The Long and Winding Road

17 Can’t Help Falling in Love


Bella sentia a presença antes mesmo de ouvir qualquer som.

Era como se o ar ao redor dela tivesse mudado, como se o vento tivesse trazido consigo algo familiar, um calor antigo, uma memória viva, uma promessa que a mente dela ainda não conseguia aceitar como realidade.

Ela permaneceu de olhos fechados.

As lágrimas começaram a escorrer silenciosamente pelo rosto.

— Eu estou muito puta com você — disse ela para o vazio da varanda, a voz quebrada entre raiva e dor.

O peito dela subia e descia lentamente, tentando controlar a emoção que crescia como uma tempestade reprimida há anos.

— Você prometeu que voltaria para mim… você prometeu que não me deixaria…

Bella continuou falando.

Como se estivesse conversando com um espírito que acreditava estar ali.

— Eu fiquei sozinha… você deixou Anthony… você deixou a Charlie…

A voz dela falhou quando disse o nome da filha.

— Eu odiei você por ter ido naquela missão… eu fiquei com tanta raiva que eu achei que ia enlouquecer…

Bella apertou os olhos com força.

O choro vinha silencioso, pesado, sufocante.

— Eu ainda amo você… e isso dói porque eu também queria odiar você por ter me deixado…

Ela parou por um segundo.

O vento mexeu levemente os cabelos dela.

Então ela riu de forma quebrada.

— Deus… eu estou ficando louca… falando com um fantasma como se você estivesse aqui…

Foi então que sentiu.

O calor.

O toque.

O abraço vindo de trás.

Braços firmes envolvendo seu corpo com força, puxando-a contra um peito conhecido, quente, real.

O cheiro.

Morangos.

Edward aspirou suavemente o aroma dos cabelos dela como se estivesse tentando confirmar que aquilo era verdade.

Ele beijou o topo da cabeça de Bella.

Lentamente.

Como alguém que teme quebrar algo extremamente precioso.

Bella ficou completamente imóvel.

O coração dela parou por alguns segundos antes de acelerar violentamente.

Ela abriu os olhos.

Assustada.

Virou-se abruptamente.

O movimento foi quase brutal, como se o cérebro dela não estivesse preparado para processar o que estava vendo.

Edward estava ali.

Real.

Vivo.

Os olhos verdes cheios de lágrimas.

O rosto marcado pelo sofrimento da guerra, mais maduro, mais cansado, mas ainda inconfundivelmente ele.

Ela levou a mão à boca.

— Deus… — sussurrou.

Edward sussurrou de volta, com a voz rouca pela emoção:

— Eu disse que sempre volto para você.

Bella o encarou por um segundo inteiro antes de avançar contra ele.

O beijo que veio depois não foi delicado.

Foi saudade.

Foi desespero.

Foi dor acumulada por anos transformada em necessidade física de sentir que o outro estava vivo.

As mãos de Bella seguraram o rosto de Edward com força, como se tivesse medo que ele desaparecesse se ela soltasse.

Edward a puxou pela cintura, aprofundando o beijo com a mesma urgência emocional.

Havia lágrimas misturadas ao contato dos lábios.

Havia respiração acelerada.

Havia o peso de anos de guerra, medo e solidão sendo quebrado naquele único instante.

Quando se afastaram, Bella encostou a testa na dele.

— Eu achei que você estava morto.

— Eu quase morri — ele respondeu.

— Não faça isso comigo nunca mais.

— Eu prometo lutar para voltar sempre.

Ela chorou contra o peito dele.

E Edward apenas a abraçou, forte, silencioso, como se estivesse tentando recuperar cada segundo perdido da vida que deveriam ter vivido juntos.

—

Dentro da casa, James ainda estava tentando explicar para a família o que acontecera.

Quando Edward entrou pela porta da sala com Bella ao lado, o silêncio foi imediato.

Renée foi a primeira a reagir.

— Edward…

Ela levou a mão à boca e começou a chorar.

Esme caminhou lentamente até ele e o abraçou como se estivesse abraçando o próprio filho que havia retornado da morte.

Carlisle permaneceu parado por alguns segundos antes de puxar Edward para um abraço forte e silencioso.

— Meu filho…

Emmett, mesmo na cadeira de rodas, tentou levantar os braços para alcançar o amigo.

— Você voltou, seu desgraçado — disse ele, chorando e rindo ao mesmo tempo.

Jasper apenas abraçou Edward e repetiu:

— Me desculpe… me desculpe…

—

Anthony foi o próximo.

O menino estava parado perto da mesa, observando tudo com os olhos grandes e curiosos.

Edward se ajoelhou lentamente diante dele.

O corpo ainda doía.

Mas nada era mais importante que aquele momento.

— Anthony — disse ele.

O menino ficou imóvel.

Bella colocou a mão nas costas do filho.

— É o papai.

Anthony olhou para Edward por alguns segundos antes de correr e abraçá-lo com força.

Edward fechou os olhos.

O coração apertou de forma quase dolorosa quando sentiu os braços pequenos ao redor do seu pescoço.

— Papai… você voltou…

— Eu voltei, meu pequeno soldado.

—

A pequena Charlotte foi apresentada naquele momento.

Bella trouxe a bebê nos braços.

Edward ficou absolutamente imóvel.

Era como se o tempo tivesse parado.

— Charlotte — disse Bella.

Edward tocou o rosto da filha com dedos trêmulos.

A menina abriu os olhos lentamente, como se estivesse reconhecendo algo além da compreensão humana.

— Eu estava certo — Edward sussurrou, a voz quebrando. — Ela tem seus olhos.

Bella chorou.

Porque naquele instante, a guerra, a morte e a dor pareciam ter perdido a batalha contra algo muito mais forte.

O amor que havia prometido nunca abandonar aquela família finalmente havia encontrado o caminho de volta para casa.