus olhos, não depois disso. Mas como iria explicar que fora ele e Kai, eu nunca havia ficado a sós com nenhum outro homem que não fosse da minha família? Que sempre fui acostumada a pensar que sua raça eram monstros? Que essa situação de ser obrigada a está nesse lugar, onde não conhecia e não podia confiar em ninguém me deixou completamente insegura? Não existia nenhuma explicação favorável.

— Você fará suas refeições no seu quarto hoje, depois resolvo isso.

Deixou um dos guardas comigo, para que me acompanhasse até o palácio novamente. Por sorte não encontrei com nenhuma das garotas ao voltar para meu quarto, não queria que vissem meu rosto corado de tanta vergonha. Entrei no mesmo fechando a porta logo atrás e encostando minhas costas nela, as meninas me olharam curiosas loucas para saberem o que acontecera no “encontro”, balancei minha cabeça em forma de negação deixando claro que não queria comentar sobre o acontecido, pelo menos não agora.

Joguei-me de costas sobre a enorme cama macia mirando meu olhar ao teto forrado pelo dossel da mesma. Passei o resto da manhã pensando como minha atitude tinha sido tão ridícula e o que faria em forma de desculpas ao príncipe, que mal percebi que meu almoço já estava servido sobre a pequena mesa que ficava próxima à janela. Levantei-me da cama rastejando até a mesa, assim que sentei sendo recebida pelo incrível aroma que meu prato exalava meu estomago resolveu reclamar. Comi calmamente sendo vigiada pela as criadas as quais ignorei toda manhã.

— Ok, o que querem saber? — resmunguei.

— N-nada senhora... — respondeu Charlotte gaguejando.

— Como nada? É claro que queremos saber o que aconteceu no encontro — Angel interrompeu com a voz alterada entre advertência e curiosidade.

— Ér... foi legal — ‘Fora o fato de ter atacado o príncipe e poder ser punida a qualquer momento por este ato’ — Nada demais.

— M-mas e os detalhes? Digo...

— Olha a falta de educação, Angel! — respirou fundo — Senhorita, seus familiares lhe enviaram cartas — Faith aproximou-se do cria mudo pegando os papeis que estavam dentro da gaveta e em seguida me entregou.

A primeira que li foi a da Mere.

Desde que foi embora às coisas aqui em casa estão normais demais para o meu gosto, chegam a me dá náuseas, sinto tanto falta das suas loucuras maninha. É eu sei, faz nem uma semana que foi embora, mas fazer o que se me acostumei a olhar para sua cara amassada todas as manhãs? Bom, só espero que pelo menos esteja “aproveitando” ao invés de fazer de tudo para sair ou ficar enfurnada dentro do quarto. Quero saber de tudo que está rolando no palácio, de como conheceu o príncipe, como ele é, se ele realmente é bonito com a revista que li em uma apresentação. CONTE-ME TUDO!

Bom, meu tempo acabou... Te amo maninha, e não se esqueça de responder!

Meredith.

Logo depois li a do James.

Hey pirralha, agradeça ao príncipe pelo maravilhoso bolo de chocolate que ele nos enviou e agradeça também as cozinheiras que só devem ter mãos mágicas para fazerem algo tão delicioso como esse bolo. Infelizmente nossos pais com dor no coração, não poderão escrever carta desta vez, segundo os guardas da realeza só poderíamos enviar duas cartas no momento. Então fiquei encarregado de avisar como as coisas estão aqui em casa, já que provavelmente a Meredith só vai falar de coisas de garotas, saiba que está tudo bem, o dinheiro que estamos recebendo esta nos ajudando bastante e que todos nós sentimos sua falta, Kai veio nos visitar perguntando se tivemos alguma noticia sua, ele parecia bastante preocupado. Mas enfim, espero que esteja conseguindo se controlar não causando nenhum acidente involuntário e que esteja se divertindo bastante, e quando quiser pode enviar mais bolos que vou aceitar com muito prazer.

Até logo pirralha que eu amo muito.

James.

Kai veio nos visitar... ele parecia bastante preocupado” Por que ele ainda se preocupava comigo? Ele terminou comigo, despedaçou meu coração e agora quer noticias? Se ele queria tanto que eu aceitasse essa situação e lutasse até o fim, por que ele cisma em continuar na minha vida? Será que ele não sabe que se continuar aparecendo mesmo que só através de seu nome eu nunca vou conseguir lutar para continuar aqui? Que minha vontade de sair para abraçá-lo e beijá-lo só vai aumentar? Perguntas e mais perguntas rodavam em minha cabeça. Estava distraída em meus pensamentos que mal percebi que existia uma terceira carta um pouco amassada sem remetente. De imediato a abri.

Minha pequena judgey, minha vontade de lhe escrever cartas só vem aumentando, só não me pergunte o porquê, talvez seja uma mágica que tenhas feito para minha pessoa. Mas essa carta não é sobre mim, é sobre você, insisti com os meus pais para que eles permitissem que seus familiares lhe enviasse cartas, já que durante a primeira semana no palácio receber ou enviar cartas aos familiares é proibido, infelizmente consegui que eles permitissem o recebimento de somente duas que você só poderá responder a partir da segunda semana. Mas vê-la chorar no jardim por sentir-se presa no palácio só me deu vontade de lhe acalmar e vê-la feliz, então achei mais que obrigação minha de conseguir esse pequeno favor para você.

Até o nosso encontro.

Damon Salvatore.

Ok, essa carta só fez a culpa e a vergonha crescer ainda mais no meu coração, precisava urgentemente pensar em algo para fazê-lo esquecer do meu pequeno incidente. Me pergunto de o porque ter recebido sua carta somente agora, mas o que mais perturba meus pensamentos é o porque dele tá agindo dessa forma comigo. Nos conhecemos a tão pouco tempo para ele me tratar desse jeito. Porém uma coisa é certa, Damon Salvatore é a pessoa mais surpreendente que já conheci.

— Faith, por que só recebi a carta do Damon agora? — todas me olharam em choque provavelmente por chamar o príncipe pelo nome e não por majestade.

— Ah... Essa carta estava entre o embrulho do presente que o príncipe lhe dera, provavelmente na hora de abrir não prestamos atenção nela, só a achamos quando ela caiu no chão na hora de jogar o embrulho fora.

Assenti e logo guardei as cartas na primeira gaveta do cria-mudo, observei o que as meninas estavam fazendo e concluí que poderia pegar o grimório para lê-lo um pouco, antes ele tinha capas antigas e rústicas, agora possuía capas floridas que eu mesma tentei decorar para o caso de alguém o encontrar e pensasse que seria meu diário ao invés de um grimório, torcendo para que ninguém o lesse. Levantei com calma o fundo falso para que ninguém o percebesse e logo tirei o pequeno livro.

Passei o dia todo lendo, liberei minhas criadas para que elas fossem fazer algo que quisessem me deixando sozinha no quarto, li e reli cada palavra desde as mais fáceis às mais difíceis que o grimório poderia ter. Senti uma leve pulsação na cabeça, deitei-me com o intuito de livrar-me dessa pulsação mas ainda com os olhos vidrados nas palavras, minhas pálpebras aos poucos se tornaram pesadas e antes que desse por mim, já havia caído em um sono profundo.

Acordei com Faith chamando meu nome e me balançando, abri meus olhos aos poucos pois ainda os sentia levemente pesados.

— Senhorita Bonnie, acorde! — Já acordada percebi que sua expressão estava de puro pânico.

— O quê aconteceu?

— Preciso...

Antes que pudesse responder um estrondo forte me fez pular da cama, em seguida pode-se ouvir outros grandiosos estrondos. Sem pensar Faith me puxou pelo braço correndo para fora do quarto. Percebi que havia deixado meu grimório sobre a cama, parei de correr no mesmo instante a deixando completamente confusa, corri de volta ao meu quarto sendo seguida pela a loira, pegando o pequeno livro florido da cama. Voltamos a correr novamente pelo corredor, percebendo que havia passos subindo pela a escada nos lançamos em um pequeno corredor escuro.

Senti meu coração pular, barulhos altos vinham do andar de baixo, nos deixando ainda mais assustadas. Meu coração parou quando dois homens altos com roupas escuras e bocas tampadas deixando somente os olhos visíveis passavam por nós, imediatamente prendemos nossas respirações quando um deles nos viu chamando o outro e vindo em nossa direção. Suas vozes falavam coisas desconexas fazendo Faith cair de joelho e gritar, um deles me olhava duvidoso e com os olhos espantados por ver que não estava fazendo efeito em mim.

— Corra...! — a voz repleta de dor da criada falou me despertando do pânico.

A encarei observando sua face que se contorcia com tamanha dor que sentia, com suas duas mãos na cabeça, senti meu sangue ferver e o mesmo fogo que quando treinava com James crescer porém mais forte que antes, se concentrando na barriga, em seguida se espalhar por todo meu corpo e sem precisar levantar a mão em direção à eles senti meu corpo lançar um poder invisível contra os dois homens, os jogando fortemente contra a parede fazendo a mesma rachar.

Faith me olhou assustada, mas sem perguntar levantou-se e me puxou novamente até uma parede que possuía uma passagem secreta.

— Preste atenção em tudo que vou dizer, siga essas escadas e não olhe ou pense em voltar, com certeza o que você fez chamou a atenção dos outros, mas por sorte a casa é grande então dará tempo de você chegar ao esconderijo segura, Agora vá! — falou rapidamente em tom autoritário.

— Mas e você?

— Nós temos o nosso próprio esconderijo — falou e antes que eu pudesse responder a mesma fechou a passagem atrás de mim.

O corredor de escadas era escuro, corri pelo mesmo tentando não tropeçar sobre meus próprios pés, a minha frente vi duas pessoas correndo que através da áurea percebi logo que se tratava da Elena Gilbert e Hanna Marin. Assim que chegamos ao final do corredor, alguns guardas estavam ao lado de fora em forma de ataque protegendo uma espécie de esconderijo aparentemente seguro com uma estrutura de ferros fortes, adentramos no local e logo recebemos olhares de todos, inclusive da família real.

Sentei-me no canto mais longe dos demais, minha respiração aos poucos se normalizavam. Porém não pude deixar de pensar se Faith, Angel e Charlotte realmente estariam bem protegidas, mas o que realmente me perturbava era o que eu acabara de ter feito a aqueles homens, nunca imaginara ser capaz de fazer algo tão poderoso, a face assustada de Faith ao me ver fazer aquilo me deixou com medo. Será que ela seria capaz de guardar esse segredo? O meu medo não é de ser expulso, o meu medo é de me matarem ou até mesmo atacarem minha família.

— Você está bem? — uma voz familiar perguntou preocupado.

— S-sim... — levantei meu olhar que antes estava vidrado na parede cinza para o loiro que estava agachado ao meu lado — Obrigada por se preocupar Stefan — sorri fraco o observando sentar-se ao meu lado.

— Soube o que aconteceu hoje cedo, com você e Damon — engoli em seco ao ouvir e sem perceber levei meu olhar para o príncipe que estava me olhando preocupadamente me fazendo desviar o olhar no mesmo instante — Não se preocupe, ele vai te perdoar... Falando nele — se levantou parando a frente do moreno e depois seguiu para onde sua mãe estava.

— Pensei que não falaria mais comigo — murmurei ironicamente.

— Não deixaria uma dama sozinha em um momento desses — sorriu de lado — E não é porque estou bravo com você, que vou lhe deixar à mercê de qualquer um — falou com a voz um tanto enciumada.

Notas finais
Eae, o que acharam? Me desculpem por não poder postar dois capítulos seguidos, mas tive problemas.... Até logo, Xoxo.