The Long and Winding Road
16 Fly Me to the Moon
Os exames médicos militares foram rigorosos.
Edward passou horas sendo avaliado por diferentes profissionais da saúde da base. Havia exames físicos para verificar a extensão das lesões causadas pelos estilhaços da explosão, análises neurológicas, avaliação pulmonar e testes de resistência cardiovascular. O corpo dele ainda carregava marcas da guerra — dores persistentes, cicatrizes e uma fadiga crônica que não havia desaparecido completamente.
Mas, apesar de tudo, os resultados foram positivos o suficiente para permitir a liberação médica.
Quando o médico-chefe entrou na sala, Edward e James estavam sentados lado a lado.
— Você está apto para retornar aos Estados Unidos — disse o médico.
O silêncio que se seguiu foi preenchido por uma emoção quase infantil.
James foi o primeiro a reagir.
— Nós vamos chegar a tempo do aniversário de Anthony?
Edward fechou os olhos por um segundo antes de responder:
— Vamos.
Os dois sorriram.
Com um alívio que não cabia dentro do peito.
—
Em Forks, a casa Swan-Cullen estava em movimento constante.
Alice organizava cada detalhe da festa de aniversário de cinco anos de Anthony com uma obsessão quase artística, movendo balões, ajustando a mesa e escolhendo cuidadosamente as cores da decoração infantil.
Bella observava tudo com uma expressão cansada.
Ela não gostava daquela festa.
Não porque não amasse o filho.
Mas porque a celebração parecia carregar uma alegria que ela não conseguia sentir.
— Eles estão fazendo festa durante o luto — disse Bella baixinho.
Esme aproximou-se e segurou a mão da nora.
— É pelo Anthony.
— Eu sei.- Bella suspirou.— Mas parece errado.
Esme balançou a cabeça lentamente.
— Anthony é muito pequeno para entender a dor que o mundo colocou sobre você.
A mulher mais velha tocou o rosto de Bella.
— Hoje é o dia dele.
— Eu sei… — respondeu Bella.
Depois de alguns minutos, Bella se arrumou.
Colocou um macacão preto.
O luto havia se tornado parte de sua identidade visual. Bella quase nunca usava outras cores agora, e havia uma ironia silenciosa dentro dela — ela imaginava que Edward provavelmente riria ao vê-la sempre vestida de preto.
Ela desceu lentamente as escadas.
O som da festa preenchia a casa.
Anthony corria pela sala brincando com Audrey e outras crianças da vizinhança.
Esme segurava a pequena Charlotte nos braços enquanto Renée terminava de organizar a mesa de aniversário.
Jasper e Emmett brincavam com os gêmeos de Rosalie.
Alice e Rosalie cumprimentavam os convidados.
Bella passou por todos com um sorriso educado.
Aceitou os pêsames repetidos que as pessoas ofereciam.
— Sinto muito por tudo.
— Edward estaria muito feliz vendo isso.
Bella odiava aquela frase.
Odiava a pena que via nos olhos das pessoas.
Porque para ela, aquilo não era consolo — era um lembrete constante da ausência que ainda queimava dentro do peito.
—
O momento dos parabéns chegou.
Anthony estava no centro da sala, pequeno demais diante da mesa decorada.
Todos começaram a cantar.
Bella ficou ao lado do filho, segurando sua mão.
O coração dela lutava para manter a compostura.
Quando as velas foram sopradas, Anthony inclinou-se levemente e sussurrou para a mãe, numa voz infantil que carregava uma tristeza inocente:
— Mamãe… eu quero que meu pai volte logo.
Aquilo foi o ponto de ruptura.
Bella sentiu o ar faltar.
O mundo pareceu escurecer por um instante.
Sem dizer nada, virou-se e saiu para a varanda dos fundos, andando rápido demais para que alguém a impedisse.
Ela chorava em silêncio quando a campainha tocou.
Jasper foi abrir a porta.
O primeiro rosto que viu foi o de James.
James sorriu e o abraçou rapidamente.
— Eu não perderia o aniversário do nosso soldado por nada e eu trouxe um presente especial...- disse James
Então Jasper viu a pessoa atrás de James.
Edward.
O mundo parou por alguns segundos.
Jasper piscou cinco vezes, como se tentasse convencer o cérebro de que aquilo era real.
Edward observou o amigo e sussurrou:
— Jazz.
O apelido da infância saiu naturalmente.
O silêncio foi quebrado quando Jasper gritou:
— Edward!
E abraçou o amigo com força, chorando.
Edward também chorou.
Porque naquele momento, ele voltou a ser apenas um garoto que discutia Beatles e Rolling Stones com os amigos antes da guerra existir.
—
Enquanto isso, na varanda, Bella estava encostada na parede, tentando controlar o choro.
O vento frio tocava seu rosto.
Ela fechou os olhos.
— Anthony pediu que o pai voltasse — sussurrou para o vazio.
E então ouviu passos atrás de si.
Leves.
Conhecidos.
O coração dela parou antes mesmo de se virar.
Porque dentro dela algo impossível começava a acontecer.
Como se o passado estivesse caminhando silenciosamente de volta para casa.
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