The Legend Of Shadow And Light
4 Cratera abaixo
–- Capítulo 3 --
Cratera abaixo
O vento zunia sobre o apartamento esquecido pelo resto da cidade.
Ainda era de noite, e um helicóptero pairava sobre um grande apartamento, já velho, que ficava ao longe do centro. Ele era cinza, e tinha sua tinta já gasta, com várias falhas espalhadas ao longo dela.
A escuridão engolia tudo ao redor, mas era levemente clareado pelo brilho das várias estrelas no céu. Pouco vento passava por lá, o que fazia ficar um pouco mais abafado.
O helicóptero estava a alguns metros acima da cobertura do edifício, e parecia estar parado no ar.
Então, o silêncio foi quebrado pela porta lateral que deslizou para o lado, por um homem alto e forte.
Ele usava um uniforme especial. Um colete preto bem reforçado estava colocado sobre seu peito, e abaixo estava uma camiseta de cor azul escuro, que lembrava muito um preto. Tinha um cinto com certos mini bolsos, e usava uma calça jeans também azul, mas mais claro. A manga da camiseta parava entre o começo de seu braço até o cotovelo, e ficava estufada pelo excesso de músculos que o homem tinha. Ele usava luvas sem a parte dos dedos, e era também da cor azul escuro. Seu rosto era sério e com uma expressão de raiva. Tinha uma barba raspa, e um cabelo raspado militarmente, de cor escura. Seus lábios, ressecados e com cortes por toda a parte, eram muitos claros, pelo ressecamento. Mas, seus olhos, eram diferente de todo o resto. Um deles, parecia mostrar toda a vida dele, eles mostravam sofrimento, dor, arrependimento. O outro, não tinha expressões, ele era branco. Seu outro olho, parecia ter sido cortado ao meio, e uma cicatriz grande cortava a parte de cima, saindo na de baixo.
– Já pode sair — disse ele, com uma voz grossa e rouca, para alguém dentro do helicóptero
Então, outro homem surgiu dentro da cabine.
Ele usava um uniforme exatamente igual ao do outro, porém, a cor de suas roupas eram brancas, exceto pelo colete e luvas. Usava botas de couro de cor preta, e estava com alguns cortes pelo seu uniforme. As mangas de sua camisa, diferente da do outro homem, desciam até seus pulsos, que por sinal, no braço direito, usava uma pulseira vermelha. Ele também usava um capacete cinza, que cobria seu rosto.
Com o primeiro homem dando espaço, e andando dois passos para o lado, o homem caminhou até a borda do helicóptero, se segurando a barra de ferro presa a porta, e examinando a cobertura do hotel, quando outro homem apareceu.
Ele era menor que os outros dois (que na verdade eram grandes, mas se comparar o homem de camisa branca com o de azul escuro, o de camiseta branca é bem baixo), e a cor de sua camiseta era de um azul bem claro. Tirando isso, seu uniforme era exatamente igual ao do primeiro homem, com a inclusão do capacete de cor cinzenta.
Ele caminhou até a borda do helicóptero, com a licença do segundo homem, que deu um passo para o lado, então retirou uma espécie de gancho do cinto. Então, prendendo-a a um pino preso ao chão do helicóptero, retirou sua mochila das costas, colocando-a no chão e a abrindo. Remexendo tudo, finalmente retirou uma longa corda de lá de dentro, então a prendeu ao pino.
Logo, se erguendo, o homem de camisa azul claro chutou a corda, que deslisou para fora e parou alguns metros acima do térreo, quando no exato momento uma rajada de vento aconteceu.
O helicóptero, que antes parecia fixo no ar, mexeu-se um pouco para os lados, e isso fez com que a cabine atrás se mexe-se bastante. Sem nenhum apoio para se segurar, o homem de camisa azul claro então foi arremessado para fora, e um pequeno grito pode ser ouvido, sendo abafado pelo seu capacete.
Ele balançava no ar, olhando para o homem de camisa branca que o segurava. O homem estava deitado sobre o solo do helicóptero, e esticava sua mão segurando a do outro soldado. Então, fazendo um pouco de força, logo o puxou para dentro
– E-Eu sinto muito — gaguejou o homem de camisa azul clara, fazendo uma reverência ao homem que o ajudou, e andando depressa para o outro lado da cabine.
Sem dizer nada, o homem de camisa branca então saltou, segurando-se a corda no meio da descida, deslizando até o fim dela, logo soltando-se e caindo de joelhos ao chão.
Uma arma de fogo, que parecia ser um rifle de assalto, estava preso a um cordão de plástico, que envolvia de seu ombro a seu torso.
Então, caminhando até a borda do prédio, e colocando o dedo médio e indicador sobre a borda de seu capacete, uma luz levemente azulada brilhou sobre seus dedos.
– Já estou aqui — disse o homem, com uma voz um pouco grossa, mas normal comparada a dos outros personagens mostrados até agora
Alguns segundos se passaram em silêncio, com o homem ouvindo outro homem falar do outro lado da linha
– Entendido — disse por fim
Então, retirando os dedos do capacete, ele caminhou até uma grande pedra azulada, parada no lado direito do prédio.
Ela parecia um cristal, porém estava sujo e escuro. A pedra estava com várias pontas na parte de cima, e era super pesada.
Então, esticando sua mão até sua superfície, ele a tocou.
Um grande círculo de luz azulada se formou em torno de seus dedos, e desse círculo linhas de luz partiram pela pedra toda, espalhando-se por todos os lugares.
Tudo, que antes estava escuro e sem movimento, agora estava claro. Uma claridade além do comum, que fazia o homem olhar para baixo mesmo estando de capacete. Rajadas de vento partiam de todo lugar, fazendo o helicóptero se mexer a todo instante.
Após alguns minutos, a escuridão lentamente retornou, porém a pedra continuava a brilhar, com sua luz azulada.
Então, erguendo novamente sua cabeça e virando-se para o centro da cobertura, observou uma cratera quadricular que havia se formado.
Durante a luz, uma peça do solo parecia ter se movido, e isso realmente aconteceu. Um buraco quadrado estava estampado exatamente no centro do lugar, e a peça que havia se locomovido parecia ter sumido.
Parando sobre a borda do buraco, e olhando por dentro, nada se via além de...
Escuridão.
Uma escuridão profunda e sem fim, que descia interminavelmente.
– Podem vir — disse já com os dois dedos colocados na lateral do capacete
Então, a corda logo foi puxada para cima, e o helicóptero se movimentou até o centro do hotel, abaixando-se mais um pouco.
Após alguns segundos, outras 4 cordas desceram, deslizando da cabine, porém estas eram bem maiores que a primeira, e desciam pelo buraco, sumindo no escuro.
O homem de camisa azul escuro então apareceu deslizando por ela, passando pelo buraco, e sumindo na escuridão.
Outros 2 homens com camisas cores laranja também passaram, ambos sumindo no buraco, e em seguida o homem de camisa azul claro também sumiu.
Caminhando na direção da borda do prédio, e colocando uma de suas pernas sobre o pequeno degrau de segurança, o homem de camisa branca colocou suas mãos sobre o capacete, então o retirando.
Ele tinha uma expressão séria, que parecia penetrar na sua alma. Seus olhos amarelados, que lembravam ambar, eram calmos e pareciam entender todas suas expressões. Tinha um cabelo marrom desarrumado, e uma barba raspada também marrom.
– Não morra, Crystal... — disse para si mesmo, olhando para as estrelas que iluminavam o escuro céu — Por favor
Então, recolocando com rapidez seu capacete, deu uma pequena corrida até o buraco no centro da cobertura e saltou, segurando-se na corda e deslizando cratera abaixo, sumindo na extensa escuridão.
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