The Last Sigh I

2 Vamos Matar Hoje á Noite


Notas iniciais
Boa leitura!

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Com tantos miseráveis andando pela cidade, como se nada, jamais, na sua vida tivesse acontecido, vivendo com sangue de inocentes nas mãos, na esperança que possa disfarçar sua criminalidade, em dizer que não participa mais de coisas assim, tantos que mereciam estar a sete palmos do chão, e eu tenho que ficar até oito e quarenta no trabalho. Em uma hora dessas, eu e Anthon poderíamos já estar na terceira vítima da noite. Mentira, só matamos em dia de lua cheia.

Só estou pensando em motivos para não ficar aqui até tarde da noite, esperando que meu chefe receba mensagens do além, vindas da minha mente, com os motivos para eu sair mais cedo. Se bem que, quando ele descobrisse, eu realmente poderia sair, mas não iria para casa ou qualquer lugar de costume, eu estaria na prisão. Mesmo eu fazendo um favor para eles, tirando o lixo das ruas, ele me prenderiam.

Meu chefe é uma pessoa agradável, dependendo do seu ponto de vista. Um velho baixo, gordo e com cabelo grisalho, rabugento na maior das situações. Pão duro de primeira, com salários sendo mal distribuídos, e pouco. Para mim, que tenho que comprar muitos materiais até o dia de lua cheia, 560 dollars é pouco. Ainda mais com contas de luz, o aluguel do apartamento, o telefone, e as contas do carro, meu salário é uma miséria com tudo isso. E para piorar a situação, o desleixado de Anthon não trabalha.

Em vez de estar trabalhando, venho pesquisando sobre a nossa próxima vítima, Josh Sykes. Três mandatos de prisão por assassinato e um por estupro. Pele morena, e com olhos escuros, apenas isso que eu tenho sobre as aparências dele, mas sua cara é fácil de lembrar-se, mas nem a altura dele eu consegui. Sei que parece besteira precisar da altura, mas cale a boca, quem está matando sou eu, então é do meu jeito.

Não entendo a política da polícia que libera um sujeito condenado como esse, mas eu agradeço por liberarem ele, é mais fácil de matar quando não está na prisão.

Meu pai sempre quis que eu fosse militar, desde os meus seis anos, ele me obrigou a aprender pelo menos metade do que se passa em uma guerra, me ensinou os pontos fracos de qualquer pessoa, as melhores formas de atirar, como não ser pego pelo inimigo, e o mais importante, como criar uma cena que se tenha coerência com o que você tem em sua defesa. Ainda o agradeço por me ensinar tudo isso. Talvez, se ele não tivesse me obrigado, eu e meu amigo teríamos morrido a 21 anos atrás, junto com os nossos pais. Não tive outra maneira de sair dali vivo se não fosse matando o outro. E aquele dia me fez o que sou hoje. Então, não sou uma pessoa muito amigável.

Meu relógio marcava 20h40. Hora de ir. Juntei minhas coisas que estavam em cima da mesa, que não era tão desorganizada, era melhor deixar tudo organizado para quando chegasse na hora de ir, era só pôr dentro da bolsa.

Fui andando com passos longos e rápidos até a porta, ou eu ia rápido, ou o Sr. Cornell me interceptaria e não me deixaria sair exatamente na hora. Ele tem essas paranoias de que tem que ter um tempo extra, não concordo com ele. Sou eu quem tenho que aguentar toda essa gente hipócrita frequentemente, enquanto o gordo velho fica com sentado na cadeira, com sua bunda gorda, vendo pornô.

– EI! ONDE PENSA QUE VAI TÃO CEDO? – Disse a voz irritante dele.

– Eu tenho o que fazer, amanhã a gente se vê! – Gritei, já fechando a porta e correndo para o carro.

Entrei no carro e liguei o motor o mais rápido que pude, pra minha sorte, a porta do estabelecimento travou na hora que ele iria vir gritar comigo. Sai vendo a cena dele batendo na porta e gritando violentamente comigo, em vão, pois não dava para ouvir nada, já que ele investiu em um vidro mais resisitente.

Era noite de lua cheia, percebera isso só quando saí, não sei se já citei que, entro ás sete da manhã e só saio ás oito e quarenta da noite. Tendo pausa apenas para o almoço e olhe lá. Tem dias que eu levava apenas duas torradas e tomava café que tinha lá. E para mim isso não é um almoço. Pra mim.

E lá estava ela, a lua cheia. Ô lua cheia, pela qual já esteve sob várias mortes de pessoas imprestáveis. Tamanha beleza, que tem quando se cruza ao céu azul-escuro. É como uma enorme luz, em torno de uma grande quantidade de treva. Uma esperança em que, um dia, o mundo poderá ser algo melhor e não ter mais pessoas que tiram a vida de inocentes. É como a minha Sombra, que só é vista nos dias em que a lua mais brilhava. Brilhava tanto ao ponto de achar que era uma enorme gota de sangue. Vermelha, obsessiva.

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O nosso ritual para matar, é de acordo com o luar. Em dia de lua cheia, é dia que o mundo é presenteado com menos um idiota. Os outros dias, nós – eu e Anthon – preparamos um quarto – de preferência onde o sujeito cometeu o seu crime – para podermos executar o mesmo. Fazemos vários planejamentos de como vai ser acontecido, e como vamos nos livrar do corpo.


Anthon estava andando de um lado para o outro com o celular ao ouvido, quando cheguei. Parecia impaciente comigo, pois quando viu meu carro, levantou os braços e depois cruzou os mesmos em sinal de reprovação.

– Pensei que tinha desistido do Sykes. – Disse ele quando parei o carro.

– Reclama com meu chefe, então.

– Aquele velho gordo, impossível de aguenta-lo! – Exclamou.

Entrei na casa, com pressa, para pôr minha roupa. Essa roupa era meio, hã, especial. Ela era toda preta, e uma bota, também preta. Ficava escondida detrás do meu guarda-roupa, no mesmo canto onde guardo as ferramentas. Eu abri um buraco na parede, no mesmo local onde fica o meu guarda-roupa, e deixei esse espaço especialmente para por isso. Quando não quer ser pego, é bom garantir e não levantar suspeitas com uma mala preta enorme com um cadeado reforçado, cheio de facas, revólveres e entre outras armas mortais. Quanto menos notável, melhor vai ser, pensa.

Saí do meu quarto já com a roupa e a bolsa comigo. Meu parceiro aguardava-me encostado no carro. 21h15, hora de ir.

O alvo estaria nesse momento em um bar que ficava mais ou menos á uns 15 ou 20 minutos, veríamos chegar lá no máximo ás 21h40. O nossos plano era mais improvisado dessa vez, iríamos entrar no bar e ficar bebendo até a hora que o Sykes decidisse sair de lá, e era ai que entraríamos em ação.

Drink for Die era o nome do tal bar, quem diabos daria um nome ridículo desses? E o pior é que, apesar do nome, ainda tem gente que vai naquele deplorável local. Não costumo muito frequentar os bares da cidade, prefiro comprar para casa mesmo. Bohemia é a cerveja que mais compro, ela é leve e meia doce, até demora um tempo para você não estar mais sóbrio, não acho bom ficar louco. O Anthon é quem gosta mais de beber umas mais pesadas, como Vodka.

Eu e Anthon não nos falamos durante o percurso, estávamos muito concentrados, é necessário isso também. Combinamos todo o plano a uns dez dias de antecedência, combinamos atrasados até, normalmente é bem antes que fazemos tudo isso.

Chegamos no Drink for Die, e devo admitir que a estrutura não era uma das piores que já vi alguém frequentar. Na entrada tinha o nome do bar em neon, que não dava para olhar para ela sem ficar cego ou quase isso. Uma decoração como se fosse de um velho muro que ali estava, mas acho que qualquer pessoa conseguiria notar que se tratava apenas de uma pintura na parede. Parecia ser pequeno e bem apertado, pela largura que se via de fora, mas por dentro era bem maior.

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Acendi um cigarro antes de entrar, para poder relaxar e não atacar o cara só de olhar para ele. Mal abri a porta e já vi ele, sentado, gritando qualquer coisa aleia para todos do bar ouvirem.

Sentamos do seu lado, e pedimos uma bebida menos forte que tinha lá, a Cuba-Libre. Não é uma coisa muito boa de se tomar, talvez confunda o gosto com Pinga, que também é uma desgraça.

...


– “Prometi a meu rei a cabeça da Medusa, e aqui estou eu a cumprir o meu dever.” – Citou o homem.

– Desculpa? – Indagou a moça sem entender do que se tratava.

O homem puxou uma foice, e atacou a moça no pescoço. Não se ouvi nada além do ruído que fazia a foice quando manuseada com velocidade. A cabeça caiu no meio da rua vazia e escura, seu corpo, ficou deitado ao lado.

O assassino, não se preocupou em ser rápido, parecia não estar com pressa de sair dali.

Ele ajeitou o corpo como se a pessoa estivesse tentando correr. Com o sangue da mesma, escreveu no chão:

“Το έκανα για όλα την πρώτη μέρα έχασαν τη ζωή τους πάνω από τα μάτια της Μέδουσας, τώρα, κανείς δεν χρειάζεται να ανησυχείτε.”

E levou a cabeça da mulher para o seu carro, segurando-a pelos cabelos. Pôs sobre um travesseiro que aparentava ser bem confortável. Abriu os olhos, deixando-os bem abertos, e a boca da mesma forma, colocando como se estivesse gritando, mas triste ao mesmo tempo. Colocou ao lado da cabeça, um retrato de um herói grego, Perseu. O filho de Zeus, segurando a cabeça de uma Górgona. Medusa, já que dás três, apenas ela era mortal.

Assim, que pôs o retrato, puxou do seu bolso o celular. Discou um número, e aguardou que a pessoa atendesse. Depois de alguns toques, a pessoa finalmente atendera.

– Sim, meu rei, consegui, pela minha honra, a cabeça de Medusa. – Disse o mesmo ao celular.

– Muito bem, meu jovem aprendiz. Aguarde minha próxima ligação, será o seu próximo heroísmo, e desta vez, meu caro, será bem mais complicado. – Disse um senhor que aparentava ser estrangeiro, pelo sotaque.

– Mas é claro que atenderei! – Exclamou. – Quanto mais o sir me ligar, mais o mundo será desfeito dessas aberrações.

– Com certeza. Mas, agora, volte para a sua casa e descanse, Aquiles não foi a guerra cansado. – Desligou.

O psicodélico ligou o carro, e foi para a sua casa, á espera de uma nova ligação.

...


Eu já estava quase me engasgando com a própria saliva de tão bêbado que estava. Já quase não senti nada desde a primeira dose de Cuba-Libre, imagine agora. Meu maço de cigarro já acabou, e tive que pedir para uma pessoa que vi fumando no bar. Para meu azar, ela não tinha Marlboro.

O Anthon ainda está ao meu lado. O Sykes também continua aqui bebendo, isso só vai nos ajudar, ele pode pensar que somos o papai Noel – não que eu acredite – e acaba nos deixando levar ele sem problema, ou por outro lado, ele pode começar a brigar conosco, e não vai acabar muito bem.


Tarde da noite, Sykes começou a juntar as coisas para ir para a sua última caminhada. Imediatamente eu e Anthon, nos manifestamos. Paguei a conta, pra falar a verdade, joguei umas notas na mesa, não sei ao certo quanto dei, mas acho que foi o bastante para pagar.

Sykes tinha deixado algo dentro do bar, e voltou para pegar, ficou melhor para nós. Fomos para nossas posições. Esperamos o alvo vir. Procurei o Anthon onde ele deveria estar, mas não o vi. Mas não me preocupei, pois eu estava sobre o efeito alcoólico, possa ser que não esteja vendo as coisas direito.

Senti uma perfuração no meu pescoço, e depois a pessoa pressionou a seringa, pela qual utilizava. Tranquilizante. Senti minhas pernas tremerem, e depois, apenas senti a dor do meu rosto se chocando com o chão. Apaguei.


Saltei da cama, pensando ter tido um pesadelo. Estava de madrugada, e a lua realmente estava cheia, vermelha. Mas não me lembro de ter ido matar ninguém naquela noite.

Fui para a cozinha tomar um copo de água, para ver se acordava, já era quase de manhã, e infelizmente trabalho até as 2h00 hoje. Mesmo sendo sábado. E o pior é que, você tem que acordar cedo para trabalhar, para outra pessoa ganhar muito dinheiro, e ainda tem que ser grato com isso.

Anthon estava deitado no sofá, com uma garrafa na mão. Parecia ter bebido e assistido TV a noite inteira, e suas pálpebras estavam inchadas, parecia que tivera ele levado um soco, que tolice a minha, uma pessoa forte como ele não apanha de ninguém.

Desde que o conheço, apenas vi ele bater em muita gente, mas apanhar nunca.

– O que ta fazendo acordado tão cedo? – Perguntou ele.

– Esqueceu que eu trabalho até ás duas dia de sábado?

Ele se levantou e veio para a geladeira, pegou um copo de água e bebeu. Foi para o seu quarto, provavelmente indo dormir, já que é desempregado. Bem que eu não queria ir ver a cara do Sr. Cornell nunca mais, mas só que se eu ainda quiser comer, o jeito é ficar lá mesmo.

Tomei um banho rápido, comi apenas uma torrada e tomei um suco de laranja. Fui para o carro, e liguei o carro o mais rápido que pude, faltava apenas 15 minutos para ás sete, e da minha casa até lá é em torno de meia-hora para chegar.

Percebi que no volante tinha respingos de sangue, não me lembro disso, mas ignorei, deve ter sido quando eu estava limpando o carro, tirando os vestígios, que eu não vi isso aí e esqueci, depois eu limpo.


A cada vez que me sento na minha cadeira, mais coisas estão sobre ela, eu sou o que mais trabalho nesse departamento, não sei o porque. Talvez o chefe tenha uma certa “marcação” comigo, ou talvez seja porque eu sou o subgerente da empresa Kestrel.

Você pensa que é bom trabalhar em uma grande empresa, ou quase, mas não é. Quanto mais alto o seu cargo, mais responsabilidade tem. É meio difícil de você acreditar em mim, até vir pra cá.

Vi no jornal, tinha uma notícia dizendo sobre a morte de uma moça, que estava sem a cabeça, e seu corpo ajeitado estranhamente. Do lado dela, tinha umas escrituras em grego. Peguei um papel rápido, e anotei o que tinha lá, e comecei a traduzir.

“Fiz isso por todos que um dia já morreram sobre os olhos de Medusa, agora, ninguém precisa mais se preocupar.”

Sim, eu sei grego. Eu aprendi quando estava no fundamental, um garoto se mudou para cá, e depois de Anthon, ele foi um amigo que eu tive.

Que legal, a próxima vítima será um grego, que pensa que todos somos de uma raça na mitologia grega. Ele não vai muito longe com isso.

Antes, estava contando o tempo para ir logo para casa. Agora, eu estou querendo passar com os meu próprios olhos o tempo, para poder contar para Anthon qual será a vítima depois que a gente recaçar o Sykes. Já que eu sonhei caçando ele, essa será uma recaça.

– Volte a trabalhar, não te pago para ficar sentado vendo o jornal! – Disse o Sr. Cornell

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E eu tenho que trabalhar para você ganhar dinheiro, enquanto fica vendo pornô? Pensei. Mas ele realmente estava certo, o melhor que eu tinha para fazer agora era trabalhar. Mortes, planejamentos, os locais e as vítimas, tudo isso fica para depois, infelizmente.

Tinha mais de três pilhas de papel para eu organizar pela data e pelo endereço, realmente, as mortes vão ter de ficar para mais tarde.


Notas finais
Se chegou até aqui, por favor, diga o que achou, me deixaria feliz e com mais vontade de escrever.