The Long and Winding Road
11 Let It Be
O Natal chegou em Forks com um frio suave que parecia envolver a cidade como um silêncio luminoso, transformando as casas em pequenos refúgios de luz dourada contra o céu cinzento do inverno. A residência principal dos Swan-Cullen estava decorada com delicadeza. Pequenas luzes cintilavam nas janelas, e a grande árvore da sala já estava quase pronta, aguardando apenas a estrela que Bella pretendia colocar no topo.
Renée e Esme trabalhavam juntas na cozinha, preparando o jantar enquanto conversavam sobre receitas e memórias antigas. Os homens estavam sentados no tapete da sala, cuidando da pequena Audrey que ria alto quando Jasper a levantava no ar com cuidado ou quando James fazia caretas exageradas para arrancar risadas da menina.
Emmett estava sentado em sua cadeira de rodas perto da janela, observando tudo com um sorriso tranquilo. Desde o acidente durante a guerra, a vida do irmão havia mudado para sempre, mas a personalidade barulhenta e alegre permanecia intacta.
Bella estava na escada, segurando a estrela dourada que deveria finalizar a árvore.
— Só mais um passo — disse Alice.
— Não olhe para baixo — Rosalie completou.
Bella sorriu.
Foi então que a tontura chegou.
Não veio de repente como um choque. Veio como uma maré lenta que distorceu o mundo ao redor dela, fazendo o som das vozes parecer distante.
— Bella? — Alice chamou, percebendo a mudança no rosto da irmã.
Bella tentou responder, mas não conseguiu.
A estrela escapou de seus dedos.
O corpo dela perdeu o equilíbrio.
Edward reagiu antes que qualquer outra pessoa pudesse se mover, subindo os degraus da escada com rapidez controlada e segurando Bella firmemente nos braços antes que ela atingisse o chão.
— Bella! Fala comigo!
O rosto dela estava pálido, os olhos semiabertos.
— Hospital — disse Carlisle imediatamente.
—
O hospital da cidade permaneceu silencioso naquela noite de Natal.
Os exames foram rápidos, mas o tempo pareceu se arrastar dentro da sala de espera.
Edward nunca soltou a mão de Bella.
Quando o médico entrou, todos se levantaram.
— Parabéns — disse ele com um pequeno sorriso —, a senhora Cullen está grávida.
O silêncio que se seguiu foi carregado de emoção.
Bella levou a mão à boca.
— Grávida?
Os olhos de Edward se encheram de lágrimas silenciosas antes mesmo que ele pudesse reagir completamente.
Renée começou a chorar.
Esme sorriu com os olhos úmidos.
Emmett ergueu as mãos da cadeira de rodas com entusiasmo.
— Eu sabia! Vou ser o padrinho!
Rosalie riu baixo.
— Você nem foi convidado ainda.
— Isso são detalhes — Emmett respondeu.
O Natal daquela noite tornou-se uma celebração inesperada.
Mas quando a casa voltou ao silêncio, Bella confessou o medo que escondia.
— Tenho medo de que aconteça com você o que aconteceu com meu pai.
Edward segurou o rosto dela.
— Eu volto para você sempre que puder.
— Promete?
— Prometo lutar todos os dias para ser o homem que você merece.
—
Durante a gravidez, Edward foi um marido extremamente presente.
Ele acompanhava Bella às consultas, segurava sua mão quando ela sentia desconfortos e lia para o bebê ainda dentro da barriga durante as noites silenciosas.
Às vezes ele inclinava-se e sussurrava contra o ventre de Bella:
— Aqui é o papai.
Bella sorria ao ouvir aquilo.
—
O nascimento de Anthony aconteceu numa manhã tranquila.
O parto foi difícil, mas seguro.
Quando o médico entregou o bebê nos braços de Bella, o mundo pareceu diminuir até existir apenas aquele pequeno ser de olhos fechados, respirando com a fragilidade silenciosa de quem acabara de chegar ao mundo.
— Anthony Cullen — sussurrou Bella.
Edward permaneceu ao lado dela o tempo todo, segurando a mão da esposa.
Quando Anthony foi colocado nos braços de Edward pela primeira vez, o médico militar ficou imóvel.
O bebê era pequeno, quente e extremamente frágil dentro das mãos grandes do pai.
Edward sentiu um aperto emocional que quase o fez perder a voz.
— Ele é perfeito — disse.
Anthony abriu os olhos lentamente, como se estivesse tentando reconhecer aquela voz que falava tão perto de si.
—
A rotina de Edward como pai era surpreendentemente suave para alguém que havia vivido anos em combate.
Ele acordava cedo e sempre verificava o filho antes de sair para o trabalho como médico.
Quando retornava para casa, a primeira coisa que fazia era procurar Anthony.
— Cadê meu pequeno soldado? — perguntava.
O bebê reagia com pequenos sons e movimentos desajeitados que Edward tratava como respostas conscientes.
À noite, Edward sentava-se no chão da sala com Anthony apoiado contra o peito enquanto lia relatórios médicos ou cartas de soldados.
Bella observava a cena silenciosamente.
Edward às vezes cantava músicas antigas da juventude enquanto balançava o filho devagar até o bebê adormecer.
Anthony parecia sempre confortável nos braços do pai.
Bella dizia:
— Você é um pai extraordinário.
Edward respondia:
— Eu só estou tentando não deixar que a guerra transforme meu coração no que ela quase conseguiu.
Antes de dormir, ele beijava Bella e colocava Anthony no berço com cuidado absoluto.
E naquela casa, entre livros, memórias de guerra e o som da vida continuando apesar de tudo, existia finalmente uma paz frágil, preciosa e profundamente humana, construída lentamente entre o amor de dois jovens que decidiram sobreviver ao mundo juntos.
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