The Last Ones

8 Parte 3 - O ASSASSINATO | Cap. 8 - Chicago


Notas iniciais
Oh My Gosh, PARTE 3, mas já?? É a última parte, mas não o último nem penúltimo capítulo, e ficou mais curto do que eu queria, mas ainda assim... Tá difícil não deixar nem corrido e nem maçante, então.... Enjoy :3

Precisavam daquelas horas de descanso, sabiam que seriam preciosas para eles, mas eles simplesmente não dormiam. Também não conversavam, ficavam abraçados, com medo de perturbar o outro, aproveitando cada segundo em que passavam juntos, se protegendo contra todas as criaturas da noite que os matariam em segundos. Mas não podiam lutar contra o relógio. Porque às cinco horas, o despertador apitou, avisando-os de que estava na hora de se levantarem. De se prepararem para qualquer coisa que as próximas horas lhes reservavam.

Ainda assim, se abraçaram mais firmemente nos últimos cinco minutos, antes de finalmente se separarem, sem que dissessem uma única palavra.

Astrid, Mérida e Sandy já os aguardavam no hangar. Até a presidente lhes aguardava. Uma tropa de aproximadamente umas dez pessoas se aproximava. Então cinquenta, quando a presidente iniciou seu discurso.

– Eu gostaria de agradecer pessoalmente pelo serviço de cada um de vocês. Hoje, já podemos nos considerar vencedores, por termos a coragem de nos erguer e clamar nossa liberdade!

Foi seguida por aplausos, gritos de incentivo. Jack e Hiccup se entreolharam, e sem que dissessem nada, deram as mãos, escondidas atrás dos rifles que carregavam.

– Estamos encaminhando soldados a cada hora. Vocês são a quinta frota que partem essa tarde, juntando um total de duzentos e cinquenta soldados em Chicago, onde receberão maiores instruções. Irão seguir as ordens diretas de seus líderes, que acompanharão vocês por todo o trajeto em direção ao coração de Chicago.

"Amanhã, conquistaremos Chicago. Amanhã, retomaremos nossa independência!".

A presidente encerrou seu discurso, seguida por mais uma rodada de aplausos. E então foram escoltados até as aeronaves. O voo durou aproximadamente trinta minutos até desembarcarem em Wisconsin, onde saíram em uma estação de trem abandonada. Uma confusão estava formada enquanto os líderes berravam os nomes dos soldados que faziam parte de seu esquadrão.

Frost! Sølberg! Dan Broch!... – Um homem alto e negro os chamava, sua voz era forte, como a de um líder, mas não era robótica como a de muitos em Minessota. — Hofferson, Sammuel Hall. – E enrolou o papel, guardando-o de volta em seu colchete. — Eu sou o coronel Holmes, estarei liderando vocês na tomada a Chicago.

Hiccup se lembrava de Holmes. Jurava que tinha o visto ao lado da presidente umas quinhentas vezes. Foram guiados até uma área coberta da estação, que fedia a metal e fumaça. Se reuniram ao redor de uma mesa improvisada com um grande mapa sobre ela. Com dois toques na mesa, surpreendeu o esquadrão revelando as projeções holográficas que mostravam a altura dos edifícios com exatidão.

– Essa é a cidade de Chicago. — Ele apontou para um amontoado de arranha-céus, dos quais Jack já tinha ouvido falar diversas vezes, e até reconhecia alguns, como a Willis Tower. — A inteligência seguiu o rastro de Norte até o edifício do Chicago Board of Trade.

Ele apontou para uma longa avenida que atravessava a cidade, cruzando o rio principal. A avenida terminava em um cruzamento em T, no qual o prédio se erguia soberano sobre os outros.

– Os prédios da cidade estão recheados de guardas da Locker, e todos estarão mirando vocês. Agora, as boas notícias são que, um grupo rebelde conseguiu penetrar as barreiras da cidade, o que deixou os moradores em estado de pânico. Vários refugiados estão nas ruas, toques de recolher estão falhando, diversos grupos rebeldes até apareceram com a ideia louca de levar alguns mortos-vivos, ainda que contidos e sem morder ninguém, para espalhar o medo. Resumindo, a cidade está um caos, mas os soldados da Locker ainda estão de olho em qualquer ameaça. É o perfeito cenário para aparecermos como cidadãos desesperados, e se chegarmos até a avenida do Board of Trade, a North La Salle, pegaremos o Norte ali mesmo. — Houve um certo silêncio enquanto todos analisavam a situação. — Eu não garanto que voltarão todos para casa, mas garanto que teremos feito a nossa parte. Lutamos pela liberdade.

Houve acenos de concordância. Faltava pouco. Depois de um mês, e agora estavam quase lá, pensava Jack.

+++

Eles seguiram pelas linhas de trem. Os uniformes militares eram cobertos por roupas de civis, casacos, agasalhos. E para a sorte de Jack, nevava por todo o estado de Illinois. Desembarcaram do trem antes que este chegasse a Chicago, porém. Havia um front de batalha com uma centena dos soldados de Mineápolis vestidos de preto, que lutavam contra um punhado de soldados da Locker. Estes vestiam armaduras alaranjadas, foscas, mas facilmente reconhecíveis em qualquer cenário.

– Uma distração! — Dizia Holmes, referindo-se ao front de batalha. — Eles atraem a atenção para cá, desviando-a do centro da cidade. É a nossa brecha para entrar.

Eles seguiram a pé um longo percurso pelos bairros afastados, mas Jack conseguia ver, à quilômetros de distância, o topo dos arranha-céus de Chicago. Estavam à uns dez quilômetros ao norte do centro da cidade. Demoraram mais uma hora até alcançarem o Lago Michigan. Jack achava engraçado como em apenas um quarteirão, o cenário de guerra com paredes esburacadas pelas balas e sulcos de explosões se transformava em uma simples cidade com prédios altos de escritórios. Já estavam bem longe do front de batalha, mas haviam barricadas estendidas por uma longa avenida que cruzava de leste a oeste, onde uma multidão de pessoas se espremiam para atravessar. Verdadeiros civis, fugindo dos horrores da guerra.

Jack se aproximou de Hiccup, agarrando uma das mãos do moreno. Estavam disfarçados de civis. Olhou para Astrid com o canto do olho, acenando, encorajando-a.

– Vai dar tudo certo. — Disse.

Se enfiaram no tumulto de pessoas, eram muitas para que os soldados revistassem, e não tinham tempo para isso. O contágio pelo vírus havia terminado fazia aproximadamente um ano, então simplesmente as deixavam passar. Embora Jack estivesse com Hiccup, não avistavam mais ninguém do esquadrão.

Avistou a trança loira de Astrid, cujo capuz estava abaixado. Se aproximaram dela primeiro. Então os ombros baixos de Sandy. E por último os cabelos abastados de Mérida. Mas não viam Holmes.

Até que ouviram os gritos.

Um coro de agonia trespassou a multidão. Jack não via nada, mas ouvia de longe a sequência de explosivos, detonando sobre as cabeças dos civis. A frente deles, o som de um helicóptero atraiu a atenção daqueles que rastejavam em meio ao sangue. O helicóptero balançou no ar algumas vezes antes de se espatifar sobre os civis, uma chuva de sangue e fogo se erguendo do local do impacto.

De qual lado era o helicóptero, eles nunca saberiam, apenas correram. As pessoas da avenida se empurraram, arrancando o chão uma das outras e arrastando tudo para longe dos tiros. Entravam em ruas menores, afastadas das avenidas. Os tiros ainda eram ouvidos em qualquer distância, lampejos amarelos que acertavam soldados, rebeldes, civis, crianças.

Jack apertou a mão de Hiccup, esperaram pelos outros, e então continuaram a corrida para o sul. Não esperariam por Holmes. Duvidava que mais alguém emergisse das ruas de sangue sem ser arrastado por quilômetros ou sem ser atingido pelos riscos brilhantes.

– Por aqui! — Hiccup gritara, apontando para uma rua mais afastada.

Jack estava mentalmente agradecido por Hiccup já ter vivido em Chicago, pois aquele período agora estava mostrando sua utilidade. Eles seguiram Hiccup enquanto ele apontava as ruas, se afastando dos gritos das multidões. Era difícil. Os focos de batalha se concentraram em pequenos cruzamentos, telhados de escolas, vielas estreitas. Mas rareando depois de uma certa distância. Vez por outra entravam em becos, desviando de helicópteros que disparavam em direção ao centro. O cenário se repetia pelo caminho, prédios comerciais pequenos, escolas, residências geminadas, mais prédios baixos... Mas a guerra não estava acontecendo ali.

Não por enquanto, pelo menos, pensou Jack. E esse tempo todo, não largara da mão de Hiccup. O som das batalhas estava quilômetros ao norte. Não viam mais tantas pessoas, os poucos resquícios delas se escondiam em seus próprios prédios, subiam escadas para longe do terror. Viviam quase como se nada estivesse acontecendo do lado de fora das fronteiras. Quase... normais. Essa ideia causava arrepios em Jack.

Não sabia a quanto tempo estavam zanzando pelas ruas de Chicago. O sol estava para se pôr, e eles ainda estavam caminhando.

Foi quando viram mais um helicóptero. O esquadrão já estavam se escondendo em uma viela estreita quando o viram rodopiar em pleno ar, as hélices não suportando o próprio peso, e então se explodiu na rua diante deles. Ninguém sairia daquele veículo. Se já não tivessem morrido pela queda, então o fogo os queimaria vivos. Mas nem todos estavam completamente mortos. Pois das chamas, os mortos emergiram.

Os garotos correram, Hiccup na frente, Jack por último enquanto disparava, inutilmente contra os mortos-vivos. Eles rastejavam pela rua, grunhiam, enquanto levavam tiros após tiros em suas cabeças. O esquadrão lutava para levantar a tampa de um bueiro, onde certamente os mortos não conseguiriam entrar. Jack deu um último disparo antes de empurrar Hiccup para baixo, então Mérida, e depois Astrid. Só faltava...

– Sandy! — Gritou Jack, sem tempo de fazer qualquer coisa, mas com tempo apenas o suficiente para ver o amigo lutando para afastar um vampiro de suas pernas, enquanto outro puxava sua cabeça para trás, e outro dando um último golpe sobre seu pescoço esticado.

Na ruela, uma fileira de mortos-vivos se espremia, guiados pelo cheiro do sangue de Sandy.

Se não fosse pela mão de Astrid puxando Jack para baixo, ele teria ficado lá, inutilmente atirando contra o primeiro vampiro que visse, mesmo que isso custasse a sua vida. E aquilo teria custado sua vida.

A tampa do bueiro foi novamente puxada para o lado, e então estavam imersos na escuridão.

Notas finais
Não, não sou psicopata, antes que perguntem. Até a próxima! :3