The Little Trickster
3 Cafetão Jr.
Como haviam combinado entre si, os Winchesters se separariam para realizarem tarefas diferentes, pois assim conseguiriam informações em menor tempo. Não seria muito difícil para Sam conseguir encontrar alguma pista sobre esse tal ‘Vincent Mancini’ na internet, assim como fazer algumas perguntas específicas para o velho dono da casa seria apenas mais um dia comum na vida de Dean.
Assim que Sam desceu as escadas para sair do prédio, o mais velho bateu na porta em frente a casa de Aaron, ao mesmo tempo em que os policiais começavam a se retirar da casa do garoto.
Não demorou muito para um senhor de sessenta e sete anos, baixinho e com a coluna encurvada aparecer na porta. Ele tinha a pele morena e desgastada, e os cabelos brancos e calvos, mas ainda assim podia conversar normalmente.
– Olá, senhor... –
– Agente Osbourne. – antes de chegarem a Iowa, houve uma rápida discussão entre os irmãos sobre quem ficaria com o sobrenome ‘Osbourne’. Sam tomou o nome para si, mas Dean argumentou que ele era muito mais fã de clássicos do que Sam, e que o irmão mais novo só ouvia frescuras. Nesse momento Sam o fez lembrar dos seus novos gostos musicais, e Dean o mandou calar a boca.
– Tudo bem, pode entrar, agente. – o senhor deu espaço para que o homem passasse, e assim este o fez. – Eu sou o dono do outro apartamento. Meu nome é Elliot Spinella, e essa é minha sobrinha Kara.
– Eu só queria fazer algumas perguntas antes que... — Nesse momento os olhos de Dean rolaram para algo que ele não podia deixar de olhar, algo que poderia complicar a sua investigação ali dentro...
Uma garota na casa dos vinte com um short curto e uma blusa com o decote aparecendo.
A garota, provavelmente Kara Spinella, era uma mistura de Kate Upton com Emily Ratajkowski com Alexandra Daddario. Deveria ter uns vinte anos, provavelmente. Tinha os cabelos negros, olhos azuis e a pele bem bronzeada, e devia medir provavelmente 1,60m. Ela usava um short jeans escuro que não tampava nem metade da coxa, e uma blusa regata preta com um grande decote a mostra, o desenho de pimenta na barriga.
– Sente-se, agente Osbourne. – o senhor chamou o homem para se sentar em um dos sofás da pequena sala. Dean, observando a garota indo para a cozinha, que não tinha portas, se sentou. Demorou um pouco para ele dizer para que foi lá.
– Então... – disse o Winchester, depois de pigarrear. – Você é o dono do outro apartamento, correto?
– Uhum, exato. Era do meu irmão mais velho, mas como ele faleceu a uns cinco anos atrás e não tinha esposas, ele deixou no meu nome, pra depois eu passar para a Kara. Em breve ela se mudará para lá. – o senhor respondeu, enquanto Dean o encarava. Para seu azar, o velho se sentava de frente para ele, e atrás do dono do apê ficava a cozinha.
Kara estava na cozinha de costas para Dean.
– E o senhor alugou o lugar para o garoto. – começou as conclusões. – O nome dele... Vincent Mancini? – ele perguntou, fitando o senhor.
– Exato. Olha, eu vou repetir o que disse pros outros policiais. Ele era um garoto bem tranquilo e honesto, apesar de viver a maior parte do tempo trancado dentro do apartamento. Nunca ficou de gracinhas com a minha sobrinha como os outros rapazes do bairro ficam, e sempre tomou conta dela quando eu saia pro bingo.
Nesse momento, Dean imaginou o garoto fazendo todos os tipos de travessuras com a sobrinha de Elliot enquanto o velho se divertia com os seus semelhantes. Era inevitável pensar aquele tipo de coisa com uma visão daquelas na sua frente.
Enquanto Elliot falava, a jovem Kara ficou na ponta do pé para pegar uma coisa que ficava no armário – talvez o detergente -, empinando a bunda, mesmo sem querer. Dean deu uma rápida olhada para a cozinha, mas não demorou muito pros seus olhos rolarem para lá novamente. Ficou um bom tempo olhando para a garota, imaginando-se tocando cada curva do seu corpo, mostrando para ela toda a experiência e saboreando da sua juventude e...
– Algum problema, agente? – o velho, com o olhar duro em seu rosto, o encarava.
– Não, não, não... – Dean rolou os olhos rapidamente para o dono do apartamento e respondeu, totalmente sem jeito. – Só estava aqui... Pensando numas teorias. – ele falou sorrindo, mexendo os ombros de leve.
– Uhum, sei. – disse o velho, desconfiado. – Tem mais alguma coisa que o senhor gostaria de saber?
– Ah, claro, é... – Dean percebeu que não se concentraria naquilo se ficasse olhando o tempo todo para a cozinha. – Com licença. — resolveu então se sentar ao lado do senhor, ficando do outro lado da sala, podendo observar o corredor que dava para outros três cômodos. – Esse garoto... Vincent, ele recebia algum tipo de visita aqui? Alguém suspeito?
– Não que eu saiba. Como eu disse, ele nunca saia muito de casa. Ninguém vinha e ele também não ia a quase lugar nenhum. Se bem que as vezes eu escutava barulho de garotas lá dentro, mas pode ser coisa de televisão. Sabe, essas coisas podem ser bem barulhentas hoje em dia.
– Ah, sei como é... – Dean não sabia muito bem, afinal não assistia muita televisão. – Mas alguma coisa estranha que tenha notado nesse garoto?
– Bem... – parecia que o velho estava escondendo alguma informação. – Não sei se eu deveria estar dizendo isso...
– Senhor Spinella, esse garoto cometeu dois assassinatos. Se o senhor não colaborar com o caso, pode acabar sendo visto como cúmplice. – sussurrou Dean. Não gostava de ameaçar civis, nem indiretamente, muito menos diretamente, mas as vezes ele não tinha escolha.
– O que posso falar é que ele nunca me pegava em dinheiro. – Dean o encarou analiticamente, tentando entender o que ele queria dizer. – Veja bem, eu fui servidor público por anos, e tenho uma boa aposentadoria, e para um velho como eu, dinheiro só serve pra comprar remédios e apostas. Mas tem coisas que um homem solitário como eu gostaria de ter, e não sei como, mas esse garoto sempre me trazia essas coisas.
– Que... Tipo de coisas? – agora a história ficava um pouco interessante.
– Veja, teve uma vez que ele me decorou a casa e transformou-a num lugar parecido como uma suíte de luxo de Las Vegas. Tinha hidromassagem, garotas, bebidas. Eu poderia ter um infarto só de olhar para aquelas garotas andando seminuas, mas... Eu não tinha. Eu aproveitava a noite inteira como se eu tivesse 25 anos. – Elliot contava completamente empolgado, encarando Dean com um sorriso no rosto, mostrando os poucos dentes que tinha na boca.
– Ele... – Dean não tinha palavras para explicar aquilo, por enquanto. A garota passou pela sala, ficando de frente para os dois homens.
– Vô, o senhor viu a minha camisola? Aquela preta transparente. Vou usá-la mais tarde, e eu não sei aonde enfiei.
– Eu tenho que ir! – Dean se levantou mais rápido do que um tigre corre para dar um bote em sua presa. Nem precisou que Elliot o levasse a porta, já que ele abriu-a apressadamente. – Eu volto se tiver mais... Perguntas. – e então ele fechou a porta atrás dele.
Se ficasse ali mais um minuto, acabaria tarando aquela garota.
Sam e Dean sempre se reuniam em lugares públicos para reunirem as informações que conseguiam. Restaurantes, lanchonetes, pubs, bares, qualquer lugar com wi-fi e com comida gordurosa e vegetariana tava valendo. Sam estava num desses, nem parando para ler o nome do lugar. Só pediu um sanduíche natural, com todos aqueles codimentos que ele gostava tanto.
Enquanto Sam lia as informações novas que conseguia, Dean chegava no lugar a pé, pois o lugar não ficava muito longe do apartamento de Aaron. Assim que sentou a bunda na cadeira, ele encarou o irmão. Parecia um pouco... Abalado.
– Na próxima vez você faz as perguntas, e eu faço as pesquisas na internet. – ele avisou, dando aquilo como assunto encerrado.
– O que? – Sam encarou-o sem entender nada, dando uma breve risada por isso.
– Tinha uma garota lá, Sammy... – Dean começa a explicar, e Sam abre um sorriso só de imaginar a cara do irmão mais velho. – Ela era tipo... Uma coelhinha da Playboy, ou uma garota da Victoria Secret e... – quanto mais ele explicava, daquele jeito desconcertado dele, mas Sam ria. — Olha, eu não posso passar por essas coisas, sabe... Eu to na casa dos trinta, e hoje em dias estão morrendo pessoas cada vez mais novas de infarto.
– Ah, Dean... – Sam estava prestes a lembrá-lo de todas as refeições que ele fazia de três a cinco vezes por dia.
– Não diga nada sobre minha comida! – Dean apontou o dedo para ele, sussurrando aquilo, e Sam se calou. – O que descobriu?
– Bem... – voltaram ao motivo de estarem em Iowa. – Parece que esse tal Vincent Mancini não apareceu em outro local. Mas... Eu dei uma olhada na internet, e descobri casos semelhantes, todos do mesmo jeito. Um garoto solitário aluga um lugar, fica lá por algumas semanas. Um belo dia pessoas são encontradas mortas lá, e então o garoto vai embora. – Sam faz uma pausa rápida.
– Isso aconteceu quatro vezes em três meses, contando com essa. Uma vez em Washington, outra em Ohio, e na última vez... Em Malibu. Mas tem outra coisa: todos os lugares ele usava um nome diferente. – Sam comentou. – Jon Snow, Bobby Mercer, Tyler Durden...
– Espera... São todos nomes de personagens de filmes. – Dean afirmou. – É, parece que o Mr. Blockbuster não gosta muito dos anjos.
– A recíproca também é verdadeira. – Sam respondeu, deixando Dean com os olhos semicerrados por ele falar ‘recíproca’. O mais velho nunca foi fã de palavras complicadas.
– Hum... Bom, eu descobri uma coisa interessante sobre o nosso fugitivo. Parece que ele gostava de bancar o cafetão jr. para o dono do prédio que ele vivia.
– Cafetão Jr? – Sam perguntou.
– Isso, com direito a, escuta essa: suíte de luxo em Vegas. Tudo dentro de uma única casa. Era a forma que o garoto encontrava para pagar pela hospedagem.
– Será que foi um sonho ou algum feitiço? – Sam começou a pensar nas possibilidades.
Pensou em bruxaria, afinal não era muito difícil fazer a cabeça de alguém com um bom feitiço. Raciocinou e chegou ao Djinn, mas o velho não estava morto, então... Poderia ser um anjo fugitivo também, afinal quem mais para vencer um monte de anjos?
Os irmão chegavam a conclusão de que precisariam de uma ajuda extra para resolverem aquele caso. Era a hora de chamar o terceiro caçador do grupo, o anjo mais confiável que eles conheciam.
Dean ligava para Castiel.
– Se eu não lhe atender, estou caçando criaturas sobrenaturais por ai. Eu.. Acho que não deveria ter dito isso. – a chamada eletrônica do celular de Cas dizia, seguido de um bipe.
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