Os exames médicos militares foram rigorosos.

Edward passou horas sendo avaliado por diferentes profissionais da saúde da base. Havia exames físicos para verificar a extensão das lesões causadas pelos estilhaços da explosão, análises neurológicas, avaliação pulmonar e testes de resistência cardiovascular. O corpo dele ainda carregava marcas da guerra — dores persistentes, cicatrizes e uma fadiga crônica que não havia desaparecido completamente.

Mas, apesar de tudo, os resultados foram positivos o suficiente para permitir a liberação médica.

Quando o médico-chefe entrou na sala, Edward e James estavam sentados lado a lado.

— Você está apto para retornar aos Estados Unidos — disse o médico.

O silêncio que se seguiu foi preenchido por uma emoção quase infantil.

James foi o primeiro a reagir.

— Nós vamos chegar a tempo do aniversário de Anthony?

Edward fechou os olhos por um segundo antes de responder:

— Vamos.

Os dois sorriram.

Com um alívio que não cabia dentro do peito.

—

Em Forks, a casa Swan-Cullen estava em movimento constante.

Alice organizava cada detalhe da festa de aniversário de cinco anos de Anthony com uma obsessão quase artística, movendo balões, ajustando a mesa e escolhendo cuidadosamente as cores da decoração infantil.

Bella observava tudo com uma expressão cansada.

Ela não gostava daquela festa.

Não porque não amasse o filho.

Mas porque a celebração parecia carregar uma alegria que ela não conseguia sentir.

— Eles estão fazendo festa durante o luto — disse Bella baixinho.

Esme aproximou-se e segurou a mão da nora.

— É pelo Anthony.

— Eu sei.- Bella suspirou.— Mas parece errado.

Esme balançou a cabeça lentamente.

— Anthony é muito pequeno para entender a dor que o mundo colocou sobre você.

A mulher mais velha tocou o rosto de Bella.

— Hoje é o dia dele.

— Eu sei… — respondeu Bella.

Depois de alguns minutos, Bella se arrumou.

Colocou um macacão preto.

O luto havia se tornado parte de sua identidade visual. Bella quase nunca usava outras cores agora, e havia uma ironia silenciosa dentro dela — ela imaginava que Edward provavelmente riria ao vê-la sempre vestida de preto.

Ela desceu lentamente as escadas.

O som da festa preenchia a casa.

Anthony corria pela sala brincando com Audrey e outras crianças da vizinhança.

Esme segurava a pequena Charlotte nos braços enquanto Renée terminava de organizar a mesa de aniversário.

Jasper e Emmett brincavam com os gêmeos de Rosalie.

Alice e Rosalie cumprimentavam os convidados.

Bella passou por todos com um sorriso educado.

Aceitou os pêsames repetidos que as pessoas ofereciam.

— Sinto muito por tudo.

— Edward estaria muito feliz vendo isso.

Bella odiava aquela frase.

Odiava a pena que via nos olhos das pessoas.

Porque para ela, aquilo não era consolo — era um lembrete constante da ausência que ainda queimava dentro do peito.

—

O momento dos parabéns chegou.

Anthony estava no centro da sala, pequeno demais diante da mesa decorada.

Todos começaram a cantar.

Bella ficou ao lado do filho, segurando sua mão.

O coração dela lutava para manter a compostura.

Quando as velas foram sopradas, Anthony inclinou-se levemente e sussurrou para a mãe, numa voz infantil que carregava uma tristeza inocente:

— Mamãe… eu quero que meu pai volte logo.

Aquilo foi o ponto de ruptura.

Bella sentiu o ar faltar.

O mundo pareceu escurecer por um instante.

Sem dizer nada, virou-se e saiu para a varanda dos fundos, andando rápido demais para que alguém a impedisse.

Ela chorava em silêncio quando a campainha tocou.

Jasper foi abrir a porta.

O primeiro rosto que viu foi o de James.

James sorriu e o abraçou rapidamente.

— Eu não perderia o aniversário do nosso soldado por nada e eu trouxe um presente especial...- disse James

Então Jasper viu a pessoa atrás de James.

Edward.

O mundo parou por alguns segundos.

Jasper piscou cinco vezes, como se tentasse convencer o cérebro de que aquilo era real.

Edward observou o amigo e sussurrou:

— Jazz.

O apelido da infância saiu naturalmente.

O silêncio foi quebrado quando Jasper gritou:

— Edward!

E abraçou o amigo com força, chorando.

Edward também chorou.

Porque naquele momento, ele voltou a ser apenas um garoto que discutia Beatles e Rolling Stones com os amigos antes da guerra existir.

—

Enquanto isso, na varanda, Bella estava encostada na parede, tentando controlar o choro.

O vento frio tocava seu rosto.

Ela fechou os olhos.

— Anthony pediu que o pai voltasse — sussurrou para o vazio.

E então ouviu passos atrás de si.

Leves.

Conhecidos.

O coração dela parou antes mesmo de se virar.

Porque dentro dela algo impossível começava a acontecer.

Como se o passado estivesse caminhando silenciosamente de volta para casa.