The Last Angel
2 The Parting of the Ways
Notas iniciais
A chuva caia incessante sobre a multidão que percorria as ruas de Alliance. Apesar do mal tempo, as pessoas não deixavam de cumprir suas obrigações. Os guarda-chuvas e sombrinhas formavam um arco-íris sobre suas cabeças. Carros se aglomeravam nas ruas por causa de engarrafamentos, e uma sinfonia de buzinas inundava o ar.
Em meio às pessoas, uma mulher caminhava com passos largos e apressados, tentando desviar dos pedestres. Ao passar por um deles, esbarrou em um homem que usava um terno preto e segurava um guarda-chuva. O sujeito reclamou pronto a discutir, mas se calou ao olhar para a mulher, fingindo não ter ocorrido nada, e voltar a andar na direção oposta.
Ao encarar o homem, ela notara o choque que ele levara, embora estivesse usando um casaco com o capuz sobre sua cabeça, o homem conseguiu enxergá-la. Retornou a andar e logo entrou em um prédio simples.
Subiu as escadas o mais rápido que pode, chegando no último andar e entrando no apartamento 58. Encostou-se na porta respirando profundamente. Sentia-se segura, por hora.
Tirou de dentro do casaco uma pasta com vários papéis em seu interior, e jogou-os sobre a mesa de centro na sala.
Foi até o banheiro e, retirando o sobretudo, ela viu sua imagem refletida no espelho. Sua pele era de um branco luminoso, cujo brilho parecia sobrenatural. Os cabelos dourados caiam em ondas sobre seu ombro e seus olhos eram de um verde intenso. Seus lábios estavam pintados com um batom cor-de-rosa que parecia juvenil para ela.
- Amelia Singer... – Ela falou para sua imagem no espelho. – Está cada vez mais parecida com eles.
Molhando um pouco o rosto com água, saiu do banheiro, foi até a cozinha e preparou um pouco de café.
Sentou na cadeira da sala, esticando os pés sobre a mesinha, abrindo a pasta que trouxera consigo.
Os primeiras folhas continha informações de contratos fechados com empresas locais. Outras apresentavam gráficos com valores cambiais. Apenas a última folha lhe chamou atenção: um endereço com o nome de um homem, Crowley, estava escrito no canto da página. Copiou o remetente em outro folha, rasgando as originais que havia adquirido e jogou-as na lareira acesa.
De cima da lareira ela retirou uma estreita caixa de aço. O simples ato de tocar o metal frio a deixou alarmada, como se a solidez da caixa fosse um veneno a favor da imaterialidade das lembraças.
Ela colocou a caixa à sua frente e levantou a tampa. No interior, havia pequeno diário envolvido por uma tira de couro, cuja fivela dourada tinha o formato de um anjo, de corpo longo e delgado. O olho do anjo era uma safira azul, e suas asas, quando pressionadas, abriam a fivela, liberando as folhas. O diário era encadernado em couro flexível e desgastado. Folheando o livro, Amelia viu mapas desenhados à mão, anotações garatujadas em tintas coloridas, e esboços de anjos desenhados nas margens. Uma partitura ocupava uma página central. Análises históricas e exeges bíblicas enchiam muitas folhas. Amelia passou a mão pela capa do livro, desejando poder entender os seguredos que lá estavam.
Enfiada na contracapa, havia uma foto, que ela retirou. A foto mostrava ela e seu tio, Robert Singer, abraçados. Posicionados em seus lados, três homens olhavam para a câmera. Sam e Dean Winchester, e Castiel. Fora tirada a dois anos atrás. Amelia olhou para a imagem com o coração doendo. Embora estivesse abraçada ao tio, ela olhara para Castiel. Seus olhares se encontraram no exato momento que a foto fora tirada.
Apesar dos sérios problemas que enfrentavam na época, todos os cinco estavam felizes.
- Meus amores... – Murmurou passando o dedo pelos rostos das pessoas na imagem.
Ela daria tudo o que tinha para estar com eles de novo, embora soubesse que tinha de evitá-los a todo custo.
Mesmo tendo passado dois anos desde que os conhecera, ela conseguia lembrar claramente de tudo. Lembrava da lâmina do AntiCristo perfurando seu peito. Lembrava de Nathanael aparecendo para resgatar os pobres caçadores, mas o que não saia da sua mente era a imagem do anjo debruçado sobre ela, lamentando aos prantos por não ter conseguido salvá-la. Naquele instante a morte veio e Amelia estava pronta para recebê-la de braços abertos, mas a escuridão não a alcançou.
Ainda era estranho este tipo de renascimento nefilim. Não conseguia compreender porque toda vez que ela era morta, conseguia renascer do sono profundo. Acreditava que devia ser algo genético.
Os primeiros dias eram os piores. Acordava em algum lugar do mundo, completamente nua e sem vestígio algum de memória de quem ou do que ela era. Em dois dias ela sabia perfeitamente das suas condições existênciais. Lembrava dos nefilins, de sua mãe, do arcanjo Gabriel. Dali uma semana lembrava de tudo o que acontecera recentemente e de como falecera. Amelia conseguia lembrar que desta vez teve dificuldade para lembrar apenas do Castiel.
Mas, com a memória restituída, ela procurava se esconder. Sabia que, embora ela tivesse que levar um tempo para ter sua memória, os demônios e anjos já estava à sua procura.
A pouco mais de um mês, ela se mudou para Alliance. Estava examinando vestígios de outros de sua espécies. Queria saber se seu pai havia deixado algum herdeiro cuidando de seus planos – descobrira a trama que seu pai criara. Estava a procura de algo precioso. – e a poucos dias ficara sabendo que alguns demônios estavam envolvidos. Só não esperava que fosse Crowley um dos seu agentes.
O arcanjo Gabriel lhe falara sobre alguns demônios, entre eles, Crowley. Sabia que este ra interesseiro; armava negócios em que ele se beneficiava unicamente. Estava curiosa e preocupada em saber o que ele tramava agora.
Junto com o endereço que encontrara, havia um horário marcado, supostamente alguém iria se encontrar com Crowley. Seria dali dois dias apenas, então teria tempo suficiente para se preparar.
Começara a trovejar no lado de fora, e a chuva começava a cair com mais força. Olhou pela janela do apartamento para a rua, que conforme a hora passava, esvaziava. Queria sair daquee lugar, de todas as memórias que ela lutava para esquecer, mas que relutavam a voltar até ela. Abriu a grande janela. O vento que invadiu seu apartamento fez os papéis sobre a mesa voarem, espalhando-os no chão. Fechou os olhos, sentindo o vento bater em seu rosto, espalhar seus cabelos. Flexionando os músculos, ela abriu as asas em suas costas. Viu seu reflexo na vidraça – curvadas sobre seus ombros, resplandecendo em um halo de luz dourada, havia um par de asas, translúcidas e luminosas, tão fascinantes em sua beleza que ela não conseguia deixar de olhar a si mesma. Com uma leve pressão de seus músculos, as asas se desfraldaram em sua envergadura máxima. Eram tão leves e delicadas. Virou então os ombros, para vê-las diretamente. As penas eram de um cinza chumbo, com crios prateados. Costumavam ser brancas, quase translúcidas, mas adquiriram aquela cor após seu último súbito de cólera. Ela respirou fundo e as asas se mexeram. Logo, estavam se movendo no compasso de sua respiração.
Subiu no parapeito da janela, tomando cuidado com o vento. Concentrando-se no céu coberto de nuvens, ela se firmou. Uma ventania a desaprumou, mas, com um elegante movimento de asas, ela manteve o equilíbrio. Estendendo as asas, Amelia se projetou além do mundo sólido. Sentindo a ausência de peso, lançou-se rumo à corrente de ar frio.
Notas finais
Obs: Alguns leitores conheciam a personagem principal pelo nome Carmen. Favor tomem nota de que o nome da personagem mudou para Amelia, mas de forma alguma as suas características mudaram. Mesma personagem mas com o nome diferente.
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