The Last Sigh I
3 A Fuga
…
Quanto mais cedo chegasse em casa, melhor seria. Acho que poderíamos adiantar a morte de Sykes, fazer um dia depois da lua cheia não faria mal a ninguém. Ajudaria até.
Falta apenas mais alguns papeis para organizar, acho que assim que eu terminar posso tirar o dia de folga, afinal, sou subgerente dessa merda aqui. E nem vou fazer falta pra eles mesmo, eu nunca faço nada quando é em relação ao funcionários, acho que podem incendiar o prédio e eu nem me responsabilizo, só tenho culpa quando o gerente não está aqui, e que no caso, ele está.
Peguei o último papel e suspirei, logo em seguida, pus na pilha, e fiquei praticamente deitado na cadeira, descansando. Não cansa fisicamente, e sim psicológico. Uma dor de cabeça aguda é o que estou sentido. Levantei-me com a pilha para levar ao escritório do Sr. Cornell. Andava rapidamente, pois pesava mais do que deveria.
Entre um ou outro corredor eu via algumas pessoas acenarem para mim, continuo a andar, como se elas não existissem. Alguma coisa se esbarrou em mim. Foi papel para tudo que era canto. Meus neurônios ferveram. Não agora. Não aqui. Não poderia matar uma pessoa com uma enorme plateia.
Mas acho que pensei devagar demais, pois quando vi, já estava segurando a gola do casaco tweed,de um dos funcionários, e o levando para a vidraça que ficava no segundo andar, onde eu estava, que dava para a rua.
O joguei pela vidraça, que se despedaçou em vários pedaços.
Fiquei congelado. Que diabos, pensei. Todos olhavam atentamente para mim. Deveriam estar se perguntando como um homem, que acabara de jogar um funcionário pela janela, era contratado, e ainda mais sendo subgerente.
A sirene do prédio disparou.
Ouvi os seguranças vindos atrás de mim. Certo, como vou escapar agora?,Raciocinei. Os passos ficavam a cada vez mais rápidos e próximos. De repente tive uma ideia na minha cabeça.
Os dois seguranças estavam bem atrás de mim, a menos de um metro, calculei a altura deles rapidamente.
Levantei os braços na altura de suas cabeças. Como planejado, eu meio que soquei os dois.
Saí correndo o mais rápido que pude, para as escadas, os elevadores eram mais devagar, e na escada eu decidiria a minha velocidade. Fui pulando de cinco em cinco degraus até chegar ao térreo do estabelecimento.
Assim que eu passei pelas portas de vidro recebi uma pancada forte no nariz. Caí de bruços no chão. Vi o meu sangue escorrer no chão.
– Você está preso agora – disse um policial colocando algemas em mim. – Boa sorte no tribunal – e saiu rindo.
Não iria ser hoje que seria preso. Não hoje. Esperarei até entrar no carro para fugir.
Como sei que os policias são estupidamente burros, eles colocam o detento no banco detrás da viatura. Uma ótima oportunidade para eu usar uma das minhas várias habilidades.
Depois de meia-hora, foi que finalmente me colocaram no carro, por sorte não me revistaram, com certeza eles estariam na esperança de procurar por algo só na cadeia. Coitados.
Eu tinha praticamente 70% de chances de escapar dali sem nem mesmo eles saberem, mas eles notariam depois, e eu seria perseguido até pelo capeta se possível. Então é melhor eles irem logo pensando no último pedido que tendem a fazer para mim. Ou não.
– Acha que ele pega quanto tempo na cadeia? –Perguntou o policial que parecia mais um armário do que uma pessoa.
– Espero que pegue o bastante para aprender – respondeu o outro, que era mais normal.
Eles ficavam olhando para mim constantemente durante o percurso. Do meu lado avia uma espécie de pedaço de pau, ou algo do gênero. Isso era perfeito para abrir algemas.
Fiquei tentando pegar ela para tirar o que me prendia. Sem sucesso. O que eu consegui foi mais trabalho ao ir com mais impulso, ela acabou caindo no chão, bufei. Embaixo tava escuro demais para eu poder enxergar algo. Tentei refletir a luz do sol na tela do relógio. Sem sucesso, de novo.
Fiquei um tempo para analisando a minha situação do momento. Eu estava prestes a ser eletrocutado em uma cadeira, por causa da minha burrice de ficar relaxado demais, deveria ter atacado assim que o motor do carro ligou.
Refleti por uns dez minutos o que acabara de fazer. Eu não estou triste por ter jogado ele lá de cima, isso é até normal, mas por que eu deixei a raiva me consumir tão facilmente? Espera, desde quando eu tenho raiva ou qualquer outro sentimento? Besteira esse pensamento.
– Está com sede, miserável? – Disse um dos policiais.
– Não – resmunguei.
Entramos em um túnel sombrio.
É esse é o meu fim, agora só desejo sorte p… espera, água? Dá para refletir perfeitamente a luz do sol, e como estávamos dentro de um túnel escuro bastante para não enxergar nada além da luz mais para frente, dava para eu representar a claridade aqui e achar aquele graveto… brilhante!
– Hmm… pensei melhor, e vou querer um gole d’água.
Ele me passou uma garrafa de água mineral. Procurei uma posição onde dava para a luz se espalhar pelo piso do carro. Consegui. Não estava tão claro, pois já estava escurecendo, mas a luz foi suficiente para achar o graveto. Bebi um ou dois goles e deixei cair de propósito no piso. Apanhei o graveto e voltei para meu canto
– Não, merda, eu tinha lavado isso hoje, daí aparece essa praga – apontou para mim – e estraga todo o trabalho que tive hoje cedo – ele bufou e sentou no seu banco. – Pare ali na frente, antes que aqui dentro fique podre – resmungou para o policial ao seu lado.
Ótimo.
Acabaram de dar o golpe de misericórdia neles mesmo. Meu trabalho foi facilitado muito.
Eles pararam a viatura uma quadra depois do túnel, uma rua deserta, não se via um pé de gente ali sem ser o nosso claro. Destravei a algema assim que me tiraram de dentro do veículo. Um foi para o outro lado e outro ficou exatamente de costas para mim. Tirei lentamente a algema dos punhos, que ficaram ali só para não suspeitarem de nada, e coloquei em volta do pescoço de um dos policiais e o enforquei, tampando sua boca, sem que seu parceiro percebesse, e ele perdeu a consciência e quase caiu no chão, mas eu o segurei primeiro. Coloquei-o dentro do carro, e fui para cima do outro. Quando iria agarra-lo, ele virou-se e puxou a arma contra mim. Ouve-se um disparo.
Não perdi a consciência ou caí no chão, o tiro no braço não fizera muito efeito. Joguei, o que a pouco tempo estava me prendendo, na cara dele, e fez ele cair no chão, xingando até o demônio de tanta dor.
Algemei sua perna esquerda com o braço direito, e o braço esquerdo com a perna direita. Fiz o mesmo com o seu parceiro. E joguei os dois no banco detrás e segui viagem a um lugar para acabar com eles dois.
A cada vez que passava mais alguns quilômetros, sentia a dor no meu braço doer mais ainda. Sei que teria que tratar logo daquele ferimento antes que piorasse e eu chagasse até mesmo a desmaiar. Mas, primeiro eles tem de serem exterminados.
– O q-quê que vai fazer conosco? – Perguntou o polical que atirara em mim.
– Não se preocupe – retruquei, sorrindo.
Ainda consegui me lembrar de onde tínhamos planejado matar Sykes. Foi para lá onde fui. Me lembro de ter deixado tudo lá organizado dois dias antes de mata-lo, mas eu dormi demais, né…
Parei o carro em frente o local.
Senti a tremedeira dos dois dali. Abri a porta detrás. E abri espaço para eles passarem.
– Pai nosso que estás no céu… – Tentou dizer o que era mais magro.
– Cale a boca, – dei uma tapa no rosto dele. – Isso nunca ajudou ninguém!
– Olha, eu te dou todo o meu dinheiro, saco toda a conta amanhã e lhe pago.
– Eu também dou toda minha con…
– Calem suas malditas bocas! Eu não quero dinheiro nem nada que vocês têm a me oferecer. E também não posso deixar duas testemunhas escapar, não é?
Os dois tremeram na base, essa é uma das melhores partes: o medo deles.
Entramos dentro da casa abandonada. Lá era para estar tudo arrumado, mas em vez disso, não tinha absolutamente nada. Eu tenho mais que certeza de que eu arrumei tudo um dia antes da lua cheia, um bocado de plástico não vai sumir assim do nada.
Eu estou enlouquecendo.
O pior é que, agora não tenho como tirar todos os vestígios. Mas sempre tem uma maneira, eu querendo ou não. Será que alguém visitaria aqui até o próximo final de semana? Pouco provável.
A única chance que tenho é: sem sangue. Em outras palavras, quebrar o pescoço deles, e depois me livro dos corpos, junto com o carro.
Fui para perto de um deles, e peguei no seu rosto.
– Imploro por misericórdia! Não me mate! – Resmungou ele.
– Misericórdia? – Pressionei o meu polegar na testa dele. – Você não pensou duas vezes antes de me acertar na cara não é? – Quebro o pescoço dele. – E agora vem com essa conversa fiada de misericórdia. E você, vai implorar por piedade também? – Apontei para o outro.
– Espero que você queime no inferno!
Finalmente mato-o também.
– A gente se vê por lá.
Peguei os dois corpos que estavam algemados uns aos outros, e fui colocar no carro, arrastando-os. Lá fora, o carro ainda estava onde eu tinha deixado, pelo menos isso de bom hoje.
Coloquei o corpo dos policias dentro da mala e fechei-a. A gente poderia matar mais vezes assim, só quebrando alguma parte fatal do corpo, sem sangue, menos trabalho. Se bem que, só facilitaria meu trabalho, Anthon é muito preguiçoso para fazer tudo isso, mesmo com ajuda.
Entrei no carro, e quando ia ligando o carro, ouvi um barulho vindo de dentro do barracão. Pensei em ir lá, mas, vamos analisar minha situação: estou sem arma, sem tranquilizantes, cansado, e com dois policias na mala de uma viatura. Melhor ficar aqui e sair na primeira oportunidade que eu tiver.
Fiquei sentado, esperando. Acho que dava para ficar ali até a pessoa que estava ali saísse. Ou as pessoas, não sei.
Acordei, ainda sentado, com o barulho de carro. Deveria ser a pessoa indo embora. Fiquei até um pouco feliz, mas lembrei de que a rua ficava a dez minutos daqui. Vamos esperar mais um pouco.
Fiquei contando na cabeça os minutos se passarem, e parei para pensar, quem era aquele? Como descobriu esse barraco no fim do mundo? E o que ele estava fazendo aqui?
Como estava no escuro, não consegui ver a placa nem nada que pudesse ajudar na identificação. Mas eu pelo menos sei que era um carro esportivo, não ajuda muito, eu sei, mas não vejo muitos desses pela rua.
O que sei é que já passou dos dez minutos, e to com dor de cabeça demais para ficar mais tempo aqui.
…
– Quando vamos matar o próximo monstro, mestre? – Pergunta o jovem.
– Paciência, meu jovem, quando for a hora certa Troilo aparecerá, basta ter paciência.
Eles andam e andam em uma pequena feira que ocorre nos finais de semana. Lá vende de tudo e um pouco mais, desde comida até roupas, é uma variedade enorme.
– Mas como vamos identificá-lo? – Diz o jovem.
O mais velho pra.
– Tenha paciência, não sabe o que é isto?
O jovem fica meio confuso, mas continua a andar sem rumo algum.
…
Fui devagar pela trilha, já tinha passado muito tempo. Não tinha nenhum sinal de vida por lá.
Agora tinha tempo para pensar. Tudo no silêncio, apenas o som do motor.
Eu sabia que assim que saísse dali, teria de ir direto para minha casa, pegar tudo e fugir, não sei para onde, mas deveria fazer isso. Não sei o que Anthon iria achar da ideia, mas eu devo sair daqui imediatamente.
Até agora, estou pensando no que fiz hoje cedo. A adrenalina subiu completamente, e eu estava meio estressado com tanta coisa pra fazer lá. Depois que culpamos o trabalho por alguma coisa, não temos razão.
Dentro da parede, sempre deixamos um ‘‘kit de fuga’’. Uma identidade falsa, seis cartões de crédito, dinheiro, roupas, e dentre outros documentos. Eu tenho minha bolsa e Anthon a dele. Só falta pegar um passaporte para algum lugar próximo. Ainda temos planos para nossos “amigos” que fizeram o que não deveriam fazer.
A casa estava calma, sem sinal de sirene ou outra coisa. Isso quer dizer que: ainda não sentiram falta dos seus policiais idiotas. Mas quanto menos tempo perder, melhor.
Entrei correndo dentro de casa. A tevê estava ligada, e Anthon jogado no sofá.
– A gente tem que fugir, agora! – Disse ao entrar na sala.
– O que houve? – Perguntou ele.
– Longa história, no caminho te conto tudo. Mas vamos logo, não temos muito tempo até a delegacia sentir falta de dois policiais de lá.
Fui às pressas para a porta do quarto. Atrás dela, está nossas bolsas.
Bati na parede para ter certeza.
Toc, Toc.
Virei de costas para a parede, e chutei-a com força. Abriu um buraco enorme, e lá estavam nossas bolsas. Peguei-as e fui levando para o carro. Iríamos pegar apenas mais umas coisas importantes dentro da casa, como: comida, água, e um notebook. Anthon queria levar a tevê, mas acho que não seria necessário isso, completamente desnecessário.
– Tudo pronto, Anthon?
– Sim.
Saímos de casa, hora da segunda parte da fuga.
– Eu tenho dois corpos no porta-malas, podemos deixar nossas digitais neles. – Sugeri.
– Ótimo.
Pegamos os dois corpos e colocamos algumas roupas nossas neles, e queimamos os seus dedos com gelo, para retirar as digitais. Colocamos as roupas deles dentro do nosso carro. Peguei a gasolina e sai espalhando pela casa, Anthon fazendo o mesmo.
Terminamos. Peguei um isqueiro, acendi uma bomba e joguei-a dentro da casa. O fogo logo se encontrou com a gasolina, fazendo se espalhar por toda a casa, inclusive nos corpos, e logo tudo estaria sendo consumido pelas chamas.
Fiquei lá olhando, por um tempo, até que a realidade me acordou. A gente estava no meio de uma fuga.
Entramos no carro ás pressas, de novo, para sair logo daquele lugar. Dei partida e fomos para fora da cidade.
Até agora estávamos tão quietos quanto um cadáver. Ele ainda não perguntou nada sobre o que aconteceu nem nada. Nós queimamos a casa para a polícia se ocupar mais nisso daí, e deixar o que eu fiz hoje cedo para lá.
O radioamador que ficava no carro começou a transmitir algo:
“Acaba de ocorrer um incêndio na Rua Black Street. Chamando todas as unidades dos bombeiros, e a perícia para saber como isso aqui aconteceu.”
Sim, nós temos um radioamador no carro.
Logo iriam achar os corpos e Anthony Glen e Nicholas Bundy seriam dados como mortos. Ou quase isso.
Era certo que, quando achassem “nossos” corpos, eles iriam querer saber onde estão os dos policiais, pois é mais que certo que eu fugi. Eles vão chegar à conclusão que: Nicholas Bundy foi preso em flagrante, quando iria ser levado para a delegacia, mas ele conseguiu escapar, e perturbado com o que acabou de fazer, colocou fogo na casa junto com o seu amigo, Anthony.
– Quando você irá me dizer exatamente o que aconteceu para você ser perseguido pela polícia? – Perguntou Anthon.
– Se quiser, conto-te tudo agora.
– À vontade, então.
…
O senhor e o homem continuavam a andar pela rua. O mais novo aparentava estar cansado, mas outro não.
– A gente já não andou demais por hoje?
– Ora, ora. Quem tanto queria procurar, agora está cansado. Foi por isso que te chamei hoje para irmos procurar. Você estava muito obsecado para achar logo Troilo e matá-lo. Eu te trouxe aqui apenas para você cansar-se e relaxar mais, está muito tenso!
– Então a gente não veio aqui para procurá-lo?
– Claro que não.
– Mas isso só fez atrasar a gente! Como pôde fazer isso?! Iremos demorar semanas para achar ele agora! O senhor não deveria…
– Shh! Se não percebeu, ele estava em todos os lugares que fomos. A gente estava seguindo-o. Por isso não precisávamos procurar. – Ele aponta para um homem de cabelos curtos e típicos, com roupas sociais, e uma maleta preta. O mesmo falava ao celular. – Ali está ele!
O jovem, entristecido, olha para o homem e depois para o seu amigo, que estava andando já prestes a atravessar a estrada. Ele o segue, cabisbaixo.
…
– E foi assim que a polícia começou a me perseguir. – Disse para ele, finalizando a história.
– Então, estavam te prendendo por que você jogou um colega de trabalho pela janela? – Indagou.
– Exato! – Respondi.
– Interessante. – Retrucou.
Depois de alguns minutos, o rádio dá mais uma notícia:
“As vítimas do incêndio foram reconhecidas como Nicholas Bundy e Anthony Glen. Segundo moradores das proximidades, eles eram quem moravam na mesma casa.”
E outro respondeu:
“Copiado, senhor.”
Desliguei o rádio.
Olhei para a cara de meu amigo que estava ao lado. Ele estava com uma expressão de quem queria dizer: “Conseguimos!”.
E seguimos estrada, á luz da lua cheia.
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