O casamento de Bella e Edward aconteceu numa manhã silenciosa de primavera, quando o vento parecia tocar as flores do jardim da casa dos Swan com delicadeza quase respeitosa. Não houve grande festa, porque a guerra ainda acontecia longe dali, lembrando a todos que celebrações extravagantes pareciam um tipo de provocação ao destino. A cerimônia foi íntima, realizada no quintal da casa onde cresceram, diante da família reunida e de alguns poucos amigos.

Edward usava uniforme militar, postura ereta, olhos verdes mais maduros do que o jovem que havia beijado Bella pela primeira vez naquele mesmo jardim anos antes. Bella vestia um vestido simples de tecido claro, sem exageros, porque nunca gostara da ideia de que o amor precisava de adornos para ser verdadeiro.

Quando ela caminhou até ele, Edward sussurrou:

— Você é a mulher mais bonita que eu já vi.

Bella respondeu com um pequeno sorriso.

— Você sempre diz isso.

— Porque é verdade todas as vezes.

Eles trocaram votos curtos, escritos com cuidado porque sabiam que palavras demais poderiam falhar onde o sentimento era absoluto.

— Eu prometo voltar para você sempre que a guerra tentar me tirar — disse Edward.

Bella respirou fundo antes de responder.

— Eu prometo esperar por você enquanto ainda existir amor entre nós.

O beijo que selou o casamento foi lento, carregado de história e de medo disfarçado de esperança.

—

A lua de mel foi breve.

Eles viajaram para uma pequena cidade costeira onde o som do mar parecia esconder os sons da guerra distante. O quarto da pousada ficava de frente para o oceano, e Edward passava longos minutos observando o horizonte enquanto Bella se apoiava contra seu peito, sentindo o coração dele bater com força.

Havia momentos de silêncio confortável entre eles.

Caminhavam pela praia de mãos dadas, compravam comida simples em pequenos comércios locais e retornavam para o quarto quando a noite caía.

Na primeira noite, ficaram abraçados observando a chuva fina tocar o vidro da janela.

— Tenho medo de te perder — Bella confessou.

Edward fechou os olhos por um momento.

— Eu também tenho medo de perder você.

Ele a beijou como se quisesse memorizar o formato da respiração dela.

O amor deles naquela fase era menos juvenil e mais consciente.

Mais humano.

Mais assustado com o futuro.

—

A volta de Edward para o Vietnã aconteceu duas semanas depois.

O porto estava cheio de despedidas.

Bella não chorou durante o abraço inicial.

Ela segurou o rosto dele e disse:

— Volte para mim inteiro.

— Sempre que puder.

— Promete escrever?

— Prometo.

O navio partiu lentamente, levando Edward de volta ao campo de combate.

A guerra continuava sob a sombra da Guerra do Vietnã.

—

Os anos seguintes trouxeram mudanças.

Edward subiu de patente devido à competência médica e ao comportamento exemplar durante as operações de campo. Ele tornou-se médico militar de confiança, responsável por salvar dezenas de soldados feridos nas zonas de combate.

Emmett sofreu um acidente durante uma ofensiva.

Uma explosão próxima lançou estilhaços que atingiram sua coluna.

Edward foi quem o encontrou.

O procedimento cirúrgico de emergência foi realizado ali mesmo, sob pressão e condições precárias.

Edward salvou a vida do cunhado.

Mas Emmett perdeu o movimento das pernas.

Quando a situação estabilizou, foi determinado que Emmett retornaria para Forks para reabilitação.

Bella recebeu a notícia em silêncio.

Rosalie chorou durante três dias seguidos.

Emmett tentou fazer piada.

— Pelo menos vou parar de correr da academia militar — disse ele.

Mas ninguém riu.

Edward conseguiu uma dispensa temporária para cursar medicina formal, desejando aperfeiçoar seus conhecimentos antes de retornar ao serviço militar.

Ele e Bella passaram alguns meses relativamente calmos.

—

Oito anos se passaram.

A guerra ainda existia.

Bella tornou-se uma escritora reconhecida nacionalmente.

Seus livros sobre amor e guerra eram discutidos em universidades e clubes literários.

Renée e Esme passaram a morar com Bella e Edward.

Rosalie e Emmett viviam na casa à direita da residência principal.

Jasper e Alice moravam na casa à esquerda, junto com a pequena Audrey, filha do casal.

Rosalie e Emmett desejavam ter filhos.

Mas a condição física de Emmett tornava a gravidez um processo delicado e cheio de incertezas médicas.

Bella concentrava-se cada vez mais nos estudos e na escrita.

O pensamento de Edward retornar à guerra a assombrava.

Por isso adiava a ideia de ter filhos.

—

Certa noite, Edward encontrou Bella sentada na varanda, lendo um manuscrito novo.

— Você está evitando falar sobre isso — ele disse.

Ela não precisou perguntar.

Sabia do que ele estava falando.

— Sobre o quê?

— Sobre filhos.

Bella fechou o caderno lentamente.

— Eu tenho medo de engravidar e você ser chamado de volta e eu ter que criar uma criança sozinha.

O silêncio ficou entre eles por alguns segundos.

Edward sentou-se ao lado dela.

— Você não pode viver esperando a guerra acabar para começar a viver.

— Posso se o preço for perder você — ela respondeu.

Ele segurou a mão dela.

— Eu não vou deixar a guerra me transformar no homem que não consegue voltar para casa.

Bella apoiou a cabeça no ombro dele.

— Promete?

— Prometo lutar para voltar para você.

Mas ambos sabiam que promessas feitas durante guerras são sempre frágeis diante do destino.